Fortaleza defensiva, Brasil de Tite troca mais passes e faz mais faltas que o de Dunga

Por Luís Curro

Dunga perdeu o cargo na seleção brasileira depois do fiasco na Copa América Centenário, em junho. Nas eliminatórias para a Copa da Rússia-2018, o Brasil tinha feito seis jogos com ele.

Tite substituiu Dunga, e nesta quarta (16), na vitória por 2 a 0 contra o Peru em Lima, a seleção completou seis partidas nas eliminatórias sob seu comando.

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Seis jogos com Dunga, seis jogos com Tite, é possível comparar a performance estatística de ambos e tirar conclusões.

“O Mundo é uma Bola” se debruçou nos números levantados pela Conmebol (a confederação sul-americana) e descobriu que, com Tite, o Brasil, além de ter se tornado uma fortaleza defensiva (apenas um gol sofrido em seis partidas), troca muito mais passes e comete bem mais faltas.

Com o ex-treinador do Corinthians, o Brasil completou, em média, 491 passes por partida nas eliminatórias. Com Dunga, foram 420. Isso tendo o mesmo tempo de posse de bola por jogo: 59%, em média. Ou seja, a seleção de Tite toca a bola com mais rapidez e, de quebra, é mais precisa que a de seu antecessor: 92,7% de passes certos contra 91,8%.

Na marcação, a seleção, com Tite, fez mais faltas do que com Dunga nestas eliminatórias: 15,8 em média por partida, ante 13,8 anteriormente. O atual Brasil também desarma menos: 15 vezes por jogo, em média – antes eram 18.

Tite orienta a seleção brasileira durante a vitória sobre o Peru, em Lima, pelas eliminatórias da Copa de 2018 (Mariana Bazo - 16.nov.2016/Reuters)
Tite orienta a seleção brasileira durante a vitória sobre o Peru, em Lima, pelas eliminatórias da Copa de 2018 (Mariana Bazo – 16.nov.2016/Reuters)

Outro tópico relevante: a efetividade para balançar a rede rival melhorou consideravelmente.

Nos seis jogos com Dunga no qualificatório sul-americano, a seleção finalizou na direção certa 31 vezes, marcando 11 gols – aproveitamento de 35%. Com Tite, houve 37 finalizações certas, sendo que 17, perto da metade, estufaram a rede – 46% de êxito.

Porém o que chama mais a atenção, disparado, é o número de finalizações que os adversários conseguiram na era Tite: são 5,7 por partida, em média. Nos jogos sob a batuta de Dunga nas eliminatórias, os rivais chutaram ou cabecearam 72% a mais (9,8 por jogo).

Dunga mostra abatimento no empate por 1 a 1 com a Argentina, em Buenos Aires, um ano atrás (Juan Mabromata - 13.nov.2015/AFP)
Dunga mostra abatimento no empate por 1 a 1 com a Argentina, em Buenos Aires, um ano atrás (Juan Mabromata – 13.nov.2015/AFP)

A seguir, a numeralha completa, que permite identificar onde o Brasil mudou e onde não mudou, considerando os jogos pelas eliminatórias, após a chegada de Tite.

  • Vitórias – Tite 6 / Dunga 2
  • Empates – Tite 0 / Dunga 3
  • Derrotas – Tite 0 / Dunga 1
  • Gols – Tite 17 / Dunga 11
  • Gols tomados – Tite 1 / Dunga 8
  • Finalizações (média por jogo) – Tite 13 / Dunga 12
  • Finalizações certas (média por jogo) – Tite 6,2 / Dunga 5,2
  • Finalizações sofridas (média por jogo) – Tite 5,7 / Dunga 9,8
  • Posse de bola (média por jogo) – Tite 59% / Dunga 59%
  • Passes (média por jogo) – Tite 491 / Dunga 420
  • Passes certos (média por jogo) – Tite 92,7% / Dunga 91,8%
  • Faltas cometidas (média por jogo) – Tite 15,8 / Dunga 13,8
  • Faltas sofridas (média por jogo) – Tite 15,3 / Dunga 15
  • Desarmes (média por jogo) – Tite 15 / Dunga 18
  • Cartões amarelos – Tite 9 / Dunga 11
  • Cartões vermelhos – Tite 0 / Dunga 1

Em tempo: O Brasil, líder das eliminatórias da América do Sul com 27 pontos (quatro a mais que o Uruguai), volta a jogar pela competição só no ano que vem. No final de março, os adversários serão Uruguai, fora, e Paraguai, em casa.