Chegada de Messi torna o PSG, já favorito no papel, favoritaço

Messi afirmou em entrevista de despedida, entre lágrimas, que seu desejo era ficar no Barcelona, seu time desde o começo da adolescência.

O atacante argentino disse ter oferecido uma redução salarial de 50% (de € 70 milhões anuais para € 35 milhões, ou R$ 214 milhões), mas que a direção do clube espanhol nem assim quis que ele permanecesse.

Essa é a versão do seis vezes melhor jogador do mundo, que pelo que se tem conhecimento sempre foi sincero nas declarações. Não houve contestação, até agora, do Barcelona.

No ano passado, quando o camisa 10 quis sair e o Barça não deixou, já que ainda tinha vínculo contratual, poderia ter tentado a via judicial, porém, segundo ele, como processar o time do coração?

Agora, dono de seu destino, pois sem contrato desde o fim de junho, o Barcelona, que tanto quis que ele permanecesse, ofereceu-lhe sem muita gentileza a porta da saída.

Para permitir que um supercraque do quilate de Messi, e mais que isso, o maior ídolo que o clube já teve, se vá, a situação financeira deve estar muito delicada mesmo.

Messi então optou pelo Paris Saint-Germain, onde reencontrará Neymar, com quem atuou no Barcelona de 2013 a 2017. Ficou famoso o trio MSN (Messi-Suárez-Neymar) –o uruguaio saiu em 2020 e está no Atlético de Madrid, onde conquistou o Campeonato Espanhol.

E irá se falar muito, no PSG, de um novo trio de ataque, que deve ser batizado de MMN (Messi-Mbappé-Neymar) ou de MNM (Messi-Neymar-Mbappé).

Se isso fizer sentido.

Pois, conforme o técnico Mauricio Pochettino, compatriota de Messi, decidir, o PSG pode ir a campo com quatro homens de frente, já que Neymar tem atuado como um atacante armador, mais recuado, pelo meio.

Jogariam Di María, autor do gol da Argentina na final da Copa América contra o Brasil, ou Sarabia, e Mbappé pelas pontas (alternando-se entre direita e esquerda), Messi pelo meio, de centroavante, e Neymar também pelo meio, mas um pouco mais atrás.

Pode haver inversão de posicionamento entre Messi e Neymar, também funcionaria.

Com Di María, o PSG pode formar um quarteto ofensivo: ele, Neymar, Messi e Mbappé (Fred Tanneau – 23.mai/2021/AFP)

Com a presença de Messi, o PSG inicia a temporada com um time, no papel, não apenas favorito na Champions League mas, recorrendo ao adjetivo primeiramente usado pelo jornalista e ex-colega de Folha Arnaldo Ribeiro, favoritaço.

Antes da chegada do camisa 10, que deverá não mais usar a 10, já que a 10 está com Neymar –eu sugeriria a camisa 100, de, sutilizando a homofonia, “cem” igual ou “cem” comparação–, o PSG reforçou um grupo já muito qualificado (Navas, Marquinhos, Verratti, Paredes, Draxler, Icardi, além dos citados Mbappé, Sarabia e Di María).

Houve contratações para o gol (Donnarumma, ex-Milan, campeão da Eurocopa com a Itália), para a defesa (Sergio Ramos, ex-Real Madrid, ícone do futebol espanhol, e Hakimi, ex-Inter de Milão, marroquino, um dos melhores laterais da atualidade), para o meio-campo (o holandês Wijnaldum, ex-Liverpool, bom na marcação, na armação, na finalização).

O PSG pode ser assim escalado, em um 4-2-1-3: Donnarumma; Hakimi, Marquinhos, Sergio Ramos e Bernat; Verratti e Wijnaldum; Neymar; Di María, Messi e Mbappé. Ou assim, em um 3-4-3: Donnarumma; Marquinhos, Sergio Ramos e Kimpembe; Hakimi, Verratti, Wijnaldum e Draxler; Mbappé, Messi e Neymar.

Nem o Manchester City, atual campeão inglês e vice-campeão europeu, consegue oferecer formações tão poderosas.

Se um dia o Real Madrid teve os “galácticos” (com Ronaldo Fenômeno, Zidane, Beckham, Roberto Carlos, Owen, Figo, Robinho), não é exagero apelidar o atual PSG de “les galactiques”.

Ser favoritaço, porém, não dá certeza de nada. Que o digam o Brasil na Copa do Mundo de 2014 e os galácticos do Real Madrid.

Na teoria, o PSG tem, considerando as capacidades individuais, tudo para dar certo. Mas dificilmente se vence só com o individualismo. É preciso que o coletivo dê liga, que funcione.

Caso o trio MMN, ou MNM, se entenda, sem vaidades ou personalismos –e aqui o maior risco é Neymar pôr tudo a perder–, será meio caminho, ou até quase todo ele, andado para o sucesso.