Filha do ‘bad boy’ da NBA Dennis Rodman faz gol na estreia profissional

Você se lembra de, ou sabe quem é, Dennis Rodman?

Aposentado da NBA há mais de 20 anos (está hoje com 59), ele foi um famosíssimo jogador da mais famosa liga de basquete do planeta.

Supervencedor, integrante do Salão da Fama da NBA, tem uma mão cheia com os anéis dados aos campeões da competição norte-americana.

Ganhou duas vezes (1989 e 1990) com os “bad boys” do Detroit Pistons (ao lado de Bill Laimbeer, Isiah Thomas, Joe Dumars), célebres por serem fisicamente e mentalmente intimidantes, por vezes maldosos com os rivais e afrontadores à arbitragem, e três (1996, 1997 e 1998) com o Chicago Bulls de Michael Jordan e Scottie Pippen.

Razoável no ataque, pois não era um grande arremessador –o estilo de arremesso, aliás, era heterodoxo, ele não fazia o movimento tradicional–, Rodman tinha um talento muito específico na defesa.

Não foi chamado de “Mr. Rebound”, ou Senhor Rebote, mas poderia ter sido. Se há uma coisa que Rodman fazia com maestria era apanhar rebotes, tanto no ataque como na defesa.

Defendendo o Chicago Bulls contra o Utah Jazz, Dennis Rodman pega rebote à frente de Karl Malone em partida das finais de 1997 (Jeff Haynes – 31.mai.1007/AFP)

Bom posicionamento? Sim, mas não apenas isso.

O ala-pivô, não tão alto (2,01 m) para os padrões da posição na NBA, tinha uma tática que funcionava excelentemente bem.

Em vez de saltar para agarrar a bola, dava um (ou mais de um) tapinha nela, tirando-a do domínio do oponente, para então ficar com a redonda.

Rodman era um jogador notado não só pelas qualidades como basqueteiro. Sua figura era peculiar.

Eu o achava esquisitíssimo, doidão, com suas tatuagens pelo corpo, piercing no nariz e nos lábios, cabelo curtíssimo tingido de loiro e, por vezes, em tons de rosa, roxo, verde, laranja.

Vestia-se de forma extravagante (chegou a usar trajes femininos), publicou uma barulhenta biografia, intitulada “Bad I As Wanna Be” (Mau como eu quero ser), e teve um affair com a popstar Madonna –disse uma vez que ela lhe ofereceu milhões de dólares para ter um filho com ele.

Dennis Rodman no filme de ação ‘A Colônia’, de 1997 (Reprodução)

Rodman, que também se aventurou como ator e lutador de luta livre (nas populares marmeladas norte-americanas), não teve um filho com a cantora, mas deixou uma prole de três, duas mulheres e um homem.

Uma delas herdou de forma indubitável os genes esportivos do pai, seguindo carreira na área. Não no basquete, todavia, mas no futebol.

Em entrevista à ESPN, em janeiro, ela falou sobre ser filha de quem é: “O mais difícil é haver sempre essa comparação, e esperarem que eu seja a lenda que ele foi. Deve-se haver uma distinção: ele foi um bem-sucedido jogador da NBA, e e eu serei uma bem-sucedida jogadora da liga nacional de futebol”.

Trinity Rodman tem ainda uma ficha curta, já que está somente iniciando uma carreira que promete levar ao estrelato.

Aos 18 anos, deixou de seguir a carreira universitária, sem ter jogado uma partida sequer, para se dedicar ao futebol profissional. Foi a segunda escolha na seleção de novatas (draft) de janeiro deste ano, tornando-se a mais jovem a ser draftada.

Diferentemente do pai, um astro na marcação, Trinity, que tem 1,78 m, é atacante e brilha no lado oposto, dentro das áreas adversárias, aterrorizando com sua velocidade, força física e habilidade as defensoras que a desafiam no “um contra um”.

Trinity (8) posa com seleção de base dos EUA, em março de 2020 (Reprodução/Instagram de Trinity Rodman)

Destaque com a bola nos pés desde os 10 anos, acumulando títulos nos campeonatos que disputava, ela é figurinha fácil nas seleções de base dos EUA, e não deve levar muito tempo para estar no time principal.

Neste sábado (12), a californiana fez sua estreia pelo Washington Spirit, na Challenge Cup. E, em seu primeiro jogo no profissionalismo, deixou sua marca.

Recebeu um lançamento nas costas da defesa, dominou com a coxa e chutou com o pé direito para as redes, na saída da goleira Rowland, tornando-se a mais jovem atleta a fazer um gol em uma competição da National Women’s Soccer League (Liga Nacional Feminina de Futebol).

Isso aos 15 minutos do segundo tempo, só cinco minutos depois de ter entrado em campo, vindo da reserva e vestindo a camisa 2, geralmente usada por laterais direitos –na seleção sub-20 dos EUA, seu número é o 8.

O gol, entretanto, não foi suficiente para impedir a derrota por 3 a 2 na partida em North Carolina, para o local Courage, da brasileira Debinha.

Mas que foi um início promissor da herdeira do “bad boy” Rodman, que por enquanto não mostrou características de “bad girl” (garota má) –não parece ter essa ídole–, isso foi.