Herói improvável, Éder fez seu 1º gol por Portugal em jogo de campeonato

Por Luís Curro

Portugal teve um herói improvável na conquista que o incluiu no rol dos países europeus com pelo menos um título relevante no futebol – leia-se Copa do Mundo ou Eurocopa.

Seu nome é Éderzito António Macedo Lopes, ou simplesmente Éder, atacante de 28 anos nascido na Guiné-Bissau (África) e que, saindo do banco de reservas, marcou o gol do título na decisão da Eurocopa deste ano, neste domingo (10), contra a França, em pleno Stade de France.

Improvável, sim. E por quê?

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Porque Éder não foi titular em nenhuma das partidas na competição. Os escolhidos por Fernando Santos para jogar no ataque foram sempre Cristiano Ronaldo (óbvio) e Nani.

Porque Éder não era a primeira opção de reserva para o setor. A preferência do treinador era por Ricardo Quaresma, que foi a campo na final bem antes de Éder, pois substituíra o lesionado Cristiano Ronaldo.

Porque Éder, do alto de seu 1,90 m, podia oferecer algum perigo dentro na área, em jogadas aéreas ou no papel de pivô, mas era inimaginável que acertaria um chutaço de fora da área para fazer, na prorrogação, o único gol da decisão.

E porque Éder jamais tinha feito um gol pela seleção lusa em partidas de campeonato. Até a decisão da Euro, atuara em 14 jogos (por Copa do Mundo, eliminatórias da Copa do Mundo, Eurocopa e eliminatórias da Eurocopa) e sempre passara em branco. No seu currículo por Portugal, acumulava três gols em 28 jogos – todos eles em amistosos.

Por esse desempenho, e por nunca ter brilhado na carreira (teve boa passagem pelo Braga, de 2012 a 2015, mas nada espetacular), eu defini Éder, não muito tempo atrás, como um jogador mediano.

Mantenho a opinião. Éder, que defende o Lille, da França, não será lembrado em sua carreira como um craque pelo que demonstra jogando futebol.

Mas há de se fazer justiça. Na história, será Éder, e não Cristiano Ronaldo (para provável inconformismo deste), a ser lembrado como o herói que mudou o status do futebol português.

Em tempo: Deu Portugal, por 2 a 0, nos duelos previstos antes da decisão da Euro. Saíram vencedores Pepe (contra Giroud) e Todos (contra Griezmann). A contusão precoce de Cristiano Ronaldo impediu uma avaliação do seu desempenho contra os zagueiros franceses.