No dia 21 de novembro de 2022, duas seleções estarão correndo atrás da bola no estádio Al Bayt, na cidade de Al Khor.
Uma delas será a qatariana, por ser a anfitriã e cabeça de chave do Grupo A.
A outra será definida em sorteio em abril do próximo ano, em Doha, e não será a seleção brasileira, já que o Brasil será um dos cabeças de chave e, consequentemente, não fará companhia ao Qatar na fase de grupos.
A 364 dias do pontapé inicial do Mundial, o técnico Tite tem uma base consolidada para levar ao país do Oriente Médio.
Das 23 vagas (três goleiros e 20 jogadores de linha), se não houver problema de lesão ou disciplinar, 17 estão, teoricamente, definidas: os três goleiros, três zagueiros, dois laterais, três volantes, um meia e cinco atacantes.
A seguir, o panorama atual, setor por setor. Entre parênteses, o número de jogos em que o atleta foi titular após o encerramento da Copa na Rússia, em 2018 –o Brasil disputou 42 partidas desde então.
Goleiros (3)
Favoritos: Alisson (Liverpool), 29 anos, Ederson (Manchester City), 28, e Weverton (Palmeiras), 33.
Minha análise: O Brasil está muito bem servido de goleiros. Alisson (19 jogos) deve ser o titular pela segunda Copa seguida, sendo Ederson (16 jogos) o reserva imediato e Weverton (6 jogos), campeão olímpico na Rio-2016, o outro suplente. Neto (1 jogo), 32, do Barcelona, Everson (zero jogo), 31, do Atlético-MG, e Santos (zero jogo), 31, do Athletico-PR, campeão olímpico em Tóquio-2020, ficam em “stand by”.
Laterais (4)
Favoritos: Danilo (Juventus), 30 anos, Daniel Alves (Barcelona), 38, Alex Sandro (Juventus), 30, e Renan Lodi (Atlético de Madrid), 23. Guilherme Arana (Atlético-MG), 24, está no páreo.
Minha análise: Bom marcador, Danilo (25 jogos) é o titular na direita, porém, se Daniel Alves (11 jogos) estiver bem à época da convocação para a Copa, Tite pode escalá-lo, devido à maior técnica e, principalmente, experiência. Emerson (2 jogos), 22, do Tottenham, tem sido chamado e tenta entrar na briga. Na esquerda, Alex Sandro (21 jogos) aparece na frente na luta pela titularidade. Pelas ótimas apresentações pelo Atlético-MG, Guilherme Arana (1 jogo) ameaça Lodi (11 jogos), marcado negativamente pela falha contra a Argentina na final da Copa América deste ano.
Zagueiros (4)
Favoritos: Marquinhos (PSG), 27 anos, Éder Militão (Real Madrid), 23, e Thiago Silva (Chelsea), 37. Há disputa entre Lucas Veríssimo (Benfica), 26, Felipe (Atlético de Madrid), 32, Diego Carlos (Sevilla), 28, e Gabriel Magalhães (Arsenal), 23, pela vaga restante.
Volantes (4)
Favoritos: Casemiro (Real Madrid), 29 anos, Fred (Manchester United), 28, Fabinho (Liverpool), 28. A quarta vaga está aberta, com chance para Gerson (Olympique de Marselha), 24, Douglas Luiz (Aston Villa), 23, e Bruno Guimarães (Lyon), 24.
Meias (2)
Favoritos: Lucas Paquetá (Lyon), 24 anos, e Éverton Ribeiro (Flamengo), 32. Philippe Coutinho (Barcelona), 29, corre por fora.
Atacantes (6)
Favoritos: Neymar (PSG), 29 anos, Gabriel Jesus (Manchester City), 24, Roberto Firmino (Liverpool), 30, Richarlison (Everton), 24, e Gabigol (Flamengo), 25. Com chance: Raphinha (Leeds), 24, Vinicius Júnior (Real Madrid), 21, Antony (Ajax), 21, Matheus Cunha (Atlético de Madrid), 22, e Éverton Cebolinha (Benfica), 25.
Feitas essas ponderações, creio que os 23 de Tite seriam: Alisson, Ederson, Weverton, Danilo, Daniel Alves, Alex Sandro, Renan Lodi, Marquinhos, Éder Militão, Thiago Silva, Lucas Veríssimo, Casemiro, Fred, Fabinho, Gerson, Lucas Paquetá, Éverton Ribeiro, Neymar, Gabriel Jesus, Roberto Firmino, Richarlison, Gabibol e Raphinha.
O time titular seria, em um 4-3-1-2: Allison; Danilo, Marquinhos, Militão e Alex Sandro; Casemiro, Fred e Paquetá; Neymar; Gabriel Jesus e Richarlison. Neymar atuaria como falso centroavante.
Se eu fosse o técnico, manteria os três goleiros. Na lateral, trocaria Lodi por Guilherme Arana. No meio, Fred (que considero um jogador comum) por Bruno Guimarães. Na zaga, Veríssimo por Diego Carlos. No meio, Éverton por Claudinho. No ataque, Jesus e Firmino por Vini Jr. e Pedro (zero jogo), 24, que não tem sido chamado por Tite –o flamenguista seria o único centroavante de ofício no elenco.
Meu time titular, em um 4-3-1-2: Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Thiago Silva e Guilherme Arana; Casemiro, Gerson e Paquetá; Neymar; Raphinha e Vini Jr. Essa formação privilegia um meio-campo e uma lateral esquerda mais ofensivos, com Gerson e Arana, e um ataque mais veloz e driblador, com os “ponteiros” Vini Jr. e Raphinha. A falta de um centroavante clássico, que joga centralizado e perto do gol (Pedro seria reserva), exige que Neymar ou Paquetá estejam sempre perto da área para finalizar as jogadas armadas pelas laterais.
Em tempo: A próxima convocação, para jogos das Eliminatórias no fim de janeiro, deve dar uma forte indicação da lista final de Tite. Faltando dez meses para a Copa de 2018, dos 23 convocados por Tite, 19 foram à Rússia. Só perderam a vaga Daniel Alves (por lesão), Rodrigo Caio, Giuliano e Luan.
]]>Duas questões fizeram as agremiações, amparadas por suas respectivas ligas, confrontar a entidade máxima do futebol: a pandemia de coronavírus e, no caso da América do Sul, a rodada tripla.
Na Inglaterra, a Premier League já avisou que os times não irão liberar os jogadores porque o Brasil está na “lista vermelha” do governo britânico.
Assim, os atletas que viajarem ao Brasil precisarão na volta à Inglaterra cumprir uma quarentena, ficando dez dias confinados em um hotel, para evitar risco de disseminação do coronavírus.
Isso faria com que eles desfalcassem suas respectivas equipes mais longamente do que elas gostariam, em competições nacionais e internacionais.
Na América do Sul, a Conmebol (confederação sul-americana) corre para terminar seu qualificatório, atrasado devido à não realização de partidas no pico da pandemia, a tempo do sorteio dos grupos para a Copa do Qatar.
Para isso, foi marcada rodada tripla (e não dupla, como é praxe) para setembro. O Brasil jogará nos dias 2 (Chile), 5 (Argentina) e 9 (Peru).
A ocorrência de mais duas rodadas neste ano (outra tripla, em outubro, e uma dupla, em novembro) deixa ainda mais insatisfeitos os clubes europeus, que teriam de liberar seus craques novamente em um curto intervalo de tempo.
A Associação de Clubes Europeus (ECA, na sigla em inglês) expôs sua discordância: “A ECA não aceitará que um órgão governante como a Fifa abuse de sua função reguladora para colocar seus interesses comerciais e os de suas associações acima do bem-estar físico dos jogadores e dos interesses esportivos dos clubes”.
O que é certo neste momento é que os times ingleses não liberarão seus atletas, o que deixa a seleção brasileira sem nove dos listados por Tite na convocação: Alisson, Fabinho e Firmino (Liverpool); Ederson e Gabriel Jesus (Manchester City); Thiago Silva (Chelsea), Richarlison (Everton), Fred (Manchester United) e Raphinha (Leeds).
Em relação a este último, a ausência será especialmente sentida –pelo próprio. Segundo o departamento de comunicação do Leeds, o atacante de 24 anos está “desesperado” para defender pela primeira vez a seleção.
Na Espanha, LaLiga, a organizadora do campeonato nacional, posicionou-se a favor dos clubes que decidirem não fornecer seus atletas para as partidas do qualificatório sul-americano.
LaLiga comprometeu-se inclusive a agir juridicamente, se necessário, em possível embate com a Fifa.
De acordo com o Código Disciplinar da Fifa, clubes que não cederem seus jogadores estão sujeitos a punições, como multa, suspensão de atletas, perda de pontos no campeonato e até rebaixamento de divisão.
A decisão do Real Madrid afetará a seleção brasileira, já que Casemiro e Éder Militão estão convocados, assim como a do Atlético de Madrid, que acaba de contratar Matheus Cunha.
Os outros jogadores chamados por Tite que defendem equipes europeias são: Marquinhos e Neymar (PSG/França); Bruno Guimarães e Lucas Paquetá (Lyon/França); Danilo e Alex Sandro (Juventus/Itália); Lucas Veríssimo (Benfica/Portugal); e Claudinho (Zenit/Rússia).
Caso nenhum deles tenha permissão para vir ao Brasil, restam a Tite cinco atletas da lista divulgada no dia 13: o goleiro Weverton (Palmeiras), os laterais Daniel Alves (São Paulo) e Guilherme Arana (Atlético-MG), o meia Éverton Ribeiro (Flamengo) e o atacante Gabigol (Flamengo).
Ainda deve haver negociações e ações nos bastidores nos próximos dias para que pelo menos parte dos “europeus” possa servir a seleção, mas Tite certamente já elabora uma relação de jogadores que atuam no Brasil para substituir os que não poderão vir.
Nesse cenário de abertura de vagas, nomes em evidência no Brasileiro e/ou na Libertadores ou na Copa Sul-Americana, como Hulk (Atlético-MG), Bruno Henrique (Flamengo), Gustavo Scarpa (Palmeiras), Santos (Athletico-PR), Edenílson (Internacional) e Léo Ortiz (Bragantino), entre outros, têm chance de atuar pelo Brasil nesta rodada das Eliminatórias.
]]>O primeiro brilhou no mediano Bragantino, time do interior paulista, e defendeu a seleção olímpica medalha de ouro nas Olimpíadas de Tóquio.
Foi contratado pelo Zenit, atual tricampeão russo, e poderá estrear neste domingo (15) ante o Lokomotiv de Moscou, como visitante.
O segundo destacou-se na mais recente temporada da Premier League (Campeonato Inglês) pelo mediano Leeds United, dirigido pelo argentino Marcelo “Loco” Bielsa.
Não foi contratado por nenhum time mais forte e jogaria neste sábado (14), contra o Manchester United, na Premier League, como visitante.
Ao vê-los na lista de Tite, me veio a pergunta: vão jogar ou apenas bater palmas?
Se você desconhece o termo “bater palmas”, explico, já que um dia eu também o desconhecia.
Estava, quando trabalhava na editoria de Esporte da Folha, em viagem ao interior de São Paulo, no fim dos anos 1990, para acompanhar uma decisão do Campeonato Paulista de basquete entre o Ribeirão Preto e o Franca.
Em conversa com o treinador do Ribeirão, Jorge Guerra, o Guerrinha (armador campeão pan-americano em Indianápolis-1987), ele me falava sobre seu time, e em um momento, quando questionei acerca de um dos jogadores, ele soltou algo como: “Esse aí só fica batendo palmas”.
Não entendi e perguntei do que se tratava, e Guerrinha explicou que tal atleta era o último reserva, que a chance de ele entrar em quadra era mínima, então ficava no banco “batendo palmas” todo o jogo, ou seja, incentivando os companheiros.
Será que isso vai acontecer com Raphinha e com Claudinho nas partidas contra Chile, em Santiago (dia 2 de setembro), Argentina, em São Paulo (dia 5), e Peru, na pernambucana São Lourenço da Mata (dia 9)?
Considero muito provável.
Primeiro porque são calouros na seleção, e a concorrência de gente que já frequenta a equipe há mais tempo é enorme.
Para atacar, a seleção tem Neymar, Richarlison, Gabriel Jesus, Firmino, Gabigol, Lucas Paquetá, Éverton Ribeiro e Matheus Cunha.
Segundo porque Matheus Cunha, que foi calouro em convocação para as partidas diante de Peru e Bolívia, em outubro passado, também pelas Eliminatórias, somente bateu palmas.
Camisa 9 às costas, não atuou um único minuto. Nem contra os bolivianos, em jogo fácil (goleada por 5 a 0), Tite deu oportunidade ao novato.
Veja só: Lucas Paquetá, pelas boas apresentações na Copa América, deve ser titular, assim como Richarlison e Gabriel Jesus. Neymar, então, é titularíssimo, só não joga se não quiser. Paquetá sai? Entra Éverton Ribeiro. Richarlison e Jesus saem? Entram Firmino e Gabigol. Neymar não sai.
E o próximo da fila, entre os suplentes, é justamente Matheus Cunha. Nesse contexto, minguam as chances de Raphinha e Claudinho terem minutos em campo.
Cada um deles precisará ou arrebentar nos poucos treinamentos, a fim de convencer Tite a colocá-los à frente dos veteranos, que certamente ficarão descontentes –isso de “compor o grupo” é papo, quem está lá quer jogar o máximo que puder–, ou contar com a lesão de alguém –logicamente não se torce por isso.
Uma pena que, quase certo, os dois baterão palmas o tempo todo (ou quase todo), já que são jogadores ótimos.
Velozes, driblam com extrema facilidade; se Claudinho é bom finalizador, Raphinha tem a vantagem de ser um bom garçom: foram nove assistências no último Inglês, o sexto melhor no ranking.
O que é alentador é que, se eles ficarem restritos às palmas, será porque os que estão jogando estarão arrebentando –tomara não só aos olhos de Tite, mas aos olhos de todos.
]]>Ao longo da história da seleção, iniciada em 1914, somente um treinador se sustentou na direção da equipe por um intervalo sequencial tão longo.
O mineiro Flávio Rodrigues Costa (1906-1999) dirigiu a seleção pela primeira vez no dia 14 de maio de 1944, numa goleada por 6 a 1 do Brasil sobre o Uruguai, em um amistoso em São Januário, no Rio. Os gols do Brasil foram de Eduardo Lima (2), Isaías, Tesourinha, Ruy e Lelé.
Nesse e no jogo seguinte, também em maio daquele ano, Flávio Costa dividiu o banco de reservas com outro treinador, o português Jorge Gomes de Lima, o Joreca (1904-1949).
A partir de 1945, Costa prosseguiu sozinho. Ele permaneceu até o dia 16 de julho de 1950, dia da fatídica derrota por 2 a 1, de virada, na decisão da Copa do Mundo de 1950, no Maracanã lotado.
Ironia do destino, Costa encerrou esse ciclo na seleção, na partida que ficou conhecida como Maracanazo, perdendo para o mesmo oponente, o Uruguai, que lhe rendera sucesso na estreia.
Assim, do seu jogo inicial até o final, ele esteve com a seleção 2.255 dias. Não obtive a informação da data em que Costa foi nomeado pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos) para a função.
Tite está no cargo desde 20 de junho de 2016, há exatos 1.826 dias. Sua estreia ocorreu no dia 1º de setembro desse ano, uma vitória por 3 a 0 sobre o Equador, no Estádio Olímpico Atahualpa, em Quito, com gols de Gabriel Jesus (2) e Neymar.
E qual deles, Flávio Costa ou Tite, teve um desempenho superior ao completar cinco anos no comando da seleção?
Em conquistas, Tite faturou uma Copa América (2019), mesma quantia de Costa (1949), podendo passar à frente se ganhar a que está em andamento no Brasil.
Os dois têm no currículo um título do Superclássico das Américas, contra a Argentina. Tite em 2018, Costa em 1945, quando a disputa era chamada de Copa Roca.
E ambos amargam um revés em Copa do Mundo. Tite na de 2018, na Rússia; Costa, como mencionado, na de 1950.
Iguais nos títulos (desconsidero neste texto a conquista de Costa na Taça do Atlântico, em 1946, pois Tite não tem como disputar essa competição, já extinta), o critério de desempate, por ora, fica sendo o aproveitamento de vitórias.
E nesse item Tite leva: acumula 75%. Em 56 jogos, foram 42 triunfos, dez empates e quatro derrotas.
Costa teve 67% (43 jogos, 29 vitórias, seis empates e oito derrotas).
Em tempo: Além do período mencionado, Flávio Costa esteve à frente da seleção brasileira em outros 17 jogos, em 1955 e em 1956, registrando 11 vitórias, três empates e três derrotas.
]]>Em todas as vezes que o Brasil sediou a competição –foram cinco–, a seleção verde e amarela saiu vencedora.
A primeira, em 1919. A última, em 2019. Ente elas, em 1922, em 1949 e em 1989.
Nas outras 41 edições, nas quais o Brasil não foi o organizador, a seleção faturou somente quatro títulos.
Ou seja, em casa, o aproveitamento é de 100%; fora, despenca para pouco menos de 10%%.
Se a história traz otimismo, há a outra face da moeda.
A pressão por ganhar, pelo fato de atuar em território brasileiro, torna-se muito maior, quase uma obrigação.
Qualquer resultado que não seja disputar a final será considerado um fracasso.
Mas esse é um desafio que certamente não amedronta Tite, que já tem experiência (vencedora) na competição e desta vez, diferentemente de dois anos atrás, contará com Neymar, seu melhor jogador –caso ele não se machuque, como ocorreu antes da disputa de 2019.
Se vencer, Tite não será o primeiro técnico a ser duas vezes campeão com o Brasil na Copa América, que até 1975 era chamada de Sul-Americano.
Nas conquistas de 1919 e de 1922, nas quais a seleção teve mais de um treinador no comando (cinco e três, respectivamente), Amílcar Barbuy e Ferreira Vianna Neto estavam na comissão técnica.
Antes de iniciar a busca pelo heptacampeonato continental –o Uruguai é o maior vencedor, com 15 títulos–, o Brasil terá dois compromissos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo do Qatar: nesta sexta (4), contra o Equador, e na terça (8), diante do Paraguai.
A estreia da seleção na Copa América, em cidade e estádio a serem anunciados (as sedes serão Distrito Federal, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Goiás), será na segunda-feira, dia 14, contra os venezuelanos.
Também estão no grupo do Brasil, o A, Peru, Colômbia e Equador, a quem enfrentará nessa ordem.
O Grupo B tem a Argentina de Messi, a Bolívia, o Chile, o Paraguai e o Uruguai.
A competição começa no dia 13 (domingo) e termina, caso não haja alteração, no dia 10 de julho, um sábado.
Na TV, exibirão a Copa América o SBT e os canais Disney (ESPN e Fox Sports).
]]>Mesmo sem estar fechada a eventuais alterações táticas, a comissão técnica do time nacional prefere o atacante do Paris Saint-Germain mais avançado do que recuado e o jogador do São Paulo na função com a qual ergueu, usando a tarja de capitão, a taça da Copa América de 2019.
Quem fornece essa visão é Matheus Bachi, de 31 anos, filho de Tite e um dos auxiliares do treinador na seleção.
No PSG, para satisfação de Matheus, o técnico Thomas Tuchel vem escalando nesta temporada Neymar mais aberto pela esquerda, no esquema 4-4-2, com Mbappé e Cavani (ou Icardi) formando dupla de ataque.
Na anterior, o camisa 10 muitas vezes atuou como armador, centralizado, em setor do campo onde havia quase sempre vários adversários para marcá-lo, sendo mais difícil driblar e acelerar as jogadas.
Daniel Alves, desde que chegou ao São Paulo, tem atuado primordialmente no meio-campo —Juanfran e Igor Vinícius se alternam na lateral direita–, e bem.
Mesmo assim, Tite e seu estafe contam com a versatilidade do veterano jogador de 36 anos para ele se reinserir na posição em que não há fartura de talento brasuca na atualidade.
Matheus falou também sobre as observações de jogadores que fez e faria antes da convocação desta sexta (6), a primeira para as eliminatórias da Copa do Mundo do Qatar, dando indicações de nomes que podem aparecer na lista –os de Daniel Alves e Neymar são certos.
Não é só o filho de Tite que faz as vezes de olheiro/analista de desempenho da seleção; além dele, há mais nove pessoas, incluindo os ex-jogadores Taffarel (campeão mundial em 1994) e Cesar Sampaio (vice-campeão mundial em 1998), e o próprio Tite.
Ganharam muitos elogios de Matheus dois jogadores de defesa do Atlético de Madrid que atuaram no 1 a 0 contra o Liverpool na Champions League, o zagueiro Felipe e o lateral esquerdo Renan Lodi, além do volante Arthur, do Barcelona.
Também foram citados positivamente o goleiro Weverton e o atacante Dudu, do Palmeiras, o meia Gerson, do Flamengo, o zagueiro Diego Carlos, do Sevilla, e o meia-atacante Rafinha, do Celta, entre outros. Alguns desses podem estar na convocação, com chance maior para Weverton e Gerson.
Leia a seguir trechos da entrevista concedida por telefone na sexta (28), na qual Matheus não se esquivou de falar sobre as críticas que recebe relacionadas a um possível nepotismo, por ele ter um cargo na comissão técnica sendo filho do treinador da seleção. “É muito fácil apontar o dedo e criticar sem conhecimento.”
Como funciona o seu trabalho na seleção brasileira?
Matheus Bachi: Aqui na CBF [Confederação Brasileira de Futebol, no Rio de Janeiro] analisamos os adversários e também há a observação de jogos e de atletas, e a interação com os treinadores [dos clubes]. Durante a convocação, eu sou auxiliar técnico, com o papel de análise dos adversários, de análise da nossa equipe, de montagem da equipe. Fazemos tudo em conjunto aqui, a gente democratiza tudo. Todo mundo analisa, faz observações pontuais, discutimos antes de qualquer decisão ser tomada pelo Tite.
Em sua viagem recente à Europa para observações, quais foram suas impressões?
Matheus Bachi: A análise dos aspectos ofensivos e defensivos [das partidas] nos gera ideias e vontades de implementar [isso na seleção], mas que acabam esbarrando nesse tempo [curto] que a gente tem de treinamento com os atletas, que é o que gera maior dificuldade.
Na parte individual, houve jogadores que corresponderam ao que a comissão técnica estava esperando?
Matheus Bachi: O Arthur retornou depois de uma lesão de púbis, está evoluindo. Foi muito bom voltar a vê-lo ter uma sequência no Barcelona, tendo participação importante nos jogos. Pela primeira vez depois da final da Copa América eu o vejo em uma situação física e técnica na qual ele se encontrava com a gente, que foi um dos ápices dele. Está muito pronto para colaborar conosco. O Felipe e o Renan Lodi no Atlético de Madrid… O Lodi com uma maturidade para mim inesperada, assumindo tamanho protagonismo no Atlético. Esperava que fosse ganhar um espaço, mas não tão rápido. Isso mostra a capacidade técnica e mental do atleta. O Felipe com um amadurecimento de tomadas de decisão muito importante, está em uma fase em que tem errado muito pouco, os embates individuais dele têm sido muito bons, a saída de jogo… Ele deu um passo muito grande na saída do Porto para o Atlético. O Casemiro [Real Madrid] está em uma evolução constante, é incrível ver a capacidade que ele tem de evoluir seu jogo constantemente. O Diego Carlos, do Sevilla, vem numa crescente muito boa também. É um atleta que passou de uma liga portuguesa para uma liga francesa e hoje está na liga espanhola, mais competitiva, tendo grandes jogos, não fazendo o melhor deles contra o Espanyol [2 a 2], mas mostrando grandes qualidades. É bom ver o Rafinha voltando da lesão de cruzado [joelho] que ele teve, tendo uma performance muito boa.
O Daniel Alves tem jogado no meio-campo no São Paulo. Ele pode jogar no meio na seleção?
Matheus Bachi: Não fechamos possibilidades, porém a nossa ideia de utilização do Daniel, e acreditamos muito nisso, é nele como lateral para a seleção brasileira. No PSG ele também vinha jogando numa função parecida [com a que faz no São Paulo], fazendo o tripé do meio-campo pela direita, fazendo o externo pela direita, e não jogava na lateral. Tínhamos o questionamento de como seria a transição do Daniel de novo para a lateral. Na Copa América, vimos que ele conseguiu manter a naturalidade na posição. É um jogador muito maduro e que entende muito bem o que precisa fazer de acordo com a função que lhe é consignada. Ele entrando na lateral consegue dar a resposta, e é assim que acreditamos que ele possa ser melhor para nós na seleção.
Sobre o Neymar, que atuou às vezes um pouco mais recuado no PSG, armando as jogadas, como a seleção analisa o aspecto tático dele para jogar pelo Brasil?
Matheus Bachi: No PSG, jogando em um 4-4-2 e em um 4-2-4, o Neymar retornou a fazer uma função pela esquerda, e a gente gosta muito dele jogando ali. Nesses últimos meses, principalmente neste ano, ele teve participações em assistências e também em gols, nessa posição. Eu tenho gostado de ver o Neymar pelo lado nesses últimos dois meses, fazendo uma função mais próxima do que fazia com a gente nas eliminatórias [para a Copa da Rússia-2018]. Mas concordo com você. Antes ele vinha um pouco mais para trás, e essa mudança do PSG foi importante para ele.
É viável na seleção fazer uma inversão do Neymar com o Philippe Coutinho, com este jogando mais aberto pela esquerda?
Matheus Bachi: Pode ser feito, até pela capacidade do Neymar de desequilibrar pelo eixo central, só que aí não gostaríamos que ele participasse muito atrás, mas numa linha mais à frente para ele ser mais perigoso, estar mais próximo ao gol adversário. Se ele vem para o centro, como a gente já teve essa ideia e já o utilizou em um 4-4-2 por dentro, gostamos sempre das ações dele mais próximas ao gol adversário.
E em relação a jogadores de Santos, Palmeiras [Matheus assistiria ao clássico do dia 29 de fevereiro entre os clubes] e Flamengo, que é o clube mais badalado dos últimos meses no futebol brasileiro?
Matheus Bachi: O Weverton é um goleiro que vem dando muita resposta, jogando em altíssimo nível. O Dudu é um atleta que a gente sempre observa, a gente acredita muito no potencial dele. O Bruno Henrique nós já observamos. No Santos, tinha o Gustavo [Henrique, zagueiro], que acabou indo para o Flamengo… A gente tem acompanhado muito o Flamengo, por estar ganhando títulos, com atletas de altíssimo nível, os quais muitos já passaram por seleção, outros que vão com certeza passar. O Gerson é um desses atletas em potencial, tem uma qualidade técnica excelente. Desde que veio para o Flamengo e passou a jogar no meio-campo, um pouco mais recuado, teve um crescimento individual, um crescimento de competitividade, e é um dos atletas que disputam uma vaga nesse setor, no qual temos bastante opção. Antes falávamos que o meio-campo era um problema, muita gente falava. E hoje há um Bruno Guimarães, cada vez mais se afirmando, chegando ao Lyon e fazendo um jogo espetacular contra a Juventus [na Champions League]. O Fred voltando a jogar no nível que o levou ao Manchester United. O Mateuzinho [Grêmio], o Douglas Luiz [Aston Villa]. É uma posição na qual estamos muito felizes com as opções que a gente tem. É um problema bom, de escolha nossa. E, no Flamengo, não só o Gerson, mas o Gabriel [Gabigol], o Bruno Henrique, o Filipe Luís são atletas de alto nível. O Diego [Alves, goleiro] fez a defesa do jogo na partida contra o Independiente Del Valle [decisão da Recopa Sul-Americana]. Há muitos atletas com nível para serem convocados para a seleção brasileira, como o Rodrigo Caio, que está voltando de lesão.
Desde que você está na seleção, há setores da mídia que criticaram essa situação, alegando que você só está no cargo por ser o filho do Tite. Como você lida com isso?
Matheus Bachi: Eu tenho um prazer enorme de ser filho do Tite, porque desde criança eu aprendi muito com ele. O que acontece é que é muito fácil criticar por eu ser filho do Tite e criar imagens sem conhecer o meu trabalho, sem conhecer a minha preparação. Eu gostaria que essas pessoas que criticam sem saber acompanhassem o meu trabalho. As portas estão sempre abertas para acompanhar a minha capacidade. E aí sim fazer uma crítica quanto ao meu conhecimento, fazer uma crítica quanto à qualidade do meu trabalho, aí sim falar: “O Matheus, ele não é bom o suficiente para estar em um cargo na seleção brasileira, ele não é bom o suficiente para ser um auxiliar técnico da seleção”. Porque hoje em dia no mundo é muito fácil apontar o dedo e criticar sem conhecimento. E às vezes uma mensagem dessa é só uma mensagem de raiva que acaba gerando raiva e descontentamento em muitas pessoas que também não têm conhecimento. A única coisa que incomoda um pouco é a falta de busca de saber quem é o Matheus. O que ele faz? Ele é capaz para estar fazendo a função? Porque, independentemente de ser filho ou não, eu acredito no meu potencial, eu sei dos meus conhecimentos, gosto quando as pessoas conhecem os meus conhecimentos e depois avaliam. Hoje em dia é muito fácil apontar: “É filho, não é capaz”. Agora, na música, no cinema, no futebol, no basquete, no esporte em geral, em todos os meios há pais e filhos que são capazes ou não. Me incomoda a não avaliação da minha capacidade, e sim só o nome.
]]>Neste momento, contudo, a lógica não prevalece. Não por completo.
Cinco vezes campeão do mundo (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002) e outras nove da Copa América, o Brasil tem, sim, o treinador mais bem pago entre os dez que disputarão as eliminatórias para a Copa do Mundo do Qatar, a partir de março.
De acordo com o L’Équipe, principal jornal esportivo da França, Tite, que comanda a seleção brasileira desde a metade de 2016, ganha por mês da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) € 325 mil (R$ 1,54 milhão).
Na outra ponta do ranking, na nona colocação das remunerações, está justamente o treinador da Argentina, país duas vezes campeão mundial (1978 e 1986), além de vice em 1930, 1990 e 2014, e 14 vezes vencedor da Copa América.
Lionel Scaloni, que assumiu a seleção alviceleste em 2018, primeiro interinamente e depois efetivamente, recebe por mês € 42 mil (R$ 199 mil) da Associação de Futebol Argentino (AFA).
Eis o ranking do L’Équipe, em euros (€ 1 = R$ 4,74), que não inclui o técnico da Venezuela, o português de 59 anos José Peseiro, contratado no último dia 4.
O salário de Tite é quase sete vezes superior ao do colega Scaloni.
Tamanha disparidade faz sentido?
É complicado chegar a uma conclusão, pois cada federação nacional tem seus critérios para definir o quanto deve pagar ao treinador da seleção.
Cada entidade tem também seus respectivos orçamentos, e a CBF é muito mais rica que a AFA, podendo, de tal maneira, propiciar um salário bem mais polpudo ao técnico.
Em relação aos resultados, Tite tirou o Brasil de uma situação desconfortável nas eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia-2018 e a classificou tranquilamente, sendo campeão do qualificatório.
No Mundial, caiu nas quartas de final, ante a Bélgica (2 a 1).
No ano passado, sagrou-se campeão da Copa América disputada em solo brasileiro, superando a Argentina nas semifinais.
Acumula, em 48 partidas, 34 vitórias, dez empates e quatro derrotas. Seu aproveitamento de vitórias é de 71%.
Scaloni não ganhou nada até agora, tendo só disputado a Copa América, na qual a Argentina ficou com a terceira colocação.
Dirigiu a equipe em 21 jogos, com 12 vitórias, cinco empates e quatro derrotas –aproveitamento de vitórias de 57%.
Dado o histórico, parece justo que Tite, que ainda faturou uma Libertadores, um Mundial de Clubes e dois Brasileiros com o Corinthians, ganhe (bem) mais que Scaloni, 17 anos mais jovem que ele e quase um novato na função.
A questão final a fazer é: a apuração do L’Équipe é confiável? Tite ganha isso mesmo, ou mais, ou menos?
Considerando-se a tradição e a importância do jornal, não há por que duvidar, e por ora é esse o número a ser considerado, já que a CBF, ao ser contatada para confirmar ou negar a informação, respondeu apenas que “não comenta o valor dos contratos com seus funcionários”.
]]>O Brasil foi, de fato, mal nessas partidas, na qual empatou com Colômbia (2 a 2), Senegal (1 a 1) e Nigéria (1 a 1) e perdeu de Peru (0 a 1) e Argentina (0 a 1).
Nessa última derrota, em Riad, na Arábia Saudita, a seleção foi dominada pela Argentina no segundo tempo e poderia ter perdido de goleada.
Bastou para narradores e comentaristas questionarem incisivamente o trabalho de Tite, sugerindo sua substituição.
Galvão Bueno, da Globo, decretou: “Ou o Tite muda ou tem que mudar o Tite”. Deu a entender que o treinador precisa dar um jeito de fazer a seleção jogar melhor. Se não, rua.
Na ESPN Brasil, Jorge Nicola reclamou da previsibilidade do Brasil e quer um treinador estrangeiro no comando, como Jorge Jesus, do Flamengo, ou Jorge Sampaoli, do Santos. Com Tite, diz, o Brasil “não evolui, só regride”, está sem criatividade, e há jogadores que não merecem estar no time, como Willian, Alex Sandro e Danilo.
Na Fox Sports, Fábio Sormani disse “chega!” em relação a Tite, com críticas efusivas à presença de Éder Militão, Danilo e Willian entre os convocados. Para ele, o atual treinador não tem mais conseguido fazer os jogadores renderem o que deles se espera.
Tudo isso é verdade, porém cabe discussão.
É nítido que o Brasil tem jogado mal, sem criatividade, sem alternativas táticas ofensivamente, sem brilho individual (exceção ao goleiro Alisson, que fez várias defesas contra a Argentina, e a um ou outro lampejo de jogador X ou Y).
Sem quase nada a oferecer, coletiva ou individualmente, a seleção naufraga. Sem o desempenho, tantas vezes cobrado por Tite, o resultado dificilmente vem.
Em sua defesa, o treinador, conforme frisou na entrevista em que anunciou os convocados para os amistosos deste mês, elencou o que alcançou até agora, desde que assumiu, na metade de 2016:
“Três foram as competições oficiais, com necessidade de resultado e desempenho. Na primeira [eliminatórias], formatamos a equipe e classificamos em primeiro [lugar] para o Mundial. Na Copa do Mundo, quartas de final, saímos [sic] para a Bélgica. Copa América, título”, declarou Tite.
O técnico encara a atual fase, de amistosos, como uma mera preparação para a próxima etapa de jogos para valer, as eliminatórias para a Copa de 2022, no Qatar, que começarão no final de março.
Gostaria de estar vencendo essas partidas, nas quais o Brasil tropeçou? Sem dúvida. Estaria mais tranquilo no cargo, mesmo que insatisfeito com o futebol ruim? Idem.
Aliás, mais que o resultado, a preocupação maior do treinador, dos analistas e dos torcedores é esta: a ausência de um rendimento satisfatório.
Ter os jogadores entrosados ajuda bastante, mas uma equipe ajustada taticamente, e engajada emocionalmente, funciona independentemente da troca de três ou quatro atletas por jogo.
Por alguma razão, a engrenagem montada por Tite está emperrada, enferrujada, defeituosa.
Caso seja falta de comprometimento dos jogadores, o treinador precisa ter a capacidade de estimulá-los.
Quem não correr o suficiente, quem não mostrar a desejada e cobrada intensidade, deve sair, abrir espaço a quem “se mate” em campo pela vitória.
O mesmo precisa ser notado em relação ao momento dos atletas em seus respectivos clubes.
Danilo (Juventus), Militão (Real Madrid), Arthur (Barcelona) e Lucas Paquetá (Milan), por exemplo, ou são reservas ou estão tecnicamente em fase ruim. Não é o caso de dar chance a outros nomes?
Enfim, mesmo que as apresentações recentes da seleção estejam sendo pífias, interromper um trabalho no meio do caminho pode ser temeroso.
Ainda mais considerando que em jogos que valem a performance de Tite é excelente: 17 vitórias, cinco empates e uma única derrota (o 2 a 1 para a Bélgica, na Copa da Rússia).
Agora, se a conclusão da CBF for que é necessário jogar bem e vencer mesmo em amistosos – a seleção faz o último do ano nesta terça (19), contra a Coreia do Sul–, a hora de substituir Tite é esta.
Pior do que trocar um técnico no meio de um projeto – o com Tite visa a Copa no Qatar – é trocar no meio da competição que determina a ida para esse Mundial.
Questão: trocar por quem?
Renato Gaúcho? No Brasil, pelos feitos recentes, é o mais indicado. E ele aceitaria sem pestanejar.
Um dos Jorges, o português Jesus ou o argentino Sampaoli, que são as sensações do momento no Campeonato Brasileiro? Primeiro: eles querem? Segundo: conseguirão impor seus métodos na seleção, na qual não trabalharão dia a dia com os jogadores?
A minha conclusão é que não há um nome, empregado ou não, no Brasil ou fora, que seja unanimidade.
E Tite, quando assumiu o posto na vaga de Dunga, era uma opção de consenso, quase uma unanimidade.
Perdeu essa qualidade agora, mas ainda tem crédito suficiente para dar continuidade ao trabalho, independentemente do placar e da atuação da seleção na partida diante dos sul-coreanos.
]]>A equipe comandada por Tite, que teve um primeiro tempo muito ruim e melhorou no segundo, quando marcou seu gol (Casemiro), amarga uma das piores sequências da história do escrete nacional.
Desde o fim de 2012 e o início de 2013, quando ficou cinco partidas sem vencer, a seleção não registra uma série tão ruim.
Com Mano Menezes, em 2012, empatou com a Colômbia (1 a 1) e perdeu da Argentina (2 a 1, vencendo porém a disputa de pênaltis para faturar o troféu do Superclássico das Américas).
Mano caiu, entrou Luiz Felipe Scolari, que teve em sua sequência inicial uma derrota para a Inglaterra (2 a 1) e dois empates (Itália, 2 a 2, e Rússia, 1 a 1).
Em 2003/2004, sob o comando de Carlos Alberto Parreira, o Brasil também ficou cinco partidas sem vencer. Nesses confrontos, o time, contudo, também não perdeu.
Foram cinco empates, três pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006 (Peru, 1 a 1; Uruguai, 3 a 3; e Paraguai, 0 a 0), e dois em amistosos (Irlanda e França, ambos 0 a 0).
Agora, a seleção, sempre em amistosos, empatou três vezes (antes da Nigéria, 2 a 2 com a Colômbia e 1 a 1 com o Senegal) e perdeu uma (Peru, 1 a 0).
O maior jejum de vitórias do Brasil ocorreu em 1990/1991. Oito partidas, uma delas com a participação de Pelé.
Depois de ser eliminado da Copa do Mundo da Itália, com derrota de 1 a 0 para a Argentina (gol de Caniggia), sob a batuta de Sebastião Lazaroni, a seleção levou mais sete jogos para reencontrar a vitória.
Perdeu da Espanha (3 a 0, amistoso), empatou duas vezes com o Chile por 0 a 0 (jogos pelo Troféu da Amizade), perdeu de um combinado do resto do mundo (2 a 1, amistoso que celebrou os 50 anos de Pelé, que esteve em campo), empatou com o México (0 a 0, amistoso), empatou com o Paraguai (1 a 1, amistoso) e empatou com a Argentina (3 a 3, amistoso).
O treinador do Brasil no período era Paulo Roberto Falcão.
O time de Tite tentará quebrar a série negativa diante da Argentina, em amistoso marcado para o dia 15 de novembro, na Arábia Saudita.
]]>Nos amistosos nos EUA contra Colômbia e Peru, um empate e uma derrota (2 a 2 e 1 a 0, respectivamente), o que se viu foi um futebol aquém, mas muito aquém do esperado pela equipe que há dois meses conquistou a Copa América. Decepcionante, sem dúvida.
Enquanto isso, as demais forças do futebol foram muito bem (ou pelo menos bem), obrigado. Pode-se asseverar que todas saíram contentes do período de pouco mais de uma semana em que estiveram reunidas.
Sem Messi, a Argentina empatou sem gols com o Chile e goleou o México por 4 a 0. Sem Suárez e sem Cavani, mas com De Arrascaeta, o Uruguai ganhou da Costa Rica (2 a 1) e empatou com os EUA (1 a 1).
Na Europa, em confrontos pelas eliminatórias da Eurocopa, França, Itália, Inglaterra, Espanha, Portugal, Holanda, Bélgica… todos ganharam os dois jogos disputados.
A Croácia, atual vice-campeã mundial, ganhou um e empatou outro. A Alemanha foi a única que perdeu, para a forte Holanda, recuperando-se três dias depois ao vencer a Irlanda do Norte fora de casa.
“Ah, mas o Brasil foi mal em amistosos, jogos que não valem nada, deixe de ser rígido”, dirá o leitor fleumático.
Não valem nada mesmo? Em termos.
Além de servirem para testar jogadores, o que o técnico Tite nem sempre faz (há convocados que jogam escassos minutos ou nem sequer entram em campo), eles deveriam mostrar se o time está evoluindo nos quesitos estratégia coletiva e rendimento individual.
Contra Colômbia e Peru, o Brasil não demonstrou capacidade mínima para envolver os rivais – claramente inferiores no papel –, permitindo-lhes inclusive se sentir donos das ações em vários momentos, especialmente os colombianos, que chegaram a estar vencendo o jogo por 2 a 1 até o Brasil achar a igualdade com Neymar.
Não se viu nesses dois amistosos a seleção brasileira fazer o básico para desmontar as sempre muito fechadas defesas adversárias. Nada de ultrapassagens dos laterais, nada de triangulações, nada de jogadas ensaiadas. Nada de nada.
Em relação aos jogadores escalados, com raras exceções (Casemiro e Richarlison, notadamente), o nível de técnica, de criatividade, de desempenho, de vontade, todos essenciais para uma performance digna, esteve baixíssimo.
Ao se vestir a camisa da seleção pentacampeã, cada um deles deveria atuar, do início ao fim, como se fosse a partida mais importante da vida, não interessa se vale taça, se vale pontos, se é por competição ou se é contra a arquirrival Argentina. Amistoso deveria ser encarado como final de campeonato.
Infelizmente, alguns pareciam estar ali só para fazer número, longe que estiveram do conhecido e inúmeras vezes enaltecido padrão de qualidade que lhes é peculiar. Cito nomes: Philippe Coutinho, Roberto Firmino, Alex Sandro, Marquinhos.
Daniel Alves e Neymar, sem brilho apesar da combinação para um gol, jogaram somente para o gasto. Podem render no mínimo 100% a mais do que renderam.
Menos badalados, o zagueiro Éder Militão, que falhou no gol do Peru (e já tinha falhado no gol do Panamá no 1 a 1 em março, também em lance de bola parada), e os volantes Fabinho e Allan mostraram-se claudicantes, parecendo-lhes pesada a camisa amarela.
Em relação à tática, a responsabilidade é do treinador, que está lá justamente para isso. Escolher 11, dar uma camisa para cada um e dizer “vamos lá, vamos ganhar”, o Zagallo fazia e ainda poderia fazer, mesmo com quase 90 anos.
Se Tite não consegue elaborar uma ou duas jogadas que sejam para surpreender o oponente, vamos mal. Se nos treinos isso é planejado, mas na partida os atletas não executam, vamos igualmente mal.
Sobre as fracas atuações individuais, cabe da mesma forma a Tite a cobrança pela excelência (que lhe é tão cara no discurso), além de cada jogador fazer uma autoanálise rigorosa – não é aceitável perder do Peru e achar normal.
Atualmente, em plena vigência da época do “não tem mais bobo no futebol”, com seleções inferiores equilibrando duelos à base do preparo físico e de ferrolhos, o talento (o drible desconcertante, o passe milimétrico, a finalização inesperada) é definidor de partidas.
Talento no futebol o brasileiro tem, mais que os outros, é notório. Está no DNA. O que não se pode é permitir que ele adormeça. Pois, desacordado, vale tanto quanto a inépcia.
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