Técnico da Inter de Milão se sente como na F-1

Por Luís Curro

O time é a Inter de Milão e o esporte é futebol. Porém o técnico Frank de Boer afirma se sentir, em sua primeira temporada no comando da equipe italiana, como se estivesse na Fórmula 1.

Um dos grandes zagueiros da história do futebol holandês defendendo Ajax e seleção (passou também pelo Barcelona), De Boer, de 46 anos, deu a declaração em entrevista na véspera da partida desta quinta (20), quando a Inter recebe o inglês Southampton pela Liga Europa, o segundo interclubes em importância no velho continente.

O contexto? O começo de temporada muito irregular do time, que está na incômoda 11ª colocação no Campeonato Italiano (três vitórias, dois empates e três derrotas) e na mais incômoda ainda última posição em seu grupo na Liga Europa (duas derrotas).

“Eu me sinto como se estivesse na Fórmula 1, com a pressa de ter de evoluir em curtíssimo tempo”, declarou De Boer, sem esconder a pressão que tem sofrido. “Na Fórmula 1, você consegue correr quando o carro está pronto.”

Na principal categoria do automobilismo, as equipes, mesmo as maiores, estão sempre correndo contra o relógio, mas não raro levam muitos meses para que os engenheiros “acertem o carro”, podendo entregá-lo para Hamiltons, Rosbergs, Vettels e outros em condições adequadas de dirigibilidade e performance.

Aliás, geralmente só as maiores escuderias conseguem esse “acerto” – as nanicas, com orçamento muito menor, ficam via de regra nas tentativas de se aproximar das grandes.

O técnico da Inter de Milão, Frank de Boer, deixa a marca de seus pés Na Calçada da Fama do futebol, em Mônaco (Yann Coatsaliou - 11.out.2016/APP)
O técnico da Inter de Milão, Frank de Boer, deixa a marca de seus pés na Calçada da Fama do futebol, em Mônaco (Yann Coatsaliou – 11.out.2016/AFP)

Em resumo, De Boer pede tempo para conseguir acertar o time, para fazer a Inter evoluir. “A equipe técnica tem que conhecer o elenco, e o elenco tem que conhecer a equipe técnica.”

Só é necessário saber se a direção do clube terá paciência com ele. Deveria, mas a ânsia por títulos é crescente. Depois do pentacampeonato nacional seguido (2006 a 2010), a Inter só obteve uma taça, a da Copa da Itália em 2011.

São cinco temporadas de jejum, e a situação só não é mais desconfortável porque o arquirrival Milan também tem amargado anos de miséria futebolística. Na Itália, quem vive tempos dourados é a Juventus, atual pentacampeã.

Curiosamente, De Boer não precisou de tempo nenhum para se dar bem logo em seu primeiro emprego como treinador.

Assumiu o Ajax em 2010 e foi um sucesso imediato: ganhou o Campeonato Holandês em 2011. E em 2012. E em 2013. E em 2014 (ano em que faturou também a Supercopa holandesa). Nos dois campeonatos seguintes, o time de Amsterdã ficou em segundo lugar, atrás do PSV Eindhoven.

Em tempo: Em um momento de pressão, Frank de Boer ainda tem de administrar um seríssimo problema, a briga escancarada entre o artilheiro da equipe, Mauro Icardi, e a torcida organizada que fica na Curva Norte do estádio San Siro (Giuseppe Meazza), conhecida como Ultras, que passou a odiá-lo e a exigir que ele no mínimo perdesse a tarja de capitão depois que, em sua autobiografia, o argentino de 23 anos gabou-se de ter confrontado um dos líderes dos torcedores depois de uma derrota, em fevereiro de 2015, para o Sassuolo. Icardi está queimadíssimo. A diretoria o repreendeu, mas ao menos por enquanto o manteve como capitão, o que desagradou aos Ultras. “É uma situação ruim para o time, para os torcedores e para o clube”, disse De Boer, admitindo que o foco dos atletas, com esse episódio, deixou de ser somente as partidas.