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A desvalorização de Neymar e o fator conduta em contratos

“Desvalorização eu acho que não tem. Porque eu saí da Copa e estão até agora falando do meu nome. Então como é que desvalorizou? Não me esquecem nunca.” (risos)

Essas palavras são de Neymar, o principal jogador do futebol brasileiro, o mais caro jogador do mundo (o Paris Saint-Germain pagou € 222 milhões ao Barcelona no ano passado), ao ser questionado a respeito de uma possível redução no seu valor de mercado depois da Copa do Mundo da Rússia.

Ele concedeu breve entrevista a repórteres em evento beneficente organizado pelo Instituto Neymar Jr. nesta quinta (19), em São Paulo, parecendo não demonstrar preocupação com a repercussão de seu comportamento no Mundial.

Além de não brilhar como se esperava – fez só dois gols em cinco partidas, nenhum no jogo em que o Brasil foi eliminado –, Neymar se tornou alvo de dezenas de memes nas redes sociais devido a um possível exagero em sua reação ao sofrer faltas. Acabou ridicularizado.

O camisa 10 é, sim, muito caçado em campo, e muitas vezes a arbitragem peca em não punir com rigor o jogador faltoso, porém fica a nítida impressão de que Neymar exibe uma dor muito maior, e por muito mais tempo, do que realmente sente.

É impressionismo, sim, já que ninguém está na pele dele para saber o quanto determinada falta acarreta de sofrimento – varia de jogador para jogador.

Contudo a sensação de simulação cresce quando são feitas comparações.

Outros futebolistas sofrem faltas similares, às vezes piores, e logo se põem de pé. Neymar, não; cai e lá fica, contorcendo-se, agonizando, com muito mais frequência que seus colegas de profissão.

Ele criou ao longo da carreira, com mais ênfase em alguns momentos, menos em outros, a fama de cai-cai – encostou, vai para o chão, a fim de ganhar uma falta –, e isso contribui para que arbitragem e público não o levem a sério.

A respeito da desvalorização do valor de Neymar, é difícil imaginar que não tenha ocorrido.

Estar em constante exposição não significa valorização, conforme conclui de forma simplista e errônea o jogador.

Não apenas as boas performances, mas também a boa conduta, contribuem para o retrato positivo, ou negativo, do profissional – isso em qualquer profissão.

Quando se fala mal de alguém com grande frequência, a imagem desse alguém piora. Não é necessário ser especialista para chegar a essa conclusão.

Já há quem crave que Neymar vale menos agora do que antes da Copa.

A Pluri Consultoria, especializada nesse tipo de avaliação, divulgou relatoria em que aponta queda de € 197,3 milhões (R$ 871 milhões) para € 175,4 milhões (R$ 775 milhões).

Eis a justificativa:

“Dentro de campo, se não comprometeu com a bola nos pés, não foi decisivo como se esperava dado o seu talento. E sem a bola amplificou em escala planetária os piores aspectos que há tempos se apontavam sobre sua carreira. Ninguém, porém, poderia imaginar a proporção tomada pelos eventos que o envolveram, a ponto de seu nome ter virado sinônimo para simulação e cai-cai”.

Para Alexandre Maldonado Dal Mas, do escritório Castro Neves Dal Mas, que lida com contratos de direito de imagem, o modo de agir de Neymar pode resultar em uma precaução maior dos clubes a partir de agora na relação contratual com seus ativos (os atletas).

“Pode ser que nos próximos contratos de grande porte os clubes se interessem por tentar pautar um pouco o comportamento do atleta e ter algum instrumento de defesa em caso de perda de valor de mercado”, disse o advogado a O Mundo É uma Bola.

“A partir desse exemplo [de Neymar na Copa], eles [clubes] poderão mensurar quais hipóteses serão possíveis, e uma regra de comportamento pode ser instituída. Se não for seguida, e houver uma repercussão negativa no patrimônio do clube, pode ser objeto de acerto [de contas] entre as partes”, concluiu Dal Mas.

No Transfermarkt, site especializado em avaliar o preço dos jogadores de futebol, o valor de mercado do atacante estava, antes do começo do Mundial, estipulado em € 180 milhões (R$ 795 milhões) – não houve atualização até este sábado (21).

Percebe-se, entretanto, que tanto na avaliação da Pluri quanto na do Transfermarkt Neymar já vale bem menos, teoricamente, do que o custo de sua última transferência – os já citados € 222 milhões.

Teoricamente porque, no caso de uma negociação, nem sempre o valor de mercado prevalece – pode oscilar para mais ou para menos.

Conseguirá Neymar, aos 26 anos, voltar a se valorizar, mesmo sem abrir mão do contorcionismo teatral após algumas faltas? (Sim, eu estou convicto de que ele exagera.)

A temporada 2018/2019 responderá.

Neymar festeja gol pelo Paris Saint-Germain contra o Celtic, da Escócia, em jogo da Liga dos Campeões 2017/2018 (Franck Fife – 22.nov.2017/AFP)

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Em tempo 1: Neymar ainda é, segundo a Pluri e o Transfermarkt, o jogador com maior valor de mercado do planeta bola. Na avaliação da consultoria, depois do brasileiro aparece o francês Mbappé (que como Neymar defende o PSG), precificado em € 170,7 milhões (R$ 754 milhões), com valorização de 44,4% pós-Copa. O site deixa Neymar ao lado de Messi, ambos cotados a € 180 milhões – feita a ressalva de que esse valor foi divulgado antes do Mundial, ou seja, a expectativa é que ambos apresentem queda na próxima atualização.

Em tempo 2: Quais jogadores se valorizaram ou se desvalorizaram com a Copa? Mark Ogden, da ESPN, escreveu texto a respeito. Na opinião dele estão em alta, após as respectivas atuações na Rússia, Mbappé (França), Hazard (Bélgica), Lozano (México), Tcherichev (Rússia), Perisic (Croácia) e Pickford (Inglaterra), entre outros; e estão em baixa Neymar (Brasil), Messi (Argentina), De Gea (Espanha), Salah (Egito), Özil (Alemanha) e Lewandowski (Polônia), entre outros; sem alteração no status, Cristiano Ronaldo (Portugal).

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