Movido por desafios, Cristiano Ronaldo provoca Messi, que dá de ombros

Será a rivalidade Cristiano Ronaldo versus Messi a maior da história do futebol?

Eu afirmo que sim. Por dez anos, de 2008 a 2017, os dois supercraques conquistaram todos os troféus de melhor do mundo, cinco vezes cada um. Encantaram, cada um a seu modo.

Encantaram? Não. Ainda encantam. Gênios incontestes, já estão no olimpo da bola – ao lado de Pelé, Maradona, Cruyff, Zidane, Ronaldo Fenômeno, Beckenbauer e poucos outros – mesmo antes de pendurarem as chuteiras.

Messi fascina com sua magia, seus dribles desconcertantes, suas arrancadas mortais, sua precisão nas finalizações; o CR7 (assim chamado porque veste a camisa 7), com sua potência física, sua impulsão espetacular, sua busca incessante pela perfeição, sua insaciável sede de vitórias.

E ambos, já trintões, têm um caso de amor com as redes, que recebem, há tempo suficiente para que eu esqueça quanto tempo faz, as bolas por eles a elas endereçadas: seus gols não param de sair, um atrás do outro, jogo após jogo, temporada após temporada.

Na Copa do Mundo deste ano, antes de Rússia x Croácia, torcedores usam máscaras de Cristiano Ronaldo e Messi (Kirill Kudryavtsev – 7.jul.2018/AFP)

Tão iguais ao serem admirados, tão diferentes ao serem comparados.

Não apenas na constituição física (o canhoto Messi é baixinho e franzino; o destro Cristiano Ronaldo é alto e musculoso) ou no estilo de jogo (o argentino tem dribles curtos, gosta de tabelas e conta com visão de jogo privilegiada; o português, dono de invejável explosão muscular, destaca-se nas arrancadas e na potência dos chutes, além de ser exímio cabeceador), mas nos objetivos no esporte.

Há cerca de três semanas, o CR7, que como profissional defendeu Sporting (Portugal), Manchester United (Inglaterra), Real Madrid (Espanha) e Juventus (Itália), onde está desde o meio do ano, fez um desafio a Messi (a carreira toda no espanhol Barcelona), ao tecer uma comparação entre ele e a Pulga.

“Joguei na Inglaterra, na Espanha, na Itália e em Portugal, enquanto ele sempre esteve na Espanha. Para mim, a vida é um desafio, e eu gosto disso”, afirmou ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport. “Um dia, eu quis vir para a Itália. Ele deveria fazer que nem eu e aceitar o desafio.”

“Eu mudei minha vida e deixei minha zona de conforto. Acreditei em mim e provei às pessoas que ainda sou um jogador incrível.”

Cristiano Ronaldo, em 25 partidas até aqui pela Juventus, incluindo Campeonato Italiano e Liga dos Campeões da Europa, anotou 13 gols e somou sete assistências (passes para gol).

Nesta quarta (26), saiu do banco para fazer de cabeça o gol de empate (2 a 2 contra o Atalanta) e evitar que a Juve perdesse a invencibilidade na competição nacional.

A mensagem de Cristiano Ronaldo a Messi foi enviada. E pareceu que não haveria comentário. Só que, mesmo com alguma demora, a réplica veio.

Nesta quinta (27), o argentino declarou estar muito feliz em Barcelona, onde vive desde fevereiro de 2001, e que não deixará o “lar doce lar”.

“Não preciso mudar nada, estou jogando pelo melhor time do mundo”, disse ao diário Marca, da Espanha. “Meus objetivos mudam a cada ano, e não tenho que trocar de clube ou de liga para traçar novas metas. Estou em casa e não há razão para que isso mude.”

Messi faz uma de suas melhores temporadas. Desde agosto, atuou em 21 partidas pelo Barcelona (ficou fora de cinco devido a uma fratura no braço no dia 20 de outubro), somando Campeonato Espanhol, Champions League, Supercopa da Espanha e Troféu Joan Gamper.

Marcou 22 gols e deu 13 assistências. Dos 56 gols feitos pelo Barça com Messi em campo, ele participou de 35, ou 63%, bem mais que a metade. Estupendo.

Cristiano Ronaldo, nos jogos em que atuou, participou de 20 dos 42 gols da Juventus (48%). Desempenho notável, mas que chega a parecer pífio na comparação com o de Messi.

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Em tempo 1: Zico, um dos maiores craques da história do futebol brasileiro, teceu elogios à dupla Messi-Cristiano Ronaldo em entrevista veiculada nesta quinta (27) pelo jornal esportivo Record, de Portugal. “Se eu fosse jovem, iria me espelhar em jogadores desse nível. Jogam todas [as partidas], jogam para o time, são os melhores porque se preparam para ser os melhores. Você não os vê saindo em mídias sociais aqui e ali, deixando de ir a treinamentos para ir a uma festa. Se você vê o número de jogos que eles jogam na temporada, é absurdo. Eles se cuidam para ter um desempenho bom individual e sabem que esse desempenho beneficia o clube deles.” Seria um recado do Galinho de Quintino a alguém, talvez um brasileiro, que poderia ser ainda melhor e não é por não se dedicar tanto e/ou deixar interesses extracampo o consumirem?

Em tempo 2: Houve um colega de profissão que criticou neste mês Messi e Cristiano Ronaldo. E não foi um colega qualquer, mas aquele que os desbancou do trono. O meia Luka Modric, vice-campeão na Copa da Rússia com a Croácia e titular do Real Madrid, é o atual melhor do mundo: amealhou tanto o troféu The Best, da Fifa, como a Bola de Ouro, da revista France Football. Messi e Cristiano Ronaldo, sabendo de antemão que não ganhariam, não compareceram aos eventos de gala, respectivamente em Londres e em Paris, e Modric achou deselegante. “Não faz sentido, faz?”, afirmou ao Sportske Novosti, diário esportivo croata. “Parece que os votos e os prêmios só têm valor quando eles vencem. É injusto com os companheiros e os eleitores que os escolheram nos últimos dez anos, assim como com os fãs e com o próprio futebol. Mas as pessoas agem do jeito que melhor lhes convêm.” Modric, com seu jeito acanhado, não qualificou os ilustres ausentes com a palavra de sete letras que deveria ter usado: soberba.