Ítalo-brasileiro Jorginho está cotado para ser o melhor do mundo

Ele é melhor que Messi? Não, e nunca será. É melhor que Cristiano Ronaldo? De jeito nenhum, e não há nem haverá como sê-lo. Nem atacante ele é.

Mesmo assim, o volante Jorginho, do Chelsea e da seleção italiana, está cotado para ser eleito o melhor jogador do mundo neste ano.

Mas como?

Afinal, Jorge Luiz Frello Filho, nascido em 1991 em Imbituba (SC) mas também cidadão italiano (vive na Itália desde 2007), não é nenhum fora de série no esporte que pratica.

Desenvolveu na adolescência seu futebol no Verona, onde iniciou a carreira profissional.

A partir de 2014, defendeu o Napoli, clube no qual tornou-se um sustentáculo no meio de campo –fez durante três anos parceria com o também volante Allan, campeão com a seleção brasileira na Copa América de 2019.

Transferiu-se em 2018 para o Chelsea, da Inglaterra, onde permanece até hoje.

Ao lado de colegas do Chelsea, Jorginho ergue a taça da Champions League, conquistada diante do Manchester City (Manu Fernandez – 29.mai.2021/Reuters)

Jorginho tem bom passe, é aplicado na marcação e sobra-lhe fôlego, entretanto faltam-lhe velocidade e presença física (1,80 m, ok, porém apenas 68 kg). Quase não dribla.

Por não jogar próximo à área adversária e por não ser cobrador de faltas nem de escanteios, seu número de assistências é baixíssimo (quatro em 131 partidas pelo Chelsea, somados Campeonato Inglês e Champions League).

Também não é bom finalizador –quase não arrisca a gol, aliás.

Mas Jorginho faz seus gols. Ele é o cobrador oficial de pênaltis, tanto do Chelsea, seu atual clube, como da Itália.

Dos 17 gols anotados pelo clube londrino, 15 foram em penalidades máximas. Dos cinco marcados pela Squadra Azzurra, todos saíram da marca da cal.

Pênaltis que são cobrados com um estilo peculiar. Jorginho dá um pulinho antes de bater na bola.

O movimento, teoricamente, lhe dá tempo para ver o movimento do goleiro e, caso este escolha um canto, chutar do lado oposto.

Jorginho marca de pênalti pelo Chelsea em partida contra o Tottenham na Premier League (Clive Rose – 4.fev.2021/Reuters)

Não são, todavia, a performance nos pênaltis nem suas qualidades como futebolista que fazem de Jorginho um postulante aos prêmios Bola de Ouro, da revista France Football, e Fifa The Best, que serão entregues em datas a serem anunciadas.

Ele próprio, ao comentar no programa “Bem, Amigos!” (SporTV) sua chance de ser o escolhido, explica por que seu nome está entre os candidatos.

“Como comparar os jogadores? Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar… são características completamente diferentes [das minhas]. Aí vem a questão do critério.”

“Se a gente fala de habilidade, eu sou consciente de que o melhor do mundo não sou eu. Agora, quem ganhou mais? Ninguém ganhou mais do que eu neste ano.”

Quando Jorginho diz que ninguém ganhou mais que ele, faltou esclarecer que a referência era a títulos de primeiríssima linha.

O ítalo-brasileiro conquistou a Eurocopa pela Itália, no domingo (11), diante da Inglaterra, em Wembley. Desperdiçou, diga-se, sua cobrança na disputa de pênaltis.

Jorginho levanta o troféu da Eurocopa depois do triunfo da Itália sobre a Inglaterra, na disputa de pênaltis, no estádio de Wembley, em Londres (Andy Rain – 11.jul.2021/AFP)

No fim de maio, sagrou-se campeão europeu de clubes, quando o Chelsea superou o Manchester City por 1 a 0 no Porto (Portugal) e faturou a Champions League.

Entre os principais concorrentes de Jorginho, Messi, seis vezes escolhido o melhor do mundo, tem a seu favor a conquista da Copa América pela Argentina. Fez uma competição excelente, mas não brilhou na final contra o Brasil. Pelo Barcelona, ganhou a Copa do Rei.

Cristiano Ronaldo, cinco vezes o melhor do planeta, caiu com Portugal nas oitavas da Eurocopa, não sem antes ter se tornado o principal artilheiro da história da competição (fez cinco gols e chegou a 14) e igualado o recorde de gols (109, ao lado do iraniano Ali Daei) de um jogador por sua seleção. Pela Juventus, ganhou a Copa da Itália.

Jorginho frisou o critério a ser considerado.

De fato, ele tem dois títulos europeus em 2021, um pela seleção, um pelo clube, algo que Messi nunca conseguiu em um mesmo ano –Cristiano Ronaldo, sim, em 2016, quando atuava no Real Madrid.

Se os eleitores se fixarem nisso, ele surpreenderá os favoritos e se tornará, aos 29 anos, o primeiro nascido no Brasil a conquistar um prêmio desse porte desde Kaká, em 2007.