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A falta de espaço para Gabigol na Inter de Milão

Luís Curro

Não há espaço para o artilheiro Gabriel Barbosa, o Gabigol, na Inter de Milão.

E ele está incomodado com isso.

A ex-estrela ascendente santista está há três meses na equipe italiana e esteve em campo, em um jogo oficial, apenas 16 minutos. Nesse intervalo, a Inter disputou 19 partidas oficiais, 13 pelo Campeonato Italiano e 6 pela Liga Europa.

No interclubes europeu, Gabibol não foi inscrito por opção do então treinador Frank de Boer, que acabou sucumbindo a resultados piores que os esperados pela direção e foi demitido precocemente.

No Italiano, tanto na gestão De Boer quanto na gestão Stefano Pioli, que sucedeu o holandês, a vida de Gabigol tem se resumido a treinamentos e a esquentar o banco de reservas. Esteve nele em dez partidas da Série A. Nessas, por 884 minutos, de um total de 900 (sem a inclusão dos acréscimos), apenas observou os companheiros jogarem.

Gabigol na partida da Inter contra o Bologna, a única da qual participou neste Campeonato Italiano (Giuseppe Cacace - 25.set.2016/AFP)
Gabigol na partida da Inter contra o Bologna, a única da qual participou neste Campeonato Italiano (Giuseppe Cacace – 25.set.2016/AFP)

A opção da Inter neste momento para a linha de frente é por jogadores mais velhos que Gabriel.

Candreva (29 anos), Icardi (23 anos e capitão do time) e Perisic (27 anos) são os titulares no ataque. A primeira opção para substituí-los é o brasileiro Eder (30 anos), que tem cidadania italiana. A segunda e a terceira são, não necessariamente nesta ordem, Palacio (34 anos) e Jovetic (27 anos).

A idade, 20 anos, conta contra Gabigol, mas isso só no papel. Pois, apesar de pouco rodado (defendeu apenas o Santos como profissional antes de se transferir para a Itália), ele já tem uma boa dose de experiência.

No time paulista, entre 2013 e 2016, participou de todas as 154 partidas para as quais foi relacionado, por Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Campeonato Paulista. Começou como titular em 122 (ou 4 em cada 5) e, nas demais, sempre entrou no decorrer do jogo. Conquistou dois Estaduais (2015 e 2016) e contribuiu com gols assiduamente.

Seu desempenho antes da chegada à Inter até o qualificou a concorrer ao prêmio Garoto de Ouro deste ano, vencido pelo português Renato Sanches.

Além disso, tem passagens pela seleção brasileira: defendeu as equipes sub-17, sub-20 e participou, como titular, dos Jogos Olímpicos deste ano, no Rio, em agosto, ajudando o país a obter a inédita medalha de ouro. Esteve também no elenco da seleção principal na Copa América Centenário, em junho, nos Estados Unidos.

Walace, Gabriel Jesus, Neymar, Gabigol e Rafinha comemoram o ouro olímpico no Maracanã (Andre Penner - 20.ago.2016/Associated Press)
Walace, Gabriel Jesus, Neymar, Gabigol e Rafinha comemoram o ouro olímpico no Maracanã (Andre Penner – 20.ago.2016/Associated Press)

Assim, ver a bola rolar sem poder tocá-la é uma situação estranha para Gabigol.

Ao ir para a Inter, ele certamente sabia que no início teria poucas oportunidades. Só que não imaginava que elas seriam inexistentes (estou descartando os irrisórios 16 minutos contra o Bologna, no já longínquo 25 de setembro).

Um detalhe, que poucos devem saber: Gabigol atuou um jogo inteiro pela Inter. Em um amistoso contra o Lugano, da Suíça, no dia 6 de outubro, em Appiano Gentile, a Inter ganhou por 1 a 0. Gol de quem? Gabigol, batendo pênalti.

A Inter não vai bem na temporada (está em décimo lugar do Italiano e caiu na fase de grupos da Liga Europa), e Gabibol seria uma opção para tentar dar combustível novo a uma equipe que não engrena. Pelo menos no segundo tempo dos jogos.

Mas, conforme exposto, a concorrência é grande e todos os atacantes estão em condições de jogo (não houve contundidos nesses últimos meses).

Se nada de excepcional ocorrer nos próximos 20 dias, resta a Gabigol esperar a janela de transferências, no início de 2017, e negociar com a Inter um empréstimo para outro clube, no qual possa ser titular. Seu empresário, Wagner Ribeiro, expôs nesta semana que esse é o provável caminho a ser trilhado.

Gabigol precisa jogar. Para se sentir satisfeito, realizado, e também para voltar à vitrine. Sem exibir um bom futebol, Tite não o convocará para a seleção brasileira.

E, para exibir um bom futebol, tem de ser escalado – atualmente, isso só acontece no videogame.

Postagem de Gabigol antes de Napoli 3 x 0 Inter no Italiano (Reprodução/Twitter de Gabriel Barbosa)
Postagem de Gabigol em rede social antes de Napoli 3 x 0 Inter pelo Italiano (Reprodução/Twitter de Gabriel Barbosa)

Em tempo: Não há nesta temporada um brasileiro em ótima fase na Itália. O único que merece menção é Felipe Anderson, de 23 anos, que como Gabigol integrou o elenco do Brasil na Olimpíada do Rio e que como Gabigol jogou no Santos antes de ir para a Itália, em 2013. O meia de 23 anos, em 14 partidas com a Lazio no Italiano, marcou dois gols e deu cinco assistências.

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