Messi por Messi

Aos 33 anos, Lionel Messi inicia nesta segunda (14), uma vez mais, com a estreia da Argentina na Copa América –contra o Chile, às 18h, no Engenhão–, o desafio de encerrar o incômodo jejum de jamais ter conquistado um título pela seleção principal de seu país.

Isso foi escrito como mera introdução de meu personagem neste texto, já que o foco não é a participação de Messi na Copa América, e sim uma entrevista que ele concedeu no mês passado ao jornal argentino Olé.

Uma entrevista saborosa, com o título “Messi na intimidade com Olé: sua argentinidade, confissões e muito mais”, que pode ser lida na íntegra aqui (em espanhol), e da qual extraí os trechos que mais me chamaram a atenção.

Lembranças e revelações que possivelmente muito pouca gente tem conhecimento, como o gosto pelo raquetebol, o desgosto pelos estudos, a coleção incompleta de camisas e como ele gosta de ser chamado. (E, sim, falou um pouco da Copa América.)

Com a palavra, o camisa 10 do Barcelona e da Argentina, uma das lendas vivas do futebol.

A máscara incômoda

Eu estava nos juvenis, com 14 ou 15 anos. Em um jogo contra o Espanyol, me acertaram com o cotovelo e “quebraram” minha bochecha [fratura do osso malar]. No fim de semana seguinte, jogaríamos a Taça da Catalunha. Para essa faixa etária é um torneio muito importante. A mesma coisa tinha acontecido com Puyol [zagueiro do time principal do Barcelona], e ele jogou com uma máscara, que foi enviada para mim. Treinei [com ela] algumas vezes, comecei a jogar, mas era impossível, era muito grande, se movia para todos os lados. Livrei-me dela. Acho que fiz dois gols. Meu pai gritava com o treinador para que não me deixasse jogar sem máscara, e acabaram me tirando [do jogo]. Naquele momento não percebi o perigo, o que podia acontecer. Queria jogar, e ela me incomodava, eu abaixava a cabeça e não via a bola.

Desgosto pelos estudos

A verdade é que eu não gostava de estudar [quando criança, em Rosario, sua cidade natal] e era difícil para mim. Fiz o ensino médio na Espanha. Não prestava atenção [nas aulas], era difícil, mas eu me saía bem.

O prazer da vida familiar

Tenho a sorte de passar praticamente o dia todo com eles [Thiago, 8, Mateo, 5, e Ciro, 3, seus filhos com Antonella], de poder levá-los à escola, buscá-los, levá-los ao futebol e a outras atividades. Acordá-los, tomar café da manhã com eles, embora às vezes você queira matá-los [risos]. Fazê-los dormir. Estar no dia a dia. Adoro isso, o tempo que passo com eles, com minha esposa, com meus irmãos.

Futebol na TV

Vejo, vejo muito. Gosto de acompanhar diferentes ligas. Assisto mais como espectador do que como observador [das táticas]. Não fico analisando, e sim desfruto do jogo.

Raquetebol

Gosto de raquetebol e de ver tênis. Gosto de jogar raquetebol. Jogo muito com Pepe [Costa, amigo e conselheiro]. Pepe joga bem. Eu corro, ele esbanja qualidade. Não jogamos muito porque há partidas [de futebol] a cada três dias.

Arrependimento

Me arrependo de não ter pedido camisas de jogadores [para ter uma coleção mais ampla] quando estava começando [a carreira]. Como a de Ronaldo [Fenômeno], a de Roberto Carlos, jogadores a quem enfrentei e dos quais gostaria de ter essas camisas.

A Copa América

O grupo todo está ansioso, empolgado para jogar esta Copa. Faz muito tempo que não nos juntamos, da última vez [para jogos das Eliminatórias, em março] não pudemos por causa do vírus, e isso dá uma vontade maior de nos encontrarmos. É uma Copa especial, diferente, pelo fato de que não haverá torcida. Mas, pessoalmente, tenho muita vontade de participar mais uma vez.

Leo ou Lio?

Na verdade é Lio, mas ficou Leo. Para mim é Leo. Minha mãe vai me matar, mas foi Leo que pegou.