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Gre-Nal será um raro encontro entre arquirrivais estaduais na Libertadores

A Libertadores tem uma longa história, de 61 anos.

Desde 1960, 28 times brasileiros tiveram o privilégio de participar do mais relevante torneio interclubes da América.

Os recordistas de aparições são o Grêmio, o Palmeiras e o São Paulo, 20 vezes cada um. Cruzeiro (17), Flamengo (16), Corinthians e Santos (15), Internacional (13), Atlético-MG (10) e Vasco (9) vêm a seguir.

Nessas seis décadas de embates entre equipes sul-americanas, que por algum tempo (1998 a 2016) também duelaram com times mexicanos, aconteceram vários duelos envolvendo brasileiros.

Houve inclusive duas finais brasucas, ambas com a presença do São Paulo, que em 2005 superou o Athletico-PR e em 2006 sucumbiu ante o Inter.

Só que os confrontos que mais mexem com os torcedores, os clássicos locais, com os times de maior tradição e rivalidade no mesmo estado, foram bem poucos.

Tão poucos a ponto de poderem, em variedade (que não deve ser confundida com quantidade), ser elencados nos dedos de uma mão. A segunda mão começa com o inédito e esperadíssimo Gre-Nal desta quinta (12), na arena gremista.

O técnico Renato Gaúcho em treinamento do Grêmio (Reprodução/Site do Grêmio)

Em SP, o Corinthians encarou na Libertadores todos os seus principais adversários: o Palmeiras (em 1999 e em 2000), o Santos (em 2012) e o São Paulo (em 2015). E o Palmeiras cruzou com o São Paulo em 1974, 1994, 2005 e 2006.

No RJ, aconteceu o encontro entre Fluminense e Vasco, em 1985.

E foi só. O clássico mineiro Atlético x Cruzeiro jamais foi visto em uma Libertadores. Tampouco Flamengo x Vasco, Flamengo x Fluminense, Flamengo x Botafogo, Fluminense x Botafogo e Vasco x Botafogo, no âmbito carioca. Nem Palmeiras x Santos e Santos x São Paulo, para enfocar os paulistas.

A principal razão para essa escassez de clássicos estaduais na Libertadores é a não participação simultânea, na maior parte das edições, desses arquirrivais.

Atlético e Cruzeiro, por exemplo, só estiveram três vezes em uma mesma Libertadores, 2014, 2015 e 2019, e não houve o cruzamento.

No Rio, o Fluminense só se classificou para seis Libertadores; o Botafogo, menos ainda: cinco.

Neste ano, calhou de Grêmio e Inter ficarem no mesmo grupo, o que propiciará dois confrontos – o segundo será no dia 8 de abril, no Beira-Rio, se o coronavírus permitir –, com o atenuante de não serem partidas de mata-mata.

Ou seja, tanto um como o outro podem se classificar e eventualmente voltarem a duelar, aí em um enfrentamento eliminatório.

O atacante peruano Guerrero, esperança de gols do Internacional, durante treino da equipe colorada (Ricardo Moraes/Site do Internacional)

Corinthians e São Paulo estiveram nessa situação, a de duelarem na etapa de grupos, cinco anos atrás. Houve uma vitória para cada lado, e os dois conseguiram passar para a fase eliminatória.

Isso ocorreu também com Palmeiras e São Paulo, e com Fluminense e Vasco.

No caso dos cariocas, respectivamente campeão e vice do Brasileiro de 1984, dois empates (3 a 3 e 0 a 0) contribuíram para que ambos caíssem juntos. Classificava-se em 1985 só um time por chave, e esse foi o Argentinos Juniors.

No caso dos paulistas, os palmeirenses, há 46 anos, perderam na ida e na volta e viram os são-paulinos ficarem com a vaga. Seria apenas a primeira vez de sofrimento ante os tricolores, carrascos alviverdes na Libertadores.

Nas edições de 1994 (um empate e uma vitória), 2005 (duas vitórias) e 2006 (um empate e uma vitória), sempre o São Paulo eliminou o Palmeiras, sempre nas oitavas de final.

Os palmeirenses podem se gabar, todavia, de eliminarem os corintianos, a quem tanto odeiam (e vice-versa), nas duas vezes em que estiveram frente a frente, em mata-matas épicos decididos na cobrança de pênaltis.

Em 1999, ainda houve um aperitivo: uma vitória alviverde e um triunfo alvinegro na fase de grupos. Nas quartas de final, o reencontro, que repetiu um sucesso para cada um e resultou nos pênaltis. Brilhou o goleiro São Marcos.

Em 2000, o Corinthians teve a oportunidade de vingança na semifinal. Ganhou a primeira partida. Perdeu a segunda. Pênaltis. Brilhou o goleiro São Marcos.

O goleiro Marcos, do Palmeiras, defende pênalti batido por Marcelinho Carioca, do Corinthians, na semifinal da Libertadores de 2000, no Morumbi (Evelson de Freitas – 6.jun.2000/Folhapress)

Resta aos corintianos celebrarem o resultado contra o Santos de Neymar, na semifinal de 2012. Com uma vitória e um empate, o Corinthians avançou para, dias depois, superar o Boca Juniors e faturar, pela primeira e única vez, a Libertadores.

Detalhados os resultados, encerro com um resumo dos clássicos estaduais na Libertadores, que terá sua continuidade com o Gre-Nal.

  • Palmeiras x São Paulo: seis vitórias são-paulinas, dois empates, três classificações são-paulinas em mata-matas
  • Corinthians x Palmeiras: três vitórias corintianas, três vitórias palmeirenses, duas classificações palmeirenses em mata-matas
  • Corinthians x Santos: uma vitória corintiana, um empate, uma classificação corintiana em mata-mata
  • Corinthians x São Paulo: uma vitória corintiana, uma vitória são-paulina, sem duelos em mata-mata
  • Fluminense x Vasco: dois empates, sem duelos em mata-mata

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