Tite acumula o que só técnico do Maracanazo acumulou na seleção

O gaúcho Adenor Leonardo Bachi, o Tite, ao completar cinco anos no comando da seleção brasileira, o que ocorreu no domingo (20), conseguiu um feito raríssimo: permanecer por esse período de tempo, ininterruptamente, no cargo.

Ao longo da história da seleção, iniciada em 1914, somente um treinador se sustentou na direção da equipe por um intervalo sequencial tão longo.

O mineiro Flávio Rodrigues Costa (1906-1999) dirigiu a seleção pela primeira vez no dia 14 de maio de 1944, numa goleada por 6 a 1 do Brasil sobre o Uruguai, em um amistoso em São Januário, no Rio. Os gols do Brasil foram de Eduardo Lima (2), Isaías, Tesourinha, Ruy e Lelé.

Nesse e no jogo seguinte, também em maio daquele ano, Flávio Costa dividiu o banco de reservas com outro treinador, o português Jorge Gomes de Lima, o Joreca (1904-1949).

A partir de 1945, Costa prosseguiu sozinho. Ele permaneceu até o dia 16 de julho de 1950, dia da fatídica derrota por 2 a 1, de virada, na decisão da Copa do Mundo de 1950, no Maracanã lotado.

Ironia do destino, Costa encerrou esse ciclo na seleção, na partida que ficou conhecida como Maracanazo, perdendo para o mesmo oponente, o Uruguai, que lhe rendera sucesso na estreia.

Assim, do seu jogo inicial até o final, ele esteve com a seleção 2.255 dias. Não obtive a informação da data em que Costa foi nomeado pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos) para a função.

Tite está no cargo desde 20 de junho de 2016, há exatos 1.826 dias. Sua estreia ocorreu no dia 1º de setembro desse ano, uma vitória por 3 a 0 sobre o Equador, no Estádio Olímpico Atahualpa, em Quito, com gols de Gabriel Jesus (2) e Neymar.

E qual deles, Flávio Costa ou Tite, teve um desempenho superior ao completar cinco anos no comando da seleção?

Em conquistas, Tite faturou uma Copa América (2019), mesma quantia de Costa (1949), podendo passar à frente se ganhar a que está em andamento no Brasil.

Os dois têm no currículo um título do Superclássico das Américas, contra a Argentina. Tite em 2018, Costa em 1945, quando a disputa era chamada de Copa Roca.

E ambos amargam um revés em Copa do Mundo. Tite na de 2018, na Rússia; Costa, como mencionado, na de 1950.

Iguais nos títulos (desconsidero neste texto a conquista de Costa na Taça do Atlântico, em 1946, pois Tite não tem como disputar essa competição, já extinta), o critério de desempate, por ora, fica sendo o aproveitamento de vitórias.

E nesse item Tite leva: acumula 75%. Em 56 jogos, foram 42 triunfos, dez empates e quatro derrotas.

Costa teve 67% (43 jogos, 29 vitórias, seis empates e oito derrotas).

Flávio Costa (dir.), em 1961, com Zezé Moreira, que o sucedeu na seleção brasileira depois da derrota na decisão da Copa de 1950 (Folhapress)

Em tempo: Além do período mencionado, Flávio Costa esteve à frente da seleção brasileira em outros 17 jogos, em 1955 e em 1956, registrando 11 vitórias, três empates e três derrotas.