Marcelo entra ‘com o nome’ na seleção do ano eleita pelos jogadores

O goleiro Alisson, do Liverpool, e o lateral-esquerdo Marcelo, do Real Madrid, são os brasileiros que compõem a seleção de 2019 eleita pelos próprios jogadores de futebol.

Anunciada na noite de gala da Fifa, na qual a entidade máxima da bola promove o prêmio The Best, a equipe de 11 jogadores é composta por um goleiro, quatro defensores, três meio-campistas e três atacantes.

De acordo com a FIFPro (Federação Internacional das Associações de Jogadores Profissionais), organizadora dessa eleição desde 2005 – a partir de 2009 em conjunto com a Fifa –, 65 mil futebolistas espalhados por mais de 70 países receberam cédulas para eleger o seu time ideal da temporada 2018/2019.

A escolha de Alisson, que faturou também o troféu da Fifa de melhor goleiro, era mais do que esperada.

Goleiro menos vazado do Campeonato Inglês, campeão da Champions League (com grande atuação na final), campeão da Copa América com a seleção brasileira, superou o compatriota Ederson (Manchester City), o eslovaco Oblak (Atlético de Madri), o alemão Ter Stegen (Barcelona) e o espanhol De Gea (Manchester United), os outros mais votados.

A de Marcelo, entretanto, surpreendeu. Mostra, a meu ver, que ele só ocupou um lugar na seleção de 2019 devido ao nome que tem, ao currículo acumulado ao longo da carreira.

Ganhou votos pela figura que os colegas de profissão formaram dele ao longo dos anos (campeão europeu e mundial com o Real em 2014, 2016, 2017 e 2018) e não pelo que jogou de agosto de 2018 a julho de 2019.

A temporada, encerrada com as disputas da Copa América e da Copa Africana de Nações, foi a pior do excelente lateral, um dos melhores da história.

Marcelo lamenta a eliminação do Brasil diante da Bélgica na Copa do Mundo da Rússia; depois, ele não foi mais chamado para a seleção brasileira (John Sibley – 6.jul.2018/Reuters)

Marcelo, hoje com 31 anos, deixou de ser convocado por Tite para a seleção brasileira depois da Copa do Mundo da Rússia – o treinador tem dado preferência a Alex Sandro, Filipe Luís e também chamado novatos.

Pior: chegou a amargar algo impensável, a reserva no Real Madrid, na gestão do técnico argentino Santiago Solari, que optou pelo irregular Reguilón, quase dez anos mais novo, de novembro a março.

Marcelo é melhor que todos os mencionados, mas na eleição da Fifa/FIFPro não merecia de jeito nenhum ter sido um dos quatro defensores mais votados.

Ficou injustamente à frente de concorrentes que tiveram ótimos desempenhos na temporada.

Estão entre os laterais que receberam menos votos que Marcelo: Daniel Alves (então no Paris Saint-Germain), que arrebentou na Copa América; Alexander-Arnold e Robertson, ambos do campeão europeu Liverpool; Kimmich, do campeão alemão Bayern; Jordi Alba, do campeão espanhol Barcelona; e Walker, do campeão inglês Manchester City.

Também ao menos dois zagueiros (o francês Laporte, do Man City, e Thiago Silva, do PSG) que não entraram na seleção jogaram em 2018/2019 muito mais que Marcelo.

Eis o time deste ano da Fifa/FIFPro: Alisson; Sergio Ramos (Espanha/Real Madrid), De Ligt (Holanda/Ajax, hoje na Juventus), Van Dijk (Holanda/Liverpool) e Marcelo; De Jong (Holanda/Ajax, hoje no Barcelona), Modric (Croácia/Real Madrid) e Hazard (Bélgica/Chelsea, hoje no Real Madrid); Mbappé (França/PSG), Cristiano Ronaldo (Portugal/Juventus) e Messi (Argentina/Barcelona).

Além de Marcelo, ganharam “com o nome”, na minha opinião, Sergio Ramos (Laporte merecia) e Modric (Casemiro ou o sérvio Tadic mereciam).

No ataque, as escolhas de Mbappé e de Cristiano Ronaldo não são questionáveis, porém eles poderiam facilmente dar lugar a Salah, Mané (ambos do Liverpool) ou a Sterling (Man City).

Com Alisson e Marcelo entre os 11, o Brasil se mantém presente na seleção do ano da FIFPro desde a primeira eleição, em 2005.

  • 2005 – Dida, Cafu e Ronaldinho Gaúcho
  • 2006 – Kaká e Ronaldinho Gaúcho
  • 2007 – Kaká e Ronaldinho Gaúcho
  • 2008 – Kaká
  • 2009 – Daniel Alves
  • 2010 – Maicon e Lúcio
  • 2011 – Daniel Alves
  • 2012 – Daniel Alves e Marcelo
  • 2013 – Daniel Alves e Thiago Silva
  • 2014 – Thiago Silva e David Luiz
  • 2015 – Daniel Alves, Thiago Silva, Marcelo e Neymar
  • 2016 – Daniel Alves e Marcelo
  • 2017 – Daniel Alves, Marcelo e Neymar
  • 2018 – Daniel Alves e Marcelo
  • 2019 – Alisson e Marcelo

Essas 31 aparições não são suficientes para fazer do Brasil o país recordista de assiduidade.

A Espanha, com 43, está à frente, graças principalmente às constantes presenças de Sergio Ramos (dez vezes), Iniesta (nove), Xavi (seis), Casillas (cinco) e Piqué (quatro).

Sem exceção, cada um dos escolhidos a cada ano – foram 165 ao todo – atuou por uma equipe europeia. Barcelona, 49 vezes, e Real Madrid, 46, são disparados os clubes com mais eleitos.

Individualmente, ocupam o pódio Cristiano Ronaldo e Messi (empatados, 13 seleções do ano cada um), Sergio Ramos (presente em dez seleções) e Iniesta (eleito para nove seleções).