Em evidência, Richarlison está fora da principal vitrine europeia

Quão frustrante deve ser para um jogador titular de uma das melhores seleções do mundo, no caso a brasileira, e que vive fase eminente em sua carreira, se ver fora do principal interclubes do planeta?

Essa é a situação vivida pelo atacante Richarlison.

Campeão da Copa América em 2019 e vice da mesma competição neste ano, ele é cada vez mais figura cativa, entre os que começam as partidas, na seleção brasileira de Tite.

No mês passado, com cinco gols em seis jogos, e vestindo a camisa 10, foi um dos protagonistas da campanha do ouro da seleção olímpica nos Jogos de Tóquio.

Certamente a ampla maioria dos treinadores, se tivesse a chance de escolher, não deixaria Richarlison fora de seu 11 inicial atualmente.

O problema é que o clube que ele defende, o inglês Everton, tem limitações que o tornaram incapaz, até agora, de se inserir na maior vitrine da Europa, a Champions League.

A fase de grupos da Champions começa nesta terça-feira (14), e o time sediado em Liverpool não está entre os 32 que a disputam.

Liga dos Campeões que, já faz tempo, não reúne apenas com os atuais campeões nacionais europeus. Da Inglaterra, por exemplo, participam desta edição os dois Manchester (City e United), o Chelsea (atual campeão) e o Liverpool, rival local do Everton.

O time que tem em Richarlison uma de suas esperanças de gols, com a décima colocação no Campeonato Inglês de 2020/21, ficou fora não apenas da Champions mas dos outros dois campeonatos organizados pela Uefa, a entidade que rege o futebol na Europa.

Nem para a Liga Europa nem para a recém-criada Liga Conferência o Everton conseguiu se classificar –era necessário acabar a Premier League entre os sete primeiros para obter vaga em um torneio continental.

Richarlison, destaque da seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de Tóquio, morde a medalha de ouro (Tiziana Fabi – 7.ago.2021/AFP)

Desse modo, Richarlison, que soma quase 40 partidas com a camisa da seleção brasileira (incluindo jogos da equipe principal e da olímpica, sem contar os nas categorias de base), jamais atuou em uma partida internacional na Europa vestindo a camisa de um clube, mesmo estando na sua quinta temporada lá.

Antes de ser contratado pelo Everton em 2018, o forte, raçudo e hábil atacante –às vezes meio esquentado– jogou um ano pelo também inglês Watford.

Assim, enquanto estrelas como Neymar, Alisson, Gabriel Jesus, Marquinhos, Casemiro, Thiago Silva, entre outros colegas de seleção, e mesmo compatriotas não badalados como Fernando Costanza (Sheriff, da Moldova), Vitão (Shakhtar, da Ucrânia) e Wendel (Zenit, da Rússia) desfilarão seu futebol pelos gramados da Champions, Richarlison estará treinando ou no sofá.

O treinamento pode até ajudar a esquecer a frustração. Mas, caso se sente diante da TV e passe a acompanhar partidas da competição, o sentimento de desencanto e de desgosto aflorará.

Passará vontade, pois ele sabe que tem futebol para atuar na maior competição europeia. Uma vontade que perdurará pelo menos por mais 12 meses.

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Em tempo: Richarlison só não tem traço em seu currículo em campeonatos internacionais por clubes porque quando defendia o Fluminense participou de quatro jogos da Copa Sul-Americana de 2017, nos quais anotou dois gols.