Pé de obra brasileiro é o mais desejado no mundo em uma década

Relatório da Fifa sobre transferências de jogadores no período de 2011 a 2020 mostra que os jogadores brasileiros são, por larga margem, os que mais interessam aos clubes.

A publicação relata que, das 133.225 transações (venda, empréstimo ou cessão por término de contrato) no período, média de 13,2 mil por ano, 15.128 envolveram futebolistas de nacionalidade tupiniquim.

Esse número é mais que o dobro do da Argentina (7.444), o segundo país no ranking de atletas negociados no hiato englobado pelo estudo, intitulado “Dez Anos de Transferências Internacionais”.

Completam o top 10 da lista de 204 nacionalidades: Grã-Bretanha (5.523 atletas), França (5.027), Colômbia (4.287), Espanha (3.922), Nigéria (3.793), Sérvia (3.576), Uruguai (3.341) e Gana (2.848).

O país da América do Norte mais bem colocado são os Estados Unidos (1.825 nativos envolvidos em transferências na década), e o da Ásia é o Japão (1.336).

Dentre os mais de 15 mil brasileiros que mudaram de país nesse ciclo, menos da metade (7.284) estavam vinculados a algum clube no Brasil, ou seja, a maioria defendia uma agremiação estrangeira.

Desses 7.284, 21% (1.556) tiveram como destino uma equipe de Portugal e 6% (410), um time do Japão.

O meio-campista francês Paul Pogba, contratado em 2016 pelo Manchester United por US$ 116 milhões; antes, ele atuava na Juventus, da Itália (Adrian Dennis – 14.ago.2021/AFP)

No intervalo de dez anos do estudo da Fifa, as transferências de jogadores resultaram em um giro financeiro que se aproximou de US$ 48,5 bilhões (R$ 256,7 bilhões pelo câmbio atual), sendo que US$ 7,1 bilhões (perto de 15%) decorreram de negócios envolvendo brasileiros.

A cifra total é próxima ao valor (US$ 50 bilhões) que o Fundo Monetário Internacional estimou, em maio, ser necessário para pôr fim à pandemia de Covid no mundo.

Os clubes da Inglaterra, sede da Premier League, a liga mais rica e badalada do planeta, foram os que mais gastaram em contratações de jogadores oriundos de outras praças: US$ 12,4 bilhões (R$ 65,45 bilhões), mais que a soma do segundo e terceiro colocados, times de Espanha (US$ 6,7 bilhões) e Itália (US$ 5,6 bilhões).

Envolve um brasileiro o recorde de uma negociação monetária na década focada pela pesquisa. Em 2017, o Paris Saint-Germain desembolsou US$ 263 milhões para contar com Neymar, seu atual camisa 10.

A Fifa destaca que as comissões pagas pelos clubes implicados nas transações aos agentes dos atletas quase quintuplicaram na comparação entre os anos de menor e de maior repasse.

Elas passaram de US$ 131,1 milhões em 2011 para U$S 640,5 milhões em 2019. No total, os intermediários amealharam US$ 3,5 bilhões (R$ 18,47 bilhões) em dez anos no contexto das negociações internacionais.

O atacante Kayky (esq.), de 18 anos, foi negociado pelo Fluminense neste ano com o Manchester City; clube carioca foi o que mais exportou pé de obra em uma década (Sergio Moraes – 12.mai.2021/Reuters)

Nas muitas tabelas expostas pela Fifa no relatório de 98 páginas, o Fluminense aparece no topo de uma.

O clube carioca foi o que mais exportou pé de obra entre os da América do Sul: 183 jogadores deixaram as Laranjeiras para atuar fora do Brasil, média de 18 por ano –a média geral dos clubes é de 16.

O segundo colocado, com 137 atletas exportados em dez anos, também é um time brasileiro, o Grêmio Anápolis, atual campeão goiano. Vêm depois o uruguaio Maldonado (129), o argentino Boca Juniors (119) e o São Paulo (117).

No período da análise da Fifa, ninguém teve mais times exportadores que o Brasil: 230 clubes negociaram pelo menos um futebolista com o exterior. A Inglaterra e a Nigéria aparecem na sequência: 130 e 127 equipes, respectivamente.

E nenhum país importou mais futebolistas que o Brasil: 6,2 mil de 2011 a 2020. A Fifa ressalta que “a maioria desses jogadores retornaram depois de jogar em outras partes do mundo”.

O Palmeiras é o time sul-americano que mais importou atletas: 79. O Atlético-MG contratou 74, e o Boca Juniors, 70.

Clubes brasileiros foram os que mais contrataram atletas que estavam em outros países no período de 2011 a 2020 (Reprodução/Relatório ‘Dez Anos de Transferências Internacionais’)

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