Imaturo? Haaland ressurge e é mais artilheiro que Pelé aos 19 anos
Em dezembro, escrevi um texto no qual dizia que a grande revelação até então da Champions League, a Liga dos Campeões da Europa, decepcionou quando seu time mais precisava dele e ficou fora da competição.
Pois não é que pouco mais de dois meses depois dessa postagem ele, como um highlander, estava em campo pela mesma edição da Champions e sendo, dessa vez, o destaque do começo dos mata-matas?
O norueguês nascido na Inglaterra Erling Braut Haaland, de 19 anos, brilhou em Dortmund contra o Paris Saint-Germain de Neymar. Marcou os dois gols do Borussia no triunfo por 2 a 1 que deixa a equipe alemã a um empate de avançar às quartas de final da incensada competição.

Mas como, depois de ser eliminado, o grandalhão e corpulento Haaland (1,94 m e 87 kg) “ressurgiu das cinzas” para ser novamente o centro das atenções?
Uma troca de equipe, na janela de transferências de dezembro/janeiro, mata a charada.
O centroavante canhoto deixou o Salzburg, da Áustria, e se transferiu para o Borussia Dortmund, tido como a segunda força do futebol alemão (atrás do Bayern de Munique), que pagou aproximadamente € 22 milhões (R$ 103,5 milhões pelo câmbio atual).
O preço foi considerado uma pechincha, e hoje estima-se que ele vale três vezes mais.
À época da transferência estranhou-se Haaland ter optado por Dortmund e não por Manchester, onde o United tinha claro interesse em contratá-lo.
Ele afirmou que gostou da abordagem direta dos dirigentes alemães, na linha do “apreciamos seu estilo e queremos você aqui”.
Detalhe: o Man United, que vive momento de baixa, não disputa a Champions League 2019/2020 (não se qualificou).

Apelidado de “Manchild”, Haaland não tem mostrado nada de imaturo, uma das traduções dessa palavra inglesa. A outra, que se encaixa bem melhor, é “garotão”, pelas feições joviais, que lembram a de um menino –já crescido, daí o aumentativo.
Em termos de artilharia, pode-se afirmar que maturidade é com o “Garotão” mesmo.
Haaland, nos primeiros 33 jogos disputados (por clubes e seleção) depois de completar 19 anos, o que aconteceu no dia 21 de julho de 2019, tem 36 gols, incluindo os dois feitos nesta terça (18) no Signal Iduna Park, a arena do Borussia Dortmund.
Nesses 33 jogos, em 21 (64%) ele comemorou pelo menos um gol.
Sua média, fantástica, é de 1,1 gol por partida.
O que isso significa?
Que Haaland, na comparação com Pelé, o melhor futebolista da história (quem discorda, que apresente argumentos), é superior, considerando o mesmo período de contabilização.
Nos 33 primeiros jogos depois de fazer 19 anos, realizados entre o fim de 1959 e o início de 1960, Pelé balançou as redes 32 vezes –média de 0,97 gol por confronto.

Usando o mesmo critério de comparação com estrelas da atualidade, Haaland ganha por larga margem.
Messi fez “só” 11 gols nessas 33 partidas (média de 0,33); Cristiano Ronaldo, sete gols (0,21); Mbappé, tido como o maior talento jovem do momento –está com 21 anos–, 14 gols (0,42).
É cedo para tirar conclusões definitivas sobre Haaland, tem muito jogador que se mostrou promissor no final da adolescência e depois caiu de produção, não vingou, não virou craque.
Até agora, no entanto, o cenário é bastante auspicioso para o norueguês, que pelo porte físico, que o deixa visualmente poderoso, e pela aparência nórdica (é curioso que seu cabelo não despenteia, ele deve usar gel com fixação megaforte) poderia muito bem trocar de apelido, deixando de ser o “Garotão” e se tornando o “Pequeno Thor”, como eu o batizei desde o princípio.
Tem mais apelo e é mais sonoro e impactante. Fica a deixa para os marqueteiros de plantão.

Em tempo: Brincadeira com apelido à parte, o que Haaland leva muito a sério é a meditação. Ele é adepto da prática e comemora gols sentado, em posição de reflexão.