Itália proíbe uniformes verdes; e se essa decisão se expande?

Uns dias atrás, o Campeonato Italiano (Série A) anunciou mudança nas regras para proibir que equipes usem uniformes da cor verde.

A decisão, de acordo com sites futebolísticos, foi tomada depois da solicitação dos detentores dos direitos de transmissão, que alegaram que a qualidade do produto fica prejudicada devido à concomitância do verde do gramado e da vestimenta dos atletas.

É curioso, até esdrúxulo, isso.

Desde que o futebol é futebol, nunca se debateu esse tema. Do nada, ele surge, e o pedido (de quem paga pelo produto, enfatize-se, então pode ter tido tom de exigência) é prontamente acatado, certamente sem a anuência dos clubes, dos atletas, dos torcedores.

A determinação valerá na Itália a partir do campeonato de 2022/2023, então pelo menos as agremiações terão tempo para planejar a confecção dos uniformes.

O calcio italiano será, é verdade, pouco afetado pela decisão, já que nenhum time da primeira divisão tem em seu uniforme a supremacia absoluta do verde.

Há enfoque no Sassuolo, cuja camisa principal tem listras verticais verdes e pretas. Como fica?

O time terá que fazer o preto predominar nela, assim como nas meias, e manter o calção preto, a fim de ter o uniforme aprovado.

O jeito será, caso não se queira fazer uma mudança radical no visual, alargar as listras pretas e estreitar as verdes.

Em relação aos demais clubes, bastará não encomendar opções verdes para uniformes reservas –a Lazio foi a campo esverdeada recentemente.

Agora, se a questão visual se expande para outros países, a coisa complica e certamente vai gerar ampla oposição e reclamação.

O atacante Breno Lopes, do Palmeiras, durante partida contra o Santos na qual a equipe paulistana usou o uniforme número 1 (Cesar Greco – 10.jul.2021/Ag. Palmeiras)

No Brasil, dá para imaginar o Palmeiras abdicando do verde? Jamais. E o Goiás?

No Campeonato Brasileiro da Série A, hoje, há verde, inteiramente ou em parte, nas camisas de Palmeiras, Chapecoense, Cuiabá, Juventude, América-MG e Fluminense.

E lá fora?

Na Alemanha, o Werder Bremen e o Wolfsburg se vestem de verde; na Espanha, a camisa do Betis mescla o verde com o branco, em listras verticais.

Na Inglaterra, o Norwich tem verde na camisa, apesar de o amarelo dominar, e o calção é esmeralda. A camisa número 2, para jogos como visitante, é verde.

Na América do Sul usam verde, entre outros times, os colombianos Deportivo Cali e Nacional de Medellín.

Indo além, se a determinação se alastrar mundialmente e chegar às seleções, será no mínimo perturbador.

A Bolívia, do capitão Marcelo Moreno (em ação contra o Chile), é uma das seleções que vestem verde (Alberto Valdes – 8.jun.2021/AFP)

Serão desvirtuados os uniformes de Nigéria e Camarões, na África; o da Arábia Saudita, na Ásia; o das Irlandas, na Europa; o da Bolívia, na América do Sul; o do México, na América do Norte.

Todos verdes, todos tradicionalíssimos.

Fazer essas seleções trocarem o verde por outra cor seria como fazer o Brasil ser impedido de atuar com a camisa amarela. Impensável.