Garrafas de cerveja e refrigerante roubam a cena na Eurocopa

Cristiano Ronaldo deu o chamado “start”.

Em entrevista coletiva na segunda-feira (14), véspera da estreia de Portugal na Eurocopa, contra a Hungria, antes de se sentar na sala montada pela Uefa em Budapeste, ele retirou as duas garrafas de Coca-Cola que estavam à sua frente e colocou-as distantes.

Depois, pegou uma garrafa de água, exibiu-a aos presentes e falou, em bom português: “Água”.

Que eu saiba, o CR7 não tocou no assunto depois, e a conclusão que tive é a que ele quis passar a mensagem de que beber água é saudável, ao contrário de tomar refrigerante.

As garrafas de Coca-Cola não estavam próximas ao craque luso por acaso.

A empresa é uma das patrocinadoras da competição, e o produto está ali justamente para aparecer nas câmeras quando um jogador for se pronunciar.

O gesto do capitão português resultou, de acordo com o noticiado, em rápida desvalorização da Coca-Cola, com uma queda de US$ 4 bilhões (R$ 20 bilhões) em seu valor de mercado.

Essa cifra corresponde ao valor do inglês Manchester City, o sexto clube mais valioso do mundo, de acordo com a revista Forbes.

A companhia norte-americana minimizou o ocorrido, afirmando em comunicado que “todos têm direito a suas preferências de bebida”.

O interessante, e inesperado, é que o ato de Cristiano Ronaldo resultou em uma espécie de efeito cascata, com mais dois jogadores agindo de forma similar à dele.

O volante Paul Pogba, um dos principais jogadores da França, que é a atual campeão mundial e vice-campeã da Euro, na entrevista após a vitória por 1 a 0 sobre a Alemanha, retirou da mesa uma garrafa da cerveja Heineken, outra patrocinadora da Euro.

Isso ocorreu na terça. Na quarta (16), ao se apresentar para falar depois do triunfo da Itália contra a Suíça (3 a 0), o nome do jogo, o volante Manuel Locatelli, autor de dois gols, teve como alvos os mesmos do CR7.

Antes de se sentar para atender aos repórteres, colocou diante de si uma garrafa de água e afastou de perto as duas garrafas de Coca-Cola.

A partir daí, nas entrevistas, as garrafas dos patrocinadores tornaram-se tão protagonistas quanto os jogadores e treinadores.

Teve gente que se opôs à atitude dos colegas de profissão que não quiseram relacionar a imagem a refrigerante ou cerveja.

Caso de Harry Kane, principal atacante da Inglaterra. “Se os patrocinadores pagaram, têm o direito de ter o retorno desejado.” O técnico do English Team, Gareth Southgate, afirmou que “o impacto do dinheiro dos patrocinadores ajuda o esporte a funcionar”.

E teve gente que levou a questão de forma bem-humorada, casos do treinador da Bélgica, o espanhol Roberto Martínez, e do atacante Andriy Yarmolenko, da Ucrânia.

Ambos tocaram no assunto ao encerrar suas respetivas entrevistas, depois de os belgas superarem a Dinamarca (2 a 1) e de os ucranianos passarem pela Macedônia do Norte (também 2 a 1).

“Os Red Devils amam Coca-Cola”, declarou Martínez, ao mesmo tempo em que tocava na garrafa do refrigerante.

Os belgas são chamados de Red Devils (Diabos Vermelhos) devido à cor da camisa principal da seleção, que é escarlate.

Yarmolenko foi além e, esperto, tentou capitalizar. Aproveitou a deixa para convidar as marcas a patrociná-lo.

Aproximou de si as garrafas de Coca-Cola e disse, sorrindo: “Eu bebo Coca-Cola. Eu bebo Heineken. Façam contato comigo”.

À luz dos acontecimentos, a Uefa, organizadora da Euro, reforçou às seleções participantes (são 24) que elas têm obrigações contratuais com os patrocinadores do torneio.

A entidade ressaltou que não pretende punir nenhum atleta, ficando a medida a cargo das federações nacionais.

No entanto, caso comportamentos como o de Cristiano Ronaldo se tornem repetitivos, não descartou ter de agir, com a aplicação de multas aos infratores.