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Cristiano Ronaldo é 5 vezes o melhor do mundo; saiba se ele mereceu todos os troféus

Luís Curro
Em Londres, Cristiano Ronaldo com o prêmio “The Best”, da Fifa, entregue ao melhor jogador do mundo (Ben Stansall –
23.out.2017/AFP)

Conforme esperado, Cristiano Ronaldo, aos 32 anos, ganhou pela quinta vez o prêmio de melhor jogador do mundo da Fifa (sua quarta conquista nos últimos cinco anos), igualando-se a Messi (vencedor por quatro anos consecutivos, de 2009 a 2012, e em 2015), dois anos mais jovem.

Difícil afirmar qual dois dois supercraques, o do Real Madrid ou o do Barcelona, merece o título de melhor futebolista do início do século 21. Essa é uma ótima discussão, talvez para um próximo texto.

Neste, exporei se essas dez conquistas do prêmio ofertado pela Fifa nos últimos dez anos (sim, desde 2008 apenas o português e o argentino são eleitos melhor do mundo) foram ou não merecidas.

Cristiano Ronaldo (Real Madrid) – 2017

Merecida. O Real Madrid conquistou Mundial de Clubes, Liga dos Campeões da Europa e Campeonato Espanhol, e Cristiano Ronaldo brilhou nas decisões das duas primeiras competições, das quais também foi o principal artilheiro (12 e 4 gols, respectivamente). No Espanhol, marcou 25 gols e ficou atrás de Messi (37) e de Luis Suárez (29).

Cristiano Ronaldo (Real Madrid) – 2016

Merecida. Liderou o Real Madrid na conquista da Champions League, sendo o máximo artilheiro (16 gols) e fazendo, na disputa de pênaltis contra o Atlético de Madri, o gol do título. Também comandou a seleção de Portugal, sendo seu capitão, no inédito título da Eurocopa. No Espanhol, vencido pelo Barcelona, ficou atrás de Suárez na artilharia (35 gols dele, 40 do ururguaio).

Messi (Barcelona) – 2015

Merecida. Terminou a Liga dos Campeões (vencida pelo Barcelona) com dez gols, sendo um dos artilheiros (empatado com Cristiano Ronaldo e Neymar), e liderou nas assistências (passes para gol), com seis. Marcou 43 gols no Espanhol ganho pelo Barça – cinco a menos que Cristiano Ronaldo. Fez dois gols na vitória por 3 a 1 sobre o Athletic Bilbao que rendeu à equipe catalã a Copa do Rei.

Cristiano Ronaldo (Real Madrid) – 2014

Merecida. Artilheiro da Champions League, com 17 gols (recorde individual histórico em uma edição da competição), um deles na decisão contra o Atlético de Madri. Artilheiro do Espanhol, com 31 gols – o campeão foi o Atlético. Faltou brilhar na Copa do Mundo (marcou um único gol em três jogos, e Portugal caiu na primeira fase), mas a campeã Alemanha não teve um valor individual tão preponderante que pudesse concorrer com o CR7 a ponto de merecer desbancá-lo como melhor do mundo.

Cristiano Ronaldo, Messi e Ribéry antes da cerimônia de entrega do prêmio de melhor do mundo de 2013 (Wang Siwei – 13.jan.2014/Xinhua)

Cristiano Ronaldo (Real Madrid) – 2013

Merecida? Não ganhou Liga dos Campeões (vencida pelo Bayern de Munique), não ganhou Mundial de Clubes, não ganhou Espanhol, não ganhou Copa do Rei… O seu único feito individual (relevante, diga-se) foi ter sido o artilheiro da Champions, com 12 gols. Aparentemente, pouco para figurar no topo. Ribéry, eleito o melhor jogador europeu pela Uefa (superando com folga Messi e o CR7), mas terceiro colocado na eleição da Fifa (atrás também de Messi), se disse mais merecedor da Bola de Ouro: “Ganhei tudo o que podia com o Bayern. Ronaldo não ganhou nada”.

Messi (Barcelona) – 2012

Merecida. O Barcelona faturou o Mundial de Clubes (de 2011), tendo Messi feito dois gols na final contra o Santos de Neymar (4 a 0) e a Copa do Rei, tendo Messi feito um gol na decisão contra o Athletic Bilbao (3 a 0). No Espanhol, vencido pelo Real Madrid, Messi registrou seu melhor desempenho na artilharia da competição: 50 gols (recorde individual histórico da Liga). Foi também o artilheiro da Champions, com 14 gols – o Barça caiu na semifinal ante o Chelsea.

Messi (Barcelona) – 2011

Merecida. Artilheiro da Liga dos Campeões, com 12 gols, marcou um na vitória do Barça na final, contra o Manchester United (3 a 1). O time catalão também faturou o Espanhol, com Messi como vice-artilheiro (31 gols, atrás dos 40 de Cristiano Ronaldo).

Messi (Barcelona) – 2010

Merecida. Messi foi o artilheiro do Espanhol (34 gols) e fez o gol da vitória no Mundial de Clubes (no fim de 2009, 2 a 1 no argentino Estudiantes), ambos ganhos pelo Barcelona. Não conquistou a Champions League (deu Inter de Milão), mas foi seu principal goleador (8 gols). Faltou, é verdade, brilhar na Copa da África do Sul, na qual não fez gol (a Argentina caiu nas quartas de final, 4 a 0 para a Alemanha). Porém a Espanha, campeã mundial, destacou-se mais pelo conjunto, o que tirou força de Iniesta e Xavi, excepcionais meio-campistas, na concorrência com Messi pela Bola de Ouro.

Messi com sua segunda Bola de Ouro, referente à temporada de 2010 (Arnd Wiegmann – 10.jan.2011/Reuters)

Messi (Barcelona) – 2009

Merecida. Artilheiro da Liga dos Campeões, com nove gols, anotou o segundo gol na final (Barcelona 2 x 0 Manchester United), superando Cristiano Ronaldo, ainda jogador do time inglês, no mais importante confronto direto entre eles. Nessa Champions, ainda contribuiu com cinco assistências. Fez um dos gols na conquista da Copa do Rei (4 a 1 no Athletic Bilbao). No Espanhol, vencido pelo Barça, foi o segundo artilheiro do time, com 23 gols, atrás do camaronês Eto’o (30).

Cristiano Ronaldo (Manchester United) – 2008

Merecida. Marcou o gol do Man United na decisão da Liga dos Campeões, contra o Chelsea. Depois do 1 a 1, a partida foi para os pênaltis. Cristiano Ronaldo desperdiçou o seu, mas mesmo assim deixou o campo com o título. O português foi o artilheiro da competição, com oito gols. Também foi o principal goleador do Campeonato Inglês (31 gols) vencido pelos Diabos Vermelhos.

Percebe-se que a influência da Liga dos Campeões é enorme na definição do melhor do mundo. Das cinco vezes que Cristiano Ronaldo faturou o prêmio da Fifa, em quatro (2008, 2014, 2016 e 2017) seu clube ganhou a mais recente Champions. Com Messi, isso ocorreu em três (2009, 2011 e 2015) de suas cinco conquistas.

Neymar, terceiro colocado na eleição deste ano da Fifa, quer ser um dia o melhor do mundo, todos sabem (ele mesmo diz e repete isso). Então que lute com todas as forças para conduzir, como protagonista, o Paris Saint-Germain ao topo da Europa. Isso ocorrendo, “The Best” e Bola de Ouro serão dele, a não ser que algum concorrente tenha uma Copa do Mundo, em 2018, digna de Pelé.

Leia também: “Neymar é metade do PSG e está imparável”, diz maior artilheiro estrangeiro do Bayern

Em tempo 1: Até a eleição de 2017, quando decidiu fazer a adequação ao calendário europeu (começo de julho até o próximo começo de julho) para a análise de desempenho dos jogadores na escolha do melhor do mundo, a Fifa utilizava o período de novembro de um ano a novembro do ano seguinte, realizando a premiação em janeiro.

Em tempo 2: De 2010 a 2015, a Fifa se uniu à revista “France Football” para nomear em uma única cerimônia o melhor futebolista do planeta, entregando-lhe a Bola de Ouro. Antes disso (2009 para trás), eram dois prêmios (geralmente o mesmo jogador ganhava ambos), e voltou a ser assim a partir de 2016. A Fifa com “The Best”, a “France Football” com a Bola de Ouro – a ser entregue em dezembro.

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