Ex-jogador morre depois de quase 40 anos em estado de coma

Morreu nesta segunda (6), na cidade de Nimes, aos 73 anos, o ex-zagueiro da seleção francesa Jean-Pierre Adams.

Adams, que atuou por Fontainebleau, Nimes, Nice, Paris Saint-Germain, Mulhouse e Chalon, permaneceu em coma por 39 anos e meio, recebendo cuidados de sua esposa, Bernadette, em sua residência.

Ele entrou em coma, estado caracterizado pela perda total ou parcial da consciência, em março de 1982, depois de erros médicos que precederam uma cirurgia no joelho.

“Não se esqueça de levar as muletas” teriam sido as últimas palavras de Adams, que se aposentara dos gramados em 1981, a Bernadette. Ele nunca as usou, já que a operação nem foi iniciada.

Na data da cirurgia (17 de março), o hospital enfrentava uma greve, com poucos profissionais trabalhando –os não grevistas estavam sobrecarregados.

A cirurgia, que não era de urgência, poderia ter sido adiada, mas não foi, e os procedimentos médicos causaram a Adams danos cerebrais irreversíveis.

Depois de receber uma dose errada de anestesia, que afetou o sistema respiratório, a intubação foi malfeita –o tubo bloqueou a passagem do ar para os pulmões.

“Jean-Pierre recebeu a supervisão de um estagiário, que mais tarde admitiu que não estava habilitado para a tarefa que lhe fora confiada”, declarou Bernadette à CNN, em entrevista cinco anos atrás.

Clubes que Adams defendeu publicaram em redes sociais suas condolências pelo acontecido.

Senegalês de nascimento, o zagueiro central Adams foi um dos primeiros negros a vestir a camisa dos Bleus (Azuis), como é conhecida a seleção da França, país que tem cerca de 3% a 4% da população formada por negros.

O pioneiro, Raoul Diagne (1910-2002), nascido na Guiana Francesa, atuou na década de 1930.

Adams jogou 22 vezes por sua segunda pátria. Na década de 1970, formou na seleção, com o quarto-zagueiro Marius Trésor (nascido em Guadalupe e titular nas Copas do Mundo de 1978 e 1982), a dupla apelidada de “Guarda Negra”.