De luto, teen entra em campo e em 5 segundos faz gol memorável

O luto é um processo de tristeza e amargor pelo qual todos passamos.

A perda de um ente querido é dolorosa e nos faz refletir sobre a fragilidade e o sentido da vida. Faz também buscar força, seja ela interna (oração, reflexão, aceitação) ou externa (apoio de amigos e parentes), ou ambas, para seguir em meio ao vazio gerado pela ausência dessa pessoa.

Um jovem argentino de 18 anos passou por isso há poucos dias.

Pablo Oro atuou pelo time B do Huracán na sexta-feira (19), na cidade de Paraná (cerca de 500 km ao norte de Buenos Aires), contra o time B do Patronato.

A Argentina tem uma liga da qual os segundos times dos clubes participam para dar espaço e tempo de jogo aos seus jovens jogadores. Dali eles sobem (ou não) para a equipe A.

Depois da partida, que terminou sem gols e na qual o meia-atacante nascido em San Luis (aproximadamente 800 km a oeste de Buenos Aires) atuou todo o tempo, Oro soube do falecimento de seu avô.

Em meio à triste notícia, o teen foi avisado de que o time principal do Huracán precisaria de um substituto para Diego Mendoza, atacante que se lesionara, e ele era o escolhido.

Mesmo tendo a opção de se desligar da delegação, a fim de viajar para o velório do avô, Oro, que já defendeu a seleção sub-17 de seu país, decidiu permanecer em Paraná com o grupo, negando-se a desfalcar a agremiação cujas cores defende desde 2016. Viveria o luto com sua segunda família.

No sábado, começou a partida pelo Campeonato Argentino diante do Patronato na reserva.

O 0 a 0 se prolongava no placar em uma tarde chuvosa no estádio Presbítero Bartolomé Grella, sem torcida devido à pandemia de coronavírus, até que na metade do segundo tempo o treinador Israel Damonte, que fazia sua despedida do cargo, olhou ao seu redor… e encontrou Oro.

Chamou-o para um breve aquecimento e, depois, ordenou que entrasse e desse seu melhor.

Com a camisa 42 (no time B ele veste a 9), Oro substituiu Abraham aos 27 minutos. Aos 29, estava na linha divisória quando o Huracán iniciou um contra-ataque.

Santiago Rezze percebeu o posicionamento de Oro, que recebia marcação individual do paraguaio Rolando García, e lançou o companheiro pelo alto.

Foram então cinco segundos e 35 metros de inspiração, velocidade e precisão.

 

Oro arrancou, deixando García, 13 anos mais velho, para trás, com o peito jogou a bola uns dez metros para a frente, e acelerou como um F1.

Deu um toque na bola, para que ela se aproximasse da meta defendida por Matías Ibáñez e, já dentro da área, chutou de bico, rasteiro, para o fundo do gol do Patronato.

De nada adiantou a corrida desesperada do zagueiro suíço Dylan Gissi, que ainda tentou, em vão, evitar com um carrinho o arremate certeiro de Oro. Ibáñez tampouco pôde fazer algo.

Então o jovem, emocionado, ajoelhou-se no gramado, apontou os dedos para o céu e depois cobriu o rosto com as mãos, antes de ser cercado por seus igualmente emocionados colegas de equipe, que o deitaram no campo e lhe falaram palavras de incentivo.

A lembrança do avô veio à tona, e o gol foi a melhor homenagem possível ao familiar querido que se fora horas atrás. Foi seu primeiro gol pela equipe principal do Huracán, em sua sétima aparição, sempre vindo da reserva.

Reluzente, a história de Oro, do recebimento da notícia, passando pela decisão tomada e chegando ao gol inolvidável, fica registrada como um dos grandes momentos do esporte em 2021.

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Em tempo: Um a zero foi o resultado da partida. O Huracán, que é de Buenos Aires, ocupa a nona colocação, entre 13 clubes, no Grupo B do Campeonato Argentino.