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Ver ou não ver futebol, eis a questão

“Não é algo que me atrai ver os 90 minutos. O bom do futebol é jogar, assistir não é muito a minha.”

Em entrevista por vídeo ao diário argentino Olé, Ronaldinho Gaúcho, exibindo aos 41 anos uma barba rala branca no queixo, afirmou que não vê partidas de futebol.

Ao ser questionado por seu interlocutor, Mariano Dayan, a respeito da mais recente Copa América, na qual a Argentina derrotou o Brasil na final, Ronaldinho se absteve de comentar, dando a entender que não tinha acompanhado, pelo menos não atentamente, o torneio.

“Não vejo muito futebol. Olho os melhores momentos, os gols, mas ver os 90 minutos não é algo de que eu gosto”, declarou o duas vezes melhor jogador do mundo (2004 e 2005), quando atuava no Barcelona, e campeão mundial com o Brasil na Copa de 2002 (Coreia/Japão).

A declaração de Ronaldinho pode causar certo estranhamento. Como alguém que fez tanto sucesso em um determinado esporte fica entediado ao ver uma partida desse esporte?

Tem-se a impressão de que, por ser essa a sua profissão, todo jogador gosta não só de jogar como também de assistir ao futebol. Para ver grandes jogadas, para observar aspectos táticos, para se divertir.

E não é assim. O caso de desinteresse de Ronaldinho não é inédito.

O galês Gareth Bale, do Real Madrid, que já teve seus melhores momentos e hoje está em baixa, prefere ver golfe a futebol.

Messi declarou preferir brincar com os filhos, e Neymar, jogar videogame, a ficar no sofá vendo colegas correrem atrás da bola.

São Ronaldinho, Bale, Messi e Neymar exceções ou há uma quantidade considerável de jogadores (ou ex-jogadores) de futebol que só gostam de jogar, não tendo interesse em acompanhar as partidas pela TV?

Eis uma pesquisa comportamental interessante que ainda precisa ser realizada, nos terrenos quantitativo e qualitativo, para que uma conclusão possa ser tomada com o devido embasamento.

Revelado pelo Grêmio, Ronaldinho atuou também, além do Barcelona, no Paris Saint-Germain, no Milan, no Flamengo, no Atlético-MG –pelo qual ganhou a Libertadores–, no mexicano Querétaro e no Fluminense.

Apresentou-se a última vez pelo time tricolor carioca em janeiro de 2016, na Florida Cup. Sua aposentadoria só foi oficializada por Assis, seu irmão e empresário, dois anos depois.

Longe dos campeonatos oficiais, fez algumas partidas de exibição e usou parte de seu tempo para jogar peladas com os amigos. Também exibiu-se no futebol de areia e no futsal.

Seu maior momento de fama pós-aposentadoria, entretanto, deu-se fora dos campos, quadras ou praias.

No começo de 2020, Ronaldinho foi preso no Paraguai, junto com Assis, por entrar no país com documentos adulterados. Só foi liberado, mediante pagamento de multa, depois de quase seis meses.

Nem quando esteve encarcerado, porém, o gaúcho de Porto Alegre deixou de ter contato com o que tanto gosta: o futebol.

Nada de vê-lo na TV, lógico.

Com o sorriso que lhe é peculiar, destacando os dentes incisivos protuberantes, participou de partidas de futebol com os demais detentos, fazendo gols e dando assistências.

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