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Técnico faz Messi passar por incômodo que não vivia desde 2010

Apenas na terceira partida vestindo a camisa do Paris Saint-Germain, Messi viveu um momento de desgosto pelo qual não passava desde 31 de março de 2010, pelo Barcelona.

Aquela foi a única vez que, depois de ter sido eleito melhor do mundo (ou seja, ter o status de astro), o supercraque argentino, em jogo de competição, amargou uma substituição por opção do treinador sem que a partida estivesse com seu time à frente no placar.

Entenda-se por opção do treinador a alteração feita por razão técnica ou tática, e não a motivada por contusão.

Diante do Arsenal, em Londres, na partida de ida das quartas de final da Liga dos Campeões da Europa, o espanhol Pep Guardiola sacou Messi depois que Fàbregas empatou (2 a 2), de pênalti, para o time da casa, aos 40 minutos do segundo tempo. Entrou Gabriel Milito.

Relato da época deu conta de que o camisa 10 tinha até a substituição uma participação discreta –os  gols do Barcelona foram do sueco Ibrahimovic.

No domingo (19), em Paris, pelo Campeonato Francês, Messi não estava exuberante, porém no primeiro tempo teve chance de marcar três vezes –em uma delas, bateu uma falta na trave.

Aos 31 minutos da segunda etapa, com o placar PSG 1 x 1 Lyon, por ordem do treinador Mauricio Pochettino, compatriota de Messi, o lateral direito Hakimi se dirigiu à lateral do gramado do Parque dos Príncipes.

A placa com o número 2 do marroquino subiu, e ao lado dele aparecia o número 30, o atual de Messi, já que o 10 da equipe parisiense permaneceu com Neymar.

Incrédulo, Messi deixou o campo, e as câmeras deixaram evidente seu desgosto ao passar por Pochettino. Semblante fechado, recusou-se a cumprimentar o comandante.

Pudera. O seis vezes melhor do mundo (a primeira vez em 2009) não parecia estar cansado e mostrava-se ativo, a fim de jogo, em busca de marcar seu primeiro gol pelo novo time.

Dois minutos antes da substituição, tentou um chute a gol, de fora da área, que ofereceu perigo ao goleiro Anthony Lopes.

O que passou na cabeça de Pochettino para tirar Messi? Di María, outro argentino, seria uma escolha mais ortodoxa.

Que ele tem o poder para fazer a troca, isso é inquestionável. Sai quem ele quer, a hora que ele quer.

Porém todos sabem que Messi tem a capacidade de decidir um jogo a qualquer instante, e em questão de segundos, seja em uma bola parada, seja com a bola rolando, seja fazendo o gol, seja dando um passe decisivo.

Não à toa ele muitas vezes é chamado de ET (extraterrestre), pela sua genialidade e incomparabilidade. Um humano, dizem, não consegue fazer o que Messi faz.

A sorte de Pochettino é que, nos acréscimos, o centroavante Icardi, que entrou pouco depois, anotou de cabeça, nos acréscimos, o gol da vitória do PSG.

Depois da partida, o técnico tentou explicar sua decisão ao declarar que quis poupar o craque, evitar uma possível lesão.

Pouco convincente, já que Messi não teve nenhum problema físico recente e se mostrava em boa forma –no dia 9, pelas Eliminatórias, fizera todos os gols da Argentina no 3 a 0 na Bolívia.

Há quem diga que, minutos antes de dar lugar a Hakimi, o atacante levou as mãos à região do joelho esquerdo, o que poderia indicar dor ou desconforto.

Se havia um ou outro, Messi não revelou. Ao sair do campo, declarou que estava se sentindo bem.

Messi, o camisa 30 do PSG, em momento de lamentação contra o Lyon; argentino ainda não fez gol pelo clube de Paris (Franck Fife – 19.set.2021/AFP)

A conclusão lógica à luz dos fatos vistos e relatados é a seguinte.

Se Pochettino não se ateve à parte técnica ou à parte tática e só desejava poupar Messi, antes de substituí-lo, que fizesse uma consulta para saber como o jogador se sentia; que lhe perguntasse “quer sair ou quer continuar?”.

Seria simples, eficaz e anticonflito.

Não ocorreu, então o certo é que o mal-estar entre Messi e Pochettino foi criado.

É necessário observar os próximos confrontos do PSG a fim de identificar como estará a relação entre eles, se será ajustada ou permanecerá mal resolvida.

Leia também: Chegada de Messi torna o PSG, já favorito no papel, favoritaço

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