Talento congolês diz que, chantageado, jogou com nome e idade falsos

Um dos principais destaques do Stuttgart, um dos mais conhecidos clubes da Alemanha, revelou, por meio de um comunicado do clube, que o nome e idade que vinha utilizando não eram verdadeiros.

Conhecido até então por Silas Wamangituka, na verdade se chama Silas Katompa Mvumpa. E nasceu no dia 6 de outubro de 1998, não no dia 6 de outubro de 1999.

O meia-atacante de 1,89 m, nascido na República Democrática do Congo (África), tem, portanto, 22 anos, e não 21.

De acordo com o texto publicado no site do Stuttgart nesta terça (8), o jogador não teve culpa nas falsificações, que foram obra de seu antigo representante.

Esse agente, cujo nome não foi revelado, foi o responsável por levar Silas de sua terra natal para a Bélgica, a fim de passar por um teste no Anderlecht, em 2017.

Antes de fechar contrato, a equipe belga, que se interessou pelo atleta, solicitou que ele voltasse ao Congo e renovasse o visto de permanência na Europa.

Nesse momento, sempre segundo a versão do clube alemão e de Silas, o empresário que administrava a carreira do atleta lhe disse que ele não conseguiria autorização para regressar se viajasse de volta à África.

O jogador foi convencido a permanecer, e o agente então falsificou seus documentos, levando-o para morar com ele na França.

Já com o nome e idade adulterados, Silas passou a atuar pelo Olympique Alès, de onde se transferiu para o Paris FC e posteriormente, em 2019, para o Stuttgart.

Silas conta que, sem ter ninguém a quem recorrer, tornou-se durante todo esse período dependente, em todos os sentidos, de seu representante, que não dava ao atleta acesso a nenhum documento nem à conta bancária.

O meia-atacante aceitava a situação, relata o próprio, porque o agente o chantageava, afirmando que, se ele se rebelasse, delataria a autoridades as irregularidades em seu nome e idade, o que destruiria sua carreira profissional.

Silas deu a entender ainda que essa pessoa ameaçava prejudicar sua família no Congo, se ele se rebelasse.

Com o passar do tempo, o desconforto de Silas foi se tornando mais intenso, até que ele criou coragem para contar sua história a dirigentes do Stuttgart, que prontamente decidiram apoiá-lo.

“Vivi com medo constante nos últimos anos e também preocupado com minha família. Foi um passo difícil tornar a minha história pública.”

O congolês Silas em jogada na partida contra o Borussia Mönchengladbach na Copa da Alemanha 2020/21, competição na qual anotou dois gols pelo Stuttgart, um deles nesse jogo (Thomas Kienzle – 3.fev.2021/Reuters)

O comunicado do time alemão não informa quando nem como ocorreu o rompimento do jogador com seu empresário.

Atualmente, Silas tem a carreira gerenciada por outros agentes.

O site Transfermarkt, que mantém atualizada a ficha de centenas de futebolistas, publica que quem cuida dos interesses do atleta é a empresa alemã M-Soccer Management.

Os novos representantes do congolês estudam, em conjunto com o Stuttgart, as medidas judiciais cabíveis.

O clube afirma manter contato com a Liga Alemã e com a Federação de Futebol da Alemanha, com o intuito de que Silas possa prosseguir atuando no país e na Bundesliga (como é chamado o Campeonato Alemão da primeira divisão).

Silas Katompa Mvumpa, ainda com o sobrenome Wamangituka, marcou sete gols na temporada 2019/20, ajudando o Stuttgart a regressar à divisão de elite.

Nela, na temporada 2020/21, balançou as redes 11 na Bundesliga, sendo o vice-artilheiro do time na competição, na qual o Stuttgart acabou na nona colocação.

Ele está afastado dos campos desde o dia 20 de março, quando teve rompimento do ligamento cruzado anterior do joelho direito na partida contra o Bayern de Munique.