Felipe Melo é um dos campeões mundiais de expulsões

Expulso por acertar uma cotovelada em Lucca em uma jogada aérea, em Palmeiras 2 x 2 Bahia neste domingo (11), Felipe Melo é um dos jogadores que mais receberam cartões vermelhos na história do futebol.

Foi a 19ª expulsão na carreira do volante de 36 anos, a terceira pelo Palmeiras.

Ele já tinha recebido o vermelho no turco Gatatasaray (quatro vezes), nos italianos Inter de Milão (três), Fiorentina (duas) e Juventus (uma), no espanhol Racing Santander (duas), no Grêmio (duas) e na seleção brasileira (duas), segundo levantamento da rádio Jovem Pan.

Parece muito. E é. Mas tem gente com mais.

O site The18, dos EUA, listou os jogadores mais vezes expulsos, e à frente de Felipe Melo aparecem cinco nomes, dois deles em atividade, ambos zagueiros, ambos espanhóis: Sergio Ramos e Alexis Ruano Delgado.

Sergio Ramos, de 33 anos, é conhecidíssimo.

Titular e capitão do Real Madrid e da seleção da Espanha, considerado um dos melhores beques do planeta, ele coleciona 25 cartões vermelhos – 20 no Campeonato Espanhol, três na Champions League e dois na Copa do Rei.

O jornal AS, de Madri, chegou a chamá-lo de “Mister Tarjeta” (Senhor Cartão).

O árbitro Teixeira Vitienes expulsa Sergio Ramos em Barcelona 2 x 2 Real Madrid pela Copa do Rei de 2012 (Javier Soriano – 25.jan.2012/AFP)

Ruano Delgado, de 34 anos, teve passagens por Valencia, Sevilla, Málaga, Getafe e Alavés, e atualmente está no Racing Santander, da segunda divisão espanhola.

Não possui a fama do compatriota, mas está muito próximo nas expulsões: 23.

Entre os aposentados, o francês Cyril Rool, que deixou os gramados em 2010 tendo recebido 27 vermelhos, está (por ora) à frente de Ramos e de Ruano Delgado.

Volante e lateral-esquerdo, vestiu a camisa de vários clubes de seu país, como Nice, Bordeaux e Olympique de Marselha.

Apelidado de “O Anticristo”, Rool intimidava como um ogro e batia com a fúria de um Mike Tyson em início de carreira.

Ficou famoso pelo estilo carateca (com direito a voadoras) e adorava um empurra-empurra que pudesse descambar para a briga – parecia ter gosto quando o jogo esquentava.

Cyril Rool em ação pelo Nice: 27 vermelhos no currículo (Reprodução – 21.jan.2015/Site do OGC Nice)

Na lista dos mais admoestados com o cartão escarlate, o uruguaio Paolo Montero é de quem mais Felipe Melo se aproxima.

Ex-zagueiro e ex-lateral-esquerdo, ele atuou 14 anos na Itália, por Atalanta (1992-1996) e Juventus (1996-2005), e foi chamado de “o rei da pancadaria”. Acumulou 21 expulsões como profissional.

Mas nenhum de todos esses foi, é ou será páreo para o tido como maior “carniceiro” de todos os tempos no futebol. Perto dele, Felipe Melo pode ser considerado manso.

O colombiano Gerardo Bedoya, ex-volante, dá na concorrência um banho de indisciplina e violência (a ponto de ter chutado a cabeça de um adversário que estava caído).

Cabeludo, apelidado de “O Gladiador” e de “A Besta”, jogava quase sempre como se estivesse em um octógono (o ringue das lutas do brutal e selvagem UFC, competição de vale-tudo) e somou 45 cartões vermelhos, ou um a cada 13 jogos – o site Torcedores.com publicou que ele atuou em 601 partidas.

Gerardo Bedoya (à dir., defendendo o Boca Juniors) não amaciava nas divididas; é o recordista de expulsões no futebol, com 45 (Jose Miguel Gomez – 17.mai.2005/Reuters)

Bedoya jogou por mais de dez clubes, todos no continente americano, incluindo o Boca Juniors.

Na Colômbia, foram 14 vermelhos pelo Deportivo Cali, dez pelo Independiente Santa Fe, cinco pelo Millonarios, dois pelo Atlético Nacional, dois pelo Cúcuta Deportivo, dois pelo Deportivo Pereira e dois pelo Envigado. Na Argentina, cinco pelo Racing e dois pelo Colón. E um pela seleção colombiana.

Bedoya manteve o pavio curto mesmo aposentado – parou de jogar em 2015.

Em sua estreia como auxiliar técnico do Independiente Santa Fe,  desentendeu-se com a arbitragem, questionando de forma ostensiva o árbitro e o quarto árbitro por dez minutos seguidos, e foi “convidado” a se retirar.

O juiz argentino Germán Delfino mostra, aos 5 minutos de jogo, o cartão vermelho para Felipe Melo em Palmeiras 0 x 1 Cerro Porteño, pela Libertadores do ano passado (Nelson Almeida – 30.ago.2018/AFP)

Voltando a Felipe Melo.

Não chegará a ser um Bedoya, mas, como continua imprudente e destemperado, não considero difícil, antes de pendurar as chuteiras, o “Pitbull” entrar para o top 5 dessa lista nada edificante.

Seu contrato com o Palmeiras vai até o final de 2021.

Em tempo: Felipe Melo tem um diferencial na comparação com os outros campeões de cartões vermelhos. Foi expulso em Copa do Mundo. Em 2010, na África do Sul, nas quartas de final, pisou no holandês Robben quando o Brasil estava em desvantagem por 2 a 1 (que seria o placar final). Foi para o chuveiro aos 28 minutos do segundo tempo, deixando o Brasil com um homem a menos. Em Mundiais, são dois os recordistas de expulsões: levaram o vermelho duas vezes cada um o cracaço Zinédine Zidane (em 1998 e em 2006) e o camaronês Rigobert Song (em 1994 e em 1998).