O Mundo é uma Bola https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br Thu, 13 Jan 2022 14:51:57 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Andreas perdeu o passo, a bola, o jogo e o título https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2021/11/29/andreas-perdeu-o-passo-a-bola-o-jogo-e-o-titulo/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2021/11/29/andreas-perdeu-o-passo-a-bola-o-jogo-e-o-titulo/#respond Mon, 29 Nov 2021 05:22:26 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2021/11/Andreas-320x213.png https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=22713 Hugo Lloris é um cara de sorte.

O goleiro e capitão francês, ao receber um recuo de bola na pequena área na final da Copa do Mundo de 2018, na Rússia, tentou fazer o que não devia: driblar o atacante.

Mandzukic esticou o pé direito, a finta de Lloris falhou, a bola bateu no croata e foi parar nas redes.

Um tremendo vexame, um erro clamoroso na decisão do mais importante campeonato de futebol do planeta.

Então por que Lloris é um sortudo?

Porque a França vencia a partida por 4 a 1 no momento da patacoada que ele fez, e a Croácia não teve força para fazer mais gols no duelo em Moscou.

A lambança do camisa 1 não foi esquecida, porém acabou minimizada por não afetar o resultado final.

O goleiro francês Lloris tentra driblar o atacante croata Mandzukic na final da Copa do Mundo de 2018 e se dá mal; clique para ver esse e outros lances da decisão (Reprodução/YouTube)

Lúcio, um dos melhores zagueiros que a seleção brasileira já teve, também é um cara de sorte.

Nas quartas de final da Copa do Mundo de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão, ele errou feio ao tentar cortar um lançamento de Heskey para Owen.

Lúcio estava “torto” na jogada, e a bola bateu em seu quadril e sobrou para o rápido atacante, que deslocou o goleiro Marcos e colocou a Inglaterra na frente.

Um erro grosseiro, gritante, em um jogo entre duas potências do futebol, pode pôr tudo a perder.

Só que Lúcio é um sortudo, pois tinha no seu time um Ronaldinho Gaúcho inspiradíssimo naquele dia no estádio Shizuoka, na cidade japonesa de Fukuroi.

O meia-atacante puxou um contra-ataque no fim do primeiro tempo e deu passe açucarado para Rivaldo empatar.

Na segunda etapa, em um de seus gols mais famosos, cobrou uma falta que encobriu o goleiro Seaman. Até hoje questiona-se se Ronaldinho quis chutar para o gol ou se “errou” o cruzamento.

A bobeira de Lúcio, a exemplo da de Lloris, é recordada, mas não torna o beque um vilão, já que o Brasil ganhou o jogo e, depois, sagrou-se pentacampeão mundial.

O brasileiro Lúcio falha feio diante de Michael Owen, que faz gol para a Inglaterra na Copa do Mundo de 2002; clique para ver esse e outros lances do jogo (Reprodução/YouTube)

o belgo-brasileiro Andreas Pereira não é um sortudo.

O meio-campista do Flamengo cometeu um erro que custou muito caro –a ele, ao time e à maior torcida do Brasil.

No começo da prorrogação, na final da Libertadores contra o Palmeiras, no sábado (27) em Montevidéu, Andreas recebeu passe de David Luiz na defesa.

Estava sozinho, era o último homem, porém não parecia estar em situação difícil. Podia recuar para o goleiro Diego Alves ou passar para Rodrigo Caio, que estava a uma pequena distância.

Isso se não hesitasse ou bobeasse. Ao tentar dominar a bola, Andreas deu um passo em falso, e ela escapou. Em um segundo, o flamenguista se deu conta de estar em apuros.

Com a proximidade de Deyverson, que vinha em velocidade, o camisa 18 ainda tentou, em um esforço que se mostrou em vão, chutar a bola para que ela chegasse a Diego Alves.

O resto da jogada todos sabem. Deyverson ficou com a bola, entrou na área e fez o gol que deu ao Palmeiras a taça da Libertadores.

Andreas ficou desolado, caído no chão, ciente de que estava prestes a se tornar o vilão da nação rubro-negra. Começou ali a viver um pesadelo, que se mostrou real e do qual não despertará.

Diferentemente do que ocorreu com Lloris e com Lúcio, a falha não será esquecida ou minimizada.

Quando alguém, hoje ou daqui a anos, perguntar o que provocou a derrota do Flamengo na decisão da Libertadores de 2021, a resposta será: o deslize de Andreas.

Dizem que o futebol é um esporte coletivo. Que quando o time ganha o mérito é de todos e que quando o time perde o fracasso pertence ao conjunto.

Balela. Um erro individual, se de proporção gigante, não é culpa do time. O responsável é exclusivamente aquele que vacilou. Barbosa, goleiro do Brasil na Copa de 1950, que falhou no gol que deu o título ao Uruguai, que o diga.

Andreas Pereira. do Flamengo, perde o controle da bola e dá chance a Deyverson, que fica com ela e faz o gol da vitória do Palmeiras na final da Libertadores; clique e veja os lances da partida (Reprodução/YouTube)

Andreas, 25, deve ter passado um fim de sábado e um domingo terríveis, relembrando seguidamente o lance fatídico.

Muitas perguntas ele deve estar se fazendo até agora.

“Por que dominei tão mal uma bola fácil?” “Por que Deyverson não errou o chute?” “Por que Diego Alves não evitou o gol?” “Por que o Flamengo não conseguiu reagir?” “Por que isso aconteceu justo comigo?”

E a questão principal: “Como a torcida vai me tratar daqui para a frente?”.

São perguntas sem respostas claras ou até mesmo sem respostas.

Por ora, o que se pode afirmar, sem hesitação, é isto: Andreas não é um cara de sorte.

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Ir para os pênaltis é ruim para o Flamengo e pior para o Palmeiras https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2021/11/26/ir-para-os-penaltis-e-ruim-para-o-flamengo-e-pior-para-o-palmeiras/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2021/11/26/ir-para-os-penaltis-e-ruim-para-o-flamengo-e-pior-para-o-palmeiras/#respond Fri, 26 Nov 2021 20:00:10 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2021/11/Luiz-Adriano-320x213.png https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=22000 Se transcorridos os 90 minutos (mais acréscimos) do tempo regulamentar, mais os 30 minutos (mais acréscimos) da prorrogação e Flamengo x Palmeiras terminar empatado, haverá cobranças de pênaltis no estádio Centenário, em Montevidéu, para decidir o campeão da Libertadores.

Sempre emocionante, essa disputa, que põe 500 quilos nas costas de cada cobrador e deixa o goleiro leve, com grande chance de se tornar o herói do dia, é ruim para o Flamengo. E ainda pior para o Palmeiras.

Levantamento deste blog com o desempenho de 28 grandes times a partir de 26 de novembro de 2011 até o dia de hoje (26 de novembro de 2021), exatos dez anos, mostra o time alviverde da penúltima colocação no aproveitamento.

O Palmeiras participou de 18 decisões por pênaltis nessa década e ganhou apenas seis (33% de sucesso). De cada três disputas, a equipe perdeu uma.

Ir para os pênaltis só foi mais traumático para o River Plate. O clube argentino, em 13 tentativas de êxito, ganhou apenas 4 (31%).

Agustín Rossi, goleiro do Boca Juniors, defende pênalti em disputa contra o arquirrival River Plate nas oitavas de final da Copa da Argentina (Agustin Marcarian – 4.ago.2021/Reuters)

Há um ditado que afirma que “pênalti é loteria”. Se fosse, seguindo-se o meu entendimento de probabilidades, todos os times deveriam triunfar em 50% das disputas e fracassar em 50% delas.

Não é o que aconteceu, no período da pesquisa, com 24 dos 28 clubes. Somente Manchester United, Real Madrid, Bayern de Munique e Santos registraram 50/50.

Considerando-se uma margem de 10 pontos percentuais para cima ou para baixo, um desvio que não considero exagerado, 18 encaixaram-se nessa faixa.

Sete agremiações apresentaram resultado superior a 60%, e três, inferior a 40% o Paris Saint-Germain, com 38%, faz companhia a Palmeiras e River.

Com 45% de aproveitamento em decisões por pênaltis (5 vitórias em 11 ocasiões), o Flamengo, em uma nada honrosa 22ª colocação no ranking, não teria razão para otimismo no caso de mais uma acontecer no Uruguai, a não ser pelo fato de o rival paulistano ser ainda mais sofrível.

A situação é ainda mais desconfortável para os comandados de Abel Ferreira quando se levam em conta os resultados nos pênaltis neste ano: nenhum triunfo em quatro tentativas.

Houve reveses diante de Al-Ahly (Mundial de Clubes), Flamengo (Supercopa do Brasil), Defensa y Justicia (Recopa Sul-Americana) e CRB (Copa do Brasil).

O único alento para o Palmeiras é que, em 1999, na primeira das duas vezes que a equipe ergueu a taça da competição continental, a vitória saiu nos pênaltis: 4 a 3 contra o Deportivo Cali, da Colômbia.

Mas, mesmo em decisões por pênaltis em finais de Libertadores, o retrospecto não é positivo, já que em 2000 o time dirigido por Luiz Felipe Scolari perdeu (4 a 2) para o Boca Juniors.

Jogadores do Palmeiras acompanham a disputa de pênaltis contra o Defensa y Justicia, da Argentina, na decisão da Recopa Sul-Americana, em Brasília (Buda Mendes – 14.abr.2021/AFP)

A análise estatística indica que não é convidativo encarar nos pênaltis Manchester City, Arsenal, Vasco (todos 67% de êxito em duelos por pênaltis), Boca Juniors (64%) e principalmente o Barcelona, quase imbatível (86%).

Ressalte-se que o número de vezes que o Vasco participou de uma decisão por pênaltis é de somente seis no intervalo do levantamento, ou metade da média (12) dos clubes pesquisados.

O Barça também pouco decidiu por pênaltis (sete vezes), assim como o PSG (oito vezes), e o Boca foi quem mais se viu na marca da cal para definir jogos: 22 vezes em uma década.

Foram consideradas na pesquisa, que considerou confrontos nacionais e internacionais, as performances de 12 times do Brasil, seis da Inglaterra, três da Espanha, três da Itália, dois da Argentina, um da Alemanha e um da França.

A seguir, o ranking geral, do time mais eficaz nas disputas de pênaltis para o menos competente.

1) Barcelona – 86% (7 jogos, 6 vitórias)

2) Arsenal – 67% (12 jogos, 8 vitórias)

Manchester City – 67% (12 jogos, 8 vitórias)

Vasco – 67% (6 jogos, 4 vitórias)

5) Boca Juniors – 64%  (22 jogos, 14 vitórias)

6) Atlético de Madrid – 62% (13 jogos, 8 vitórias)

7) Chelsea – 61% (18 jogos, 11 vitórias)

8) Grêmio – 60% (15 jogos, 9 vitórias)

Atlético-MG – 60%  (10 jogos, 6 vitórias)

Botafogo 60% – (10 jogos, 6 vitórias)

Cruzeiro – 60%  (10 jogos, 6 vitórias)

12) Corinthians – 57% (14 jogos, 8 vitórias)

13) Fluminense – 56% (9 jogos, 5 vitórias)

Milan – 56% (9 jogos, 5 vitórias)

15) Inter de Milão – 55% (11 jogos, 6 vitórias)

16) Liverpool – 54% (13 jogos, 7 vitórias)

17) Bayern – 50% (16 jogos, 8 vitórias)

Santos – 50% (12 jogos, 6 vitórias)

Manchester United – 50% (10 jogos, 5 vitórias)

Real Madrid – 50% (10 jogos, 5 vitórias)

21) Internacional – 46% (13 jogos, 6 vitórias)

22) Flamengo 45% (11 jogos, 5 vitórias)

Juventus – 45% (11 jogos, 5 vitórias)

Tottenham – 45% (11 jogos, 5 vitórias)

25) São Paulo – 40% (10 jogos, 4 vitórias)

26) PSG – 38% (8 jogos, 3 vitórias)

27) Palmeiras – 33% (18 jogos, 6 vitórias)

28) River Plate – 31%  (13 jogos, 4 vitórias)

Goleiro da seleção brasileira, Júlio César defende pênalti batido por Alexis Sánchez, do Chile, nas oitavas de final da Copa de Mundo de 2014, em Belo Horizonte (Francois Xavier – 28.jun.2014/AFP)

E as seleções mais renomadas, que já foram campeãs do mundo?

Como se saíram em confrontos decididos por pênaltis nos últimos dez anos, considerando-se seus times principais? (Não se considera na conta as equipes de base nem olímpicas.)

Quem mais teve sucesso foram a alemã, que venceu sua única disputa (em 2016, na Eurocopa, diante da Itália), e a brasileira, com 75% de aproveitamento (três vitórias em quatro tentativas) –a derrota ocorreu na Copa América do Chile, em 2015, para o Paraguai.

Por outro lado, as seleções uruguaia (quatro reveses) e francesa (um) não ganharam uma única vez no hiato de dez anos.

1) Alemanha – 100% (1 jogo, 1 vitória)

2) Brasil – 75% (4 jogos, 3 vitórias)

3) Itália – 67% (6 jogos, 4 vitórias)

4) Espanha – 60% (5 jogos, 3 vitórias)

5) Argentina – 50% (6 jogos, 3 vitórias)

Inglaterra – 50% (4 jogos, 2 vitórias)

7) Uruguai – 0% (4 jogos, 0 vitória)

França – 0% (1 jogo, 0 vitória)

Leia também: Na disputa de pênaltis, é melhor começar batendo ou não?

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Breno Lopes é o herói mais improvável das decisões de Libertadores https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2021/01/31/breno-lopes-e-o-heroi-mais-improvavel-das-decisoes-de-libertadores/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2021/01/31/breno-lopes-e-o-heroi-mais-improvavel-das-decisoes-de-libertadores/#respond Sun, 31 Jan 2021 17:30:39 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2021/01/Breno-Lopes-1-320x213.png https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=20979 A Libertadores é feita de campeões e de heróis. Nem todo campeão é herói, mas todo herói é campeão.

Caso seja feita uma análise, em toda edição do torneio, realizado desde 1960, pode-se eleger um jogador –às vezes mais de um– responsável pela glória de seu time.

Os mais imbuídos de espírito coletivo dirão que todos os integrantes do elenco vencedor, não somente os jogadores, sendo eles titulares ou reservas, mas o treinador, seus auxiliares técnicos e o resto do estafe (preparador físico, fisioterapeuta, médico, roupeiro etc.) são heróis.

Herói, no caso que quero abordar, é aquele que faz (sem levar em conta as decisões por pênaltis) o gol decisivo, o gol que o deixa como “o” personagem do jogo. Aquele que será eternizado mais que os outros na memória dos torcedores por esse feito.

Em Copas do Mundo, por exemplo, Iniesta foi “o” herói da Espanha em 2010, e Götze, “o” herói da Alemanha em 2014.

Breno Lopes mostra poder de impulsão, ganha de Pará e cabeceia aos 53 minutos e 26 segundos do 2º tempo para fazer o gols do Palmeiras na decisão da Libertadores (Ricardo Moraes – 30.jan.2021/AFP)

Ao marcar de cabeça contra o Santos no Maracanã, aos 53 minutos e 27 segundos do segundo tempo, o gol que deu ao Palmeiras seu segundo título na mais importante competição continental, Breno Lopes tornou-se “o” herói alviverde.

Mas não um herói qualquer entre os vários que a Libertadores acumula. O atacante de 25 anos é o herói mais improvável de todas as partidas que decidiram a competição.

Entenda-se por partida decisiva aquela que encerrou o campeonato, seja jogo único (como ocorre desde a edição de 2019), seja o jogo de volta, seja o jogo de desempate.

Por que Breno Lopes atingiu esse patamar único?

Porque era reserva do técnico Abel Ferreira, não só na final, mas em toda a campanha. Antes da decisão, tinham sido 83 minutos em campo (menos de um jogo completo), espalhados por quatro partidas, sem fazer gol ou dar assistência.

Porque, no jogo que valia a taça, entrou em campo tardiamente, só aos 39 minutos e 28 segundos da segunda etapa. Tinha pouquíssimo tempo para mostrar serviço.

Porque mostrou eficiência altíssima. Tocou na bola, com suas chuteiras amarelas, apenas três vezes –na mesma jogada, que valeu um escanteio ao Palmeiras, executada em quatro segundos, a partir dos 40min7s– antes de anotar o gol de sua vida.

Ou seja, até, após cruzamento de Rony, ganhar na grande área pelo alto de Pará e desferir a cabeçada certeira fora do alcance do goleiro John, Breno Lopes era um “ninguém” em termos internacionais.

Contratado em novembro, quando era destaque do Juventude na Série B, o mineiro de Belo Horizonte até teve algumas chances como titular, no Campeonato Brasileiro, mas demorou dois meses e meio para marcar seu até então único gol, na partida que antecedeu a final deste sábado (30), 1 a 1 com Vasco, no dia 26.

Na história da Libertadores, o jogador que mais se aproximava do título de herói mais improvável, antes da emersão de Breno Lopes, era César, atacante do Grêmio comandado por Valdir Espinosa em 1983, que tinha Renato Gaúcho como craque.

Na decisão contra o Peñarol, em Porto Alegre, César substituiu Caio aos 18 minutos do segundo tempo e, aos 32, em uma cabeçada na pequena área após cruzamento de Renato, fez o gol da vitória por 2 a 1.

Mas César não era um “ninguém”.

Tinha sido titular em três jogos daquela campanha gremista e marcado um gol antes do tento consagrador no estádio Olímpico, que o fez merecedor de ser incluído na Calçada da Fama do tricolor gaúcho.

Os demais jogadores que se celebrizaram como heróis em decisões de Libertadores por marcarem o gol da conquista (como Gabriel “Gabigol” pelo Flamengo em 2019, Danilo pelo Santos em 2011, Joãozinho pelo Cruzeiro em 1976 ou o uruguaio Luis Cubilla pelo Peñarol em 1960, entre outros) não eram improváveis. Eram titulares e “tinham nome”.

Breno Lopes fez o seu nome num início de noite quente do verão carioca, num Maracanã com público reduzido devido a um Brasil atormentado pela pandemia de coronavírus.

Vestindo a camisa 19, ele ficou no gramado de um dos estádios mais famosos e icônicos do mundo por exatos 19 minutos e 36 segundos, já que a partida, depois de sua entrada, teve longo tempo de acréscimo devido a paralisações para atendimento de jogadores (Kaio Jorge e Gustavo Gómez), substituições (três) e a expulsão do técnico do Santos, Cuca.

Com a bola rolando, Breno Lopes correu por 9min54s, tocando na redonda as quatro mencionadas vezes –a última, a que o elevou a herói mais improvável da história da Libertadores.

Em tempo: Para evitar que flamenguistas ou corintianos façam críticas pela ausência de Zico e Emerson Sheik entre os heróis de conquistas de Libertadores, em 1981 e em 2012, explico. Os dois foram sim os responsáveis diretos pelas vitórias, respectivamente, sobre Cobreloa e Boca Juniors. Cada um fez os dois gols nos triunfos por 2 a 0 de rubro-negros e alvinegros. Protagonistas e heróis, sem dúvida. Mas, no contexto deste texto, eles não se encaixam. A comparação, conforme mencionado, é entre jogadores que fizeram “o” gol decisivo (não “os” gols) e que deles não se esperava essa façanha –não são os casos do Galinho de Quintino e de Sheik.

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Em seu título na Libertadores, Palmeiras bateu River por 3 a 0 na semifinal https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2021/01/06/em-seu-titulo-na-libertadores-palmeiras-bateu-river-por-3-a-0-na-semifinal/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2021/01/06/em-seu-titulo-na-libertadores-palmeiras-bateu-river-por-3-a-0-na-semifinal/#respond Wed, 06 Jan 2021 06:05:18 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2021/01/Rony-320x213.png https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=20793 O resultado foi memorável e histórico.

Com a vitória por 3 a 0 no primeiro duelo das semifinais, inesperada até pelo mais otimista de seus fãs, o Palmeiras impôs ao River Plate o seu segundo pior placar como mandante nas 35 participações do clube argentino na Libertadores.

Só em 1973 o River amargou resultado mais vexaminoso atuando em casa, um 4 a 0 para o também argentino San Lorenzo, na fase de grupos.

Nove anos depois, no triangular semifinal, o Flamengo de Zico e companhia superou o River por 3 a 0, mesmo placar alcançado pelo Palmeiras na noite desta terça (5) em Avellaneda.

O triunfo dos comandados pelo português Abel Ferreira, até aqui de trabalho promissor, certamente é um ótimo presságio para os torcedores palestrinos supersticiosos.

Além de ter estabelecido uma diferença de gols que muito dificilmente o time argentino conseguirá reverter na próxima semana, o Palmeiras já vivenciou uma ocasião em que, também em uma semifinal, superou o River, também por 3 a 0.

Foi em 1999. Em seu estádio, a equipe dirigida por Luiz Felipe Scolari (Felipão), com gols de Alex (2) e Roque Júnior, classificou-se para a final, desfazendo a vantagem de 1 a 0 que o River obtivera no jogo de ida.

A escalação do Palmeiras naquela noite de maio foi: Marcos; Arce, Roque Júnior, Agnaldo e Rubens Júnior (Tiago Silva); César Sampaio, Rogério (Galeano) e Zinho; Alex; Paulo Nunes e Oséas (Euller).

Euller, o ‘filho do vento’, dá trabalho à defesa rival em Palmeiras 3 x 0 River Plate no jogo de volta da Libertadores-99, no estádio Palestra Itália (Joel Silva – 26.mai.1999/Folhapress)

Ao eliminar o River, o time alviverde teve, entre ele e a taça, o colombiano Deportivo Cali, que se mostrou uma parada dura mas acabou derrotado na disputa de pênaltis.

Esse foi o primeiro e, até agora, único título palmeirense na mais importante e tradicional competição das Américas.

A coincidência claramente existe, essa do 3 a 0 no River na semifinal.

Dizem que um raio não cai no mesmo lugar. O Palmeiras, porém, jogando muito bem, caminha a passos firmes para desdizer esse velho ditado.

Atuando desse modo, consistente e determinado, não dará chance de reação ao River e chegará com favoritismo à decisão, seja o Santos, seja o Boca Juniors o adversário.

A Libertadores 2020, a ser encerrada neste 2021, está com toda a pinta de ser pintada de verde.

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Gre-Nal será um raro encontro entre arquirrivais estaduais na Libertadores https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/03/12/gre-nal-sera-um-raro-encontro-entre-arquirrivais-estaduais-na-libertadores/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/03/12/gre-nal-sera-um-raro-encontro-entre-arquirrivais-estaduais-na-libertadores/#respond Thu, 12 Mar 2020 06:20:13 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2020/03/Grenal-1-320x213.jpg https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=19394 A Libertadores tem uma longa história, de 61 anos.

Desde 1960, 28 times brasileiros tiveram o privilégio de participar do mais relevante torneio interclubes da América.

Os recordistas de aparições são o Grêmio, o Palmeiras e o São Paulo, 20 vezes cada um. Cruzeiro (17), Flamengo (16), Corinthians e Santos (15), Internacional (13), Atlético-MG (10) e Vasco (9) vêm a seguir.

Nessas seis décadas de embates entre equipes sul-americanas, que por algum tempo (1998 a 2016) também duelaram com times mexicanos, aconteceram vários duelos envolvendo brasileiros.

Houve inclusive duas finais brasucas, ambas com a presença do São Paulo, que em 2005 superou o Athletico-PR e em 2006 sucumbiu ante o Inter.

Só que os confrontos que mais mexem com os torcedores, os clássicos locais, com os times de maior tradição e rivalidade no mesmo estado, foram bem poucos.

Tão poucos a ponto de poderem, em variedade (que não deve ser confundida com quantidade), ser elencados nos dedos de uma mão. A segunda mão começa com o inédito e esperadíssimo Gre-Nal desta quinta (12), na arena gremista.

O técnico Renato Gaúcho em treinamento do Grêmio (Reprodução/Site do Grêmio)

Em SP, o Corinthians encarou na Libertadores todos os seus principais adversários: o Palmeiras (em 1999 e em 2000), o Santos (em 2012) e o São Paulo (em 2015). E o Palmeiras cruzou com o São Paulo em 1974, 1994, 2005 e 2006.

No RJ, aconteceu o encontro entre Fluminense e Vasco, em 1985.

E foi só. O clássico mineiro Atlético x Cruzeiro jamais foi visto em uma Libertadores. Tampouco Flamengo x Vasco, Flamengo x Fluminense, Flamengo x Botafogo, Fluminense x Botafogo e Vasco x Botafogo, no âmbito carioca. Nem Palmeiras x Santos e Santos x São Paulo, para enfocar os paulistas.

A principal razão para essa escassez de clássicos estaduais na Libertadores é a não participação simultânea, na maior parte das edições, desses arquirrivais.

Atlético e Cruzeiro, por exemplo, só estiveram três vezes em uma mesma Libertadores, 2014, 2015 e 2019, e não houve o cruzamento.

No Rio, o Fluminense só se classificou para seis Libertadores; o Botafogo, menos ainda: cinco.

Neste ano, calhou de Grêmio e Inter ficarem no mesmo grupo, o que propiciará dois confrontos – o segundo será no dia 8 de abril, no Beira-Rio, se o coronavírus permitir –, com o atenuante de não serem partidas de mata-mata.

Ou seja, tanto um como o outro podem se classificar e eventualmente voltarem a duelar, aí em um enfrentamento eliminatório.

O atacante peruano Guerrero, esperança de gols do Internacional, durante treino da equipe colorada (Ricardo Moraes/Site do Internacional)

Corinthians e São Paulo estiveram nessa situação, a de duelarem na etapa de grupos, cinco anos atrás. Houve uma vitória para cada lado, e os dois conseguiram passar para a fase eliminatória.

Isso ocorreu também com Palmeiras e São Paulo, e com Fluminense e Vasco.

No caso dos cariocas, respectivamente campeão e vice do Brasileiro de 1984, dois empates (3 a 3 e 0 a 0) contribuíram para que ambos caíssem juntos. Classificava-se em 1985 só um time por chave, e esse foi o Argentinos Juniors.

No caso dos paulistas, os palmeirenses, há 46 anos, perderam na ida e na volta e viram os são-paulinos ficarem com a vaga. Seria apenas a primeira vez de sofrimento ante os tricolores, carrascos alviverdes na Libertadores.

Nas edições de 1994 (um empate e uma vitória), 2005 (duas vitórias) e 2006 (um empate e uma vitória), sempre o São Paulo eliminou o Palmeiras, sempre nas oitavas de final.

Os palmeirenses podem se gabar, todavia, de eliminarem os corintianos, a quem tanto odeiam (e vice-versa), nas duas vezes em que estiveram frente a frente, em mata-matas épicos decididos na cobrança de pênaltis.

Em 1999, ainda houve um aperitivo: uma vitória alviverde e um triunfo alvinegro na fase de grupos. Nas quartas de final, o reencontro, que repetiu um sucesso para cada um e resultou nos pênaltis. Brilhou o goleiro São Marcos.

Em 2000, o Corinthians teve a oportunidade de vingança na semifinal. Ganhou a primeira partida. Perdeu a segunda. Pênaltis. Brilhou o goleiro São Marcos.

O goleiro Marcos, do Palmeiras, defende pênalti batido por Marcelinho Carioca, do Corinthians, na semifinal da Libertadores de 2000, no Morumbi (Evelson de Freitas – 6.jun.2000/Folhapress)

Resta aos corintianos celebrarem o resultado contra o Santos de Neymar, na semifinal de 2012. Com uma vitória e um empate, o Corinthians avançou para, dias depois, superar o Boca Juniors e faturar, pela primeira e única vez, a Libertadores.

Detalhados os resultados, encerro com um resumo dos clássicos estaduais na Libertadores, que terá sua continuidade com o Gre-Nal.

  • Palmeiras x São Paulo: seis vitórias são-paulinas, dois empates, três classificações são-paulinas em mata-matas
  • Corinthians x Palmeiras: três vitórias corintianas, três vitórias palmeirenses, duas classificações palmeirenses em mata-matas
  • Corinthians x Santos: uma vitória corintiana, um empate, uma classificação corintiana em mata-mata
  • Corinthians x São Paulo: uma vitória corintiana, uma vitória são-paulina, sem duelos em mata-mata
  • Fluminense x Vasco: dois empates, sem duelos em mata-mata
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Temor brasileiro na fase de grupos da Libertadores, se existe, é infundado https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/03/03/temor-brasileiro-na-fase-de-grupos-da-libertadores-se-existe-e-infundado/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/03/03/temor-brasileiro-na-fase-de-grupos-da-libertadores-se-existe-e-infundado/#respond Tue, 03 Mar 2020 10:01:53 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2020/03/Soteldo-1-320x213.jpg https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=19331 Com quatro brasileiros em campo (Santos, Internacional, Grêmio e Athletico-PR), começa nesta terça (3) a fase de grupos da Libertadores-2020.

No total, são sete os representantes do país nesta edição. Também jogam o Flamengo, o Palmeiras e o São Paulo. O Corinthians deu vexame e foi eliminado na chamada pré-Libertadores.

“Tudo ainda faz pensar na Libertadores como o torneio que dá chance para o imprevisível”, escreveu Paulo Vinícius Coelho, o PVC, na Folha de domingo (1º), em texto intitulado: “Saga de brasileiros na fase de grupos da Libertadores começa nesta semana”.

Pelo desenvolvimento da narrativa, pode-se concluir que há um considerável risco, até um possível temor, de os participantes do Brasil serem eliminados já, sem conseguir sequer atingir as oitavas de final.

Entretanto, se há algum sentimento, ou pressentimento, nesse sentido ele é infundado.

Desde 2000, quando a Libertadores começou a inchar –a partir desse ano sempre pelo menos quatro brasileiros entraram na disputa; até então tinham sido no máximo três–, o aproveitamento nacional na fase de grupos é o mais alto entre todos os países participantes.

Houve 109 chances de classificação para as oitavas de final, e os brasileiros aproveitaram 93 vezes, com 85% de sucesso.

Assim, é muito incomum, uma surpresa, um brasileiro parar na fase de grupos.

Dos brasucas no certame, Grêmio (11 vezes desde 2000), São Paulo (10) e Santos (9) sempre passaram para os mata-matas.

O Athletico-PR caiu duas vezes (em seis tentativas), o Internacional, uma (em sete), e o Palmeiras, também uma (em nove).

Se alguém teria de se preocupar, seria o Flamengo, que em nove aparições na etapa de grupos nos últimos 20 anos, avançou cinco vezes e foi eliminado em quatro –um índice alto, de 44%.

Nas últimas 20 edições da Libertadores, o Flamengo, de Gabigol, foi o responsável por 25% das eliminações de brasileiros na fase de grupos da Libertadores (Ricardo Moraes – 26.fev.2019/Reuters)

Só que a equipe rubro-negra, atual campeã da Libertadores, está jogando tão bem, isso já faz uns sete ou oito meses, parece tão madura, que é irreal imaginar que não avance diante dos equatorianos Barcelona e Independiente del Valle e do colombiano Junior Barranquilla. Seria uma tragédia.

Ainda mais porque tanto equatorianos como colombianos, desde 2000, têm aproveitamento inferior a 50% na fase de grupos do interclubes continental.

Quem mais se aproxima do índice dos brasileiros são os clubes mexicanos, que participaram da Libertadores até 2016: 79%.

Batem inclusive os argentinos, que têm percentual de 67% de aproveitamento na fase de grupos.

Os piores nessa etapa, sempre considerando de 2000 até 2019, são bolivianos (15%), peruanos (12%) e venezuelanos (11%).

A verdade é que, afora os argentinos, ninguém mete medo: todos os países possuem êxito inferior a 50%.

A seguir, o levantamento feito por O Mundo É uma Bola.

Brasil

Total: 109. Sucesso: 93. Fracasso: 16. Porcentagem: 85%.

2000 – Classificados: Atlético-MG, Athletico-PR, Corinthians, Palmeiras. Eliminado: Juventude

2001 – Classificados: Cruzeiro, Palmeiras, São Caetano, Vasco

2002 – Classificados: Grêmio, São Caetano. Eliminados: Athletico-PR, Flamengo

2003 – Classificados: Corinthians, Grêmio, Paysandu, Santos

2004 – Classificados: Cruzeiro, Santos, São Caetano, São Paulo. Eliminado: Coritiba

2005 – Classificados: Athletico-PR, Palmeiras, Santos, São Paulo. Eliminado: Santo André

2006 – Classificados: Corinthians, Goiás, Internacional, Palmeiras, São Paulo. Eliminado: Paulista

2007 – Classificados: Flamengo, Grêmio, Paraná, Santos, São Paulo. Eliminado: Internacional

2008 – Classificados: Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Santos, São Paulo

2009 – Classificados: Cruzeiro, Grêmio, Palmeiras, São Paulo, Sport

2010 – Classificados: Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Internacional, São Paulo

2011 – Classificados: Cruzeiro, Fluminense, Grêmio, Internacional, Santos

2012 – Classificados: Corinthians, Fluminense, Internacional, Santos, Vasco. Eliminado: Flamengo

2013 – Classificados: Atlético-MG, Corinthians, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, São Paulo

2014 – Classificados: Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio. Eliminados: Athletico-PR, Botafogo, Flamengo

2015 – Classificados: Atlético-MG, Corinthians, Cruzeiro, Internacional, São Paulo

2016 – Classificados: Atlético-MG, Corinthians, Grêmio, São Paulo. Eliminado: Palmeiras

Gabriel Jesus fez gol, mas não evitou a queda precoce do Palmeiras em 2016; time alviverde é o único dos grandes paulistas a ser eliminado na etapa de grupos da Libertadores desde 2000 (Rahel Patrasso – 9.mas.2016/Xinhua)

2017 – Classificados: Atlético-MG, Athletico-PR, Botafogo, Grêmio, Palmeiras, Santos. Eliminados: Chapecoense, Flamengo

2018 – Classificados: Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Santos. Eliminado: Vasco

2019 – Classificados: Atlético-PR, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Internacional, Palmeiras. Eliminado: Atlético-MG

México

Total: 38. Sucesso: 30. Fracasso: 8. Porcentagem: 79%.

Argentina

Total: 103. Sucesso: 69. Fracasso: 34. Porcentagem: 67%.

Colômbia

Total: 57. Sucesso: 27. Fracasso: 30. Porcentagem: 47%.

Paraguai

Total: 52. Sucesso: 24. Fracasso: 28. Porcentagem: 46%.

Uruguai

Total: 50. Sucesso: 22. Fracasso: 28. Porcentagem: 44%.

Equador

Total: 50. Sucesso: 21. Fracasso: 29. Porcentagem: 42%.

Chile

Total: 53. Sucesso: 14. Fracasso: 39. Porcentagem: 26%.

Bolívia

Total: 47. Sucesso: 7. Fracasso: 40. Porcentagem: 15%.

Peru

Total: 49. Sucesso: 6. Fracasso: 43. Porcentagem: 12%.

Venezuela

Total: 35. Sucesso: 4. Fracasso: 31. Porcentagem: 11%.

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Corinthians vai atrás de vingança obrigatória na Libertadores https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/02/04/corinthians-vai-atras-de-vinganca-obrigatoria-na-libertadores/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/02/04/corinthians-vai-atras-de-vinganca-obrigatoria-na-libertadores/#respond Tue, 04 Feb 2020 18:45:51 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2020/02/Corinthians-6-320x213.jpg https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=19131 Na Taça Libertadores, há derrotas e derrotas.

Existem as derrotas doídas e existem as derrotas inaceitáveis.

O mesmo pode se falar em relação às vinganças.

Existem as vinganças desejadas e existem as vinganças obrigatórias.

No caso do Corinthians, a estreia na Libertadores deste ano é a oportunidade de registrar uma vingança mandatória, necessária.

Em suas catorze participações no mais importante campeonato continental, a primeira em 1977 e a mais recente em 2018, pode-se afirmar que em duas ocasiões o alvinegro paulista teve eliminações vexaminosas, pois em confrontos diretos com rivais tidos como inexpressivos.

Primeiro, o colombiano Tolima; depois, o paraguaio Guaraní –rival na partida desta quarta (5), em Assunção, a primeira de mata-mata na chamada pré-Libertadores (etapa preliminar, classificatória para a fase de grupos).

Em 2011, a equipe que tinha Ronaldo Fenômeno no ataque sucumbiu na cidade de Ibagué, na pré-Libertadores, diante do até então desconhecido Deportes Tolima: 2 a 0. Na ida, em São Paulo, empatara por 0 a 0.

Em 2015, nas oitavas de final, o inesperado voltou a dar as caras, e o Corinthians perdeu tanto a partida de ida (2 a 0, o primeiro gol um frangaço de Cássio), fora, como a de volta (1 a 0), em pleno Itaquerão.

Jogadores do Guaraní festejam gol em Assunção, na vitória por 2 a 0 sobre o Corinthians no jogo de ida das oitavas de final da Libertadores-2015 (Norberto Duarte – 6.mai.2015/AFP)

Coincidentemente, o treinador do Corinthians era nas duas vezes Tite, também o responsável por conduzir o time ao título da Libertadores de 2012.

As duas mais vergonhosas derrotas do atual treinador da seleção brasileira, devido à importância do torneio e ao nível dos oponentes, zebras escancaradas.

Cabe ao recém-chegado Tiago Nunes, que tem ganhado elogios por em pouco tempo ter mudado o estilo do Corinthians, dando-lhe uma cara mais ofensiva, organizada e vistosa, a responsabilidade de não deixar o raio cair duas vezes no mesmo lugar –raio esse que seria devastador para a sequência da equipe em 2020.

Esse é, friso, um mata-mata no qual a desforra é obrigatória para o Corinthians.

Cair fora (e precocemente) da Libertadores, com nova derrota para um time inferior tecnicamente e economicamente, novamente decidindo em Itaquera (no dia 12, quarta da próxima semana), será de abalar as estruturas.

O técnico do Corinthians, Tiago Nunes, durante treino no CT do clube (1º.fev.2020/Agência Corinthians)

Mirando os elencos, aquela eliminação certamente está ainda clara na memória de Cássio, do lateral Fagner e do zagueiro Gil, os remanescentes daquele time de 2015.

Do lado do Guaraní, sobrou somente um, mas um que é emblemático.

Em maio de 2015, o atacante Fernando Fernández entrou em campo aos 43 do segundo tempo para, quatro minutos depois, fazer o gol que calou definitivamente a arena corintiana. Vestia a camisa 11.

Hoje, usando a 9, ele é titular do Guaraní, para o qual regressou em 2019 depois de jogar no México e na Colômbia, e fez um dos gols no 4 a 0 contra o San José Oruro (Bolívia), na semana passada, resultado que classificou o time paraguaio para o duelo com o Corinthians.

Caso o time paulista consuma a vingança obrigatória, prosseguirá vivo em busca de uma vingança desejada, faz muito tempo, na Libertadores.

O Palmeiras é o alvo. Há mais de 20 anos (1999) e há quase 20 anos (2000), o principal arquirrival corintiano saiu vencedor, as duas vezes nos pênaltis, respectivamente nas quartas de final e nas semifinais.

As mais doídas eliminações da nação corintiana, diante das iluminadas luvas de São Marcos, o extraordinário e inesquecível goleiro do Palmeiras, depois campeão mundial com o Brasil na Copa de 2002.

Marcos, goleiro do Palmeiras, defende pênalti batido pelo corintiano Marcelinho Carioca no Morumbi, no jogo de volta das semifinais da Libertadores-2000 (Evelson de Freitas – 6.jun.2000/Folhapress)

Se o Corinthians eliminar o Guaraní, terá mais um mata-mata na fase preliminar, contra o ganhador de Cerro (Uruguai) e Palestino (Chile).

Passando, irá para o Grupo B, que tem o Palmeiras.

E então haverá o desafio de superar a equipe alviverde nos dois confrontos, o que aumentaria a chance de uma queda precoce dela.

Se Corinthians e Palmeiras avançarem, há a chance de novo cruzamento, mais à frente, em partidas ainda mais decisivas, nas quais a desejada vingança corintiana na Libertadores poderá ser efetivamente consumada –ou mais uma derrota pungente ser acumulada.

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Em apenas 5 meses, Jesus chega ao auge em carreira de quase 30 anos https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2019/11/23/em-apenas-5-meses-jesus-chega-ao-auge-em-carreira-de-quase-30-anos/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2019/11/23/em-apenas-5-meses-jesus-chega-ao-auge-em-carreira-de-quase-30-anos/#respond Sat, 23 Nov 2019 21:58:48 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2019/11/Jorge-Jesus-1-320x213.jpg https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=18553 O português Jorge Jesus comandou seu primeiro treino no Flamengo no dia 20 de junho.

Chegou para ocupar a vaga de Abel Braga, que se desentendeu com a diretoria e pediu demissão mesmo depois de ter ganhado o Estadual do Rio.

Se Jesus fez bem para o Flamengo – são 26 jogos de invencibilidade, desde o dia 10 de agosto –, o time retribuiu dando ao treinador de 65 anos sua mais importante conquista: a Libertadores de 2019. E em uma virada histórica, 2 a 1 sobre o River Plate em Lima (Peru).

Meio-campista medíocre, nascido em Amadora, na Grande Lisboa, Jesus iniciou a carreira de técnico em 1990, perambulando sempre por equipes pequenas e médias de Portugal.

Demorou quase 20 temporadas para chegar a um grande clube, o Benfica, em 2009.

E lá enfim fez seu nome, amealhando até 2015, quando se transferiu para o rival lisboeta Sporting, três Campeonatos Portugueses, uma Taça de Portugal e cinco Taças da Liga Portuguesa.

Ainda chegou a duas finais da Liga Europa (2013 e 2014), o segundo torneio em importância no velho continente, caindo em ambas (Chelsea e Sevilla).

No Sporting, que foi seu primeiro clube como jogador profissional (nos anos 1970), não teve o mesmo êxito, faturando somente a Taça da Liga, a terceira competição em importância no país.

Antes de desembarcar na Gávea, Jesus teve uma passagem pelo Al Hilal, da Arábia Saudita, onde ganhou a Supercopa do país do Oriente Médio.

Assim, o título da Libertadores é, com folga, o auge na carreira do português, que na Champions League avançou no máximo até as quartas de final.

Jesus torna-se o segundo técnico europeu a vencer o mais relevante e tradicional interclubes das Américas. O primeiro foi o iugoslavo Mirko Jozic, 28 anos atrás.

Passa também a figurar em uma seleta galeria, que cabe nos dedos de uma mão, a dos treinadores estrangeiros a erguer o troféu da competição à frente de uma equipe que não seja de seu país natal.

Em 60 edições de Libertadores, apenas quatro homens, antes de Jesus, registraram a façanha: o uruguaio Luis Cubilla (em 1979 e em 1990, com o paraguaio Olimpia), Jozic (em 1991, com o chileno Colo-Colo) e os argentinos Nery Pumpido (em 2002, com o Olimpia) e Edgardo “Patón” Bauza (em 2008, com a equatoriana LDU).

Em tempo 1: O argentino Carlos Bianchi é o técnico mais vitorioso na Libertadores. São quatro títulos: um com o Vélez Sarsfield (1994) e três com o Boca Juniors (2000, 2001 e 2003).

Em tempo 2: Catorze treinadores brasileiros ganharam a Libertadores, quatro deles duas vezes; Lula (Santos, 1962 e 1963), Telê Santana (São Paulo, 1992 e 1993), Luiz Felipe Scolari (Grêmio, 1995, e Palmeiras, 1999), e Paulo Autuori (Cruzeiro, 1997, e São Paulo, 2005). Também triunfaram Zezé Moreira (Cruzeiro-1976), Carpegiani (Flamengo-1981), Valdir Espinosa (Grêmio-1983), Antônio Lopes (Vasco-1998), Abel Braga (Internacional-2006), Celso Roth (Internacional-2010), Muricy Ramalho (Santos-2011), Tite (Corinthians-2012), Cuca (Atlético-MG-2013) e Renato Gaúcho (Grêmio-2017). 

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Vantagem de times argentinos sobre brasileiros em finais é grande https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2019/11/22/vantagem-de-times-argentinos-sobre-brasileiros-em-finais-e-grande/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2019/11/22/vantagem-de-times-argentinos-sobre-brasileiros-em-finais-e-grande/#respond Fri, 22 Nov 2019 05:01:34 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2019/11/Veron-320x213.jpg https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=18541 Na final da Libertadores, time por time, vejo o do Flamengo como superior ao do River Plate (no elenco, na técnica, na tática e no momento por que passa) e palpito que a equipe carioca triunfará neste sábado (23) no estádio Monumental de Lima, no Peru, na primeira decisão da competição em jogo único.

A estatística, contudo, joga contra o Flamengo e será uma adversária ferrenha dos rubro-negros.

Historicamente, em finais de campeonatos, os clubes argentinos dão uma sova nos brasileiros: 19 a 11.

Houve duelos entre times dos países em decisões de cinco competições: Libertadores (14 vezes), Supercopa Sul-Americana (6), Copa Sul-Americana (5), Copa Conmebol (4) e Copa Mercosul (1).

E os argentinos não ficam atrás dos brasileiros em nenhuma delas – Supercopa (1988-1997), Copa Conmebol (1992-1999) e Copa Mercosul (1998-2001) já estão extintas.

  • Libertadores: 9 a 5
  • Copa Sul-Americana: 3 a 2
  • Supercopa Sul-Americana: 4 a 2
  • Copa Conmebol: 2 a 2
  • Copa Mercosul: 1 a 0

Na Libertadores, só suplantaram os argentinos o Santos (1963, Boca Juniors), o Cruzeiro (1976, River Plate), o São Paulo (1992, Newell’s Old Boys), o Corinthians (2012, Boca Juniors) e o Grêmio (2017, Lanús).

Fica evidente que encarar os hermanos na decisão do principal interclubes continental é um péssimo negócio, especialmente quando é feita a comparação com as 15 finais entre um brasileiro e um time de outro país que não seja a Argentina.

Nessas decisões, foram 11 vitórias brasucas. Só não ganharam o Palmeiras (1961, Peñarol, do Uruguai), o Internacional (1980, Nacional, do Uruguai), o São Caetano (2002, Olimpia, do Paraguai) e o Fluminense (2008, LDU, do Equador).

O Flamengo chegou a uma única final de Libertadores, em 1981, e seu oponente não foi uma equipe argentina. Diante dos chilenos do Cobreloa, Zico e companhia ergueram a taça após três partidas (vitória no Rio, derrota em Santiago e vitória em Montevidéu).

Por outras competições, o time da Gávea enfrentou argentinos na final em três ocasiões, e amargou o vice-campeonato em todas. Duas vezes para o Independiente (Supercopa-1995 e Copa Sul-Americana-2017) e uma para o San Lorenzo (Copa Mercosul-2001).

Jogadores do Flamengo treinam em Lima, a capital do Peru, para a final da Libertadores diante do River Plate (Mariana Bazo – 21.nov.2019/Xinhua)

Em tempo: Se em decisões entre clubes o Brasil tem desvantagem para a Argentina, nas finais entre seleções o quadro se inverte. São 14 triunfos dos brasileiros e cinco dos argentinos com os selecionados principais. Eis os placares: 11 a 4 no Superclássico (antiga Copa Roca), 2 a 1 na Copa América e 1 a 0 na Copa das Confederações.

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Flamengo tem 67%, e Grêmio, 33% de chance de ir à final da Libertadores https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2019/10/23/flamengo-tem-67-e-gremio-33-de-chance-de-ir-a-final-da-libertadores/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2019/10/23/flamengo-tem-67-e-gremio-33-de-chance-de-ir-a-final-da-libertadores/#respond Wed, 23 Oct 2019 06:01:52 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2019/10/Flamengo-x-Gremio-5-320x213.jpg https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=18387 Flamengo e Grêmio decidem nesta quarta (23), no Rio de Janeiro, quem será o adversário do River Plate na primeira decisão da Libertadores em jogo único – marcado para Santiago (Chile), no dia 23 de novembro, um sábado.

Tendo a partida de ida, em Porto Alegre, terminado 1 a 1, é possível estabelecer um favorito para o duelo das 21h30 (com transmissão de Globo e Fox Sports) no Maracanã?

Sendo o futebol um esporte cheio de variáveis e imprevisibilidades, e sabendo-se que o embate é entre duas das mais tradicionais e respeitadas equipes do Brasil, o mais sensato é afirmar que não, que é um jogo sem favoritos.

Porém analistas de futebol teimam em querer dar palpites, buscando embasamento em vertentes diversas.

O time que está em melhor momento? O Flamengo, líder folgado do Brasileiro e caminhando a cada dia mais firme em direção ao título.

O time que conta com o fator campo/torcida? O Flamengo, equipe com maior número de torcedores no país, terá uma legião de rubro-negros a seu lado.

O time que está menos desfalcado? O Flamengo, se contar com os retornos de Rafinha e De Arrascaeta, o que é esperado, terá força máxima. O Grêmio não poderá escalar o meia-atacante Luan, contundido.

O time que tem mais jogadores que individualmente podem desequilibrar? No Flamengo eu somo três: Gabriel “Gabibol”, Bruno Henrique e De Arrascaeta. No Grêmio, um: Everton Cebolinha.

Tudo parece favorável ao Flamengo, e aqui, baseado na história da Taça Libertadores, amplio o favoritismo de Gabigol e companhia cravando que o clube carioca tem 67% de chance de se classificar, contra 33% do tricolor gaúcho.

Desde 1960, primeiro ano de disputa do mais importante interclubes do continente americano, em 15 ocasiões confrontos das semifinais terminaram com a primeira partida empatada.

Em dez delas (ou duas em cada três), o time que mandou o segundo jogo classificou-se para a final: 1961, 1962, 1989, 1991, 1995, 1996, 2004, 2006 e 2008 (nesse ano, ocorreu nas duas semifinais).

Nas outras cinco (1960, 1963, 1992, 2002 e 2010), o visitante se deu melhor.

Cabe salientar que em 1960, quando o critério que leva em consideração gols feitos fora de casa como desempate estava a dezenas de anos de ser cogitado, o San Lorenzo teria se classificado se ele vigorasse.

O time argentino empatou como visitante (1 a 1) o jogo de ida contra o Peñarol, em Montevidéu, e também o jogo de volta (0 a 0), como anfitrião, em Almagro.

O regulamento da época previa nesse caso um jogo de desempate, que foi realizado na capital uruguaia. Deu Peñarol (2 a 1).

Nas demais quatro vezes que o visitante obteve a vaga na final após empatar primeiramente em sua casa, em duas delas a classificação saiu apenas nos pênaltis (Newell’s Old Boys, contra o América de Cali, em 1992; e Boca Juniors, contra o Palmeiras, em 2001).

Sem pênaltis, só o Santos de Pelé, em 1963, em um 4 a 0 no Botafogo no Macaranã (com três gols do rei do futebol), e o mexicano Chivas, com um 2 a 0 em 2010 na Universidad de Chile, avançaram à decisão na situação mencionada.

Não foram consideradas na pesquisa as edições – a maioria delas nos anos 1970 e 1980 – em que a fase semifinal era disputada em dois grupos de três equipes cada um.

Ou seja, feitas as comparações gerais e expostas as estatísticas, na teoria o Flamengo tem muito, mas muito mais a seu favor do que o Grêmio.

Na prática, precisará jogar muito futebol para suplantar um oponente duríssimo, três vezes campeão da Libertadores, e que já foi seu algoz no passado em etapa semifinal da competição, impedindo-o de chegar à decisão em 1984.

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