Treinar mulheres é punição a técnico que hostilizou árbitro na Alemanha

Causou controvérsia uma punição dada ao treinador do time sub-23 do Borussia Mönchengladbach, Heiko Vogel.

De acordo com publicação da ESPN, o castigo decorreu de conduta antidesportiva em relação à arbitragem na partida da equipe contra o Bergisch Gladbach, pela quarta divisão do Campeonato Alemão, no dia 30 de janeiro.

“Conduta antidesportiva”, nesse caso, é um eufemismo para o popular “xingar o juiz”, comportamento agressivo, mal-educado e disruptivo que inclui intimidá-lo verbalmente, com ataques incisivos à sua capacidade profissional e/ou com pesadas ofensas pessoais.

Como punição, Vogel, de 45 anos, não pôde dirigir o time por dois jogos, recebeu multa de € 1.500 (R$ 10 mil) e, eis a razão da polêmica, terá de ministrar seis sessões de treinamento a uma equipe feminina, seja ela adulta ou das categorias de base.

A sanção, aplicada pela Western German Football Association (WGFA) –federação responsável pelo campeonato regional que o time sub-23 do Borussia Mönchengladbach disputa–, recebeu críticas da Mulheres no Futebol, entidade alemã que apoia o avanço do futebol feminino e congrega jornalistas, estudiosos e fãs da modalidade.

“Isso mostra que o futebol praticado por mulheres e garotas não é levado a sério como acontece com homens e meninos”, disse Nicole Selmer, representante da associação.

Para ela, é passada a mensagem de que treinar uma equipe feminina tem conexão com castigo ou mau comportamento.

“Essa punição para o técnico iguala o trabalho de um treinador de time feminino a uma atividade social, e não é assim. O futebol feminino é um esporte, e os que dele participam são tão profissionais quanto os que atuam no futebol masculino.”

A WGFA e Vogel , que chegou a comandar um time na Liga dos Campeões da Europa (o Basel, da Suíça) no início da década passada, não fizeram comentários.

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