O Mundo é uma Bola https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br Thu, 13 Jan 2022 14:51:57 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 ‘Furacão da Copa’ faz comparação entre Pelé e Garrincha https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2021/08/04/furacao-da-copa-faz-comparacao-entre-pele-e-garrincha/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2021/08/04/furacao-da-copa-faz-comparacao-entre-pele-e-garrincha/#respond Wed, 04 Aug 2021 17:35:15 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2021/08/Jairizinho-1-320x213.png true https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=21920 É consenso no Brasil, e em boa parte do mundo –mundo do qual a Argentina não faz parte, devido à idolatria e à preferência por Diego Maradona–, que Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, é o melhor jogador da história do futebol.

Há quem considere que depois dele, acima de Maradona, de Messi, de Cristiano Ronaldo, de Zidane, de Puskás, de Beckenbauer, de Ronaldo Fenômeno, de Cruyff, de Platini, de Di Stéfano, de Romário, entre outros supercraques da bola, vem Manoel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha.

Com Pelé e Garrincha escalados juntos, a seleção brasileira jamais perdeu uma partida. De 1958 a 1966, atuaram pelo Brasil, simultaneamente, em 40 jogos. Foram 36 vitórias e quatro empates.

Em entrevista recente, um personagem que conviveu nos campos de futebol tanto com Pelé, hoje com 80 anos, como com Garrincha, morto em 1983 aos 49 anos, fez uma comparação entre as duas lendas, consideradas por ele “os melhores jogadores da história do futebol brasileiro e do mundo”.

O carioca Jair Ventura Filho foi companheiro do fluminense Garrincha no Botafogo e do mineiro Pelé na seleção brasileira.

Jairzinho, 76, é também um dos grandes jogadores da história do futebol nacional. Será sempre lembrado, além de suas marcantes atuações pelo clube da estrela solitária, pelo desempenho na Copa de 1970, no México.

O ponta-direita, conhecido e admirado pela explosão física e pelo faro de gol, foi o artilheiro na campanha do tricampeonato mundial do Brasil, com sete tentos, fazendo gol em todos os seis jogos, da estreia à decisão.

A performance memorável e avassaladora nos gramados mexicanos lhe rendeu o apelido “Furacão da Copa”.

Jairzinho, ídolo do Botafogo, com a camisa do time carioca no estádio Nilton Santos, no Rio (Mauro Pimentel – 8.fev.2020/AFP)

“Para mim, [Pelé e Garrincha] são dois fenômenos do futebol de todos os tempos”, disse Jairzinho à agência Sherlock Communications, de relações públicas.

“Eu acho que jamais em vida vou conseguir ver um Garrincha, um cara que bota cinco na frente dele, e ele passar pelos cinco. Chegou um jogo (…) que perfilaram cinco jogadores na frente dele, e ele passou pelos cinco”.

“E o Pelé (…) uma inteligência fantástica, reflexo muito apurado, criatividade. Criatividade inesperada que só o brasileiro bota em prática. Vou citar um ponto do Brasil e Tchecoslováquia [na Copa de 1970], quando Pelé pega a bola no meio do campo e bota por cima do goleiro [o gol não saiu por pouco]. São momentos especialíssimos que ele viveu, mostrou e executou.”

Assim, de forma sucinta, Jairzinho definiu Pelé e Garrincha: o primeiro, cerebral, inventivo, dono de sentidos apuradíssimos, protagonista de lances inesquecíveis; o segundo, tão somente, e o que não é pouco, o maior mestre do drible que já existiu no futebol.

Leia também: Minha Copa – O tri de 1970

Leia também – O melhor Brasil de todos os tempos

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Estátua de Pelé passa a usar máscara em exposição em São Paulo https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2021/02/17/estatua-de-pele-passa-a-usar-mascara-em-exposicao-em-sao-paulo/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2021/02/17/estatua-de-pele-passa-a-usar-mascara-em-exposicao-em-sao-paulo/#respond Wed, 17 Feb 2021 05:00:48 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2021/02/Estatua-Pelé-320x213.jpg https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=21049 A preocupação em evitar a expansão da Covid, doença que já matou mais de 240 mil no Brasil, fez a administração do Museu do Futebol, em São Paulo, colocar um adereço em uma escultura de Pelé.

Tema de exposição que começou em outubro e irá até abril, alusiva a seus 80 anos, o Rei do Futebol aparece agora utilizando uma máscara de proteção.

O objetivo, de acordo com os gestores do museu, localizado no estádio do Pacaembu (região central da capital paulista), é incentivar as pessoas a permanecer com a máscara durante toda a visita.

Uma parte delas retirava a proteção facial, relevante para evitar contagiar ou ser contagiado com o coronavírus, no momento de fazer uma selfie com a estátua de Pelé.

“Os visitantes alegam que é só um minutinho para fazer a foto. Mas para os nossos funcionários são vários minutinhos por dia, com várias pessoas diferentes”, afirma Renata Vieira da Motta, diretora executiva do IDBrasil, órgão que gerencia o Museu do Futebol.

Daí, segundo ela, a ideia de a escultura de Pelé ficar mascarada. “Se ele vai aparecer com máscara na foto, nada mais lógico que o visitante também use a sua.”

Decreto estadual obriga, no período da pandemia de Covid, as pessoas a utilizarem máscara em espaços públicos. Em caso de descumprimento, a multa é de R$ 524,59.

O Museu do Futebol, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo de SP, abre de terça-feira a domingo, das 10h às 19h, e os ingressos, com hora marcada, devem ser adquiridos em www.museudofutebol.org.br.

Devido à pandemia, o local tem funcionado desde sua reabertura, há quatro meses, com capacidade reduzida.

Em tempo: Não tive a oportunidade de ver essa exposição do Pelé, pois tenho estado bastante recluso desde a eclosão da pandemia de coronavírus, porém já visitei anteriormente o Museu do Futebol e é um dos espaços mais lúdicos e informativos para o fã do esporte mais popular do planeta. Além do contato visual com relíquias, devidamente explicadas em textos que as acompanham, há experiências interativas que entretêm e divertem tanto adultos como crianças. Recomendo.

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Cristiano Ronaldo passa Pelé e é o maior artilheiro da história, diz jornal https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2021/02/04/cristiano-ronaldo-passa-pele-e-e-o-maior-artilheiro-da-historia-diz-jornal/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2021/02/04/cristiano-ronaldo-passa-pele-e-e-o-maior-artilheiro-da-historia-diz-jornal/#respond Thu, 04 Feb 2021 19:55:20 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2021/02/Cris-Ronaldo-1-320x213.png https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=21012 Cristiano Ronaldo tornou-se aos 35 anos o maior artilheiro da história do futebol.

Com os dois gols pela Juventus na partida de ida das semifinais da Copa da Itália, vitória por 2 a 1 contra a Inter de Milão nesta terça (2), o português chegou a 763 gols e ultrapassou Pelé e Josef Bican, austríaco com cidadania tcheca que brilhou nas décadas de 1930 e 1940.

Pelé, hoje com 80 anos, e Bican, morto em 2001 aos 88 anos, têm 762 gols cada um. Os números são de levantamento do jornal espanhol Marca.

O diário considera somente os gols feitos em partidas oficiais e na categoria “profissional”, e é por isso que a quantidade de Pelé é bem inferior aos 1.283 gols que ele mesmo propaga ter feito.

Nas contas do Marca, o CR7 anotou 451 gols pelo Real Madrid, 118 pelo Manchester United, 87 pela Juventus, 5 pelo Sporting e 102 pela seleção de Portugal.

Pelé registrou 642 pelo Santos, 37 pelo Cosmos, de Nova York, 77 pela seleção brasileira e 6 pela seleção paulista.

Bican marcou, na República Tcheca (então Tchecoslováquia), 547 gols pelo Slavia Praga, 74 pelo Vitkovice e 19 pelo Hradec Kralove; na Áustria, 71 pelo Rapid Viena e 22 pelo Admira Viena; mais 15 pela seleção tcheca e 14 pela austríaca.

Na média de gols por jogo, entretanto, Cristiano Ronaldo perde tanto de Bican como de Pelé, de acordo com o periódico madrileno.

A do português é de 0,73 por partida; a do brasileiro, de 0,92, e a do austro-tcheco, excepcional, de 1,54.

Na quarta colocação entre os principais artilheiros do futebol, seguindo os critérios do Marca, está Romário (740 gols) e, na quinta, Messi (720) –o argentino, mais jovem que o CR7 (33 anos), é o único jogador em atividade com chance real de se tornar o primeiro da lista.

Leia também: Rappo, o artilheiro dos 2.000 gols

Em tempo: Em uma conta que fiz, Cristiano Ronaldo soma na carreira profissional 769 gols, em 1.055 partidas, por clubes e pela seleção portuguesa, considerando as por competições, as amistosas e as na ICC (International Champions Cup, torneio interclubes de pré-temporada). A média de gols por jogo é de 0,73.

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No Kuait, atacante brasileiro tem dia de Pelé ao fazer 8 gols em um jogo https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2021/01/21/no-kuait-atacante-brasileiro-tem-dia-de-pele-ao-fazer-8-gols-em-um-jogo/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2021/01/21/no-kuait-atacante-brasileiro-tem-dia-de-pele-ao-fazer-8-gols-em-um-jogo/#respond Thu, 21 Jan 2021 17:25:59 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2021/01/Patrick-3-320x213.png https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=20890 Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, o melhor jogador que o futebol já teve, fez mais de mil gols com a camisa do Santos. Ao todo, foram 1.283, segundo o próprio.

Tendo uma carreira inigualável, o hoje octogenário Pelé é comumente lembrado em comparações de feitos no futebol. É um exemplo de excelência.

Muitas vezes se pergunta: Messi tem quantos gols? Tem “x”. E Cristiano Ronaldo, tem quantos gols? Tem “y”. OK, mas isso é mais ou menos que Pelé? A referência é sempre o rei do futebol.

Pois o paulistano Patrick Fabiano entrou no rol dos aptos a serem comparados, mesmo que brevemente, com Pelé.

O atacante de 33 anos mereceu citação da IFFHS (Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol), entidade alemã fundada em 1984, por ter marcado oito gols em um mesmo jogo da divisão de elite de um país.

Esses oito gols aconteceram no estádio Ali Al-Salem Al-Sabah, na cidade de Al Farwaniyah, no Kuait.

Pelo Campeonato Kuaitiano, no dia 26 de dezembro, o clube que ele defende, o Al Salmiyah, derrotou o Al Tadhamon por 9 a 1, e Patrick Fabiano marcou três gols no primeiro tempo (os três primeiros do time) e cinco no segundo (os cinco últimos).

Patrick Fabiano comemora gol pelo Al Salmiyah (Reprodução/Instagram de Patrick Fabiano)

Entre os futebolistas nascidos no Brasil, de acordo com a IFFHS, Pelé registrou oito gols em uma partida. Foi pelo Santos, um 11 a 0 no Botafogo de Ribeirão Preto, no dia 21 de novembro de 1964, pelo Campeonato Paulista.

O Rei fez cinco gols no primeiro tempo e os outros três na etapa complementar, estes em um intervalo de somente quatro minutos: um aos 25, um aos 27 e um aos 28.

Por decisão da IFFHS, o Paulista foi igualado aos campeonatos nacionais de elite, tendo status de Brasileiro para esse ranking.

Desse modo, Patrick Fabiano, que jogou pelo alagoano CSA em 2019 –inclusive com atuações na Série A do Campeonato Brasileiro–, pode dizer a parentes, amigos e a quem mais desejar que teve um dia de Pelé (é para poucos), e que isso está registrado em um órgão internacional que goza de prestígio.

Até se pode minimizar a proeza dele, afirmando-se “ah, mas foi no Kuait, no Oriente Médio, na periferia do futebol”. Sim, mas, como Patrick Fabiano, todos por lá têm chance de fazer oito gols em uma partida, e apenas ele conseguiu. Não é moleza.

De acordo com a IFFHS, o recordista de gols em um jogo é o argelino Hacène Lalmas, morto em 2018, que anotou 14 na vitória de 18 a 0 do Ruisseau sobre o Birtouta em 22 de outubro de 1962.

Com 12 gols figura Ali Ashfaq, das Maldivas, no triunfo de 20 a 0 do VB Sports Club diante do Kalhaidhoo, em 2 de julho de 2009.

A federação de estatística, entretanto, e por seguir determinada regra, deixa de mencionar em sua lista pelo menos dois brasileiros que fizeram mais gols que Pelé e que Patrick Fabiano em uma partida oficial.

Dario, o Dadá Maravilha (em foto de 1983), é o recordista de gols em uma partida oficial de futebol no Brasil, segundo a CBF (Fernando Santos/Folhapress)

A Confederação Brasileira de Futebol publicou que no dia 7 de abril de 1976, pelo Campeonato Pernambucano, o centroavante Dario, o Dadá Maravilha, marcou dez gols pelo Sport contra o Santo Amaro. O jogo terminou 14 a 0.

A CBF relatou também que o ponta-esquerda Dalmar fez nove gols pelo Cruzeiro, em 20 de novembro de 1966, em um 16 a 0 contra o Renascença, no Campeonato Mineiro.

Assim, se Patrick Fabiano igualou Pelé, Dadá (vivíssimo, 74 anos hoje) e Dalmar (morto em 2011, aos 69) superaram, ao menos em um quesito, o melhor da história.

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Autógrafo mais valorizado no futebol não é de Pelé, Maradona, Messi ou CR7 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/12/02/autografo-mais-valorizado-no-futebol-nao-e-de-pele-maradona-messi-ou-cr7/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/12/02/autografo-mais-valorizado-no-futebol-nao-e-de-pele-maradona-messi-ou-cr7/#respond Wed, 02 Dec 2020 14:11:19 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2020/12/Autografo-1-320x213.png https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=20482 Caçadores de autógrafos de jogadores de futebol nem sempre obtêm a assinatura de um craque apenas para guardar como recordação.

Tem gente que, ao conseguir uma bola, camisa, chuteira, livro ou outro item com o nome de uma personalidade futebolística, seja no treino, no jogo ou em eventos publicitários, vende o objeto para casas de leilões, que antes de comprar checam a autenticidade da rubrica.

A casa, então, disponibiliza essas peças, algumas delas raridades, para lances, dados geralmente por colecionadores que possuem (muito) dinheiro sobrando.

O tabloide britânico Daily Mail publicou uma lista curiosa, tendo como base um levantamento da plataforma Gambling Deals, dos jogadores ou ex-jogadores cuja memorabilia é mais valorizada.

O resultado mostrou que um autógrafo de Pelé, o mais famoso e aclamado futebolista da história, custa em média £ 511,90 (R$ 3.647), quase o mesmo que o de Lionel Messi (£ 511,91), um dos melhores do mundo neste século, estando ranqueado na oitava posição.

Cristiano Ronaldo, o CR7, que rivalizou com o argentino nesta década nas disputas pelos prêmios de melhor de cada ano, aparece na décima posição da lista de 20 nomes. Em média, um item com a firma do português é leiloado por £ 464,93 (R$ 3.312).

Maradona assina uma camisa para a modelo Dolores Barreiro depois do programa ‘A Noite do Dez’, apresentado por ele (Canal 13 – 26.set.2005/Reuters)

Diego Maradona, morto há uma semana, está em sexto lugar, logo acima do compatriota Messi: £ 582,07 (R$ 4.147).

O topo da lista é ocupado também por um argentino, Sergio “Kun” Agüero, maior artilheiro da história do Manchester City.

Para ter em casa uma lembrança com a assinatura do centroavante, o interessado deve desembolsar, em média, £ 1.363,71 (R$ 9.716) –166% a mais que uma de Pelé.

O atacante Agüero em jogo da Argentina na Copa América de 2019, em Porto Alegre, contra o Qatar (Jeferson Guareze – 23.jun.2019/AFP)

Entre Agüero e Maradona figuram o inglês David Beckham (ex-Manchester United e Real Madrid), o gabonense Aubameyang (Arsenal), o norte-irlandês George Best (1946-2005) e o egípcio Mohamed Salah (Liverpool).

Completa o top 10, depois de Pelé e antes de Cristiano Ronaldo, o belga Kevin de Bruyne (Manchester City).

Além do Rei do Futebol, há três brasileiros na relação dos que tem os autógrafos com os mais altos preços, em média –respectivamente na 18ª, na 19ª e na 20ª posição.

São eles o pentacampeão mundial Ronaldinho Gaúcho, Neymar (Paris Saint-Germain) e Alisson (Liverpool).

O valor médio de venda de um item que contém a assinatura do goleiro, que é o único da posição na lista, é de £ 337,13 (R$ 2.402).

Fãs de Neymar pedem autógrafos na chegada do brasileiro à premiação do melhor do mundo de 2015, em Zurique, na Suíça (Michael Buholzer – 11.jan.2016/AFP)

Em tempo: Entendo a fissura de muitas pessoas por ter autógrafos de jogadores, pois a paixão impera, e eles tornam o ídolo mais presente. Da minha parte, nunca fui caçador de autógrafo, tanto que de jogador de futebol não tive nenhum. Quando criança, no começo dos anos 1980, obtive, com ajuda/incentivo de meus pais, um do jogador de basquete Marcel, ouro no Pan de Indianápolis-1987, em um jogo da seleção masculina de vôlei, no ginásio do Ibirapuera, em que ele era igualmente espectador; e um do nadador Ricardo Prado, medalhista de prata na Olimpíada de Los Angeles-1984, interrompido durante um lanche no extinto Bob’s da rua Haddock Lobo, em São Paulo. Ambos registrados em folhas de papel (o de Pradinho em um guardanapo), perderam-se ao longo do tempo.

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80 escritos de Pelé nos 80 anos do Rei https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/10/23/80-escritos-de-pele-nos-80-anos-do-rei/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/10/23/80-escritos-de-pele-nos-80-anos-do-rei/#respond Fri, 23 Oct 2020 18:00:15 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2020/10/Pelé-320x213.png https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=20250 Pelé, notoriamente o melhor jogador da história, completa oito décadas de vida nesta sexta-feira (23).

Nascido Edson Arantes do Nascimento, na cidade mineira de Três Corações, filho de Dondinho e Celeste, irmão mais velho de Zoca e Maria Lúcia, o campeão de três Copas do Mundo é também conhecido como o Atleta do Século (o século 20) e como o Rei do Futebol.

Jogador completo, chutava bem com as duas pernas, cabeceava com precisão, dava arrancadas impressionantes com a bola grudada aos pés, batia faltas com violência e pênaltis com a famosa “paradinha”. Suas bicicletas eram plasticamente perfeitas, e a capacidade de antever as jogadas era única, possivelmente a mais apurada entre todos os que já jogaram.

Autor de mais de 1.280 gols, ao fazer o que ficou conhecido como o milésimo, no dia 19 de novembro de 1969, contra o Vasco no Maracanã, convertendo um pênalti, o mais famoso camisa 10 deu a declaração que talvez seja a mais marcante de sua vida:

“Pelo amor de Deus, o povo brasileiro não pode esquecer das crianças, as crianças necessitadas, as casas de caridade. Vamos pensar nisso, não vamos pensar só em festa. Pelo amor de Deus, olha o Natal das crianças, olha o Natal das pessoas pobres, dos velhinhos cegos. Tem tantas instituições de caridade aí. Pelo amor de Deus, vamos pensar nessas pessoas, não vamos pensar só em festa. Ouçam o que eu estou falando, um apelo, pelo amor de Deus. Muito obrigado”.

Porém Pelé teve muito mais a dizer. Ou a escrever.

No primeiro semestre de 2006, a editora Sextante lançou uma autobiografia dele (“Pelé, A Autobiografia”), a qual reli nesta semana com a proposta de compilar as 80 passagens mais marcantes, ou interessantes, ou curiosas, ou emotivas, ou pitorescas, em homenagem aos 80 anos dessa lenda viva.

O resultado –nem sempre apenas uma frase, às vezes mais de uma no mesmo trecho para relembrar um momento ou episódio, ou para fazer um comentário ou uma observação– está exposto a seguir.

Capa do livro “Pelé, A Autobiografia”, de 2006 (Reprodução)

“Acho engraçado assistir às partidas antigas, em que os jogadores tinham as coxas inteiras à mostra. Hoje em dia, sem dúvida, é mais elegante.”

“Uma bola bem passada para um atacante é rigorosamente tão importante quanto o gol em si.” (Sobre a importância da assistência no jogo de futebol)

“Lembro-me de que em várias ocasiões a única refeição que a minha mãe tinha para nos servir era pão com uma fatia de banana.” (Sobre a infância pobre)

“Por volta de sete ou oito anos, eu estava apaixonado por aviões e queria ser piloto. (…) Queria desesperadamente me tonar aviador.”

“Pepe, meu companheiro de time, gostava de contar a história de como, certa vez, me levantei no meio da noite, gritei ‘Gol!’ e depois voltei para a cama.” (Sobre seu sonambulismo)

“Devo tudo o que tenho ao futebol. Perto do fim da minha carreira no Santos houve até um período em que passei a assinar o meu nome como ‘Edson Arantes do Nascimento Bola’.”

“Eu era difícil. Brigava com os colegas de classe, não tinha disciplina. Bem que mereci alguns castigos, mas acho que as punições que recebi foram excessivas.” (Sobre a escola primária)

“Diziam que eu era magro demais, e era verdade: eu era mesmo miudinho e magricela quando menino.”

“Não tínhamos (…) uma bola; precisávamos fabricar uma enchendo uma meia ou um saco de pano com papel amassado ou retalhos de tecido, depois moldando-o da melhor maneira possível até que lembrasse a forma de uma esfera.” (Sobre a falta de dinheiro que impedia, quando garoto, de comprar uma bola)

“Muita gente imagina que, como eu marcava muitos gols, era um atacante puro e simples. Mas nunca fui. Eu era um meia que atacava, uma espécie de centroavante recuado.”

“No Santos, durante algum tempo, fui chamado de Gasolina. O apelido agradou aos companheiros de time. Eu ficava imaginando: será que pega? Felizmente não durou.”

“Achava que o nome Pelé soava mal. Era tolo, não fazia sentido. Edson parecia tão mais sério e importante. Então, quando alguém dizia “Ei, Pelé”, eu respondia de mau humor e ficava bravo” (Sobre a relutância inicial ao apelido)

“Eu conhecia toda a escalação do time brasileiro. Gostava especialmente de Ademir, que era o artilheiro da Copa do Mundo, de Zizinho e de Barbosa, o goleiro.” (Sobre a seleção brasileira de 1950)

“Um dia vou ganhar a Copa do Mundo para o senhor.” (Promessa a Dondinho após a derrota para o Uruguai na partida decisiva da Copa de 1950)

“Posso não ter inventado a bicicleta, mas mesmo quando garoto achava fácil marcar gols dessa maneira. Fiz uma porção de gols de bicicleta.”

“Desde que começara a jogar em Bauru, dividia meu tempo entre correr atrás da bola e correr atrás das meninas.” (Sobre sua outra paixão na vida, as mulheres)

“Até então eu torcia mais para o Corinthians, mesmo sem nunca ter visto o time jogar.” (Antes de jogar pelo Santos)

“Parti para a cobrança, mas chutei por cima do travessão e perdemos o título. Fiquei desolado. Os torcedores vaiaram. Chorei de forma inconsolável.” (Sobre pênalti desperdiçado em final do sub-16, contra o Jabaquara)

“Durante um ano, aprendi caratê, que foi muito importante: me ensinou a cair e saltar. Depois disso, aprendi judô, que me ajudou a aprimorar o equilíbrio e a agilidade.” (No início no Santos)

“As suecas nos adoravam, especialmente os jogadores negros. Acho que éramos uma novidade.” (Sobre a estadia na Suécia durante a Copa de 1958)

“Sabia que, se perdêssemos, seríamos eliminados. E aquele gol foi, quem sabe, o mais inesquecível da minha carreira.” (Sobre o gol contra País de Gales, nas quartas de final da Copa de 1958)

“O Paris-Match publicou uma reportagem de capa logo depois da vitória, dizendo que havia um novo rei na área. O termo pegou, e em seguida eu comecei a ser chamado de Rei Pelé” (Depois da conquista da Copa de 1958)

“Durante o jogo [contra o Corinthians) eu estava convencido de que ela estava na plateia e passei mais tempo procurando seu rosto nas arquibancadas do que vigiando a bola.” (Aos 17 anos, encantado com Rosemeri, que se tornaria sua primeira esposa)

“Já lutei pelo meu país. Com certeza não preciso ir para o Exército para fazer o mesmo outra vez.” (Relutante em servir as Forças Armadas após defender o Brasil na Copa de 1958)

“Em nove ocasiões joguei duas partidas em 24 horas, e uma vez cheguei a jogar três em 48 horas!” (Sobre o calendário insano em 1959, ano em que participou de 103 jogos)

“Peguei a bola junto à nossa grande área e comecei a correr com ela em direção ao gol do Fluminense. Um jogador veio tentar me desarmar, depois outro, um terceiro, um quarto, um quinto, um sexto… Eu driblei todos eles antes de passar pelo goleiro também.” (Descrevendo o gol no Maracanã que ficou conhecido como “de placa”)

“Não aceitei, e tampouco o Santos estava disposto a me negociar (diz a lenda que o Congresso brasileiro me declarou oficialmente um ‘tesouro nacional não exportável’).” (Sobre proposta da Inter de Milão recusada no começo dos anos 1960)

“A maioria dos jogadores entrou em pânico, mas eu não me alterei. Acredito em Deus: se tínhamos de morrer, então que morrêssemos.” (Sobre a turbulência no voo da seleção para a disputa da Copa do Chile, em 1962)

“Lembro-me de momentos em que precisei sair do campo para amarrar as chuteiras e, enquanto estava agachado lá, um zagueiro não desgrudava de mim, mãos na cintura, supervisionando tudo.” (Sobre exagerada marcação homem a homem em uma partida)

“Gritavam ‘Macaquitos de Brasil’ para nós –isso mantinha a nossa adrenalina circulando, embora eu nunca tenha me incomodado de verdade com esses gritos de guerra racistas.” (No jogo na Bombonera, em Buenos Aires, contra o Boca Juniors, na final da Libertadores de 1963)

“É claro que existe racismo no Brasil, mas tive a sorte de ficar famoso e rico ainda jovem, e as pessoas tratam você de maneira diferente  quando você tem dinheiro e é uma celebridade.”

“Ganhei muito dinheiro a minha vida inteira, mas a verdade é que nunca aprendi a fazê-lo render como algumas pessoas fazem. Eu era bom no futebol, não nos negócios.”

“Este sempre foi o meu problema: confio demais nas pessoas.” (Sobre perdas financeiras ao fazer em parcerias em seus negócios)

“[John] Lennon estudava japonês na mesma escola. Eu conversava com ele no corredor, entre as aulas, almoçávamos juntos, e uma vez a Yoko [Ono] veio buscá-lo na saída.” (Sobre convívio com o ex-beatle em Nova York, em escola de inglês, nos anos 1970)

“Nunca fui capitão –nem do Santos, nem do Cosmos, nem do Brasil. Sempre expliquei às comissões técnicas dos meus times que, como Pelé, eu já tinha o respeito dos jogadores e do público, além da atenção do juiz.”

“Fiquei arrasado por não ter tido a oportunidade de jogar em Wembley –nunca joguei lá, nem em amistoso.” (Sobre a eliminação do Brasil na Copa de 1966, na Inglaterra, e o mítico estádio londrino)

“A única solução foi uma medida sem precedentes: expulsar o próprio Chato. E, com o árbitro expulso, eu pude ser ‘desexpulso’.” (Sobre jogo em Bogotá pelo Santos em que o juiz Guillermo “Chato” Velázquez o expulsou, causando imensa revolta na torcida)

“Assim que entrou, a rainha veio diretamente até mim com um grande sorriso e começou a conversar, dizendo que era um prazer me conhecer e que o marido dela, o príncipe Philip, era um grande fã meu. (…) Ela foi absolutamente encantadora.” (Sobre encontro com a rainha Elizabeth, da Inglaterra, no Maracanã em 1968)

“Dizem que realmente houve um cessar-fogo de 48 horas por nossa causa, e os meus companheiros de equipe lembram-se de ver bandeiras brancas e cartazes anunciando que a paz seria feita só para ver o Pelé jogar.” (Jogo em 1969, na Nigéria, cujo governo estava em guerra civil com a região de Biafra)

“Meu chute já tinha deixado o goleiro batido quando, vindo do nada, um zagueiro se projetou e, em cima da linha, aliviou a bola para longe. Só que, em vez de aplaudir, o estádio inteiro começou a vaiar. Foi surreal.” (Em jogo contra o Bahia, em Salvador, quando rival impediu o que seria o milésimo gol)

“O truque ficou conhecido como ‘paradinha’, porque eu corria para a bola e dava uma ligeira parada enquanto levantava a cabeça, antes de chutar.” (Sobre a estratégia usada nos pênaltis, a fim de saber para que lado o goleiro iria)

“Era o aniversário da minha mãe naquele dia, e talvez eu devesse ter dedicado o gol a ela. Não sei por que não pensei nisso. Na hora me vieram à cabeça as crianças.” (Sobre ter se esquecido de Dona Celeste no gol mil)

“Depois de tudo que conquistara, depois do escarcéu que tinham feito com os meus mil gols, eu não ia deixar o palco do futebol internacional por baixo.” (Sobre de rever a decisão de não mais jogar pela seleção e atuar na Copa de 1970)

“Uma porção de jogadores é um pouquinho míope, e no meu caso, pelo menos, isso nunca foi problema. Hoje eu brinco que, se não tivesse a vista curta, teria marcado 2.000 gols.”

“Sempre fui religioso. (…) Tudo o que sou e tenho devo a Deus. A minha fé me ajudou ao longo do meu caminho. Tenho respeito por todas as religiões que acreditam em Deus.”

“Foi uma defesa fenomenal, a defesa daquele torneio e de quantos torneios se quiser mencionar.” (Sobre a defesa de Gordon Banks em cabeçada “indefensável”, em Brasil x Inglaterra, na Copa de 1970)

“As pessoas que me perguntavam sobre o jogo não faziam ideia de como era importante para mim vencer o Uruguai. Eu era um garoto de nove anos que sofrera muito [em 1950], chorando e prometendo que um dia vingaria aquela derrota.” (Antes de Brasil x Uruguai, semifinal da Copa de 1970, vencida pelo Brasil por 3 a 1)

“Fiquei grato por tê-lo atingido apenas na testa porque, se fosse no nariz ou no queixo, seria fratura na certa.” (Sobre cotovelada violenta desferida em Dagoberto Fontes contra o Uruguai, na Copa de 1970, em revide a um pisão no tornozelo)

“Em toda a minha vida só fui expulso duas vezes –e em ambos os casos por discutir com o juiz. Nunca fui expulso por conduta violenta.”

“Gostaria de ter marcado um gol de bicicleta. Fiz gols assim no Santos e, mais tarde, no Cosmos. Mas nunca numa Copa do Mundo.” (Sobre o que faltou nas suas participações em Mundiais)

“Quem eu era? O que eu era? Só um jogador de futebol? Não, precisava ser mais do que isso.” (Ao decidir estudar para se formar em educação física, nos início dos anos 1970)

“Não tenho a menor vontade de ser técnico, nunca tive.”

“Dondinho, meu pai, sempre me disse que nunca se deve parar quando as pessoas lhe pedem para parar. Você deve parar quando está em sua melhor forma, porque é assim que será lembrado.” (Sobre a aposentadoria da seleção brasileira e , posteriormente, do futebol)

“Os jogadores de futebol podiam ser deuses para o público, mas em termos trabalhistas eram tratados só um pouco melhor que os escravos.” (Sobre a falta de planos de aposentadoria e saúde em sua época de jogador)

“Nesse jogo cobrei um escanteio e a bola foi direto para o gol, sem tocar em ninguém antes de entrar: o único ‘gol olímpico’ da minha carreira.” (Em Baltimore Bay x Santos, nos EUA, em 1973)

“Fui convidado umas 50 mil vezes para desfilar no Rio, mas nunca aceitei porque, se saísse numa escola, todas as outras ficariam enciumadas, o que não seria bom para mim.” (Sobre o Carnaval carioca)

“A filha de [Ernesto] Geisel [presidente da República] veio me procurar e me pediu que reconsiderasse. Fiquei irredutível.” (Sobre pedido para que voltasse a jogar pelo Brasil na Copa de 1974)

“Me ajoelhei bem no centro do gramado com a bola entre os joelhos e levantei o braços abertos feito asas de avião, ou como se representasse uma cruz.” (Ao se despedir oficialmente do Santos, contra a Ponte Preta, em setembro de 1974, na Vila Belmiro)

“Eu iria para Nova York, levar um pouco de samba para a Big Apple. Quando me aposentei, algo dentro de mim morreu. Jogar futebol de novo seria uma terapia.” (Sobre o retorno aos gramados, para atuar pelo Cosmos)

“Dizia que o futebol que eu e o resto do mundo jogávamos era o ‘beautiful game’ [jogo bonito]. A expressão foi a maneira que encontrei para explicar a eles [norte-americanos] a diferença entre futebol e futebol americano.”

“Nunca fui de beber. Jamais provei sequer uma caipirinha, embora ela seja a bebida mais famosa do Brasil. (…) Nunca bebi, fumei ou experimentei drogas.”

“Fui campeão pelo Santos, pela seleção das Forças Armadas e pela seleção brasileira. Saí de todos os times no auge. Agora era campeão pelo Cosmos também. Era hora de sair.”

“O fim estava perto agora. (…) Fiz um discurso em campo e finalizei pronunciando estas palavras em inglês: Love! Love! Love!”. (Em sua despedida do futebol, Cosmos x Santos, no dia 1º de outubro de 1977, no Giants Stadium)

“Foi só um capricho da saudade de vestir aquela mágica camisa amarela outra vez.” (Sobre considerar a possibilidade, descartada, de jogar pela seleção na Copa de 1986, no México, aos 45 anos)

“Na semana do nascimento de Jennifer, depois de 12 anos de casamento, anunciamos oficialmente a separação.” (Sobre o encerramento da relação com Rosemeri, em 1978, à época em que nasceu o terceiro filho do casal, uma menina)

“Ficamos juntos por seis anos, mas não foi um relacionamento muito intenso –era mais uma amizade. Eu morava em Nova York, e ela no Brasil.” (Sobre a relação com a modelo e futura apresentadora Xuxa)

“Adoro cinema. Às vezes vejo três ou quatro filmes numa noite. (…) Filmes de suspense e ação são os meus preferidos.”

“Em Brasília, você não sabe quem são seus amigos ou quem está usando você para satisfazer seus próprios interesses. Pode ser um lugar perigoso.” (Sobre a época como ministro do Esporte, de 1995 a 1998, na gestão FHC)

“Acho que ajudei a libertar os jogadores brasileiros da escravidão.” (Com a criação da Lei Pelé, que desvincula os futebolistas dos clubes ao término dos contratos)

“Sempre considerei irônico que meu filho fosse um goleiro profissional. Minha carreira foi totalmente voltada para humilhar aqueles que vestiram a camisa 1.” (Sobre Edinho, seu filho, ter se tornado goleiro)

“Acho que os brasileiros são muito exigentes com seus ídolos. Às vezes, é como e se estivessem mais preocupados em derrubar você do que em valorizá-lo.”

“Nunca usei um corte do tipo ‘black power’, nem jamais raspei a cabeça completamente. O meu corte de cabelo sempre foi um tributo ao meu pai.”

“Já me pediram para fazer propaganda de papel higiênico, mas isso eu não aceitei.” (Sobre a atuação como garoto-propaganda na venda de variados produtos, de cartão de crédito a medicamento para disfunção erétil)

“Choro à toa. Sou sempre muito emotivo. Choro quando canto uma música triste. Choro quando vejo uma criança pobre na rua.”

“Qual foi a pessoa que mais me impressionou? Provavelmente Nelson Mandela, um verdadeiro ícone.” (Sobre o presidente sul-africano que lutou contra o apartheid)

“Na Iugoslávia, um fã chegou a transformar a própria casa num museu Pelé.” (Lembrando uma das homenagens feitas por torcedores ao longo de sua carreira)

“É um lugar maravilhoso, um verdadeiro santuário. Fico mais calmo quando estou lá. Tenho uma ligação especial com a natureza e aprecio tremendamente a paz e o silêncio.” (Sobre sua fazenda entre Registro e Juquiá, no interior paulista)

“Sinto saudade da simplicidade de uma vida em que ser feliz era jogar futebol numa rua apinhada de amigos. (…) Tenho lembranças vívidas e maravilhosas da minha juventude.”

“Quando eu me for, serei sepultado numa torre de concreto. Santos tem o mais alto cemitério vertical do mundo, (…) com sepulturas em cada um deles. Comprei um andar inteiro para a minha família. (…) Dá para ver o campo da Vila Belmiro da janela.”

“Haverá outro Pelé? Minha resposta é sempre não: Dondinho e Celeste fecharam a fábrica.”

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Massacre sofrido por Messi supera o maior imposto a Pelé https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/08/15/massacre-sofrido-por-messi-supera-o-maior-imposto-a-pele/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/08/15/massacre-sofrido-por-messi-supera-o-maior-imposto-a-pele/#respond Sat, 15 Aug 2020 08:30:01 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2020/08/Messi-320x213.png https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=19927 A acachapante derrota por 8 a 2 do Barcelona para o Bayern de Munique nesta sexta (14), em Lisboa, que eliminou a equipe espanhola da Liga dos Campeões da Europa, significou a mais elástica que Messi teve em sua carreira.

De tão violento, o massacre imposto ao craque argentino superou o pior sofrido por Pelé, o melhor futebolista de todos os tempos (na minha opinião).

Devem ser bem poucos os que sabem, ou que se lembram, que o Rei do Futebol saiu uma vez de campo com um 8 a 3, para o adversário, nas costas.

A partida em que Pelé e companhia levaram essa goleada não foi, contudo, oficial. Nem pelo Santos, nem pelo Cosmos, nem pela seleção brasileira.

O 8 a 3 ocorreu em um jogo festivo, no dia 26 de março de 1975, em Bruxelas, a capital da Bélgica.

Pelé se despedira da equipe da Vila Belmiro em outubro de 1974 e faria sua estreia pelo time de Nova York em junho do ano seguinte.

Nesse ínterim, ele participou de um amistoso contra o Anderlecht, que celebrava a despedida do clube do atacante Paul van Himst, uma das lendas do futebol belga.

Pelé, que não balançou as redes nessa partida, era o principal astro do All Stars, que contava também com o holandês Cruyff, com o moçambicano-português Eusébio, com o ítalo-brasileiro Mazzola e com o brasileiro Paulo Cézar Caju.

Quando estava 1 a 0 para o Anderlecht, aos 10 minutos do primeiro tempo, houve um pênalti para a seleção de astros, mas Pelé falhou, mesmo fazendo sua famosa paradinha. O goleiro Ruiter defendeu –ele pegaria mais um pênalti, batido por Eusébio.

Mazzola fez dois gols para os visitantes, Paulo Cézar, que entrou no decorrer da partida, um, mas esses três tentos não chegaram à metade dos assinalados pelo rolo compressor belga liderado por Van Himst.

Reportagem da Folha no dia 27 de março de 1975 relata a partida em que time de Pelé perdeu por 8 a 3 para o Anderlecht, na Bélgica (Reprodução)

Defendendo o Santos, o mais famoso de todos os camisas 10 chegou a perder de 6 a 2, para o São Paulo (em 1957), para o chileno Colo-Colo (em 1959) e para o Cruzeiro (em 1966).

Messi, cuja pior derrota antes desse 8 a 2 nas quartas de final da Champions League tinha sido o 6 a 1 da Bolívia na Argentina em 2009, fica agora bem atrás dos piores reveses de Diego Maradona, com quem disputa o posto de melhor da história da Argentina, e de Cristiano Ronaldo, seu rival pelo título de melhor do planeta nos últimos 13 anos.

Maradona amargou um 5 a 0 quando atuava pelo Sevilla, ante o Real Madrid, em 1993, e o CR7 deixou o campo com o mesmo placar em 2010, atuando pelo Real Madrid contra o Barcelona de Messi, que deu duas assistências nessa partida.

*

Em tempo 1: Neymar, que continua vivo com o Paris Saint-Germain na Liga dos Campeões, tem como pior revés um 4 a 0, pelo Barcelona, diante do seu atual clube, em 2017, ida das oitavas de final da Champions, mata-mata ao qual o Barça, com Messi, sobreviveu ao ganhar o jogo de volta por 6 a 1.

Em tempo 2: O 8 a 2 não foi a derrota por maior diferença de gols do Barcelona em seus 120 anos de vida. Em 1940, a equipe levou de 11 a 1 do Sevilla, de virada, no Campeonato Espanhol.

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Coronavírus cancela Bola de Ouro e evita que Messi ameace Pelé https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/07/21/coronavirus-cancela-bola-de-ouro-e-evita-que-messi-ameace-pele/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/07/21/coronavirus-cancela-bola-de-ouro-e-evita-que-messi-ameace-pele/#respond Tue, 21 Jul 2020 06:03:13 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2020/07/Bola-de-Ouro-1.png https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=19809 O coronavírus fez mais uma vítima no esporte.

Depois de afetar, entre outros, os campeonatos Francês e Holandês, que não chegaram ao fim, a pandemia de Covid resultou no cancelamento da Bola de Ouro.

Pascal Ferré, editor-chefe da revista bissemanal France Football, fundadora e organizadora do prêmio, explicou as razões da não realização da eleição em 2020.

“Acreditamos que um ano tão singular não deveria, e não poderia, ser tratado como um ano comum.”

“De uma perspectiva esportiva, dois meses [janeiro e fevereiro], dos 11 que geralmente são necessários para decidir quem erguerá o troféu, representam muito pouco para julgar. Os demais jogos foram realizados, ou ainda serão, em condições incomuns [com portões fechados e permitindo-se cinco substituições por partida, por exemplo].”

“Por fim, a equidade que prevalecia para o prêmio não será assegurada; todos os concorrentes não estarão no mesmo barco, alguns tendo a temporada reduzida. Desse modo, como estabelecer uma comparação justa?”

A Bola de Ouro é o tradicional prêmio dado pela France Football ao melhor jogador de cada temporada. Jornalistas selecionados pela revista (de 176 países, na última eleição) são os responsáveis por escolher o vencedor.

Cobiçadíssima, ela existe desde 1956 (a versão feminina foi criada apenas em 2018), e o primeiro ganhador foi o inglês Stanley Matthews (1915-2000), à época jogador do Blackpool.

O vencedor mais recente é o argentino Lionel Messi, do Barcelona, que faturou a comenda seis vezes (2009 a 2012, 2015 e 2019).

De 2010 a 2015, a publicação francesa fez uma parceria com a Fifa, que também entregava seu prêmio anualmente (Melhor do Mundo, desde 1991).

Em 2016 houve a cisão, e a France Football voltou a entregar sozinha a Bola de Ouro; a Fifa, por seu lado, renomeou seu prêmio para The Best –que neste ano, se não for cancelado, chegará à sua quinta edição.

Messi, que alguns atestam como o maior vencedor da Bola de Ouro, não o é.

Isso porque, em 2016, a France Football fez uma revisão da premiação, que até 1995 era concedida somente a futebolistas europeus.

Nesse processo, Pelé foi considerado o melhor do mundo em sete anos (1958 a 1961, 1963, 1964 e 1970), Garrincha em 1962, e Romário em 1994.

Pelé se emociona em cerimônia em Zurique na qual recebeu da Fifa a Bola de Ouro honorária (Arnd Wiegmann – 13.jan.2014/Reuters)

Os eleitos originalmente, entretanto, não tiveram suas conquistas revogadas.

Assim, 12 das edições ficaram com dois vencedores cada um –os argentinos Maradona (1986 e 1990) e Kempes (1978) também foram agraciados com a Bola de Ouro.

Outros brasileiros que conquistaram o belo troféu foram Ronaldo Fenômeno (1997 e 2002), Rivaldo (1999), Ronaldinho (2005) e Kaká (2007).

Feita a soma, são sete os brasucas donos de pelo menos uma Bola de Ouro.

Os países que mais se aproximam do Brasil são Itália (cinco vencedores: Sívori, Rivera, Paolo Rossi, Baggio e Cannavaro) e Alemanha (também cinco: Gerd Müller, Beckenbauer, Rummenige, Matthäus e Sammer).

Individualmente, este é o ranking: Pelé (sete conquistas), Messi (seis), Cristiano Ronaldo (cinco), Platini, Cruyff e Van Basten (três cada um).

*

Em tempo: Mesmo em uma temporada atípica, é possível nomear os destaques até agora: Lewandowski (Bayern de Munique), Messi (Barcelona), Cristiano Ronaldo (Juventus), Benzema e Sergio Ramos (Real Madrid). Enfatizo o “até agora” porque ainda há pela frente a reta final da Champions League, que pode dar status considerável a jogadores que até aqui ficaram à sombra da concorrência, casos de Neymar e Mbappé (PSG), Timo Werner (Leipzig) e De Bruyne (Manchester City).

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Perto dos 80, Pelé reafirma ser o melhor da história https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/04/08/perto-dos-80-pele-reafirma-ser-o-melhor-da-historia/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/04/08/perto-dos-80-pele-reafirma-ser-o-melhor-da-historia/#respond Wed, 08 Apr 2020 14:15:35 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2020/04/Pele.jpg https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=19532 “Eu acho que o Pelé foi melhor do que todos eles.”

No ano em que deve completar 80 anos (daqui a pouco mais de seis meses, no dia 23 de outubro), vendo-se na terceira pessoa, como tradicionalmente faz, Edson Arantes do Nascimento reafirmou quem ele considera o melhor futebolista da história.

Pelé falava a Thiago Asmar, no canal Pilhado (YouTube), que lhe dissera que “hoje a molecada se pergunta se Pelé era melhor mesmo que o Cristiano Ronaldo e que o Messi”.

O rei do futebol deu a resposta, mencionando que foram feitas comparações dele, anteriormente, com o alemão Beckenbauer e com o holandês Cruyff, outros imortais do futebol.

Acredito haver consenso, entre os da minha geração (nascidos nos anos 1970) e os de gerações anteriores, que não haja quem até agora tenha igualado a genialidade e a completude (física, técnica e emocional) de Pelé. Superar não dá, pois o mineiro de Três Corações, com a bola, era 100% gênio, 100% completo.

Garrincha, Maradona, Ronaldinho Gaúcho e Messi estão entre os que mais se aproximam dele no primeiro quesito. Cristiano Ronaldo, no segundo.

O português, a quem Pelé na mesma entrevista colocou em um patamar superior ao de Messi, não tem fama pela magia, mas, tão artilheiro quanto o argentino, é difícil de ser batido na dedicação, na obsessão e na competitividade.

Ele chegou a dizer, em entrevista à revista France Football, no ano passado, que não se via com nenhum ponto fraco como jogador.

Eu já fiquei tentado a fazer uma comparação entre Pelé, Messi e Cristiano Ronaldo, porém é complicadíssimo fazê-lo porque Pelé jogou em uma época diferente.

Mas futebol não é, e foi, sempre futebol? Não são, e eram, 11 contra 11? Não tinha, e tem, juiz, bola, torcida?

Sim. Mas a dinâmica do jogo é diferente. Distintos também eram a qualidade dos gramados e as condições de preparo e recuperação dos jogadores.

Basta assistir a teipes do final dos anos 1950 até o início dos anos 1970, época em que Pelé brilhou intensamente, para notar que o futebol era mais lento, que havia mais tempo e espaço para conduzir a bola antes de receber o combate.

E isso, para um fora de série como o camisa 10 do Santos e da seleção brasileira, veloz, habilidoso, inteligentíssimo e com visão de jogo apurada e capacidade inigualável de raciocínio, era um facilitador.

Dizem que Pelé brilharia do mesmo jeito no futebol da atualidade. Será? Fica no imaginário.

Ele poderia ser até melhor, pois hoje os campos são infinitamente mais bem cuidados que os de décadas atrás, além de a preparação física ter evoluído demais, assim como os métodos de recuperação a cada partida e a medicina para o tratamento de lesões.

O que é comparável entre os três, e é o que será feito, são os gols e os títulos.

Gols

Pelé marcou 1.282 gols, contando partidas oficiais ou não. Esse número é o mais propagado, mas há variação para baixo, 1.281, e para cima, 1.283. Em quantos jogos? Teriam sido 1.363, mas isso também não é indubitável. A média de gols é de 0,94.

As estatísticas do rei em relação ao total de vezes em que balançou as redes e à quantidade de partidas nunca foram conclusivas, não há concordância entre as fontes, por isso não é seguro ser assertivo.

Em partidas oficiais, por clubes (Santos e Cosmos) e seleções (brasileira, paulista e militar), são, de acordo com a RSSSF, fundação criada em 1994 que compila dados estatísticos de futebol, 767 gols em 831 aparições. Isso em um período de 21 anos (1957 a 1977). Média: 0,92 gol por jogo.

Em relação a Cristiano Ronaldo e Messi, eu mesmo fiz e refiz a conta do total de gols, utilizando as fontes disponíveis, e cheguei à seguinte conclusão.

O CR7 (Cristiano Ronaldo usa a camisa 7), considerando todos os 1.011 jogos, oficiais ou não, marcou 731 gols em 17 anos e meio de carreira (Sporting, Manchester United, Real Madrid, Juventus e seleção portuguesa). Média: 0,72.

A Pulga (apelido de Messi) anotou 701 gols em 866 partidas, oficiais ou não, em 16 anos e quatro meses como profissional (Barcelona e seleção argentina). Média: 0,81.

Contando apenas as partidas oficiais, são 1.000 jogos e 725 gols de Cristiano Ronaldo e 856 jogos e 697 gols de Messi.

Títulos

Pelé conquistou três Copas do Mundo (1958, 1962, 1970), duas Taças Libertadores, duas Copas Intercontinentais, cinco Taças Brasil e um Torneio Roberto Gomes Pedrosa (reconhecidos pela CBF como Campeonatos Brasileiros), quatro Torneios Rio-São Paulo, dez Campeonatos Paulistas e um Campeonato dos EUA. São seus títulos mais relevantes. Total: 27.

Cristiano Ronaldo jamais ganhou uma Copa do Mundo, nem perto chegou. Suas conquistas mais importantes são: uma Eurocopa, cinco Champions League, quatro Mundiais de Clubes, três Campeonatos Ingleses, dois Campeonatos Espanhóis, um Campeonato Italiano, uma Copa da Inglaterra, duas Copas do Rei. Total: 19.

Messi jamais ganhou uma Copa do Mundo (foi vice em 2014). Faturou de mais notório quatro Champions League, três Mundiais de Clubes, dez Campeonatos Espanhóis, seis Copas do Rei, um ouro olímpico. Total: 24.

Dados postos, o que há para comentar?

Que em jogos oficiais tanto Messi, que está com 32 anos, como Cristiano Ronaldo, que tem 35, conseguirão passar Pelé no número absoluto de gols, mas não na média de gols.

Que o auge para um jogador de futebol é ganhar a Copa do Mundo, e Pelé o fez três vezes, duas delas como protagonista, marcando inclusive gol na final (dois na de 1958, um na de 1970). Messi e o CR7 não chegarão lá.

Escrito isso, não há mais a escrever. A conclusão é do leitor.

Leia sobre Pelé em O Mundo É uma Bola

Leia sobre Messi em O Mundo É uma Bola

Leia sobre Cristiano Ronaldo em O Mundo É uma Bola

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Imaturo? Haaland ressurge e é mais artilheiro que Pelé aos 19 anos https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/02/19/imaturo-haaland-ressurge-e-e-mais-artilheiro-que-pele-aos-19-anos/ https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2020/02/19/imaturo-haaland-ressurge-e-e-mais-artilheiro-que-pele-aos-19-anos/#respond Wed, 19 Feb 2020 06:40:45 +0000 https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/files/2020/02/Haaland-3-320x213.jpg https://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/?p=19202 Em dezembro, escrevi um texto no qual dizia que a grande revelação até então da Champions League, a Liga dos Campeões da Europa, decepcionou quando seu time mais precisava dele e ficou fora da competição.

Pois não é que pouco mais de dois meses depois dessa postagem ele, como um highlander, estava em campo pela mesma edição da Champions e sendo, dessa vez, o destaque do começo dos mata-matas?

O norueguês nascido na Inglaterra Erling Braut Haaland, de 19 anos, brilhou em Dortmund contra o Paris Saint-Germain de Neymar. Marcou os dois gols do Borussia no triunfo por 2 a 1 que deixa a equipe alemã a um empate de avançar às quartas de final da incensada competição.

Haaland chuta para fazer seu segundo gol no jogo; clique e veja os gols de Borussia Dortmund x Paris Saint-Germain (Reprodução/Uefa TV)

Mas como, depois de ser eliminado, o grandalhão e corpulento Haaland (1,94 m e 87 kg) “ressurgiu das cinzas” para ser novamente o centro das atenções?

Uma troca de equipe, na janela de transferências de dezembro/janeiro, mata a charada.

O centroavante canhoto deixou o Salzburg, da Áustria, e se transferiu para o Borussia Dortmund, tido como a segunda força do futebol alemão (atrás do Bayern de Munique), que pagou aproximadamente 22 milhões (R$ 103,5 milhões pelo câmbio atual).

O preço foi considerado uma pechincha, e hoje estima-se que ele vale três vezes mais.

À época da transferência estranhou-se Haaland ter optado por Dortmund e não por Manchester, onde o United tinha claro interesse em contratá-lo.

Ele afirmou que gostou da abordagem direta dos dirigentes alemães, na linha do “apreciamos seu estilo e queremos você aqui”.

Detalhe: o Man United, que vive momento de baixa, não disputa a Champions League 2019/2020 (não se qualificou).

Haaland com a camisa do Salzburg, da Áustria, time que defendeu antes da transferência, no final de dezembro, para o Borussia Dortmund (Alberto Pizzoli – 5.nov.2019/AFP)

Apelidado de “Manchild”, Haaland não tem mostrado nada de imaturo, uma das traduções dessa palavra inglesa. A outra, que se encaixa bem melhor, é “garotão”, pelas feições joviais, que lembram a de um menino –já crescido, daí o aumentativo.

Em termos de artilharia, pode-se afirmar que maturidade é com o “Garotão” mesmo.

Haaland, nos primeiros 33 jogos disputados (por clubes e seleção) depois de completar 19 anos, o que aconteceu no dia 21 de julho de 2019, tem 36 gols, incluindo os dois feitos nesta terça (18) no Signal Iduna Park, a arena do Borussia Dortmund.

Nesses 33 jogos, em 21 (64%) ele comemorou pelo menos um gol.

Sua média, fantástica, é de 1,1 gol por partida.

O que isso significa?

Que Haaland, na comparação com Pelé, o melhor futebolista da história (quem discorda, que apresente argumentos), é superior, considerando o mesmo período de contabilização.

Nos 33 primeiros jogos depois de fazer 19 anos, realizados entre o fim de 1959 e o início de 1960, Pelé balançou as redes 32 vezes –média de 0,97 gol por confronto.

Messi em treino com a seleção argentina durante a Copa do Mundo de 2006, ano em que não era ainda tão artilheiro (Daniel Garcia – 29.jun.2006/AFP)

Usando o mesmo critério de comparação com estrelas da atualidade, Haaland ganha por larga margem.

Messi fez “só” 11 gols nessas 33 partidas (média de 0,33); Cristiano Ronaldo, sete gols (0,21); Mbappé, tido como o maior talento jovem do momento –está com 21 anos–, 14 gols (0,42).

É cedo para tirar conclusões definitivas sobre Haaland, tem muito jogador que se mostrou promissor no final da adolescência e depois caiu de produção, não vingou, não virou craque.

Até agora, no entanto, o cenário é bastante auspicioso para o norueguês, que pelo porte físico, que o deixa visualmente poderoso, e pela aparência nórdica (é curioso que seu cabelo não despenteia, ele deve usar gel com fixação megaforte) poderia muito bem trocar de apelido, deixando de ser o “Garotão” e se tornando o “Pequeno Thor”, como eu o batizei desde o princípio.

Tem mais apelo e é mais sonoro e impactante. Fica a deixa para os marqueteiros de plantão.

Haaland festeja sentado, em posição de meditação, seu primeiro gol contra o PSG, em Dortmund, pela Liga dos Campeões da Europa (Ina Fassbender – 18.fev.2020/AFP)

Em tempo: Brincadeira com apelido à parte, o que Haaland leva muito a sério é a meditação. Ele é adepto da prática e comemora gols sentado, em posição de reflexão.

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