A sugestão partiu, em maio, da federação da Arábia Saudita, uma das mais ricas entre as 211 associadas à entidade máxima do futebol, e foi recebida com ótimos olhos pelo presidente Gianni Infantino.
Desde então, ficou a cargo de Arsène Wenger, ex-treinador do Arsenal, hoje funcionário da Fifa (é chefe do Departamento Global de Desenvolvimento do Futebol) e um entusiasta da ideia, disseminá-la.
A Fifa declara contar com a simpatia de ex-jogadores famosos, que já disputaram Copa(s) do Mundo.
Ronaldo Fenômeno, Lothar Matthäus (Alemanha), Javier Mascherano (Argentina), Michael Owen (Inglaterra), Marco van Basten (Holanda), Didier Drogba (Costa do Marfim), entre muitos outros, estiveram com Wenger em reunião em Doha (Qatar) neste mês.
Há poucos dias, a entidade publicou em seu site um texto intitulado “A maioria dos torcedores é a favor de Copas do Mundo masculinas mais frequentes”.
Diz a Fifa ter realizado pesquisa global online que levou a esse entendimento, trazendo as seguintes conclusões: a maioria dos fãs gostaria de ver a Copa do Mundo masculina em menor intervalo de tempo; a preferência da frequência é bienal; os mais jovens são mais abertos a mudanças que os mais velhos.
Feito isso, anunciou nesta semana que começará as conversações sobre o tema com os clubes, com as ligas que organizam as competições (tantos as de clubes como as de seleções) e com os sindicatos de futebolistas.
Haverá quem apoie, haverá quem condene, e é cedo para saber se a proposta vai ou não vingar.
O certo é que, caso vingue, haverá uma espécie de overdose de Copa do Mundo –a masculina é o foco aqui. E o consumo excessivo dela pode trazer efeitos maléficos.
O que mais me preocupa, como analista e aficionado do esporte, é a banalização do principal evento futebolístico que existe.
Com o hiato de quatro anos, a Copa do Mundo é um torneio valorizadíssimo em termos esportivos.
Todos que adoram futebol –e até quem não gosta tanto– esperam avidamente por ela, e é essa distância de uma edição para outra que a torna tão aguardada e enaltecida.
Pelo menos um jogador em atividade concorda: Gareth Bale, capitão e craque do País de Gales, cuja seleção disputou uma única Copa, a de 1958, quando foi vítima do Brasil de Pelé nas quartas de final (1 a 0, gol do rei do futebol).
“Gosto da tradição dos quatro anos. Traz prestígio [à Copa do Mundo]. Como os Jogos Olímpicos acontecendo a cada quatro anos, há o sentimento de que é mais especial.”
Em quase um século, ocorreram 21 Copas do Mundo. A 22ª será no final do ano que vem, no Qatar.
Os verdadeiros amantes do futebol sabem de cabeça todos os campeões, na ordem cronológica, desde o Uruguai em 1930 (venceram também a Itália, a Alemanha, o Brasil, a Inglaterra, a Argentina, a França e a Espanha), bem como todos os países-sedes.
Sendo ela de dois em dois anos, a tendência é aumentar o número de vencedores (pois haverá um número maior de tentativas), e será necessário mais espaço na memória para guardar todas as seleções vencedoras e todas as nações anfitriãs.
Justamente por não ser algo trivial, a Copa do Mundo atrai e empolga –qualquer um que não queira torná-la comum deve se opor a ampliar o número de edições.
Aliás, a Fifa já tomou uma decisão ruim para a Copa, que foi a de ampliar o número de participantes. A partir de 2026, não serão mais 32, mas 48.
Com o intuito de ampliar o interesse global no futebol, será implantado um formato esdrúxulo (com 16 grupos de três seleções na fase inicial) e haverá o risco considerável de reduzir o nível técnico da competição.
Voltando à possibilidade da Copa bienal, há resistência forte dos maiores clubes europeus, que são os mais endinheirados do futebol.
Eles teriam que ceder seus astros (ou mesmo os não astros), muito bem remunerados, a suas respectivas seleções por um período a mais –de cerca de dois meses– e sujeitá-los a cansaço físico e lesões.
Outra questão a ser exposta é se os próprios jogadores terão tanta vontade de vestir a camisa da seleção se a Copa for realizada em um intervalo menor.
Atualmente, a chance de triunfar é pequena. Um futebolista de alto nível consegue participar de uma a três Copas em sua carreira, alguns poucos em quatro –mais que isso é exceção.
“Bienalizando” o Mundial, a oportunidade de atuar no evento cresce, bem como a de ser campeão.
Atualmente, o atleta enxerga a Copa como uma chance rara de tentar chegar ao título mais significativo que existe.
Se ela for banalizada, não será surpresa alguns abdicarem de uma edição para, por exemplo, tirar férias com a família. “Fico fora desta, logo, logo já tem outra.”
Até porque, com a Copa do Mundo nesse modelo, a lógica indica que seria nos (poucos) anos em que ela não é realizada que teriam de ocorrer a Eurocopa e a Copa América, entre outras disputas continentais.
Uefa e Conmebol, as confederações europeia e sul-americana, correriam risco de ver seus torneios esvaziados e com cartaz reduzido.
Ademais, como se encaixaria no calendário, de forma a oferecer visibilidade, a Copa do Mundo feminina? E o Mundial de Clubes ampliado, já anunciado pela própria Fifa? Como fica? Ou melhor: quando fica?
“Devem ser realizadas apenas as competições relevantes. Que as outras sejam descartadas”, declarou Wenger, o missionário da Fifa, à rede de TV BeIN Sports. “Essa é a razão pela qual devemos realizar a Copa do Mundo a cada dois anos.”
Indo ao ponto: importante mesmo para a Fifa é a Copa do Mundo. A masculina. O resto é o resto, e o resto é irrelevante e desprezível.
Afinal, como enfatizou em entrevista pré-jogo o respeitado Jürgen Klopp, alemão que treina o inglês Liverpool, é nesse evento que está o dinheiro.
“Todos nós sabemos o que está acontecendo. Por mais que digam que se trata de dar oportunidades a diferentes países, no final tudo se resume a dinheiro. É assim que funciona.”
Com mais edições de Copa, a Fifa ganhará mais em patrocínio, em direitos de transmissão, em venda de ingressos, em comercialização de produtos.
A Copa de 2018, na Rússia, que teve audiência mundial de 3,752 bilhões de pessoas, rendeu à entidade uma receita recorde de US$ 5,357 bilhões (na conversão pelo câmbio atual, R$ 28,41 bilhões).
]]>A publicação relata que, das 133.225 transações (venda, empréstimo ou cessão por término de contrato) no período, média de 13,2 mil por ano, 15.128 envolveram futebolistas de nacionalidade tupiniquim.
Esse número é mais que o dobro do da Argentina (7.444), o segundo país no ranking de atletas negociados no hiato englobado pelo estudo, intitulado “Dez Anos de Transferências Internacionais”.
Completam o top 10 da lista de 204 nacionalidades: Grã-Bretanha (5.523 atletas), França (5.027), Colômbia (4.287), Espanha (3.922), Nigéria (3.793), Sérvia (3.576), Uruguai (3.341) e Gana (2.848).
O país da América do Norte mais bem colocado são os Estados Unidos (1.825 nativos envolvidos em transferências na década), e o da Ásia é o Japão (1.336).
Dentre os mais de 15 mil brasileiros que mudaram de país nesse ciclo, menos da metade (7.284) estavam vinculados a algum clube no Brasil, ou seja, a maioria defendia uma agremiação estrangeira.
Desses 7.284, 21% (1.556) tiveram como destino uma equipe de Portugal e 6% (410), um time do Japão.
No intervalo de dez anos do estudo da Fifa, as transferências de jogadores resultaram em um giro financeiro que se aproximou de US$ 48,5 bilhões (R$ 256,7 bilhões pelo câmbio atual), sendo que US$ 7,1 bilhões (perto de 15%) decorreram de negócios envolvendo brasileiros.
A cifra total é próxima ao valor (US$ 50 bilhões) que o Fundo Monetário Internacional estimou, em maio, ser necessário para pôr fim à pandemia de Covid no mundo.
Os clubes da Inglaterra, sede da Premier League, a liga mais rica e badalada do planeta, foram os que mais gastaram em contratações de jogadores oriundos de outras praças: US$ 12,4 bilhões (R$ 65,45 bilhões), mais que a soma do segundo e terceiro colocados, times de Espanha (US$ 6,7 bilhões) e Itália (US$ 5,6 bilhões).
Envolve um brasileiro o recorde de uma negociação monetária na década focada pela pesquisa. Em 2017, o Paris Saint-Germain desembolsou US$ 263 milhões para contar com Neymar, seu atual camisa 10.
A Fifa destaca que as comissões pagas pelos clubes implicados nas transações aos agentes dos atletas quase quintuplicaram na comparação entre os anos de menor e de maior repasse.
Elas passaram de US$ 131,1 milhões em 2011 para U$S 640,5 milhões em 2019. No total, os intermediários amealharam US$ 3,5 bilhões (R$ 18,47 bilhões) em dez anos no contexto das negociações internacionais.
Nas muitas tabelas expostas pela Fifa no relatório de 98 páginas, o Fluminense aparece no topo de uma.
O clube carioca foi o que mais exportou pé de obra entre os da América do Sul: 183 jogadores deixaram as Laranjeiras para atuar fora do Brasil, média de 18 por ano –a média geral dos clubes é de 16.
O segundo colocado, com 137 atletas exportados em dez anos, também é um time brasileiro, o Grêmio Anápolis, atual campeão goiano. Vêm depois o uruguaio Maldonado (129), o argentino Boca Juniors (119) e o São Paulo (117).
No período da análise da Fifa, ninguém teve mais times exportadores que o Brasil: 230 clubes negociaram pelo menos um futebolista com o exterior. A Inglaterra e a Nigéria aparecem na sequência: 130 e 127 equipes, respectivamente.
E nenhum país importou mais futebolistas que o Brasil: 6,2 mil de 2011 a 2020. A Fifa ressalta que “a maioria desses jogadores retornaram depois de jogar em outras partes do mundo”.
O Palmeiras é o time sul-americano que mais importou atletas: 79. O Atlético-MG contratou 74, e o Boca Juniors, 70.
Leia também: Brasil é líder em clubes e jogadores profissionais, mostra plataforma da Fifa
Leia também: Quarteto estrangeiro fortalece Hulk e o Atlético-MG
]]>Junto com a Itália, a Irlanda do Norte, a Bulgária, a Lituânia e a Suíça aparece nessa chave, de forma bizarra, o Estado Livre Irlandês.
O Estado Livre Irlandês existiu, sendo regido por uma monarquia, de 1922 a 1937, quando se tornou uma república, a Irlanda.
Não se deve confundir com a Irlanda do Norte, que faz fronteira com a vizinha mas que permaneceu, depois da Guerra da Independência da Irlanda (1919-1921), vinculada ao Reino Unido, junto com Inglaterra, Escócia e País de Gales.
O curioso é que a Fifa nem pode alegar que houve confusão, tendo sido incluído o antigo nome da Irlanda no lugar do atual, pois a atual Irlanda está em outro grupo, o A, das eliminatórias da Europa, que reúnem seleções de 55 nações em busca de 13 vagas para o Mundial.
Cinco grupos (do A ao E) têm cinco países, e os outros cinco (do F ao J), seis países.
O Grupo C, onde figura o finado Estado Livre Irlandês, terá nesta quinta-feira Itália x Irlanda do Norte e Bulgária x Suíça. No domingo os duelos são Bulgária x Itália (com transmissão do canal Space, às 15h45) e Suíça x Lituânia. E na quarta da próxima semana jogam Lituânia x Itália e Irlanda do Norte x Bulgária.
O Estado Livre Irlandês, correta e obviamente, não aparece na tabela de jogos; tão somente, grotescamente, na seção de classificação.
É questão de tempo para a Fifa corrigir o erro, mas a gafe, que rendeu neste espaço uma pitada de história da Europa, está registrada.
*
Em tempo: O primeiro dia das eliminatórias da Europa para a Copa do Mundo no Qatar tem como principais atrações Turquia x Holanda, às 14h, Portugal x Azerbaijão, às 16h45 (a TNT exibe), França x Ucrânia, às 16h45 (o Space transmite) e Bélgica x País de Gales, às 16h45. A Irlanda (não o Estado Livre Irlandês) também joga às 16h45, como visitante, diante da Sérvia.
]]>Diante do Tigres, do México (o algoz do Palmeiras), a equipe alemã se mostrou muito superior, como era esperado de um time recheado de estrelas, porém o resultado final foi um magro 1 a 0.
E com um gol, de Pavard, irregular. Antes de a bola sobrar para o lateral francês (autor de um dos mais belos tentos da Copa do Mundo de 2018), em dividida pelo alto do goleiro argentino Guzmán com o atacante Lewandowski, a bola tocou no braço do artilheiro polonês.
A atual regra do futebol afirma que, independentemente de ter havido intenção, quando a redonda bate na mão ou no braço de um atleta do time que ataca, em jogada que resulte em gol, esse deve ser anulado.
Não foi. O árbitro uruguaio Esteban Ostojich não viu, nem nenhum de seus assistentes no campo, os bandeirinhas Nicolás Taran e Richard Trinidad, também uruguaios.
E, em princípio, “tudo bem não ver”. (Entre aspas porque o ideal é ver.)
Sendo essa uma partida importantíssima, a mais importante entre todas as disputadas por clubes na temporada, já que definia o campeão do mundo, havia, “dando cobertura”, a visão de quem tudo vê, pois amparado que está por uma dezena de ângulos de todos os lances: o VAR (árbitro assistente de vídeo).
No caso da decisão no estádio Cidade da Educação, em Doha (Qatar), o VAR era Julio Bascuñán, do Chile. Que certamente viu e reviu o lance. Mas não houve a orientação a Ostojich para que o gol fosse invalidado.
E, desse modo, com um gol ilegal, o Bayern amealhou seu quarto título mundial.
Bayern München hand goal vs tigres#MundialDeClubes #BayernMunich pic.twitter.com/TGxqLdUBDp
— Enrique E (@applemx) February 11, 2021
O que aconteceu? Bascuñán, mesmo tendo checado a jogada em várias câmeras, não enxergou que a bola encostou no braço de Lewandowski antes de chegar a Pavard?
Isso é possível, pois mesmo todo o aparato tecnológico pode ser insuficiente para que um ser humano, por mais preparado que seja –e um árbitro em uma final de Mundial sem dúvida é–, enxergue tudo sempre.
Deveria ter visto? Sim, estava lá para isso. Não viu? É o que suponho. Saberemos? Se ele ou a Fifa falarem sobre isso, sim.
Vão falar? Talvez. Mas não será agora.
Tentei obter da Fifa, a entidade máxima do futebol e organizadora do Mundial de Clubes, informações sobre esse gol.
Fiz as seguintes perguntas: Por que, depois de ver o lance em várias câmeras e ângulos, o VAR não recomendou a anulação do gol de Pavard? O que o VAR disse sobre essa jogada? Ele não viu a bola bater no braço de Lewandowski? A Fifa considera que houve erro do VAR nesse lance? Se sim, que providências podem ser tomadas?
Houve resposta. Aliás, nisso a Fifa deve ser elogiada. Não lembro de alguma vez a federação me ter deixado sem resposta. Mesmo que a resposta tenha sido improdutiva ou insatisfatória, como desta vez.
Por meio de um porta-voz, assim ela se manifestou: “A Fifa usualmente não faz comentários referentes às decisões dos árbitros em uma partida. Entretanto devemos lembrar que a Regra 5 [do futebol] diz que ‘o juiz deve ser auxiliado pelo VAR somente quando houver erro claro e óbvio ou um incidente sério não visto’”.
O gol do Bayern foi inicialmente invalidado, com a marcação do impedimento.
O VAR (Bascuñán) reviu esse apontamento, e a verificação concluiu que não havia essa irregularidade, fazendo com que o juiz de campo (Ostojich) voltasse atrás.
O problema é que a bola bateu no braço esquerdo do camisa 9 da equipe bávara. Não se tratava de um “erro claro e óbvio”, mas claramente e obviamente foi um “incidente sério não visto” pelo árbitro principal. E o VAR fez mal a cobertura. Falhou.
Por que falhou? Repito: ainda não há essa resposta.
A Fifa não ajudou, então tentei obter a versão de Bascuñán.
Solicitei por email, tanto à Federação de Futebol do Chile como à Confederação Sul-Americana de Futebol, o contato do árbitro, para que ele pudesse esclarecer. Não chegou resposta nem de uma nem de outra entidade.
Claramente há uma blindagem à arbitragem. Os árbitros não falam sobre suas decisões nos jogos.
Não há norma que impeça que se pronunciem, mas não se quer, por algum motivo, da parte deles e/ou da parte de seus superiores, que eles tenham voz.
Depois de cada jogo, os treinadores falam, jogadores falam (cada vez menos, mas falam). Jamais alguém da equipe de arbitragem fala.
Para aproximar essa questão do leitor, no nosso campeonato, o Brasileiro, que se encerrou nesta quinta (25), em toda rodada comentaristas de rádio, TV e internet tentam explicar marcações (ou não marcações) polêmicas.
São tentativas válidas, mas que acabam se restringindo a achismos, a possibilidades. Não há certezas, e sim confabulações.
Para exemplificar, duas marcações recentes, que ocorreram na segunda metade deste mês.
1) Em São Paulo 1 x 1 Palmeiras, na sexta (19) no Morumbi, Leandro Vuaden deixou de dar um pênalti no palmeirense Luiz Adriano.
Ele pode ter achado que não foi pênalti? Pode. Seria um argumento válido.
Seria. Perde sua força porque em Palmeiras 0 x 2 São Paulo, no primeiro turno, o mesmo Vuaden deu um pênalti para o São Paulo em um lance, se não idêntico, parecidíssimo.
A POLÊMICA DO JOGO! Por entrada dura em Filipe Luís, Rodinei foi expulso de campo após intervenção do VAR. Concorda com a decisão da arbitragem? #Brasileirão2020 pic.twitter.com/fxd19tEs2J
— TNT Sports Brasil (@TNTSportsBR) February 21, 2021
2) Em Flamengo 2 x 1 Internacional, no domingo (21) no Maracanã, Raphael Claus expulsou o lateral Rodinei, do time gaúcho, depois de ter sido chamado pelo VAR, Rodrigo Guarizo do Amaral, para observar jogada dele com o lateral flamenguista Filipe Luís.
Claus não deu nem falta no lance em que Rodinei claramente pisou no tornozelo do adversário. Possivelmente, não viu. Alertado pelo VAR, constatou a falta no equipamento de vídeo que fica na lateral do campo e constatou também que o agressor deveria ser expulso.
Só que em 2019, em um Flamengo x Botafogo, o mesmo Claus, em lance igualmente de pisão, de Cuéllar em Marcinho, até mais violento que o de Rodinei em Filipe Luís (com o agravante de ter pegado por trás), mostrou somente cartão amarelo ao flamenguista.
O VAR, Thiago Peixoto, que poderia intervir e solicitar revisão a Claus, aparentemente não o fez.
POLÊMICA! Cuellar chegou forte em Marcinho e recebeu cartão amarelo. O time do botafogo pediu a revisão do lance no VAR. Merecia a expulsão? Diz aí! #BrasileirãoNoEI pic.twitter.com/HDAmw40gKW
— TNT Sports Brasil (@TNTSportsBR) July 28, 2019
Sem ouvir Claus, sem ouvir Vuaden, sem ouvir Peixoto, ninguém nunca vai compreender o critério utilizado pelos juízes.
Só eles podem explicar, e seria ótimo que explicassem, para que jornalistas e torcedores tenham esclarecimento, saibam qual é a lógica (se é que existe uma).
Porém, infelizmente, isso não aconteceu e não acontecerá.
Questionei a Confederação Brasileira de Futebol acerca do motivo de os árbitros não darem entrevistas depois dos jogos, com a finalidade de comentarem suas atuações.
A CBF afirma seguir uma orientação do Ifab, órgão que regulamenta as regras do futebol, segundo a qual os árbitros não devem dar declarações na véspera dos jogos nem ao término dos mesmos.
A entidade ressalta que não há nenhum documento que comprove essa recomendação do Ifab, mas que ela é passada nos encontros anuais do órgão com as confederações nacionais.
Não tenho por que duvidar dessa versão, até porque não tenho uma que a conteste, só que é heterodoxo não existir nada por escrito a respeito de um tema tão em evidência e é estranho que os responsáveis por tratar das regras do esporte sejam aqueles a “amordaçar” os árbitros (por que fariam isso?).
Um motivo mais plausível para a blindagem seria simplesmente este: uma questão de preservação.
Árbitros erram, sim, e nem a tecnologia de vídeo os tornará infalíveis. Isso é fato, e ocorre com muita frequência.
Não falando, eles ficam menos sujeitos a confrontações que podem, se bem embasadas, escancarar suas deficiências e, principalmente, a tremenda falta de critério, não só coletiva como, muito pior, individual. Muitas carreiras certamente iriam pelo ralo.
Se for pensado assim, a blindagem da turma do apito faz todo o sentido. Pois, para tentar explicar o inexplicável, é melhor nem tentar.
O silêncio, nesse caso, age como contenção de danos, como autoconservação do profissional.
Se for pensado assado, a blindagem torna a arbitragem menos transparente, dando a nítida impressão de que é ruim, mal orientada ou até mal-intencionada, impressão que em nada ajuda os já tão criticados e mal falados juízes de futebol.
O silêncio, nesse caso, é confissão de culpa, atestado de incompetência e delator de suposta má-fé.
]]>Essas confederações são Uefa (Europa), Conmebol (América do Sul), Concacaf (Américas Central e do Norte e Caribe), AFC (Ásia), CAF (África) e OFC (Oceania)
Segundo a entidade máxima do futebol, o objetivo da ferramenta, “criada para toda a comunidade do futebol a fim de monitorar o profissionalismo no futebol” e batizada de Professional Football Landscape (Panorama do Futebol Profissional), é proporcionar um “panorama visual detalhado” do esporte mais popular do planeta.
O Brasil é o país que tem, disparado, mais clubes profissionais. São 656, ou 15% do total (4.415). Na sequência estão México (245), Turquia (126), Argentina (124) e Itália (100).
O “país do futebol” é também o único a ter mais de 10 mil jogadores no profissionalismo: 10.694 (7,8% dos quase 130 mil). Na segunda posição figura o México, com 9.223. Inglaterra (5.368), Espanha (5.335) e Turquia (3.693) completam o top 5.
O número do Brasil supera a soma dos outros nove países (Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela) que integram a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol): 10.622 jogadores.
A plataforma da Fifa traz outras dezenas de informações referentes às 211 federações nacionais associadas à entidade, como transferências, calendário, relações trabalhistas, licenciamentos e negociação de contratos de TV.
O ano do futebol profissional no Brasil vai de fevereiro a dezembro. Em 2021, porém, devido à pandemia de coronavírus, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) agendou jogos do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil para janeiro.
Na Europa, os países com as ligas mais fortes realizam suas competições de agosto (ou julho, ou setembro) até junho.
Na área “Transferências” da plataforma, descobre-se uma curiosidade: o Benin tem a maior “janela” (período em que se pode negociar jogadores com outros países) de todas, 178 dias por ano (quase seis meses), e a Somália, a menor, só 13 dias. Os dois países são africanos.
Essa mesma área, contudo, tem problemas nos gráficos que exibem a chegada e a saída de jogadores, bem como nos valores das transações.
Uma das seções traz o título “Transferências – % de países pelo número total de clubes profissionais”. Na subseção “Volume total”, constam 27% de “entradas” e 12% de “saídas” em países com “zero” times profissionais, o que é impossível dentro do universo da pesquisa.
Já a subseção que apresenta a quantidade de dinheiro (em dólares) envolvendo as negociações, além do mesmo problema da subseção vizinha, não informa o período de apuração, sendo que a data de início e de término das transferências são vitais para o entendimento.
Assim, esses campos visuais são no mínimo confusos e precisam ser refeitos e/ou aperfeiçoados, de forma que os consultantes possam rapidamente compreendê-los e interpretá-los.
O mecanismo desenvolvido pela Fifa permite que se saiba a porcentagem de jogadores nacionais ou estrangeiros que atuam em cada país, revelando diferenças significativas.
Por exemplo: no Brasil, 90% dos futebolistas no principal campeonato são brasileiros. Na Inglaterra, corriqueira importadora de pé de obra, só 39% são ingleses –ou seja, de cada dez jogadores, seis são estrangeiros.
A plataforma apresenta também as regulamentações sobre o limite de atletas por clube e o número máximo de estrangeiros permitidos em cada elenco.
No Brasil são, respectivamente, 50 e 5. Na Inglaterra, 25 e 18. Na Argentina, “sem limite” e 6. Em Portugal, 27 e “sem limite” –um clube, se quiser, pode ter só estrangeiros no plantel.
Todos os dados relatados referem-se ao futebol praticado pelos homens. Apesar de haver um ícone na página que direciona o leitor ao “futebol feminino”, o conteúdo nesse espaço é escasso.
Diz a Fifa que “nas próximas semanas, todos os membros associados terão acesso à plataforma, podendo fazer atualizações tanto no futebol masculino como no feminino regularmente”.
A Fifa não reportou a origem das informações que abasteceram sua plataforma, e deve haver algumas discrepâncias com as das federações nacionais.
No caso do Brasil, a CBF publicou, no começo de 2019, que eram 742 os clubes profissionais no país, número 13% superior ao apresentado pela Fifa.
]]>Divulgou-se amplamente que o polonês Robert Lewandowski, do Bayern de Munique, ganhou (merecidamente, diga-se) pela primeira vez, na categoria masculina, superando Cristiano Ronaldo (Juventus) e Messi (Barcelona), os maiores nomes do esporte desde o fim da década passada.
O que não se divulgou amplamente, ou não teve repercussão maciça, foi que a inglesa Lucy Bronze, de 29 anos, do Manchester City, faturou, também de forma inédita, o prêmio entre as mulheres.
Nada surpreendente, já que o interesse pelo futebol praticado entre os homens sempre foi, é, e por algum tempo ainda será, superior ao entre as mulheres.
É uma questão histórica e, por que não, de preferência mesmo. O ritmo e a intensidade de um jogo masculino são evidentemente maiores, devido ao fator físico, e para a maioria dos aficionados por futebol isso conta muito.
Além disso, a oferta de confrontos de futebol feminino a serem vistos pela TV é mínima.
Eu não tenho o hábito de ver partidas delas. Não é preconceito, é falta de encanto –os jogos parecem acontecer em câmera lenta.
Acompanhei no mês passado o duelo de volta de uma das semifinais do Campeonato Brasileiro, Avaí Kindermann x São Paulo, e devo ter dado azar, pois o nível técnico esteve péssimo. No segundo tempo, era raro ver uma sequência de três passes certos. Muito chutão, tática zero. Desanimador.
É diferente, contudo, na Copa do Mundo, recomendável a todos, pois o nível sobe de forma extraordinária. Dá gosto ver as mulheres nesse evento –só que ele só é realizado a cada quatro anos.
Sobre Bronze, gostaria de enaltecer os atributos dela como jogadora, mas é preciso ser honesto e relatar que a vi jogar uma única vez, em partida da Inglaterra no Mundial de 2019, na França, a semifinal contra os EUA.
As norte-americanas ganharam por 2 a 1, e a lateral-direita, que já era badalada, não teve grande atuação.
Não duvido de que seja ótima e consistente, já que na premiação da Fifa teve votos suficientes para superar a artilheira dinamarquesa Pernille Harder, do Chelsea –atacantes, por fazerem mais gols, o que lhes dá mais visibilidade, quase sempre ganham eleições desse tipo.
The moment @LucyBronze found out she’d been named the Best FIFA Women’s Player of the Year for 2020!
Watch our full interview with Lucy
#ManCity | https://t.co/axa0klD5re
— Manchester City (@ManCity) December 17, 2020
Bronze, que defendeu o Lyon até setembro, ganhando neste ano a Champions League, faz bonito também fora das quatro linhas.
Quando estava na França, ela fez visita a hospital focado nos cuidados a mulheres (ginecologia) e crianças (pediatria), que conta com um programa de orientação educacional e cultural aos pequenos, e expôs sua experiência em postagem na internet.
Jogadores e jogadoras devem dar bons exemplos à sociedade, pois são admirados e idolatrados. Assim, é válido e importante enaltecer as atividades realizadas por eles e elas, dimensionando-as, para que ecoem, atraiam, estimulem, conscientizem.
No caso de Bronze, ela dedica-se rotineiramente a causas infantis.
“Coisas realmente próximas a mim são [as relacionadas a] crianças, embora eu também ame os animais”, disse, em entrevista publicada em agosto no site da Associação dos Futebolistas Profissionais de seu país.
No Reino Unido, a atual melhor jogadora do mundo atua na Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças.
“Amo dar apoio às crianças, e me envolvo, faço pequenas coisas para ajudar: colaboro para promover a filantropia e incentivo as pessoas a se doarem mais.”
Bronze também colabora com uma organização que arrecada fundos para amparar a população jovem da cidade de Ndhiwa, no Quênia (África).
“A Team Kenya orienta predominantemente as meninas, ajudando-as a superar algumas experiências horríveis”, afirmou a atleta. Educação, segurança, princípios morais e direitos humanos são prioridades.
E ela se mantém atuante nas redes sociais (tem 254 mil seguidores no Instagram, 105,7 mil no Twitter e 52,2 mil no Facebook), por onde almeja, afirma, “expandir a mensagem”.
“Uso para compartilhar minhas experiências e ajudar em ações de caridade. Muita gente pede ajuda, e gostaria de ajudar todos, mas faltam horas no dia. Os fãs ampliam esse alcance.”
Por essas e outras, não somente em campo mas fora dele, Bronze merece a medalha de ouro.
*
Em tempo: Na eleição da Fifa, uma inglesa (Bronze) ocupou o primeiro lugar, uma dinamarquesa (Harder), o segundo, e uma francesa (a zagueira Wendie Henard), o terceiro. Nenhuma brasileira ficou entre as 11 mais votadas, o que mostra uma carência na lacuna que está sendo deixada por Marta, ganhadora dessa láurea em 2018. Debinha, de 29 anos, meia-atacante do North Carolina (EUA), é considerada hoje a melhor jogadora do Brasil, de acordo com rankings do jornal The Guardian (13ª entre 100) e do site Goal (9ª entre 25).
*
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar o acesso gratuito de qualquer link para até cinco pessoas por dia. Basta clicar no F azul no topo, abaixo do título.
]]>Dessa forma o português André Villas-Boas, que treina o Olympique de Marselha, da França, classificou a indicação do argentino Marcelo “El Loco” Bielsa para o prêmio The Best, na categoria “Melhor Técnico”.
Bielsa, que comandou a seleção de seu país de 1998 a 2004 e é conhecido pelo futebol ofensivo e vistoso (e também por acompanhar de cócoras as partidas na lateral do campo), faturou na temporada 2019/2020 o título da Championship, a segunda divisão da Inglaterra, com o Leeds United.
Na opinião de Villas-Boas, que foi um dia apontado como discípulo de seu compatriota José Mourinho e teve passagens pelo Porto, pelo Chelsea e pelo Tottenham, essa conquista não é suficiente para qualificar Bielsa à disputa promovida pela Fifa.
“Bielsa merece ganhar um prêmio desses na sua carreira pelo seu estilo de jogo, todos reconhecem isso. Mas estar entre os cinco melhores técnicos de 2020?”, indagou Villas-Boas a jornalistas, conforme relato de jornais portugueses e espanhóis. “Por ter vencido a Championship?”
Para ele, quem merecia estar na lista é o alemão Thomas Tuchel, do Paris Saint-Germain. “Tuchel ganhou quatro títulos e foi finalista da Champions League”, justificou o português.
No período que a Fifa considera para a escolha dos concorrentes ao troféu deste ano (20 de julho de 2019 a 7 de outubro de 2020), o PSG de Tuchel faturou Campeonato Francês, Copa da França, Copa da Liga Francesa e Supercopa da França. Na decisão da Liga dos Campeões da Europa, perdeu por 1 a 0 do Bayern de Munique.
O treinador do Bayern, aliás, é o favorito para ficar com o prêmio, vencido em 2019 por Jürgen Klopp, indicado novamente depois de tirar o Liverpool de uma fila de 30 anos no Campeonato Inglês.
O alemão Hans-Dieter Flick tem como adversários, além de Bielsa e Klopp, o espanhol Julen Lopetegui, campeão da Liga Europa com o Sevilla, e o francês Zinédine Zidane, campeão espanhol com o Real Madrid.
Os candidatos são escolhidos por dez “especialistas”, na definição da Fifa, selecionados pela própria entidade: Cafu (Brasil), Forlán (Uruguai), Mondragón (Colômbia), Schweinsteiger (Alemanha), Stoichkov (Bulgária), Villa (Espanha), Park (Coreia do Sul), Yaya Touré (Costa do Marfim), El-Hadary (Egito) e Suazo (Honduras).
O critério de seleção, que consta do regulamento do The Best, é vago: “Desempenho em campo e comportamento do time dentro e fora do campo”.
É muito provável que Bielsa, que tem no currículo o ouro olímpico em Atenas-2004 com a Argentina, tenha entrado na disputa “com o nome”, já que, apesar de ser disputadíssima, a Championship é um campeonato de segunda divisão.
De 20 de julho do ano passado a 7 de outubro deste ano, o Leeds de Bielsa (atual 12º colocado no Campeonato Inglês) venceu 31 partidas oficiais, empatou 12 e perdeu 11, com um aproveitamento de pontos de 65%.
O PSG de Tuchel ganhou 44, empatou quatro e perdeu sete jogos, sem contar os amistosos, tendo aproveitamento de 82%.
São obviamente realidades diferentes, já que o Leeds não tinha (e não tem) craques no elenco, enquanto o PSG contou (e conta) com Neymar, Mbappé e Di María, entre outros destaques.
O vencedor será conhecido no dia 17 deste mês, em cerimônia virtual devido à pandemia de coronavírus.
Em tempo 1: Por que Marcelo Bielsa tem o apelido de “El Loco” (O Louco)? Há várias histórias em sua carreira que o levam a ser assim chamado, mas a que originou a alcunha data de 1992. Na Libertadores daquele ano, o Newell’s Old Boys, de Bielsa, jogando em casa (Rosario) levou uma goleada de 6 a 0 do San Lorenzo, na primeira fase. Revoltados, torcedores foram até a frente da casa do treinador, de madrugada, protestar e cobrar satisfações. Bielsa apareceu. mas não estava para papo. E tinha uma granada na mão. Desafiador, afirmou: “Se vocês não forem embora agora mesmo, tiro o pino e jogo em vocês. Os torcedores sumiram dali em instantes. E Bielsa tornou-se “El Loco”. Naquela competição, apesar da humilhante goleada, o Newell’s avançou até a final, na qual perdeu nos pênaltis para o São Paulo de Raí e Telê Santana.
Em tempo 2: Há brasileiros na disputa desta edição do prêmio The Best. Neymar (PSG) concorre na categoria “Melhor Jogador”, e Alisson (Liverpool), na “Melhor Goleiro”. Nenhum deles deve ganhar, ficando os troféus, respectivamente, com o polonês Lewandowski e com o alemão Neuer (ambos do Bayern).
]]>Ele é o chefe do Departamento Global de Desenvolvimento do Futebol na máxima entidade do esporte.
Na função, tem o papel de tentar tornar o jogo mais atrativo, para fãs, TV, patrocinadores –afinal, infelizmente para os nostálgicos (no sentido de saudoso, não de melancólico) como eu, o futebol mais do que nunca é também negócio.
O francês Wenger, de 70 anos, tem ideias para mudar o futebol.
Se depender dele, o jogo implantará uma nova forma de bater os arremessos laterais. Saem as mãos, entram os pés, em uma imitação do futebol de salão (futsal).
Atualmente, segundo ele, o time que cobra o lateral tem muita desvantagem, perdendo a posse da bola 80% das vezes em que ela é reposta em jogo.
Nunca me atentei a esse aspecto, mas minha impressão é a de que Wenger está errado e na maioria das vezes a equipe que bate o arremesso manual mantém a bola em seu domínio.
Outra modificação proposta por ele refere-se aos escanteios.
O ex-treinador deseja que a partida não mais seja interrompida se, na batida, a bola sair pela linha de fundo.
Algumas vezes, quando o cobrador coloca um efeito na bola, ela sai, voltando depois, em curva, para o campo. Nesse caso, o árbitro interrompe o lance e dá tiro de meta.
Wenger quer que o jogo prossiga, a fim de ampliar a chance de gol do time atacante nos escanteios.
A intenção é válida, porém, se existem as quatro linhas no futebol, a bola para estar em jogo deve estar dentro delas. Bola fora de jogo é bola fora de jogo, ponto.
Cabe ao batedor do córner praticar para que a redonda chegue à cabeça ou aos pés de um companheiro na área adversária sem que ela saia do campo. Não é necessário dar auxílio extra a fulano ou beltrano para que seja competente. Treino é a palavra.
O terceiro plano do francês é relacionado às faltas.
Ele deseja que o jogador possa bater a falta para si mesmo, sem necessidade de tocar para um companheiro.
Seria uma maneira de ampliar a dinâmica da partida, evitando que o infrator atravanque-a.
O atleta que sofre a falta teria a opção de se levantar rapidamente, dar um toque na bola para ele mesmo e seguir adiante.
Essa talvez seja uma alternativa interessante, que poderia ser testada para que os resultados sejam observados. Teoricamente, o defensor faltoso atrasará menos o avanço do oponente, o que é positivo para o futebol.
Wenger tem as ideias, sendo elas boas ou não, mas não possui poder para implantá-las.
Suas proposições, caso sejam de agrado do presidente da Fifa, Gianni Infantino, serão levadas adiante, para o Ifab (International Football Association Board), que é o órgão responsável por regulamentar as regras do futebol.
Como o Ifab tem flexibilizado seu histórico conservadorismo –a entrada em vigor do VAR (árbitro assistente de vídeo) é a maior prova–, é possível que pelo menos uma das inovações seja aprovada a curto prazo.
E o futebol vai se transformando, se transformando, se transformando… Dizem ser evolução. E até nos acostumamos com as mudanças, rapidamente ou nem tanto, gostando delas ou não.
Mas o futebol é tão popular, tão visto em todo o planeta, que é um tanto quanto absurdo que somente oito membros (um da Inglaterra, um da Escócia, um da Irlanda do Norte, um do País e Gales e quatro da Fifa) decidam o que deve ser mudado no esporte.
Sendo assim, espera-se que haja bom senso, até porque ainda estamos nos habituando ao VAR, que está bem longe de ser unanimidade, já que provoca polêmica atrás de polêmica, e distantíssimo de cumprir o seu objetivo original, o de corrigir apenas “erros claros e óbvios”.
Que Wenger e o Ifab se conscientizem de que não há urgência para se criar ou mudar nenhuma regra. Como diz um velho ditado, “devagar com o andor, que o santo é de barro” (na explicação de Ana Scatena, “não se apresse, pois a precipitação pode causar problemas”).
]]>Primeiro, a Holanda deu por encerrada a Eridivisie, sem que um campeão fosse declarado.
Depois, a França, onde joga Neymar, também decretou a impossibilidade de dar sequência à Ligue 1. Nesta quinta (30) houve a definição sobre o vencedor –o troféu será dado ao PSG, que liderava com folga.
Na América do Sul, a Argentina seguiu o mesmo caminho e até já definiu classificados para a próxima Libertadores: Boca Juniors, River Plate, Racing e Argentinos Juniors.
Fica a dúvida: conseguirão Alemanha, Espanha, Itália e Inglaterra reiniciar seus respectivos campeonatos nacionais?
No campo esportivo, clubes (com poucas exceções, na Itália) e federações desses países querem porque querem que isso aconteça, o quanto antes.
Obviamente, não só pelo desejo de encerrar as competições mas também para recuperar os ganhos financeiros, com receitas de TV e bilheteria, por exemplo.
No campo médico há, contudo, uma divisão. E entre as principais autoridades do setor em duas das principais entidades do futebol: a maior delas, a Fifa, que rege o futebol no mundo, e a Uefa, que administra o futebol na poderosa e endinheirada Europa.
“Não é uma questão de dinheiro. É uma questão de vida ou morte”, sentenciou ao jornal The Daily Telegraph, da Inglaterra, o belga Michel D’Hooghe, chefe do departamento médico da Fifa, para quem “subitamente, o futebol não se tornou mais uma coisa importante na vida”.
Ele alerta que a retomada dos campeonatos nas próximas semanas poderá causar um segundo pico da pandemia de Covid-19.
“Na minha longa carreira, vi muitas situações em que pesaram na balança os lados financeiro e de saúde. Na maioria, o financeiro venceu, seja em relação ao fuso horário, à altitude ou a condições de poluição extrema. Se há uma ocasião em que os argumentos médicos deveriam derrotar os econômicos, é agora.”
Para D’Hooghe, só o fim de agosto ou o começo de setembro seriam momentos em que se poderia jogar com riscos reduzidos.
Porém a visão do belga de 74 anos não é unânime.
Um dos que discordam dele é o alemão Tim Meyer, 22 anos mais jovem, chefe do comitê médico da Uefa.
“Todas as organizações futebolísticas que planejam recomeçar suas competições estão elaborando protocolos que ditem as condições operacionais e sanitárias para assegurar que a saúde dos envolvidos nos jogos esteja protegida”, disse ele em um comunicado.
“Nessas condições, e respeitando as legislações locais, é perfeitamente possível planejar o reinício dos torneios suspensos.”
A divisão de opiniões não se restringe aos médicos diretamente ligados ao esporte.
Na Itália, Franco Locatelli, que preside o Conselho Superior de Saúde, órgão consultivo do governo, assegura que a chance de um atleta contrair o coronavírus durante uma partida é mínima.
“O contato não é suficientemente intenso”, declarou em recente entrevista à imprensa.
Não sei o que Locatelli considera intenso. Só sei que o futebol é um jogo de muito contato físico, com disputas terrenas e aéreas entre os adversários, que se tocam e se chocam constantemente ao longo dos 90 minutos mais acréscimos.
Só que o vice-ministro da Saúde italiano vai na contramão de Locatelli.
“Não é tênis ou Fórmula 1. No futebol o contato entre os jogadores existe, e com ele o risco de disseminar o vírus”, afirmou Pierpaolo Sileri à rádio Rai 1.
Nesse cenário, ele considera seriamente a possibilidade de a temporada 2019/2020 da Série A não ser retomada. “Neste momento, é improvável.”
Enquanto os debates progridem, com as decisões finais a serem tomadas oportunamente pelos governos de cada país, a expectativa (agonia para alguns) dos fãs do futebol, que têm vivido de reprises por semanas, vai se estendendo.
Pelas mais recentes projeções dos que controlam os campeonatos, a bola deve voltar a rolar até a metade de maio na Alemanha; no começo de junho na Inglaterra e na Itália; e no fim de junho na Espanha.
Itália (mais de 205 mil casos e quase 28 mil mortes) e Espanha (239,6 mil casos e 24,5 mil mortes) são os países do velho continente em que o coronavírus mais se expandiu e foi mais mortífero.
No Brasil, onde os campeonatos estaduais estão paralisados e o Brasileiro deveria começar neste sábado (2 de maio) –não vai, e não há nova data estipulada–, são até agora 5.901 pessoas mortas e 85.380 infectadas, segundo o Ministério da Saúde.
Leia também: Com infratores e sem banho, Arsenal retoma treinos
]]>Três semanas atrás, a Fifa anunciou em Xangai que a China sediará a primeira edição do novo Mundial, que terá 24 times e será realizada a cada quatro anos, nos meses de junho e julho.
É uma mudança tremenda, já que o torneio atual organizado pela máxima entidade do futebol, disputado anualmente em dezembro, conta com sete equipes e tem duração de 11 dias.
O de 2019 será no Qatar, a partir do dia 11 do mês que vem. Já estão classificados Liverpool (Europa), Espérance, da Tunísia (África), Monterrey, do México (Américas do Norte e Central e Caribe), Hienghène, da Nova Caledônia (Oceania) e Al Sadd, do Qatar (país-sede).
Faltam serem definidos os representantes da América do Sul (Flamengo ou River Plate) e da Ásia (Al Hilal, da Arábia Saudita, ou Urawa Red Diamonds, do Japão).
Ao fazer o anúncio da sede e do número de participantes do novo Mundial, a Fifa informou que ainda serão definidos os critérios para a classificação dos clubes, assim como quais cidades chinesas abrigarão as partidas.
Com essa resolução de reformular a competição, a Fifa se vê envolta com dois obstáculos no caminho de seu recém-remodelado campeonato.
O primeiro é de ordem conceitual. Envolve direitos humanos, assunto reconhecidamente escanteado pela ditadura chinesa de Xi Jinping.
“O regime é uma catedral opressiva construída sobre brutalidades como o Grande Salto Adiante, a Revolução Cultural, a anexação do Tibete, o massacre da Praça da Paz Celestial. A contagem de mortos chega às dezenas de milhões”, trouxe a Folha em editorial no início de outubro, por conta do 70º aniversário do Estado chinês.
Assim que ficou ciente de que a China seria a sede do novo Mundial, a Anistia Internacional (famosa organização não governamental que atua pelos direitos humanos) se pronunciou, condenando a escolha.
“Pequim terá uma nova oportunidade de tentar lavar, pelo esporte, sua manchada reputação internacional. As autoridades chinesas verão a competição como uma chance de projetar uma imagem de abertura e tolerância, enquanto a realidade sombria do país é de uma censura penetrante”, declarou Allan Hogarth, representante da Anistia no Reino Unido, em texto publicado pelo Guardian.
“Todo clube envolvido na Copa do Mundo de Clubes sediada pela China, dos jogadores aos treinadores, deveria estar pronto para falar em nome dos direitos humanos na China.”
Questionado em entrevista a respeito do tema por um jornalista do New York Times, o presidente da Fifa, o suíço-italiano Gianni Infantino, após frisar que a Fifa tem, sim, uma política relacionada a direitos humanos, decidiu ser político e tergiversar.
“Precisamos refletir um pouco sobre nosso papel. Há problemas neste mundo, em todo lugar, em muitos países. Recentemente vimos o que aconteceu no Chile, no Líbano. Não é a missão da Fifa resolver os problemas do mundo. A missão da Fifa é organizar e desenvolver o futebol em todos os países do mundo.”
“Temos uma responsabilidade social, devido à magnitude do futebol. Mas não a exercemos atacando e criticando, e sim indo até as pessoas, conversando com as pessoas e entregando futebol às pessoas. Fazendo isso, distribuímos alegria e esperança.”
“Usamos o futebol como uma ferramenta de educação. Não para aprender a jogar futebol, mas para aprender a viver. Por meio do futebol nós podemos aprender a ser parte de um time, da sociedade, a respeitar o adversário. Aprender sobre igualdade de gênero, sobre saúde, sobre não discriminação.”
Enfim, optou por não fazer críticas à China, e não seria tolo de fazê-lo naquele momento – como não será pelo menos até o término do Mundial de 2021.
O segundo obstáculo é de ordem prática. Pois inclui ingredientes essenciais à realização da competição: os times. Ou ao menos uma parte deles.
A Associação Europeia de Clubes (ECA, na sigla em inglês), que representa as principais equipes do mais rico continente – e onde atuam os melhores jogadores do planeta – ameaçou boicotar o evento antes mesmo de saber que ele viria a existir.
Em comunicado enviado em março à Uefa (entidade que rege o futebol na Europa), assinado por 15 integrantes do conselho da ECA, os clubes posicionavam-se “firmemente contra a aprovação de um Mundial de Clubes reformado” e avisavam que “nenhum time da ECA participará de uma competição assim”.
A ECA conta com atualmente com 247 membros, e seu objetivo é preservar o pé de obra, que estaria em período de férias e sem correr risco de sofrer com um desgaste de mais um mês que pode resultar em lesões.
A ameaça foi feita. Será cumprida? Se sim, inviabilizará o Mundial inchado e reestruturado, pois é impensável imaginar sua ocorrência sem representantes europeus.
Infantino, se já não agiu antecipadamente nos bastidores, terá uma pendenga pela frente. E precisará muito mais que uma dose cavalar de retórica para convencer os interlocutores.
A solução pode estar em uma dose igualmente cavalar de incentivos financeiros para os participantes, além de a Fifa se responsabilizar, por meio de seguros, pela saúde física dos jogadores.
Em tempo: Com o Mundial de Clubes nos meses de junho e julho, ocorrendo sempre no ano que precede a Copa do Mundo de seleções, uma outra competição organizada pela Fifa teve emitido seu atestado de óbito. A Copa das Confederações, realizada no país-sede da Copa do Mundo e que servia de evento-teste para a mesma, deixará de ser realizada.
]]>