‘Furacão da Copa’ faz comparação entre Pelé e Garrincha

É consenso no Brasil, e em boa parte do mundo –mundo do qual a Argentina não faz parte, devido à idolatria e à preferência por Diego Maradona–, que Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, é o melhor jogador da história do futebol.

Há quem considere que depois dele, acima de Maradona, de Messi, de Cristiano Ronaldo, de Zidane, de Puskás, de Beckenbauer, de Ronaldo Fenômeno, de Cruyff, de Platini, de Di Stéfano, de Romário, entre outros supercraques da bola, vem Manoel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha.

Com Pelé e Garrincha escalados juntos, a seleção brasileira jamais perdeu uma partida. De 1958 a 1966, atuaram pelo Brasil, simultaneamente, em 40 jogos. Foram 36 vitórias e quatro empates.

Em entrevista recente, um personagem que conviveu nos campos de futebol tanto com Pelé, hoje com 80 anos, como com Garrincha, morto em 1983 aos 49 anos, fez uma comparação entre as duas lendas, consideradas por ele “os melhores jogadores da história do futebol brasileiro e do mundo”.

O carioca Jair Ventura Filho foi companheiro do fluminense Garrincha no Botafogo e do mineiro Pelé na seleção brasileira.

Jairzinho, 76, é também um dos grandes jogadores da história do futebol nacional. Será sempre lembrado, além de suas marcantes atuações pelo clube da estrela solitária, pelo desempenho na Copa de 1970, no México.

O ponta-direita, conhecido e admirado pela explosão física e pelo faro de gol, foi o artilheiro na campanha do tricampeonato mundial do Brasil, com sete tentos, fazendo gol em todos os seis jogos, da estreia à decisão.

A performance memorável e avassaladora nos gramados mexicanos lhe rendeu o apelido “Furacão da Copa”.

Jairzinho, ídolo do Botafogo, com a camisa do time carioca no estádio Nilton Santos, no Rio (Mauro Pimentel – 8.fev.2020/AFP)

“Para mim, [Pelé e Garrincha] são dois fenômenos do futebol de todos os tempos”, disse Jairzinho à agência Sherlock Communications, de relações públicas.

“Eu acho que jamais em vida vou conseguir ver um Garrincha, um cara que bota cinco na frente dele, e ele passar pelos cinco. Chegou um jogo (…) que perfilaram cinco jogadores na frente dele, e ele passou pelos cinco”.

“E o Pelé (…) uma inteligência fantástica, reflexo muito apurado, criatividade. Criatividade inesperada que só o brasileiro bota em prática. Vou citar um ponto do Brasil e Tchecoslováquia [na Copa de 1970], quando Pelé pega a bola no meio do campo e bota por cima do goleiro [o gol não saiu por pouco]. São momentos especialíssimos que ele viveu, mostrou e executou.”

Assim, de forma sucinta, Jairzinho definiu Pelé e Garrincha: o primeiro, cerebral, inventivo, dono de sentidos apuradíssimos, protagonista de lances inesquecíveis; o segundo, tão somente, e o que não é pouco, o maior mestre do drible que já existiu no futebol.

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Erramos: o texto foi alterado

Jairzinho não foi o único jogador a fazer gol da estreia à decisão em uma Copa do Mundo. Gigghia, do Uruguai, também fez o mesmo na Copa do Mundo de 1950. O texto foi modificado.