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Vozes para Sempre – Itália fora da Copa do Mundo

Luís Curro

O estádio San Siro, em Milão, um dos mais conhecidos da Itália, foi palco nesta segunda (13) de um momento marcante na história da Squadra Azzurra.

Infelizmente para os tifosi da seleção que veste azul, marcante negativamente. Com um empate por 0 a 0 ante a Suécia, os italianos, tetracampeões do mundo (1934, 1938, 1982 e 2006), fracassaram nas eliminatórias europeias.

Estão, somente pela terceira vez na história, fora de uma Copa do Mundo – neste caso, a da Rússia, em 2018.

A seleção da Itália posa para foto antes do 0 a 0 com a Suécia, em Milão; atrás, a partir da esq., Parolo, Chiellini, Barzagli, Immobile, Bonucci e Buffon; à frente, a partir da dir., Jorginho, Gabbiadini, Florenzi, Darmian e Candreva (Miguel Medina – 13.nov.2017/AFP)

A primeira ausência, em 1930, na edição inaugural do Mundial, no Uruguai. A segunda, em 1958, quase 60 anos atrás, no torneio em que o Brasil ganhou o primeiro de seus cinco títulos, disputado no país dos atuais algozes italianos.

A não classificação da Itália, que sucumbiu na repescagem (os espanhóis conquistaram a vaga direta do Grupo G do qualificatório do velho continente), deixará o próximo Mundial desfalcado de um dos oito campeões mundiais – Brasil, Alemanha, Argentina, Espanha, França, Inglaterra e Uruguai estarão nos gramados russos em junho do ano que vem.

Marcou também a aposentadoria da seleção de trintões que defenderam muitas vezes a Azzurra (em muitas delas, juntos): o lendário goleiro Gianluigi Buffon (39 anos e o recordista de jogos pela equipe, 175), os zagueiros Andrea Barzagli (36 anos, 73 jogos) e Giorgio Chiellini (33 anos, 96 jogos), este célebre por ter sido alvo de mordida do uruguaio Suárez na Copa de 2014, no Brasil, e o volante Daniele de Rossi (34 anos, 117 jogos).

Três deles (Buffon, Barzagli e De Rossi), campeões em 2006 na Copa da Alemanha.  Todos eles, vice-campeões na Eurocopa de 2012, cossediada por Polônia e Ucrânia.

Quem também não deve permanecer, apesar de ter contrato até 2020, é o treinador Giampiero Ventura, que assumiu o comando da equipe depois da Eurocopa de 2016, na França, e deu com os dentes na língua ao, antes dos duelos de ida e volta diante dos suecos, afirmar que já pensava no sorteio dos grupos do Mundial.

Em meio à tristeza e à decepção, todos eles deram declarações que merecem ser lembradas e que estão a seguir registradas.

Buffon: “Peço desculpas. Não só por mim, mas por todos os envolvidos. Sinto muito que o meu último jogo (pela seleção) tenha coincidido com a nossa não classificação para a Copa. Ainda há futuro para o nosso futebol. Somos uma nação orgulhosa, teimosa e trabalhadora e sempre encontramos um jeito de nos reerguer depois de grandes tombos”.

O zagueiro Lindelöf, jogador do Manchester United, consola o goleiro italiano Buffon, da Juventus, depois que a Suécia se classificou para a Copa de 2018 (Alberto Lingria – 13.nov.2017/Xinhua)

Ventura: “Estou desapontado, porque mais uma vez constatei o que a seleção significa para as pessoas. Agradeço aos torcedores no San Siro, que nos ajudaram até o último minuto. Foi único e extraordinário. O fato de que merecíamos a classificação é, francamente, secundário agora”.

Barzagli: “Em termos de futebol, é a maior decepção da minha vida, é vergonhoso terminar assim. Tudo o que sei é que estamos fora da Copa do Mundo e que deixar este grupo de rapazes é doloroso. Espero que os mais novos façam melhor do que nós”.

De Rossi: “É um momento negro para o nosso futebol. Havia um clima de funeral no vestiário, embora ninguém tivesse morrido. Eu estive em Coverciano (centro de treinamento da Itália) e mundo afora com esta camisa por mais de uma década, então é estranho tirá-la pela última vez. A nova geração está pronta para decolar e precisamos recomeçar a partir dela”.

Chiellini: “A Itália dará a volta por cima com Marco Verratti (volante do Paris Saint-Germain) e outros caras nascidos nos anos 1990. Todos queremos criar uma nova era”.

Citado por Chiellini, Verratti tem 25 anos. Participou do primeiro jogo da repescagem contra a Suécia (derrota por 1 a 0 em Solna, quatro dias atrás) mas não do segundo, por estar suspenso.

No grupo de Ventura, os mais jovens são o goleiro Donnarumma (Milan, 18 anos), o zagueiro Rugani (Juventus, 23 anos), o volante Gagliardini (Inter de Milão, 23 anos), o meia-atacante Bernardeschi (Juventus, 23 anos) e o atacante Belotti (Torino, 23 anos).

Leia também: Vozes para Sempre – Os ‘soldados’ do País de Gales

Em tempo: Com a Suécia classificada, surgiram rumores a respeito da possível volta do falastrão e irreverente artilheiro Zlatan Ibrahimovic para a Copa. Ibra, hoje com 36 anos e jogador do Manchester United (em recuperação de lesão), aposentou-se da seleção depois da Eurocopa do ano passado. O treinador da Suécia, Janne Andersson, irritou-se com a especulação. “É incrível. Esse jogador parou de jogar pela Suécia faz um ano e meio e ainda estamos aqui falando dele. Temos que falar sobre os grandes jogadores que temos no atual time. Há muitos heróis aqui.” Minha opinião: a Suécia tem um time medíocre, com potencial para no máximo chegar às oitavas de final do Mundial – é mais provável parar na primeira fase. Para ampliar sua chance, é melhor aceitar o cracaço Ibra de volta. Isso se ele quiser voltar.

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