Passado de fiascos pressiona Messi em final contra o Brasil

Messi, o espetacular Lionel Messi, começou a defender a seleção principal da Argentina em 2005, há quase 16 anos. Tinha à época 18 anos.

Desde então, amargou decepção atrás de decepção nos torneios mais relevantes disputados, Copas do Mundo e Copas América. Zero título em nove tentativas.

Com o status de principal craque do time desde a Copa de 2010, ele acumulou em todo esse tempo –antes e depois do Mundial sul-africano– o fardo de jamais conseguir ser decisivo nas partidas em que a Argentina sucumbiu nessas competições.

Seja no jogo final, seja em partidas eliminatórias nas quais os argentinos caíram, Messi não anotou um único gol nessas nove ocasiões, no tempo normal ou na prorrogação, tendo sido titular em oito delas.

Até acertou duas de três cobranças de pênaltis nos duelos definidos dessa maneira, porém, se eles chegaram até as penalidades máximas, foi porque o seis vezes melhor do mundo não resolveu antes.

Messi treina no Rio para a decisão da Copa América contra o Brasil (Carl de Souza – 9.jul.2021/AFP)

O martírio do atual capitão da Argentina começou na Copa da Alemanha, em 2006. Na eliminação para a seleção anfitriã, contudo, nenhuma responsabilidade lhe pode ser atribuída, já que foi reserva e viu do banco a queda na disputa de pênaltis.

Uma exceção. Depois disso, Messi sempre jogou, e sempre ficou sem se encontrar com um de seus melhores amigos no futebol: o gol.

Messi jejuou nas seguintes eliminações da Argentina:

Messi terá nova chance de tentar mudar esse histórico tremendamente incômodo de insucessos, que o fez até anunciar, em 2016, que não mais atuaria pela seleção –depois recuou–, neste sábado, às 21h, no Rio, na final da Copa América, contra o Brasil.

O camisa 10 tem tido um de seus melhores anos, com 33 gols em 37 partidas, na soma de Barcelona (28 tentos) e seleção (5), repetindo a quantia de gols dos primeiros 37 jogos que disputou em 2016, 2017 e 2019. Em 2015, foram 36 gols. Em 2013, 40. Em 2012, inacreditáveis 51.

De quebra, faz uma Copa América de encher os olhos. Nas seis partidas que a Argentina jogou (contra Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Equador e Colômbia), fez quatro gols e deu cinco assistências (passes que resultam em gol).

Ou seja, mostrou-se decisivo em 9 dos 11 gols que o time treinado pelo xará Lionel (Scaloni) fez na competição em solo brasileiro. (Para registro, marcou também na disputa de pênaltis diante da Colômbia, na semifinal.)

Messi tem ainda, entretanto, o seu maior fantasma a exorcizar. Precisa ser efetivo, ser contundente, ser determinante, enfim, ser decisivo no momento decisivo.

Conseguirá?

Noventa minutos mais acréscimos no Maracanã darão a resposta.

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Em tempo: Este texto não inclui o ouro olímpico conquistado por Messi na Olimpíada de Pequim, em 2008, pois aquela seleção da Argentina não era a principal. De toda forma, no jogo do título na China, vitória de 1 a 0 sobre a Nigéria, Messi não marcou. O gol foi de Di María.