Com 40 títulos na carreira, Daniel Alves desafiará jejum são-paulino

Até a semana passada, noticiava-se que o lateral-direito Daniel Alves, capitão e principal destaque do Brasil na conquista da Copa América deste ano, teria como provável destino o Manchester City, atual bicampeão inglês.

Tottenham e Arsenal, rivais do Man City, também teriam tido interesse no atual, na minha opinião, melhor do mundo na posição.

Mas o destino escolhido pelo jogador de 36 anos nascido em Juazeiro (Bahia) foi outro, e de certa forma surpreendente.

Nesta quinta (1º), houve o anúncio de que Daniel Alves regressará ao Brasil depois de 17 anos atuando na Europa, por Sevilla, Barcelona, Juventus e, por fim, Paris Saint-Germain.

Ele reforçará o São Paulo, seu time do coração, em contrato que irá até o fim de 2022.

Daniel Alves com a camisa do São Paulo, time pelo qual torce desde pequeno (Divulgação/São Paulo FC)

Daniel Alves é um dos exemplos mais claros de carreira esportiva de sucesso.

Não tenho conhecimento de nenhum jogador que tenha ganhado mais títulos do que ele, atuando sempre em países de primeira linha no futebol, além da seleção brasileira. Nem Pelé ganhou tanto.

São 40 gritos de “é campeão!” neste século (média superior a dois por ano), considerando apenas os por times adultos, a saber:

  • Bahia: Copa do Nordeste (2002)
  • Sevilla: Copa da Uefa (2006 e 2007), Supercopa da Europa (2006), Copa do Rei (2007), Supercopa da Espanha (2007)
  • Barcelona: Mundial de Clubes (2009, 2011 e 2015), Liga dos Campeões da Europa (2009, 2011 e 2015), Supercopa da Europa (2009, 2011 e 2015), Campeonato Espanhol (2009, 2010, 2011, 2013, 2015 e 2016), Copa do Rei (2009, 2012, 2015 e 2016), Supercopa da Espanha (2009, 2010, 2011 e 2013)
  • Juventus: Campeonato Italiano (2017) e Copa da Itália (2017)
  • PSG: Campeonato Francês (2018 e 2019), Copa da França (2018), Copa da Liga Francesa (2018), Supercopa da França (2017)
  • Brasil: Copa América (2007 e 2019), Copa das Confederações (2009 e 2013)

Ou seja, por onde passou, Daniel Alves levantou troféus, sem exceção – o mais recente há menos de um mês, no dia 7 de julho, no Maracanã, pela seleção.

Ganhar títulos continuará a ser um desafio com a camisa do São Paulo, e talvez seja o maior de todos para o experiente lateral, ótimo ofensivamente, tanto na bola parada como com ela rolando, mas não tão bom na marcação.

Pela simples razão de o São Paulo amargar uma mais que incômoda seca de títulos, de quase sete anos.

Sem considerar os campeonatos disputados pelos times da base (como a Copa São Paulo de juniores) ou torneios amistosos de pré-temporada (como a Florida Cup), a equipe tricolor não triunfa desde 12 de dezembro de 2012, quando conquistou a Copa Sul-Americana ao superar o Tigre, da Argentina, por 2 a 0 no Morumbi, gols de Lucas Moura e Osvaldo.

O tempo dirá se Daniel Alves, que certamente será incumbido de liderar a equipe, será capaz de, com sua aura vencedora, encerrar o jejum são-paulino ou se o São Paulo prolongará sua fase perdedora e se tornará o primeiro clube pelo qual ele não terá logrado êxito.

Em tempo: Daniel Alves preencherá um espaço, a lateral direita, na qual o São Paulo sofre há anos. Desde a saída de Cicinho, em 2005, a equipe – que já teve os bons Getúlio, Zé Teodoro e Zé Carlos e o espetacular Cafu na posição, para citar apenas os que vi jogar – não emplaca um jogador decente por ali.