Vozes para Sempre – Os “soldados” do País de Gales

Por Luís Curro

Depois de ter lançado a série “Nomes para Sempre”, passarei a publicar eventualmente neste espaço declarações marcantes de jogadores depois de partidas igualmente marcantes.

Serão as “Vozes para Sempre”, e País de Gales conquistou o direito de ser o primeiro a ter o direito a “falar”.

No jogo desta sexta (1º) das quartas de final da Eurocopa da França, no estádio Pierre-Mauroy, em Villeneuve-d’Ascq, na Grande Lille, a Bélgica era favorita. Não detinha um superfavoritismo, mas nas casas de apostas quem pagava bem mais era País de Gales.

E os belgas saíram na frente, um golaço de Nainggolan logo aos 13 minutos.

Por ter assistido à partida anterior da equipe de Hazard, De Bruyne e companhia, um 4 a 0 na Hungria, pensei: “Abriu a porteira, será outra goleada”.

Estreantes em Eurocopas, os galeses, apesar de terem ganhado três das suas quatro partidas (2 a 1 na Eslováquia, 3 a 0 na Rússia e 1 a 0 na Irlanda do Norte, além da derrota por 2 a 1 para a Inglaterra), nunca tinham começado em desvantagem no placar. A sólida defesa falhara. Já era.

Então, o inesperado ocorreu. País de Gales, até então encolhido, cresceu na adversidade. Passou a dominar territorialmente a Bélgica e a ameaçar a meta de Courtois. O gol de empate veio em uma cabeçada do zagueiro e capitão Ashley Williams, após escanteio, aos 30 minutos.

Empate obtido, os galeses voltaram ao futebol do início da partida, retomando suas características e deixando para os favoritos belgas a responsabilidade de atacar.

Podiam ter tomado um gol, especialmente no início segundo tempo, quando a pressão belga aumentou? Sim. Mas a defesa não deu chance clara ao adversário. E, em dois contra-ataques, os galeses mataram o jogo, gols de Robson-Kanu, aos 10 minutos, e Vokes, aos 40 minutos.

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Final: 3 a 1. A força do conjunto prevaleceu, tanto que Bale, o craque do time, não precisou ser decisivo.

Assim, em um time cujos atores principais são os coadjuvantes, abro espaço para eles, os não astros. Destaco as frases pós-jogo daqueles que até agora você pode não ter ouvido falar, mas dos quais certamente se lembrará no futuro – e não muito distante, pois na quarta-feira (6) País de Gales estará em campo contra Portugal por uma vaga na finalíssima.

Chris Coleman (treinador): “Dominamos o jogo por longos períodos, mantivemos a posse da bola. E, quando precisamos defender, defendemos como soldados”.

Neil Taylor (ala esquerdo, Swansea): “Antes do jogo, Portugal deve ter pensado ‘é melhor enfrentar Gales e não a Bélgica’, mas se assistiram à partida eles devem pensar diferente agora”.

Gareth Bale (atacante, Real Madrid): “Mesmo com muito mais belgas no estádio, nossos torcedores gritaram dez vezes mais alto”. (Ok, Bale é o astro do time, mas decidi incluir frase dele também.)

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Ashley Williams (zagueiro e capitão, Swansea): “Os torcedores têm sido brilhantes. Fizemos isso por eles e por nós”.

Robson-Kanu (atacante, sem clube): “Estamos nas nuvens. Deixamos nossa nação orgulhosa”.

Chris Coleman: “O grupo não esteve e não estará pensando em ganhar o campeonato. Tudo o que pensávamos era em passar da fase de grupos. Depois, em derrotar a Irlanda do Norte. Depois, passar pela Bélgica. O próximo é Portugal”.

Joe Allen (volante, Liverpool): “Nós nunca, jamais desistimos, e será preciso acontecer algo especial para que nos parem”.

Em tempo: Para a semifinal contra os portugueses, que será em Lyon, País de Gales jogará sem dois de seus “soldados” titulares, ambos suspensos: o zagueiro pela esquerda Ben Davies e o meia armador Aaron Ramsey. Portugal, com Cristiano Ronaldo à frente, terá força máxima.