Ir para os pênaltis é ruim para o Flamengo e pior para o Palmeiras

Se transcorridos os 90 minutos (mais acréscimos) do tempo regulamentar, mais os 30 minutos (mais acréscimos) da prorrogação e Flamengo x Palmeiras terminar empatado, haverá cobranças de pênaltis no estádio Centenário, em Montevidéu, para decidir o campeão da Libertadores.

Sempre emocionante, essa disputa, que põe 500 quilos nas costas de cada cobrador e deixa o goleiro leve, com grande chance de se tornar o herói do dia, é ruim para o Flamengo. E ainda pior para o Palmeiras.

Levantamento deste blog com o desempenho de 28 grandes times a partir de 26 de novembro de 2011 até o dia de hoje (26 de novembro de 2021), exatos dez anos, mostra o time alviverde da penúltima colocação no aproveitamento.

O Palmeiras participou de 18 decisões por pênaltis nessa década e ganhou apenas seis (33% de sucesso). De cada três disputas, a equipe perdeu uma.

Ir para os pênaltis só foi mais traumático para o River Plate. O clube argentino, em 13 tentativas de êxito, ganhou apenas 4 (31%).

Agustín Rossi, goleiro do Boca Juniors, defende pênalti em disputa contra o arquirrival River Plate nas oitavas de final da Copa da Argentina (Agustin Marcarian – 4.ago.2021/Reuters)

Há um ditado que afirma que “pênalti é loteria”. Se fosse, seguindo-se o meu entendimento de probabilidades, todos os times deveriam triunfar em 50% das disputas e fracassar em 50% delas.

Não é o que aconteceu, no período da pesquisa, com 24 dos 28 clubes. Somente Manchester United, Real Madrid, Bayern de Munique e Santos registraram 50/50.

Considerando-se uma margem de 10 pontos percentuais para cima ou para baixo, um desvio que não considero exagerado, 18 encaixaram-se nessa faixa.

Sete agremiações apresentaram resultado superior a 60%, e três, inferior a 40% o Paris Saint-Germain, com 38%, faz companhia a Palmeiras e River.

Com 45% de aproveitamento em decisões por pênaltis (5 vitórias em 11 ocasiões), o Flamengo, em uma nada honrosa 22ª colocação no ranking, não teria razão para otimismo no caso de mais uma acontecer no Uruguai, a não ser pelo fato de o rival paulistano ser ainda mais sofrível.

A situação é ainda mais desconfortável para os comandados de Abel Ferreira quando se levam em conta os resultados nos pênaltis neste ano: nenhum triunfo em quatro tentativas.

Houve reveses diante de Al-Ahly (Mundial de Clubes), Flamengo (Supercopa do Brasil), Defensa y Justicia (Recopa Sul-Americana) e CRB (Copa do Brasil).

O único alento para o Palmeiras é que, em 1999, na primeira das duas vezes que a equipe ergueu a taça da competição continental, a vitória saiu nos pênaltis: 4 a 3 contra o Deportivo Cali, da Colômbia.

Mas, mesmo em decisões por pênaltis em finais de Libertadores, o retrospecto não é positivo, já que em 2000 o time dirigido por Luiz Felipe Scolari perdeu (4 a 2) para o Boca Juniors.

Jogadores do Palmeiras acompanham a disputa de pênaltis contra o Defensa y Justicia, da Argentina, na decisão da Recopa Sul-Americana, em Brasília (Buda Mendes – 14.abr.2021/AFP)

A análise estatística indica que não é convidativo encarar nos pênaltis Manchester City, Arsenal, Vasco (todos 67% de êxito em duelos por pênaltis), Boca Juniors (64%) e principalmente o Barcelona, quase imbatível (86%).

Ressalte-se que o número de vezes que o Vasco participou de uma decisão por pênaltis é de somente seis no intervalo do levantamento, ou metade da média (12) dos clubes pesquisados.

O Barça também pouco decidiu por pênaltis (sete vezes), assim como o PSG (oito vezes), e o Boca foi quem mais se viu na marca da cal para definir jogos: 22 vezes em uma década.

Foram consideradas na pesquisa, que considerou confrontos nacionais e internacionais, as performances de 12 times do Brasil, seis da Inglaterra, três da Espanha, três da Itália, dois da Argentina, um da Alemanha e um da França.

A seguir, o ranking geral, do time mais eficaz nas disputas de pênaltis para o menos competente.

1) Barcelona – 86% (7 jogos, 6 vitórias)

2) Arsenal – 67% (12 jogos, 8 vitórias)

Manchester City – 67% (12 jogos, 8 vitórias)

Vasco – 67% (6 jogos, 4 vitórias)

5) Boca Juniors – 64%  (22 jogos, 14 vitórias)

6) Atlético de Madrid – 62% (13 jogos, 8 vitórias)

7) Chelsea – 61% (18 jogos, 11 vitórias)

8) Grêmio – 60% (15 jogos, 9 vitórias)

Atlético-MG – 60%  (10 jogos, 6 vitórias)

Botafogo 60% – (10 jogos, 6 vitórias)

Cruzeiro – 60%  (10 jogos, 6 vitórias)

12) Corinthians – 57% (14 jogos, 8 vitórias)

13) Fluminense – 56% (9 jogos, 5 vitórias)

Milan – 56% (9 jogos, 5 vitórias)

15) Inter de Milão – 55% (11 jogos, 6 vitórias)

16) Liverpool – 54% (13 jogos, 7 vitórias)

17) Bayern – 50% (16 jogos, 8 vitórias)

Santos – 50% (12 jogos, 6 vitórias)

Manchester United – 50% (10 jogos, 5 vitórias)

Real Madrid – 50% (10 jogos, 5 vitórias)

21) Internacional – 46% (13 jogos, 6 vitórias)

22) Flamengo 45% (11 jogos, 5 vitórias)

Juventus – 45% (11 jogos, 5 vitórias)

Tottenham – 45% (11 jogos, 5 vitórias)

25) São Paulo – 40% (10 jogos, 4 vitórias)

26) PSG – 38% (8 jogos, 3 vitórias)

27) Palmeiras – 33% (18 jogos, 6 vitórias)

28) River Plate – 31%  (13 jogos, 4 vitórias)

Goleiro da seleção brasileira, Júlio César defende pênalti batido por Alexis Sánchez, do Chile, nas oitavas de final da Copa de Mundo de 2014, em Belo Horizonte (Francois Xavier – 28.jun.2014/AFP)

E as seleções mais renomadas, que já foram campeãs do mundo?

Como se saíram em confrontos decididos por pênaltis nos últimos dez anos, considerando-se seus times principais? (Não se considera na conta as equipes de base nem olímpicas.)

Quem mais teve sucesso foram a alemã, que venceu sua única disputa (em 2016, na Eurocopa, diante da Itália), e a brasileira, com 75% de aproveitamento (três vitórias em quatro tentativas) –a derrota ocorreu na Copa América do Chile, em 2015, para o Paraguai.

Por outro lado, as seleções uruguaia (quatro reveses) e francesa (um) não ganharam uma única vez no hiato de dez anos.

1) Alemanha – 100% (1 jogo, 1 vitória)

2) Brasil – 75% (4 jogos, 3 vitórias)

3) Itália – 67% (6 jogos, 4 vitórias)

4) Espanha – 60% (5 jogos, 3 vitórias)

5) Argentina – 50% (6 jogos, 3 vitórias)

Inglaterra – 50% (4 jogos, 2 vitórias)

7) Uruguai – 0% (4 jogos, 0 vitória)

França – 0% (1 jogo, 0 vitória)

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