Os caras de Dunga – O brilho de Willian e o medo da bola parada
O Brasil de Dunga teve aproveitamento de 50% no primeiro par de jogos das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo da Rússia-2018.
Perdeu de 2 a 0 do Chile, em Santiago, e ganhou de 3 a 1 da Venezuela no Castelão, em Fortaleza.
Individualmente, quem se destacou na seleção, positiva e negativamente?
Diante do Chile, todo o time teve atuação fraca, o Brasil foi envolvido pela rapidez e pelo toque de bola dos rivais em boa parte da partida, especialmente no 2º tempo.
Nesse confronto, nota vermelha para todos do time canarinho – à exceção de David Luiz, que se contundiu e deixou o campo ainda no 1º tempo, com o jogo empatado sem gols.

Na partida ante a Venezuela, tradicional saco de pancadas no continente mas que tem melhorado muito ano a ano, Willian brilhou. Fez dois gols e tudo o que um meia-atacante tem de fazer: correr, driblar, criar, passar com qualidade.
O camisa 19 é quem está neste momento mais em alta com o treinador. Willian mostrou que pode ser mais do que um “armandinho” e um batedor de faltas e escanteios. Ele sabe que pode jogar mais, e sabia o que devia fazer mesmo antes da partida na capital cearense.
Willian fez contra a Venezuela o que eu esperava que Douglas Costa fizesse: foi insinuante, buscou a linha de fundo, chutou a gol com precisão.
Mereceu um “ótimo”. Mas só ele destoou positivamente.
Filipe Luís, que ganhou a posição de Marcelo, e Lucas Lima, que entrou no decorrer no 2º tempo, até jogaram bem, especialmente o lateral esquerdo.
Os demais atletas precisam melhorar – alguns, como Oscar, muito.
Em uma partida em casa (idealmente nas fora de casa também), é preciso que todos atuem de forma consistente, que deixem suas marcas. Não vi isso.
Daniel Alves definitivamente não está bem, joga atualmente amparado na experiência. Dunga terá de quebrar a cabeça para encontrar alguém para a lateral direita, já que Fabinho, o reserva, é apenas mediano. E na seleção tem de ser espetacular, mediano não basta.
A dupla de zaga, que teve Miranda e Marquinhos na maior parte do tempo… pelo chão, ela vai muito bem. Mas nas bolas cruzadas na área, não. Marquinhos falhou no primeiro gol do Chile, e Miranda, no da Venezuela.
O jogo aéreo, aliás, é um sério problema. É preciso prender a respiração em todo escanteio ou falta nas laterais contra o Brasil. Atualmente, dá medo.
Para os próximos confrontos (e o primeiro será contra a arquirrival Argentina, fora), é urgente ajustar o posicionamento (o “quem marca quem”), manter os olhos sempre no oponente (e não só na bola), treinar mais as saídas pelo alto dos goleiros (geralmente o ponto fraco de todos eles).
No meio, Elias ganhou a vaga de Fernandinho – estou de acordo, o corintiano tem mais desenvoltura para atacar que o jogador do Manchester City e não há grande diferença no poder de marcação.
Na frente, Hulk perdeu espaço, Ricardo Oliveira ganhou. Fez gol.
A dúvida a partir de agora é quem sai para o retorno de Neymar, cuja suspensão expirou: Oscar, Willian, Douglas Costa ou Ricardo Oliveira? Esse é tema para outro post.
Eis o desempenho de cada jogador (8 dos 23 atuam no Brasil) nos primeiros dois jogos das eliminatórias:
Goleiros
Jefferson (Botafogo) – Chile 2 x 0 Brasil. Era defensável o chute de Vargas, autor do gol que abriu o placar em Santiago, mas Jefferson espalmou a bola para dentro da meta. No segundo gol, tentou fechar o ângulo de Vidal e conseguiu, porém o meia não chutou, cruzou para Alexis Sánchez marcar. No resto do jogo, fez uma defesa em um chute de longa distância de Jara. Brasil 3 x 1 Venezuela. Ficou na reserva. Regular
Alisson (Internacional) – Chile 2 x 0 Brasil. Ficou na reserva. Brasil 3 x 1 Venezuela. Ganhou a posição de Jefferson e foi pouco exigido. Mandou para escanteio uma bola cruzada com perigo e defendeu com tranquilidade uma cabeçada, além de sair jogando errado com os pés uma vez. Sem culpa no gol. Regular
Marcelo Grohe (Grêmio) – Chile 2 x 0 Brasil. Lesionado no ombro, não foi relacionado para a partida. Brasil 3 x 1 Venezuela. A contusão o manteve afastado. Sem avaliação
Defesa
Daniel Alves (Barcelona-ESP) – Chile 2 x 0 Brasil. Medíocre na defesa, não foi efetivo no apoio. Brasil 3 x 1 Venezuela. Teve pouco trabalho na marcação e, novamente, não apoiou com regularidade. No gol venezuelano, não acompanhou o rival (Santos) que tocou para as redes. Ruim
Miranda (Inter de Milão-ITA) – Chile 2 x 0 Brasil. No segundo gol chileno, salvou no reflexo a primeira tentativa de Alexis Sánchez, mas na segunda não deu. Brasil 3 x 1 Venezuela. No jogo rasteiro, o capitão do Brasil esteve muito bem. No aéreo, não, tanto que falhou no gol da Venezuela – perdeu disputa com Vizcarrondo, e a bola sobrou para Santos marcar. Regular
David Luiz (PSG-FRA) – Chile 2 x 0 Brasil. Saiu da partida aos 36 minutos do 1º tempo, com uma lesão no joelho. Brasil 3 x 1 Venezuela. A contusão o afastou da partida. Regular
Marcelo (Real Madri-ESP) – Chile 2 x 0 Brasil. Frágil na marcação e sem presença ofensiva. Foi facilmente driblado por Alexis Sánchez na jogada que iniciou o segundo gol chileno – do próprio Sánchez. Brasil 3 x 1 Venezuela. Ficou na reserva de Filipe Luis. Ruim
Fabinho (Monaco-FRA) – Chile 2 x 0 Brasil. Ficou na reserva. Brasil 3 x 1 Venezuela. Ficou na reserva. Sem avaliação

Marquinhos (PSG-FRA) – Chile 2 x 0 Brasil. Entrou no lugar do contundido David Luiz. No gol primeiro gol do Chile, de Vargas, falhou ao não conseguir se antecipar ao atacante. Brasil 3 x 1 Venezuela. Substituiu o contundido David Luiz e nas jogadas de bola parada pelo alto, assim como Miranda, teve problemas. Ruim
Gil (Corinthians) – Chile 2 x 0 Brasil. Ficou na reserva. Brasil 3 x 1 Venezuela. Ficou na reserva. Sem avaliação
Filipe Luís (Atlético de Madri-ESP) – Chile 2 x 0 Brasil. Ficou na reserva. Brasil 3 x 1 Venezuela. Recuperou a titularidade após a partida ruim de Marcelo no Chile. Seguro na marcação, teve papel decisivo no segundo gol de Willian: avançou pela esquerda, driblou dois adversários e cruzou – a bola chegou até o jogador do Chelsea, que concluiu. Antes, deu bom cruzamento para Ricardo Oliveira, que desperdiçou. Bom
Meio-campo
Luiz Gustavo (Wolfsburg-ALE) – Chile 2 x 0 Brasil. Desdobrou-se ao lado de Elias na marcação, mas sofreu um bocado com o toque de bola rápido e a velocidade do meio-campo chileno. Levou um cartão amarelo e foi substituído por Lucas Lima, aos 37 minutos do 2º tempo. Brasil 3 x 1 Venezuela. No gol relâmpago de Willian, foi quem roubou a bola no lance, em um carrinho viril. Os venezuelanos deram bem menos trabalho aos volantes brasileiros do que os chilenos, tanto que Luiz Gustavo pôde avançar um pouco mais que o habitual. No 2º tempo, após jogada de Willian, concluiu para fora, com perigo. Bom
Elias (Corinthians) – Chile 2 x 0 Brasil. A exemplo de Luiz Gustavo, teve problemas na marcação dos meias chilenos e de Alexis Sánchez, que conduzia a bola vindo de trás, e não conseguiu ajudar o ataque. Brasil 3 x 1 Venezuela. Assim como Luiz Gustavo, esteve melhor que na partida anterior, tanto na marcação quanto no apoio – arriscou dois chutes, ambos para fora. Regular
Fernandinho (Manchester City-ING) – Chile 2 x 0 Brasil. Ficou na reserva. Brasil 3 x 1 Venezuela. Ficou na reserva. Sem avaliação
Oscar (Chelsea-ING) – Chile 2 x 0 Brasil. Deu uma finalização, para fora, no 1º tempo. No 2º, em falta na meia-lua, cobrou muito mal, na barreira. “Era para o Willian ter batido essa aí, está batendo muito bem faltas no Chelsea”, narrou Galvão Bueno. De acordo. Brasil 3 x 1 Venezuela. Como no jogo anterior, atuou mais próximo à área rival do que na armação. Cabeceou uma bola para fora, deu um chute de fora da área que o goleiro defendeu, fez o corta-luz no segundo gol de Willian. E errou muitos passes. Saiu aos 20 minutos da etapa final – entrou Lucas Lima. Regular

Willian (Chelsea-ING) – Chile 2 x 0 Brasil. Muita movimentação, pouca produtividade. Brasil 3 x 1 Venezuela. O nome do jogo. Logo aos 35 segundos, chutou sem tanta força e contou com a falha do goleiro Baroja para abrir o placar, dando tranquilidade à seleção. Participou do jogo o tempo todo, com bons passes, dribles, velocidade e lucidez, tanto pela direita como pela esquerda ou pelo meio. Aos 42 minutos, chutou firme para fazer o segundo gol. No 2º tempo, puxou contra-ataques, fez jogadas de linha de fundo e ainda ajudou a defesa. Grande performance. Ótimo
Lucas Lima (Santos) – Chile 2 x 0 Brasil. Substituiu o volante Luiz Gustavo para tentar dar mais ofensividade ao time. Teve muito pouco tempo para isso, apenas oito minutos mais os acréscimos. Brasil 3 x 1 Venezuela. Substituiu Oscar e atuou 25 minutos mais acréscimos. Deu mais dinâmica, mais rapidez e toque de bola de melhor qualidade à seleção. Bom
Renato Augusto (Corinthians) – Chile 2 x 0 Brasil. Ficou na reserva. Brasil 3 x 1 Venezuela. Ficou na reserva. Sem avaliação
Kaká (Orlando City-EUA) – Chile 2 x 0 Brasil. Ficou na reserva. Brasil 3 x 1 Venezuela. Entrou aos 29 minutos do 2º tempo no lugar de Douglas Costa. Fez a alegria da torcida cearense, que o queria em campo, mas pouco pegou na bola. Regular
Ataque
Hulk (Zenit-RUS) – Chile 2 x 0 Brasil. Acertou uma bola na trave, sem querer, ao tentar cruzar, e, no fim do 1º tempo arriscou de dentro da área, sem muita força – Bravo defendeu. Saiu para a entrada de Ricardo Oliveira aos 32 minutos do 2º tempo. Brasil 3 x 1 Venezuela. Substituiu Ricardo Oliveira aos 35 minutos do 2º tempo. Nada fez. Regular
Douglas Costa (Bayern de Munique-ALE) – Chile 2 x 0 Brasil. Correu bastante, mas esteve longe de repetir as atuações de início de temporada pelo Bayern de Munique. Brasil 3 x 1 Venezuela. Em jogada no 1º tempo, faltou ser fominha: estava frente a frente com o goleiro e preferiu passar para Oscar, que não conseguiu marcar, e recebeu um cartão amarelo por falta dura. No 2º tempo, acertou o travessão sem querer (tentou cruzar) e fez o cruzamento para o gol de Ricardo Oliveira. Saiu do jogo aos 29 minutos da etapa final. Regular
Lucas (PSG-FRA) – Chile 2 x 0 Brasil. Ficou na reserva. Brasil 3 x 1 Venezuela. Ficou na reserva. Sem avaliação
Ricardo Oliveira (Santos) – Chile 2 x 0 Brasil. Entrou no lugar de Hulk a 13 minutos do fim do jogo. A bola quase não chegou a ele. Brasil 3 x 1 Venezuela. Ganhou a posição de Hulk e brigou bastante por espaço com o zagueiro Vizcarrondo, que até rasgou sua camisa. No 1º tempo, finalizou uma vez, em cima do goleiro, e errou passes. No 2º, apesar de pouco participativo, estava no lugar em que um típico centroavante deve estar (na pequena área) e concluiu de cabeça cruzamento depois de falha do zagueiro Amorebieta. Deu lugar a Hulk aos 35 minutos. Bom