Sem ‘europeus’, Tite perderá 20 jogadores para Eliminatórias da Copa

Uma contenda entre clubes europeus e a Fifa pode deixar o técnico da seleção brasileira, Tite, sem 20 dos 25 jogadores convocados (80% do total) para os três jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022 no início de setembro.

Duas questões fizeram as agremiações, amparadas por suas respectivas ligas, confrontar a entidade máxima do futebol: a pandemia de coronavírus e, no caso da América do Sul, a rodada tripla.

Na Inglaterra, a Premier League já avisou que os times não irão liberar os jogadores porque o Brasil está na “lista vermelha” do governo britânico.

Assim, os atletas que viajarem ao Brasil precisarão na volta à Inglaterra cumprir uma quarentena, ficando dez dias confinados em um hotel, para evitar risco de disseminação do coronavírus.

Isso faria com que eles desfalcassem suas respectivas equipes mais longamente do que elas gostariam, em competições nacionais e internacionais.

Na América do Sul, a Conmebol (confederação sul-americana) corre para terminar seu qualificatório, atrasado devido à não realização de partidas no pico da pandemia, a tempo do sorteio dos grupos para a Copa do Qatar.

Para isso, foi marcada rodada tripla (e não dupla, como é praxe) para setembro. O Brasil jogará nos dias 2 (Chile), 5 (Argentina) e 9 (Peru).

A ocorrência de mais duas rodadas neste ano (outra tripla, em outubro, e uma dupla, em novembro) deixa ainda mais insatisfeitos os clubes europeus, que teriam de liberar seus craques novamente em um curto intervalo de tempo.

A Associação de Clubes Europeus (ECA, na sigla em inglês) expôs sua discordância: “A ECA não aceitará que um órgão governante como a Fifa abuse de sua função reguladora para colocar seus interesses comerciais e os de suas associações acima do bem-estar físico dos jogadores e dos interesses esportivos dos clubes”.

O atacante Gabriel Jesus (esq.) e o goleiro Ederson não serão liberados pelo Manchester City para os jogos da seleção brasileira em setembro (Lucas Figueiredo – 5.jul.2018/CBF)

O que é certo neste momento é que os times ingleses não liberarão seus atletas, o que deixa a seleção brasileira sem nove dos listados por Tite na convocação: Alisson, Fabinho e Firmino (Liverpool); Ederson e Gabriel Jesus (Manchester City); Thiago Silva (Chelsea), Richarlison (Everton), Fred (Manchester United) e Raphinha (Leeds).

Em relação a este último, a ausência será especialmente sentida –pelo próprio. Segundo o departamento de comunicação do Leeds, o atacante de 24 anos está “desesperado” para defender pela primeira vez a seleção.

Na Espanha, LaLiga, a organizadora do campeonato nacional, posicionou-se a favor dos clubes que decidirem não fornecer seus atletas para as partidas do qualificatório sul-americano.

LaLiga comprometeu-se inclusive a agir juridicamente, se necessário, em possível embate com a Fifa.

De acordo com o Código Disciplinar da Fifa, clubes que não cederem seus jogadores estão sujeitos a punições, como multa, suspensão de atletas, perda de pontos no campeonato e até rebaixamento de divisão.

A decisão do Real Madrid afetará a seleção brasileira, já que Casemiro e Éder Militão estão convocados, assim como a do Atlético de Madrid, que acaba de contratar Matheus Cunha.

O atacante Matheus Cunha, destaque da seleção olímpica que ganhou o outro em Tóquio, trocou o Hertha Berlin pelo Atlético de Madrid, que pode não cedê-lo para a equipe de Tite (Atlético de Madrid – 25.ago.2021/AFP)

Os outros jogadores chamados por Tite que defendem equipes europeias são: Marquinhos e Neymar (PSG/França); Bruno Guimarães e Lucas Paquetá (Lyon/França); Danilo e Alex Sandro (Juventus/Itália); Lucas Veríssimo (Benfica/Portugal); e Claudinho (Zenit/Rússia).

Caso nenhum deles tenha permissão para vir ao Brasil, restam a Tite cinco atletas da lista divulgada no dia 13: o goleiro Weverton (Palmeiras), os laterais Daniel Alves (São Paulo) e Guilherme Arana (Atlético-MG), o meia Éverton Ribeiro (Flamengo) e o atacante Gabigol (Flamengo).

Ainda deve haver negociações e ações nos bastidores nos próximos dias para que pelo menos parte dos “europeus” possa servir a seleção, mas Tite certamente já elabora uma relação de jogadores que atuam no Brasil para substituir os que não poderão vir.

Nesse cenário de abertura de vagas, nomes em evidência no Brasileiro e/ou na Libertadores ou na Copa Sul-Americana, como Hulk (Atlético-MG), Bruno Henrique (Flamengo), Gustavo Scarpa (Palmeiras), Santos (Athletico-PR), Edenílson (Internacional) e Léo Ortiz (Bragantino), entre outros, têm chance de atuar pelo Brasil nesta rodada das Eliminatórias.