Alemanha lança plano anti-Covid para terminar temporada no prazo
Primeira nação com liga renomada a conseguir retomar em 2020 suas atividades futebolísticas depois do rebentamento da pandemia de coronavírus, a Alemanha luta agora para não ser a última a terminar seus campeonatos.
Depois de um surto de Covid no Hertha Berlin, que obrigou a Bundesliga a adiar três partidas da equipe, as autoridades do futebol alemão decidiram implantar medidas rígidas de isolamento que permitam à primeira e à segunda divisão chegar ao fim na data prevista: sábado, 22 de maio, e domingo, 23, respectivamente.
Na semana passada, o clube da capital decretou quarentena de 14 dias para tentar estancar o avanço do vírus –houve a detecção de quatro casos no elenco, sendo dois deles jogadores.
Desse modo, os jogos contra Mainz, Freiburg e Schalke passaram deste mês para o início do próximo, tornando o calendário do Hertha, que luta contra o rebaixamento, bem apertado –serão quatro confrontos em dez dias.
A Alemanha, que registrou até aqui quase 82 mil mortes por Covid, vive o temor de uma terceira onda da doença.
No dia 14 deste mês, registrou-se o recorde de novos casos no país, 32.546, e nos últimos dias o número de infectados tem ficado na casa dos 30 mil. Em março, o dia com mais casos teve 22.258. Em fevereiro, 12.947. Os dados são do site Worldometer, dos EUA
Assim, em um cenário de expansão da doença, a fim de tentar dar continuidade ao futebol, estabeleceu-se uma estratégia de quarentenas dividida em duas etapas, que inclui testes constantes para saber se alguém está com o vírus.
Na primeira, que começa no próximo sábado, 2 de maio, jogadores e todos os integrantes de departamentos envolvidos com eles só sairão de casa para os treinos e para os jogos, retornando a suas residências imediatamente depois desses compromissos.
Na segunda, a partir do dia 12, uma terça-feira, até o dia 23, no período das duas rodadas finais das competições, eles serão internados nos respectivos centros de treinamento de cada clube, e só sairão para disputar as partidas. Cada time terá sua própria bolha de segurança.

A preocupação em terminar na data prevista deve-se à proximidade de Eurocopa, que foi adiada do ano passado para este devido à pandemia e começa no dia 11 de junho.
As seleções participantes precisam contar com os jogadores para a devida preparação, e vários deles atuam no futebol alemão.
Exemplo de organização, a Alemanha certamente desgosta e até se envergonha da tabela bagunçada , com número desigual de jogos entre os times.
Antes do início da rodada deste fim de semana, a de número 31 (de um total de 34), o Hertha Berlin tinha disputado 28 jogos, ou dois a menos do que deveria, e Mainz e Freiburg jogaram 29 cada um.
Na segunda divisão não é diferente.
O Holsten Kiel, uma das sensações da temporada, não vai a campo desde o último dia 6, pois teve de entrar em quarentena devido à eclosão de casos no clube.
A equipe deixou de jogar quatro partidas (tem 26 deveria ter 30), caiu da terceira posição para a sexta na tabela e terá de ir a campo –a quarentena terminou há três dias– seis vezes no intervalo de 17 dias, algo anormal em se tratando de Alemanha.
Em tempo: A Alemanha age para não ter atrasos também porque, apesar de o fim de semana de 22 e 23 de maio concluir turno e returno, duas equipes –a antepenúltima da primeira divisão e a terceira da segunda– terem de disputar, nos dias 26 e 29, um mata-mata para definir a situação de cada um: permanecer onde está, melhorar ou piorar de vida.