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Fifa quer antecipar em quatro anos o inchaço da Copa do Mundo

“Se você acha bom ter 48 times na Copa do Mundo, por que não tentar quatro anos antes? Esse é o motivo pelo qual estudamos se é possível ter 48 times já em 2022 [no Qatar].”

A frase em tom de campanha, dita nesta semana em evento em Dubai (Emirados Árabes Unidos), é de Gianni Infantino, o presidente da Fifa.

O suíço com cidadania italiana conseguiu, no início de 2017, que o conselho da entidade aprovasse o inchaço, para 48 seleções, a partir de 2026, da competição realizada desde 1930.

O atual modelo, com 32 países, vigora desde 1998, quando a França foi a sede.

Na minha opinião, é o formato adequado. Fácil de entender, com oito grupos de quatro times cada um, passando os dois primeiros para as oitavas de final, e com um número de jogos que cabe, sem grandes apertos, no período de um mês reservado ao torneio.

Infantino, contudo, pensa diferente, e o mundo do futebol, ou ao menos a grande maioria dos 211 filiados à Fifa, está com ele.

A razão é óbvia. A Copa do Mundo dá status a quem dela participa, estar nela significa estar entre os melhores do esporte. O participante atrai as atenções não só das pessoas mas dos patrocinadores (donos do grosso da grana). Assim, quem está fora (a maioria) quer participar e vota pela ampliação do número de vagas.

Considero saudável pensar em inclusão, em dar oportunidades a quem não as tem (não só no futebol), porém nesse caso, além da facilidade de montar (e de compreender) a tabela e da conveniência de não sufocar o calendário, não vejo como o nível técnico não despencar com a inserção de mais 16 seleções.

O regulamento do Mundial, que formaria na fase inicial grupos com três seleções, também é inadequado, causando risco alto de jogos sem validade ou “de compadres”, conforme expus anteriormente.

Infantino, ao defender a antecipação na ampliação da Copa, ao menos está ciente dos problemas organizacionais.

O Qatar, país mais rico do mundo considerando o PIB anual per capita (€ 109.425, conforme dados do FMI divulgados em setembro de 2018), tem dinheiro de sobra para construir e/ou entregar estádio modernos, e está fazendo isso – serão oito para a Copa de 2022.

É uma nação, porém, considerada pequena em área: 11.571 km², ou pouco mais que a metade da de Sergipe, o menor estado brasileiro.

Isso limita as possibilidades de viabilizar mais locais para jogos, e um Mundial inchado exigiria, idealmente, mais arenas para abrigar mais partidas, além de mais locais convenientes para treinamento das seleções e hospedagem das delegações.

Infantino tem sua solução. Expandir a Copa para países vizinhos, realizando alguns jogos além das fronteiras do Qatar. Os mais próximos são Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein, Omã, Iêmen, Irã, Kuait e Iraque.

Nem todos, entretanto, mantêm boas relações com o Qatar. Desde junho de 2017, Arábia, Emirados e Bahrein, além do Egito (outra opção próxima), fazem um boicote comercial aos qatarianos, a quem acusam de apoiar o terrorismo – o governo local nega.

Enfim, tratam-se de questões mais políticas e diplomáticas do que esportivas, as quais Infantino pretende equalizar até março, quando haverá o sorteio dos grupos para as eliminatórias da Copa de 2022.

“Se pudermos ampliar a Copa para 48 times e fazer o mundo feliz, tentaremos”, sentenciou o dirigente de 48 anos.

É possível acontecer? Não duvido, e considero até provável. Porém torcerei contra, para que o formato de Mundial que se mostrou bem-sucedido não seja enterrado já.

Leia também: França tem o trunfo da juventude para o Qatar

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Em tempo: Não sejamos tolos. Infantino não quer fazer o mundo feliz, mas deixar felizes, mesmo à custa de uma Copa do Mundo melhor, aqueles que podem prolongar sua estadia no comando da máxima entidade do futebol, a riquíssima e poderosa Fifa.

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