UOL - O melhor conteúdo

VAR falha, e time abandona a final da Champions africana

Muito menos badalada que a sua homônima europeia, a Champions League africana também realizou sua final de 2019.

Um dia antes de Liverpool 2 x 0 Tottenham, Espérance, da Tunísia, e Wydad Casablanca, de Marrocos, entraram em campo em Radès, cidade tunisiana, para definir o campeão da África.

O jogo de ida, no dia 24 de maio, em Rabat, tinha terminado 1 a 1.

No duelo decisivo, o Espérance, que defendia o título e jogava empurrado por sua torcida, marcou logo aos 4 minutos do primeiro tempo com o argelino Belaïli.

Não conseguiu, entretanto, ampliar, e o Wydad, que ganhara a Champions em 2017, empatou aos 14 minutos do segundo tempo com El Karti, de cabeça.

Só que o gol foi anulado, com marcação de impedimento pela arbitragem.

Lance duvidoso? Sim. Deveria ser um problema? Não.

Por quê? Porque existe o VAR (árbitro assistente de vídeo), que deve, com o uso de recursos tecnológicos, mostrar-se infalível em lances não interpretativos, como é o caso do impedimento.

Os jogadores do Wydad esperaram então que o árbitro Bakari Gassama, de Gâmbia, fosse avisado pelo VAR a respeito da posição de El Karti.

Porém isso não aconteceu, e iniciou-se uma confusão, com Gassama conversando com os atletas do Wydad, tentando explicar o inexplicável: o VAR não estava operante.

O árbitro Bakari Gassama conversa com jogadores do Wydad, avisando-os de que o VAR não estava funcional para a decisão da Liga dos Campeões africana (Fethi Belaid – 31.mai.2019/AFP)

Algum defeito impediu o equipamento de funcionar. Ou seja: deveria ter o VAR, mas não teve o VAR.

Em uma final de Liga dos Campeões, mesmo sendo na África, continente menos favorecido economicamente, é inaceitável que isso aconteça.

Tomando conhecimento da situação, o Wydad decidiu não jogar mais.

Não adiantou nem a ida ao campo do presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), o madagascarense Ahmad Ahmad, para tentar fazer jogadores e comissão técnica mudarem de ideia.

Passada mais de uma hora de paralisação, Gassama deu a partida por encerrada, e a CAF proclamou o Espérance campeão.

A decisão do clube marroquino de desistir da partida, por indignação, foi correta?

Não. Recusando-se a jogar, a derrota era certa, por desistência, conforme estabelecia o regulamento da Champions africana.

Mesmo com a impossibilidade de revisão do lance do impedimento pelo VAR, o Wydad deveria continuar jogando, pois poderia ter chance de fazer outro(s) gols(s). Sem jogar, a chance inexistiu.

Leia também: Videoarbitragem pifa na decisão do Campeonato Australiano

Em tempo 1: Replay do lance mostra que El Karti estava claramente em posição legal no lance do gol anulado pela arbitragem. Se o VAR estivesse ativo, certamente haveria a validação do gol do Wydad.

Em tempo 2: Esse foi o quarto título do Espérance na Liga dos Campeões da África, cuja primeira final foi realizada em 1965. O clube mais vezes campeão é o Al Ahly, do Egito (oito). Outro egípcio, o Zamalek, ganhou cinco vezes, assim como o Mazembe, do Congo.

Comentários 0

Avatar do usuário

Avatar do usuário

960

Compartilhe:

Ao comentar você concorda com os termos de uso

    Os comentários não representam a opinião do portal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
    Leia os termos de uso