Marfinense joga profissionalmente aos 13 anos; o mais precoce é boliviano

“O teeeeeeeeempo passa”, dizia o saudoso locutor Fiori Giglioti (1928-2006) em suas narrações na rádio Bandeirantes.

Essa frase, que Fiori usava para dizer ao ouvinte que a partida ia decorrendo rapidamente, para otimismo do torcedor do time que vencia e desespero do que perdia, me veio à mente quando li a notícia de que um garoto de 13 anos se tornou o mais jovem a atuar profissionalmente no futebol dos EUA.

E por que isso? Simplesmente porque quando eu tinha 13 anos era inimaginável imaginar que alguém dessa idade pudesse jogar, “pra valer”, ao lado de quem tivesse 5, 10, 15, 20 anos a mais.

Eu acompanhava os campeonatos Paulista e Brasileiro, principalmente, e os demais, superficialmente –não havia internet, e as informações que chegavam, escassas, eram pela TV, pelo rádio, pelos jornais e pela revista Placar–, e quando surgia um futebolista jovem para atuar em um campeonato profissional ele tinha 18 ou 19 anos.

O tempo passou, Fiori já se foi, o futebol tornou-se mais dinâmico e flexível, e os clubes começaram, paulatinamente e depois frequentemente, a selecionar, para embates entre os profissionais, atletas mais jovens. Com 17, 16, 15 anos.

O norte-americano Freddy Adu ficou famoso em 2004 quando, com 14 anos, dez meses e um dia, estreou na MLS (Major League Soccer, a principal liga de futebol dos EUA). Vestia a camisa do DC United.

Pois a marca de Adu foi pulverizada seis dias atrás.

Com 13 anos, 9 meses e 8 dias, Axel Kei, marfinense que cresceu no Brasil e foi para os EUA em 2017, entrou em campo pelo Real Monarchs, contra o Colorado Springs Switchbacks, pela USL Championship.

O feito de Kei pelo time B do Real Salt Lake (da MLS) ganhou proporção maior porque ele não se restringiu ao futebol. O atacante é o mais jovem a atuar profissionalmente em qualquer esporte nos EUA.

Porém, voltando ao universo futebolístico, o recorde mundial não pertence ao africano com âmago brasuca.

Pelo que se tem conhecimento, é de um boliviano a prematuridade.

No dia 19 de julho de 2009, três dias antes de completar 13 anos –nem teen era ainda–, Mauricio Baldivieso entrou a dez minutos do fim da partida do Aurora, equipe comandada por seu pai, Julio César, contra o La Paz, pelo Campeonato Boliviano.

Com a camisa 10, o pirralho foi rapidamente “batizado”. Com a posse da bola, protegeu-a dando as costas a um adversário, que, tão logo Baldivieso passou a redonda, deu-lhe uma entrada na perna esquerda.

O menino de 12 anos rolou várias vezes no gramado no estádio Hernando Siles, com a partida seguindo, já que o árbitro não deu falta.

Mesmo com muitas dores, Baldivieso permaneceu no jogo que lhe deu repentina, e duradoura, notoriedade.

“Sou o homem mais feliz do mundo”, disse, sentindo-se adulto, o rapaz depois da partida, conforme relato do site The 18. “E quero deixar claro que não chorei quando sofri a falta. Alguns disseram que eu chorei, mas é uma mentira.”

Sua carreira, a exemplo da de Freddy Adu, não decolou. Baldivieso atuou por mais um tempo no Aurora, depois no Real Potosí, no Nacional Potosí e no Universitario de Sucre, seu atual clube.

Dos 12 aos 25 anos, sua idade hoje, sempre esteve no futebol boliviano, e mesmo nele, considerado fraco para os padrões sul-americanos, jamais brilhou.

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Em tempo: O jogador mais novo a participar de uma partida do Campeonato Brasileiro da Série A, na era dos pontos corridos (desde 2003), é Ângelo Gabriel, que com 15 anos, 10 meses e 4 dias defendeu o Santos contra o Fluminense, no Maracanã, no dia 25 de outubro de 2020.