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“The Best” de 2016, Cristiano Ronaldo já tem vantagem para faturar o prêmio de 2017

Luís Curro

Deu a lógica, como quase sempre dá: Cristiano Ronaldo superou Messi e Griezmann e faturou o troféu da Fifa de melhor futebolista de 2016.

Cristiano Ronaldo recebe em Zurique (Suíça) o troféu da Fifa de melhor jogador do mundo de 2016 (Ruben Sprich - 9.jan.2016/Reuters)
Cristiano Ronaldo recebe em Zurique, na Suíça, o troféu da Fifa de melhor jogador do mundo de 2016 (Ruben Sprich – 9.jan.2016/Reuters)

Dito isso, é muito importante fazer um esclarecimento. Apesar de o prêmio “The Best” eleger “o melhor jogador de 2016”, não é bem assim.

O período em que os votantes (treinadores das seleções nacionais, capitães dessas seleções, jornalistas especializados e internautas, com peso de 25% para cada um no pleito) devem avaliar o desempenho do vencedor não vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2016, e sim de 20 de novembro de 2015 a 22 de novembro de 2016.

Os votos só são computados até a meia-noite de 22 de novembro. Não deixa de ser uma anomalia, mas é a regra em vigor.

Isso faz uma diferença, já que o Mundial de Clubes da Fifa é disputado em dezembro.

Cristiano Ronaldo, assim, larga na frente para o prêmio de 2017, pois conquistou com o Real Madrid essa competição, com a vitória na decisão sobre o japonês Kashima Antlers, em Yokohama, no fim do ano passado.

O português de 31 anos fez três gols na final, sendo o principal destaque e eleito, justamente, o melhor jogador. Já tinha marcado um gol na semifinal, contra o América do México.

Quem ganhou o Mundial da Fifa no final de 2015 foi o Barcelona de Messi – derrotou o River Plate (Argentina). Só que o título não ajudou muito o argentino na disputa com o CR7. Até porque ele não foi escolhido o melhor do torneio, e sim o uruguaio Suárez, seu companheiro, que fez dois gols na final e cinco ao todo.

No intervalo entre 20 de novembro de 2015 e 22 de novembro de 2016, Messi jogou mais vezes (69 partidas) que Cristiano Ronaldo (60), incluindo as atuações pelo clube e pela seleção, em jogos por campeonatos ou amistosos.

Marcou um gol a mais (62 a 61) e deu mais que o dobro de assistências, o passe que resulta em gol (37 a 18).

Esse último quesito mostra claramente uma diferença fundamental entre os dois melhores jogadores deste século.

Messi, hoje com 29 anos, além de ser tão artilheiro quanto Cristiano Ronaldo, é também mais criador de gols para os colegas. É muito mais generoso. Sempre foi assim.

Ou seja, em 69 jogos, o argentino participou de 99 gols; o português, em 60 jogos, de 78.

(Um parênteses: na média de gols por partida, Cristiano Ronaldo esteve espetacular, com 1,02, acima de Messi, 0,90.)

Esses números mostram o quão grande ainda é a distância de ambos para a concorrência.

Vide Griezmann. O francês de 25 anos, terceiro colocado no “The Best”, atuou em 69 partidas, como Messi, e somou 41 gols e 14 assistências.

Pesou também contra Messi na eleição (assim como contra Griezmann) a falta de títulos continentais em 2016.

O Barcelona parou nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa, eliminado pelo Atlético de Madri. O Real Madrid ganhou do Atlético de Madri na decisão. Cristiano Ronaldo marcou o gol decisivo na disputa de pênaltis (Griezmann perdeu um pênalti no tempo normal do jogo, que terminou 1 a 1). O português foi também o artilheiro do campeonato.

Portugal venceu a Eurocopa, feito inesperado e inédito. Cristiano Ronaldo, capitão do time luso, foi o principal destaque da campanha. Na decisão contra a França de Griezmann, deixou o campo do Stade de France, lesionado, no primeiro tempo do jogo. Da lateral do gramado, reforçou seu papel de líder, com gritos de incentivo. As câmeras o acompanharam. Muitas vezes, imagem é tudo.

Já a Argentina perdeu do Chile a final da Copa América Centenário, nos EUA. Depois do 0 a 0, Messi, capitão da equipe portenha, errou seu pênalti na disputa. Saiu arrasado, anunciou a aposentadoria da seleção (nunca ganhou um título com o país na seleção principal). Sentia-se fracassado como líder e também um pé-frio. Depois, voltou atrás.

Faltaram a Messi, de novembro de 2015 a novembro de 2016, conquistas de peso e o papel de herói. Só generosidade não será suficiente para superar Cristiano Ronaldo. Para voltar ao topo, ele precisa continuar a fazer muitos gols e reconduzir o Barça ao topo da Europa.

Não será fácil. O português fará de tudo para ficar à frente do “rival”. Além de já ter o Mundial de Clubes, o Real Madrid caminha firme para ser campeão espanhol. Tanto Barça como Real estão nos mata-matas de oitavas de final da Champions League, o primeiro contra o Paris Saint-Germain, o segundo contra o Napoli.

O CR7 tem um incentivo a mais para brilhar como nunca e se desdobrar para ganhar tudo. Com o troféu “The Best” recebido em Paris, ele está a uma conquista de se igualar Messi em prêmios da Fifa. São cinco contra quatro.

Desde 2008, só um deles ganha. Messi de 2009 a 2012 e em 2015; Cristiano Ronaldo em 2008, 2013, 2014 e 2016.

Uma terceira via que desbanque um dos dois? Surpresas sempre são bem-vindas, mas… Só se os mata-matas da Champions League elevarem alguém a um patamar não esperado ou a Libertadores revelar um novo Messi ou um novo CR7. O que é tão possível como improvável.

Em tempo: Um brasileiro? Ninguém à vista para já. Nem Neymar, que precisa de protagonismo para sonhar com o topo. Enquanto jogar com Messi, e a “Pulga” se mantiver em forma, será coadjuvante digno, e nada mais.

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