O mistério de ‘Sweet Caroline’, hino da torcida inglesa na Eurocopa

Os incrédulos torcedores da Inglaterra, do dia para a noite, tornaram-se crédulos. Por mais fanáticos que sejam –e eles são ao extremo–, eles certamente não imaginavam que a seleção poderia chegar tão longe na Eurocopa.

Quão longe? Na final.

A vitória contra a Dinamarca, de virada, por 2 a 1 no lendário estádio de Wembley, em Londres, colocou a equipe do técnico Gareth Southgate e do goleador Harry Kane na decisão contra a Itália.

Havia uma razão taxativa para a descrença dos fãs.

Desde 1966, quando ganhou a Copa do Mundo ao superar a Alemanha na prorrogação –com um gol de Geoff Hurst no qual, para mim, a bola não ultrapassou a linha–, o English Team não alcançava uma final.

A felicidade tomou conta da ampla maioria dos 64.950 torcedores que ocupavam as cadeiras de Wembley (em plena pandemia de coronavírus!), que também abrigará a final de domingo (11), quando o árbitro holandês Danny Makkelie soprou o apito para encerrar a prorrogação.

E, de forma entusiasmada, entoaram um dos cânticos que o DJ do estádio escolheu para ecoar nos alto-falantes: “Sweet Caroline”, música de 1969 do nova-iorquino Neil Diamond.

Mas por que exatamente essa canção, junto com outra (“Three Lions”, da banda The Lightning Seeds), tornou-se uma espécie de hino dos torcedores ingleses?

Simplesmente porque o DJ de Wembley, Tony Parry, a elegeu, já que ela não tem relação nenhuma com futebol.

A escolha dele nesta quarta (7) não foi inédita. Ocorreu primeiramente depois da partida de oitavas de final, na qual a Inglaterra superou por 2 a 0 a Alemanha, algoz dos ingleses, então anfitriões, na Eurocopa de 1996.

Naquela noite londrina, depois de um empate por 1 a 1, a Inglaterra caiu nos pênaltis, e quem desperdiçou a cobrança que resultou na eliminação foi justamente Southgate, o atual treinador do English Team.

Gareth Southgate, treinador da seleção inglesa, vibra em Wembley depois do término da partida contra a Dinamarca (Frank Augstein – 7.jul.2021/Reuters)

Não se sabe por que “Sweet Caroline” apaixonou tão rápida e loucamente os fãs ingleses –esse é um mistério a ser desvendado.

Uma das hipóteses, na interpretação de Alex Finnis em artigo no site inews.co.uk, é ser essa música “divertida para cantar em grupo”.

Há um trecho que diz: “Sweet Caroline, good times never seemed so good” (Doce Caroline, bons tempos nunca pareceram tão bons). E os torcedores passaram a se deliciar ao entoar o “tão bons”, esticando essa parte (“so good, so good, so good”).

O DJ Parry disse à rádio londrina talkSPORT que pretendia tocar Vindaloo, da banda britânica Fat Les, mas mudou de ideia repentinamente. “Segui meu instinto.”

Pegou, e por isso ele bisou “Sweet Caroline” depois do triunfo dos ingleses ante os dinamarqueses.

Jogadores comemoram o gol do capitão Harry Kane (deitado) que classificou a Inglaterra para a final da Eurocopa (Laurence Griffiths – 7.jul.2021/Reuters)

Ressalte-se que “Sweet Caroline” não é uma música estranha ao ambiente esportivo.

Ela é um hit no Fenway Park, do time de beisebol Boston Red Sox, desde 1997, quando Amy Tobey, então responsável pela trilha sonora no estádio, a tocou, em homenagem a uma pessoa do estafe da equipe que dera o nome de Caroline à filha recém-nascida.

“Sweet Caroline” também é tocada nas partidas do Carolina Panthers (NFL, futebol americano), dos clubes ingleses Aston Villa e Chelsea, e em jogos de críquete e lutas de boxe na terra da rainha.

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Em tempo 1: O octogenário Neil Diamond declarou em entrevista em 2007 que escreveu “Sweet Caroline”, estrondoso sucesso nas rádios em 1969, inspirado na hoje sexagenária Caroline Kennedy, que tinha à época 11 anos e é filha de John Kennedy (1917-1963), um dos mais famosos presidentes dos EUA.

Em tempo 2: “Sweet Caroline” é mesmo uma canção muito bacana. Vale escutar.