Expulsão é raridade na carreira de Messi; e na de outros craques?
Algo raríssimo de ser visto, Lionel Messi recebeu o cartão vermelho na derrota por 3 a 2 do Barcelona para o Athletic Bilbao na final da Supercopa da Espanha.
No duelo em Sevilha, o árbitro Jesús Gil expulsou o atacante no final da prorrogação, depois de uma agressão, sem bola, a Asier Villalibre –jogou o oponente no chão, impetuosamente, usando as mãos.
Em uma carreira de 16 anos, foi apenas a terceira vez que o argentino de 33 anos, quase sempre de temperamento sereno, foi expulso de campo –as duas anteriores, em 2005 e em 2019, com a camisa da seleção de seu país.
Pelo Barcelona, o inédito cartão vermelho veio depois de 752 partidas incólume.
Here is the Messi red card from tonight..
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— Footy Accumulators (@FootyAccums) January 17, 2021
A disciplina que se vê em Messi, e que torna surpreendente a ocorrência de um evento como o deste domingo (17), é algo comum em craques que, como ele, têm grande fama?
Sim e não.
O português Cristiano Ronaldo, de 35 anos, coleciona 11 cartões vermelhos, o primeiro em 2004, pelo Manchester United, o último em 2018, pela Juventus, seu atual clube.
Neymar, que está com 28 anos, soma nove expulsões, a primeira pelo Santos, em 2010, a mais recente pelo Paris Saint-Germain, quatro meses atrás.
Já o polonês Robert Lewandowski, 32, atual melhor do mundo na eleição anual da Fifa, que defende o Bayern de Munique, atual campeão europeu, recebeu um único vermelho na carreira iniciada em 2006. Foi em 2013, em uma derrota do Borussia Dortmund, então seu time, por 4 a 1 para o Hamburgo.
Outro que só em uma ocasião a arbitragem considerou que merecia ser excluído da partida é o melhor do mundo em 2018, o croata Luka Modric, 35, com o cartão rubro recebido em partida do Real Madrid diante do Celta, em 2019.
O mesmo ocorreu com um dos grandes futebolistas da atualidade, o egípcio Mohamed Salah, 28, do Liverpool, expulso quando atuava pela Roma, em 2015, contra a Fiorentina.
Valem ser mencionados os jogadores que jamais receberam o cartão vermelho.
Dos que ainda estão em atividade, os mais conhecidos são o espanhol Andrés Iniesta, 36 –autor do gol que fez da Espanha a vencedora da Copa do Mundo de 2010, ídolo do Barcelona, hoje no futebol japonês (Vissel Kobe)–, e o artilheiro francês Karim Benzema, 33, astro do Real Madrid.

Encerraram a carreira sem “ir mais cedo para o chuveiro” o alemão Philipp Lahm, capitão da seleção alemã campeã mundial na Copa do Brasil, em 2014, o francês Michel Platini, semifinalista nas Copas de 1982 e 1986 e que presidiu a a Uefa (2007-2015), o galês Ryan Giggs, ícone do Manchester United e atual treinador do País de Gales, e o espanhol Raúl, segundo maior goleador da história do Real Madrid, atrás de Cristiano Ronaldo.
Um caso peculiar, possivelmente único, é o de Gary Lineker, um dos grandes atacantes do futebol inglês.
Hoje comentarista, em 17 anos de carreira (1978-1994), dividida em cinco times, ele não só não recebeu cartão vermelho como não acumulou um único cartão amarelo.
Como? Assim: não reclamava com a arbitragem, não discutia com adversários, quase não cometia faltas, e as que cometia não eram violentas nem apelativas.
Há também o outro lado, os dos “reis” das expulsões. Um tempo atrás, publiquei um texto a respeito, no qual informei que o palmeirense Felipe Melo é um dos campeões mundiais de expulsões.
O recordista é o colombiano Gerardo Bedoya, que jogou profissionalmente de 1995 a 2015.
Volante, ele recebeu, conforme levantamento da BBC, 45 cartões vermelhos –há sites que mencionam uma expulsão a mais. Seu apelido era “A Fera”.
Entre os futebolistas em atividade, Sergio Ramos, capitão do Real Madrid e líder da seleção espanhola, é o indisciplinado “master”.
Em quase 900 jogos, o zagueiro de 34 anos colecionou 26 expulsões, a primeira em 2005, no seu segundo ano como profissional.
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Em tempo: Pelé, o melhor de todos no futebol, em 13 ocasiões recebeu o cartão vermelho, sempre pelo Santos.