Movido por desafios, Cristiano Ronaldo provoca Messi, que dá de ombros
Será a rivalidade Cristiano Ronaldo versus Messi a maior da história do futebol?
Eu afirmo que sim. Por dez anos, de 2008 a 2017, os dois supercraques conquistaram todos os troféus de melhor do mundo, cinco vezes cada um. Encantaram, cada um a seu modo.
Encantaram? Não. Ainda encantam. Gênios incontestes, já estão no olimpo da bola – ao lado de Pelé, Maradona, Cruyff, Zidane, Ronaldo Fenômeno, Beckenbauer e poucos outros – mesmo antes de pendurarem as chuteiras.
Messi fascina com sua magia, seus dribles desconcertantes, suas arrancadas mortais, sua precisão nas finalizações; o CR7 (assim chamado porque veste a camisa 7), com sua potência física, sua impulsão espetacular, sua busca incessante pela perfeição, sua insaciável sede de vitórias.
E ambos, já trintões, têm um caso de amor com as redes, que recebem, há tempo suficiente para que eu esqueça quanto tempo faz, as bolas por eles a elas endereçadas: seus gols não param de sair, um atrás do outro, jogo após jogo, temporada após temporada.

Tão iguais ao serem admirados, tão diferentes ao serem comparados.
Não apenas na constituição física (o canhoto Messi é baixinho e franzino; o destro Cristiano Ronaldo é alto e musculoso) ou no estilo de jogo (o argentino tem dribles curtos, gosta de tabelas e conta com visão de jogo privilegiada; o português, dono de invejável explosão muscular, destaca-se nas arrancadas e na potência dos chutes, além de ser exímio cabeceador), mas nos objetivos no esporte.
Há cerca de três semanas, o CR7, que como profissional defendeu Sporting (Portugal), Manchester United (Inglaterra), Real Madrid (Espanha) e Juventus (Itália), onde está desde o meio do ano, fez um desafio a Messi (a carreira toda no espanhol Barcelona), ao tecer uma comparação entre ele e a Pulga.
“Joguei na Inglaterra, na Espanha, na Itália e em Portugal, enquanto ele sempre esteve na Espanha. Para mim, a vida é um desafio, e eu gosto disso”, afirmou ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport. “Um dia, eu quis vir para a Itália. Ele deveria fazer que nem eu e aceitar o desafio.”
“Eu mudei minha vida e deixei minha zona de conforto. Acreditei em mim e provei às pessoas que ainda sou um jogador incrível.”
Cristiano Ronaldo, em 25 partidas até aqui pela Juventus, incluindo Campeonato Italiano e Liga dos Campeões da Europa, anotou 13 gols e somou sete assistências (passes para gol).
Nesta quarta (26), saiu do banco para fazer de cabeça o gol de empate (2 a 2 contra o Atalanta) e evitar que a Juve perdesse a invencibilidade na competição nacional.
A mensagem de Cristiano Ronaldo a Messi foi enviada. E pareceu que não haveria comentário. Só que, mesmo com alguma demora, a réplica veio.
Nesta quinta (27), o argentino declarou estar muito feliz em Barcelona, onde vive desde fevereiro de 2001, e que não deixará o “lar doce lar”.
“Não preciso mudar nada, estou jogando pelo melhor time do mundo”, disse ao diário Marca, da Espanha. “Meus objetivos mudam a cada ano, e não tenho que trocar de clube ou de liga para traçar novas metas. Estou em casa e não há razão para que isso mude.”
Messi faz uma de suas melhores temporadas. Desde agosto, atuou em 21 partidas pelo Barcelona (ficou fora de cinco devido a uma fratura no braço no dia 20 de outubro), somando Campeonato Espanhol, Champions League, Supercopa da Espanha e Troféu Joan Gamper.
Marcou 22 gols e deu 13 assistências. Dos 56 gols feitos pelo Barça com Messi em campo, ele participou de 35, ou 63%, bem mais que a metade. Estupendo.
Cristiano Ronaldo, nos jogos em que atuou, participou de 20 dos 42 gols da Juventus (48%). Desempenho notável, mas que chega a parecer pífio na comparação com o de Messi.
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Em tempo 1: Zico, um dos maiores craques da história do futebol brasileiro, teceu elogios à dupla Messi-Cristiano Ronaldo em entrevista veiculada nesta quinta (27) pelo jornal esportivo Record, de Portugal. “Se eu fosse jovem, iria me espelhar em jogadores desse nível. Jogam todas [as partidas], jogam para o time, são os melhores porque se preparam para ser os melhores. Você não os vê saindo em mídias sociais aqui e ali, deixando de ir a treinamentos para ir a uma festa. Se você vê o número de jogos que eles jogam na temporada, é absurdo. Eles se cuidam para ter um desempenho bom individual e sabem que esse desempenho beneficia o clube deles.” Seria um recado do Galinho de Quintino a alguém, talvez um brasileiro, que poderia ser ainda melhor e não é por não se dedicar tanto e/ou deixar interesses extracampo o consumirem?
Em tempo 2: Houve um colega de profissão que criticou neste mês Messi e Cristiano Ronaldo. E não foi um colega qualquer, mas aquele que os desbancou do trono. O meia Luka Modric, vice-campeão na Copa da Rússia com a Croácia e titular do Real Madrid, é o atual melhor do mundo: amealhou tanto o troféu The Best, da Fifa, como a Bola de Ouro, da revista France Football. Messi e Cristiano Ronaldo, sabendo de antemão que não ganhariam, não compareceram aos eventos de gala, respectivamente em Londres e em Paris, e Modric achou deselegante. “Não faz sentido, faz?”, afirmou ao Sportske Novosti, diário esportivo croata. “Parece que os votos e os prêmios só têm valor quando eles vencem. É injusto com os companheiros e os eleitores que os escolheram nos últimos dez anos, assim como com os fãs e com o próprio futebol. Mas as pessoas agem do jeito que melhor lhes convêm.” Modric, com seu jeito acanhado, não qualificou os ilustres ausentes com a palavra de sete letras que deveria ter usado: soberba.