Temor brasileiro na fase de grupos da Libertadores, se existe, é infundado

Com quatro brasileiros em campo (Santos, Internacional, Grêmio e Athletico-PR), começa nesta terça (3) a fase de grupos da Libertadores-2020.

No total, são sete os representantes do país nesta edição. Também jogam o Flamengo, o Palmeiras e o São Paulo. O Corinthians deu vexame e foi eliminado na chamada pré-Libertadores.

“Tudo ainda faz pensar na Libertadores como o torneio que dá chance para o imprevisível”, escreveu Paulo Vinícius Coelho, o PVC, na Folha de domingo (1º), em texto intitulado: “Saga de brasileiros na fase de grupos da Libertadores começa nesta semana”.

Pelo desenvolvimento da narrativa, pode-se concluir que há um considerável risco, até um possível temor, de os participantes do Brasil serem eliminados já, sem conseguir sequer atingir as oitavas de final.

Entretanto, se há algum sentimento, ou pressentimento, nesse sentido ele é infundado.

Desde 2000, quando a Libertadores começou a inchar –a partir desse ano sempre pelo menos quatro brasileiros entraram na disputa; até então tinham sido no máximo três–, o aproveitamento nacional na fase de grupos é o mais alto entre todos os países participantes.

Houve 109 chances de classificação para as oitavas de final, e os brasileiros aproveitaram 93 vezes, com 85% de sucesso.

Assim, é muito incomum, uma surpresa, um brasileiro parar na fase de grupos.

Dos brasucas no certame, Grêmio (11 vezes desde 2000), São Paulo (10) e Santos (9) sempre passaram para os mata-matas.

O Athletico-PR caiu duas vezes (em seis tentativas), o Internacional, uma (em sete), e o Palmeiras, também uma (em nove).

Se alguém teria de se preocupar, seria o Flamengo, que em nove aparições na etapa de grupos nos últimos 20 anos, avançou cinco vezes e foi eliminado em quatro –um índice alto, de 44%.

Nas últimas 20 edições da Libertadores, o Flamengo, de Gabigol, foi o responsável por 25% das eliminações de brasileiros na fase de grupos da Libertadores (Ricardo Moraes – 26.fev.2019/Reuters)

Só que a equipe rubro-negra, atual campeã da Libertadores, está jogando tão bem, isso já faz uns sete ou oito meses, parece tão madura, que é irreal imaginar que não avance diante dos equatorianos Barcelona e Independiente del Valle e do colombiano Junior Barranquilla. Seria uma tragédia.

Ainda mais porque tanto equatorianos como colombianos, desde 2000, têm aproveitamento inferior a 50% na fase de grupos do interclubes continental.

Quem mais se aproxima do índice dos brasileiros são os clubes mexicanos, que participaram da Libertadores até 2016: 79%.

Batem inclusive os argentinos, que têm percentual de 67% de aproveitamento na fase de grupos.

Os piores nessa etapa, sempre considerando de 2000 até 2019, são bolivianos (15%), peruanos (12%) e venezuelanos (11%).

A verdade é que, afora os argentinos, ninguém mete medo: todos os países possuem êxito inferior a 50%.

A seguir, o levantamento feito por O Mundo É uma Bola.

Brasil

Total: 109. Sucesso: 93. Fracasso: 16. Porcentagem: 85%.

2000 – Classificados: Atlético-MG, Athletico-PR, Corinthians, Palmeiras. Eliminado: Juventude

2001 – Classificados: Cruzeiro, Palmeiras, São Caetano, Vasco

2002 – Classificados: Grêmio, São Caetano. Eliminados: Athletico-PR, Flamengo

2003 – Classificados: Corinthians, Grêmio, Paysandu, Santos

2004 – Classificados: Cruzeiro, Santos, São Caetano, São Paulo. Eliminado: Coritiba

2005 – Classificados: Athletico-PR, Palmeiras, Santos, São Paulo. Eliminado: Santo André

2006 – Classificados: Corinthians, Goiás, Internacional, Palmeiras, São Paulo. Eliminado: Paulista

2007 – Classificados: Flamengo, Grêmio, Paraná, Santos, São Paulo. Eliminado: Internacional

2008 – Classificados: Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Santos, São Paulo

2009 – Classificados: Cruzeiro, Grêmio, Palmeiras, São Paulo, Sport

2010 – Classificados: Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Internacional, São Paulo

2011 – Classificados: Cruzeiro, Fluminense, Grêmio, Internacional, Santos

2012 – Classificados: Corinthians, Fluminense, Internacional, Santos, Vasco. Eliminado: Flamengo

2013 – Classificados: Atlético-MG, Corinthians, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, São Paulo

2014 – Classificados: Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio. Eliminados: Athletico-PR, Botafogo, Flamengo

2015 – Classificados: Atlético-MG, Corinthians, Cruzeiro, Internacional, São Paulo

2016 – Classificados: Atlético-MG, Corinthians, Grêmio, São Paulo. Eliminado: Palmeiras

Gabriel Jesus fez gol, mas não evitou a queda precoce do Palmeiras em 2016; time alviverde é o único dos grandes paulistas a ser eliminado na etapa de grupos da Libertadores desde 2000 (Rahel Patrasso – 9.mas.2016/Xinhua)

2017 – Classificados: Atlético-MG, Athletico-PR, Botafogo, Grêmio, Palmeiras, Santos. Eliminados: Chapecoense, Flamengo

2018 – Classificados: Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Santos. Eliminado: Vasco

2019 – Classificados: Atlético-PR, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Internacional, Palmeiras. Eliminado: Atlético-MG

México

Total: 38. Sucesso: 30. Fracasso: 8. Porcentagem: 79%.

Argentina

Total: 103. Sucesso: 69. Fracasso: 34. Porcentagem: 67%.

Colômbia

Total: 57. Sucesso: 27. Fracasso: 30. Porcentagem: 47%.

Paraguai

Total: 52. Sucesso: 24. Fracasso: 28. Porcentagem: 46%.

Uruguai

Total: 50. Sucesso: 22. Fracasso: 28. Porcentagem: 44%.

Equador

Total: 50. Sucesso: 21. Fracasso: 29. Porcentagem: 42%.

Chile

Total: 53. Sucesso: 14. Fracasso: 39. Porcentagem: 26%.

Bolívia

Total: 47. Sucesso: 7. Fracasso: 40. Porcentagem: 15%.

Peru

Total: 49. Sucesso: 6. Fracasso: 43. Porcentagem: 12%.

Venezuela

Total: 35. Sucesso: 4. Fracasso: 31. Porcentagem: 11%.