Submissão de clubes ingleses torna Superliga inimaginável

Pouco mais de dois meses atrás, parecia que seria implementada uma das maiores revoluções no mundo do futebol.

Quando 12 dos mais poderosos clubes da Europa, e consequentemente do mundo, anunciaram a criação de uma Superliga continental, todos vislumbraram uma mudança radical, que mexeria com a organização das competições, os participantes das mesmas e a divisão da arrecadação de valores financeiros.

Todavia, tão rápido como a Superliga despontou, ela se retraiu, perdeu ímpeto, murchou. Naufragou.

Reações contrárias, de torcedores e da mídia especializada, a essa nova ordem no futebol, que tornaria os ricos ainda mais ricos e reduziria drasticamente as chances de os times “classe média/baixa” ganharem os holofotes, fez a maioria dos membros da Superliga capitularem.

O Clube dos 12 ficou restrito a três agremiações: a italiana Juventus e os espanhóis Real Madrid e Barcelona.

De alguma forma, sabe-se lá qual, eles ainda têm a pretensão de levar a ideia adiante, mesmo sob risco de serem punidos com, por exemplo, o impedimento de disputar a Champions League.

Os demais –Manchester United, Manchester City, Arsenal, Liverpool, Chelsea, Tottenham, Atlético de Madrid, Milan e Inter de Milão– preferiram se desculpar ante seus fãs e tentar se entender com a Uefa (entidade máxima do futebol na Europa) e suas respectivas federações.

Pelo que ficou acordado na Inglaterra, país com a liga mais endinheirada e badalada do momento, intui-se que os clubes locais que se comprometeram inicialmente com a Superliga desistiram de qualquer novo movimento rebelde.

Há duas semanas, para reparar a atitude de insurgência, os seis times concordaram em pagar à Premier League, responsável pelo Campeonato Inglês, a quantia de £ 22 milhões (R$ 150,5 milhões).

Esse montante será destinado ao futebol de base e a programas comunitários.

Essas equipes também concordaram em serem multadas em £ 20 milhões (R$ 136,8 milhões) cada uma, além de terem 30 pontos deduzidos na tabela do campeonato, se tiverem uma recaída e decidirem se juntar futuramente a uma liga dissidente, não reconhecida pela Uefa.

Torcedores do Arsenal protestam diante do estádio da equipe contra o dono do time pela decisão, depois revista, de aceitar integrar a Superliga (Henry Nicholls – 23.abr.2021/Reuters)

Certamente os clubes não pretendem ter mais um revés financeiro e, mais certamente ainda, despencar na classificação. A perda desses pontos muito possivelmente resultará no rebaixamento para a segunda divisão.

Sem a participação das potências britânicas, é inimaginável pensar que a Superliga europeia possa, caso seus idealizadores venham a viabilizá-la um dia, atrair interesse significativo de patrocinadores, torcedores e meios de comunicação.

É mais provável que Juventus, Real e Barça desistam em algum momento de bater o pé e reconheçam a derrota que só eles insistem, semana após semana, em não digerir.