Tite convoca Claudinho e Raphinha; eles vão jogar ou bater palmas?
Na convocação da seleção brasileira que fez para os próximos três jogos das Eliminatórias da Copa do Qatar-2022, o técnico Tite chamou pela primeira vez o meia-atacante Claudinho e o atacante Raphinha. Os dois têm 24 anos.
O primeiro brilhou no mediano Bragantino, time do interior paulista, e defendeu a seleção olímpica medalha de ouro nas Olimpíadas de Tóquio.
Foi contratado pelo Zenit, atual tricampeão russo, e poderá estrear neste domingo (15) ante o Lokomotiv de Moscou, como visitante.

O segundo destacou-se na mais recente temporada da Premier League (Campeonato Inglês) pelo mediano Leeds United, dirigido pelo argentino Marcelo “Loco” Bielsa.
Não foi contratado por nenhum time mais forte e jogaria neste sábado (14), contra o Manchester United, na Premier League, como visitante.
Ao vê-los na lista de Tite, me veio a pergunta: vão jogar ou apenas bater palmas?
Se você desconhece o termo “bater palmas”, explico, já que um dia eu também o desconhecia.
Estava, quando trabalhava na editoria de Esporte da Folha, em viagem ao interior de São Paulo, no fim dos anos 1990, para acompanhar uma decisão do Campeonato Paulista de basquete entre o Ribeirão Preto e o Franca.
Em conversa com o treinador do Ribeirão, Jorge Guerra, o Guerrinha (armador campeão pan-americano em Indianápolis-1987), ele me falava sobre seu time, e em um momento, quando questionei acerca de um dos jogadores, ele soltou algo como: “Esse aí só fica batendo palmas”.
Não entendi e perguntei do que se tratava, e Guerrinha explicou que tal atleta era o último reserva, que a chance de ele entrar em quadra era mínima, então ficava no banco “batendo palmas” todo o jogo, ou seja, incentivando os companheiros.

Será que isso vai acontecer com Raphinha e com Claudinho nas partidas contra Chile, em Santiago (dia 2 de setembro), Argentina, em São Paulo (dia 5), e Peru, na pernambucana São Lourenço da Mata (dia 9)?
Considero muito provável.
Primeiro porque são calouros na seleção, e a concorrência de gente que já frequenta a equipe há mais tempo é enorme.
Para atacar, a seleção tem Neymar, Richarlison, Gabriel Jesus, Firmino, Gabigol, Lucas Paquetá, Éverton Ribeiro e Matheus Cunha.
Segundo porque Matheus Cunha, que foi calouro em convocação para as partidas diante de Peru e Bolívia, em outubro passado, também pelas Eliminatórias, somente bateu palmas.
Camisa 9 às costas, não atuou um único minuto. Nem contra os bolivianos, em jogo fácil (goleada por 5 a 0), Tite deu oportunidade ao novato.
Veja só: Lucas Paquetá, pelas boas apresentações na Copa América, deve ser titular, assim como Richarlison e Gabriel Jesus. Neymar, então, é titularíssimo, só não joga se não quiser. Paquetá sai? Entra Éverton Ribeiro. Richarlison e Jesus saem? Entram Firmino e Gabigol. Neymar não sai.
E o próximo da fila, entre os suplentes, é justamente Matheus Cunha. Nesse contexto, minguam as chances de Raphinha e Claudinho terem minutos em campo.

Cada um deles precisará ou arrebentar nos poucos treinamentos, a fim de convencer Tite a colocá-los à frente dos veteranos, que certamente ficarão descontentes –isso de “compor o grupo” é papo, quem está lá quer jogar o máximo que puder–, ou contar com a lesão de alguém –logicamente não se torce por isso.
Uma pena que, quase certo, os dois baterão palmas o tempo todo (ou quase todo), já que são jogadores ótimos.
Velozes, driblam com extrema facilidade; se Claudinho é bom finalizador, Raphinha tem a vantagem de ser um bom garçom: foram nove assistências no último Inglês, o sexto melhor no ranking.
O que é alentador é que, se eles ficarem restritos às palmas, será porque os que estão jogando estarão arrebentando –tomara não só aos olhos de Tite, mas aos olhos de todos.