Gabriel Jesus se compara a Guardiola na fissura por futebol: 24 horas por dia
Gabriel Jesus está com a documentação em ordem na FA (a federação inglesa de futebol) e apto a fazer sua estreia pelo Manchester City, time que o contratou em meados do ano passado e que esperou alguns meses até a sua chegada – tempo suficiente para conquistar o ouro olímpico no Rio, ganhar a vaga de titular na seleção brasileira de Tite e se sagrar campeão brasileiro pelo Palmeiras.

Em entrevista à City TV, o atacante de 19 anos que já deixa saudade nos palmeirenses explicou as razões que o levaram a optar pelo Manchester City, incluindo a principal delas: Pep Guardiola.
“O Guardiola foi o único técnico que me ligou”, afirmou Gabriel Jesus, sem esconder o sorriso ao falar sobre o treinador que teve enorme sucesso no Barcelona, repetiu a dose (em escala menor) no Bayern de Munique e aventura-se há alguns meses no clube inglês de camisa azul-celeste.
O jogador deixou transparecer que esse telefonema fez a diferença (“ele falou que gostaria muito da minha presença, que eu iria ajudar muito o clube e os companheiros, então eu fiquei muito contente”). E acrescentou que o exacerbado fanatismo do espanhol de 46 anos por futebol é um ponto de intersecção entre eles.
“Assim como eu, ele é fissurado por futebol. Ele vive as 24 horas por futebol, e eu também sou assim. Se eu não estou treinando ou assistindo, estou jogando videogame… alguma coisa sobre futebol eu estou fazendo. É importante que eu seja assim, igual a ele.”
Gabriel Jesus destacou também que pesaram na sua escolha pelo City, nas palavras dele, “a grandeza”, “a história” e ser “um clube que em todos os campeonatos que entra briga por título”.
Nesta temporada, o Manchester City ainda está na disputa de três competições, tendo sido eliminado apenas da Copa da Liga Inglesa, pelo rival Manchester United. No Campeonato Inglês, está a dez pontos (52 a 42) do líder, o Chelsea, com pouco mais da metade do campeonato disputado. Na Liga dos Campeões da Europa, enfrentará o Monaco (França) nas oitavas de final. Na Copa da Inglaterra, o rival na quarta rodada será o Crystal Palace, de Londres.
A estreia de Gabriel Jesus, que vestirá a mesma camisa 33 dos tempos de Palmeiras, pode acontecer neste sábado (21), às 15h30 (de Brasília), quando o City, que vem de uma derrota por 4 a 0 para o Everton, recebe o embalado Tottenham (sete vitórias seguidas, sendo seis na Premier League, na qual é o vice-líder, e uma na Copa da Inglaterra).

Mas, se jogar, onde ele se encaixará (ou será encaixado)?
Taticamente, Guardiola tem atuado com só um atacante centralizado, o argentino Agüero, que é frequentemente municiado por dois meias de muita habilidade e visão de jogo (De Bruyne e David Silva). O “segundo atacante” tem sido Sterling ou Nolito (em algumas ocasiões, Sané ou Navas). Escrevo entre aspas porque eles não jogam enfiados, mas pelos lados, ou seja, mais longe do gol.
Essa é a vaga que Gabriel Jesus mais tem chance de ocupar, caso seja escalado como titular, já que Agüero dificilmente sai do time se estiver em condição de jogo. Ruim, pois não estará tão perto do gol – e ele precisa estar lá para ampliar as chances de ser artilheiro (pois brasileiro coadjuvante há aos montes na Europa, incluindo Neymar no Barcelona).
Para Gabriel Jesus, o mundo ideal é Guardiola mudar o esquema e tornar o argentino e o brasileiro uma dupla de ataque. Não acredito nisso por dois motivos: o primeiro, o treinador espanhol tem tido predileção, desde a época de Bayern (2013-2016), por apenas um centroavante (na equipe alemã era Lewandowski); o segundo, Agüero certamente não gostará de perder o privilégio de ser a principal referência ofensiva do City.
Sem o mundo ideal, será interessante verificar se, como e quando Gabriel Jesus ganhará espaço no novo clube. Futebol para isso ele tem. Precisa, porém, jogar (seu xará, o ex-santista Gabigol, não conseguiu até agora espaço na Inter de Milão, mesmo após seis meses na Itália).
E de preferência jogar no lugar certo: como centroavante.
Em tempo: A entrevista de Gabriel Jesus foi em português. Ele deve se esforçar para se expressar em inglês o quanto antes. Isso o ajudará na comunicação com o treinador, os colegas de equipe e a mídia, e é muito valorizado na Inglaterra falar o idioma (o treinador chileno Jorge Sampaoli que o diga). Como o jogador já sabia desde o meio do ano passado que no início de 2017 se mudaria para a terra da rainha, teve alguns meses para se preparar minimamente, com aulas particulares. Se não as fez, perdeu tempo precioso.